Os alunos do ensino secundário permanecem no meio do gás lacrimogéneo durante confrontos com a polícia de choque durante um protesto realizado esta sexta-feira sobre as condições do sistema educativo em Montpellier, no sul de França.
Os alunos do ensino secundário permanecem no meio do gás lacrimogéneo durante confrontos com a polícia de choque durante um protesto realizado esta sexta-feira sobre as condições do sistema educativo em Montpellier, no sul de França.HORCAJUELO GUILLAUME / EPA

Cerca de 400 escolas francesas fechadas devido aos protestos. Polícia brutalmente agredido

O ministro da Educação, Édouard Geffray, deverá reunir-se esta sexta-feira com os representantes dos estudantes. Quase 3000 alunos do secundário já foram detidos desde o início dos protestos.
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Cerca de 400 escolas em França estarão encerradas esta sexta-feira na sequência de protestos de estudantis se terem tornado violentos em alguns locais, segundo anunciou na quinta-feira à noite o ministro da Educação francês, Édouard Geffray. Em causa estão protestos contra a falta de professores e as condições precárias das instalações escolares, que tiveram início em setembro na região de Paris, mas, à medida que se têm alastrado ao resto do país, o nível de violência tem também aumentado.

Segundo dados do Ministério do Interior, quase três mil alunos do secundário, entre os 15 e os 18 anos, já foram detidos desde o início dos protestos, com destaque para 1949 só na quinta-feira. Mais de 300 polícias e dezenas de bombeiros, professores e alunos ficaram feridos.

Já o Ministério da Educação revelou dados esta sexta-feira ao início da tarde indicando que cerca de 100 escolas já sofreram danos graves durante os protestos, deixando 40 diretores feridos.

“Há uma minoria activa e violenta a participar nos protestos. Não temos sequer a certeza de que sejam realmente estudantes do ensino secundário”, disse esta sexta-feira o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, em entrevista à rádio RTL, acrescentado que cerca de dois terços dos detidos ficaram sob custódia policial. “Passámos de manifestações de alunos do ensino secundário para uma situação de perturbação da ordem pública. Quando as pessoas atacam autocarros e incendeiam escolas, já não se trata apenas de uma questão de protesto”.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou uma reunião de gabinete de crise, tendo dado instruções aos membros do executivo para cancelarem a sua agenda e lidarem com as manifestações. "Esta escalada de violência torna praticamente impossível manter a continuidade do ensino público e expõe os funcionários e os alunos a riscos", referiu o gabinete do chefe do governo.

Foi ainda anunciado que o ministro da Educação, Édouard Geffray, deveria reunir-se esta sexta-feira com os representantes dos estudantes. Após o encontro, segundo os media franceses, as organizações de estudantes e de ensino secundário convocaram novas mobilizações, lamentando a ausência de propostas com “medidas concretas”.

Inquérito aberto por tentativa de homicídio

Um polícia destacado para acompanhar protestos estudantis em Belfort, no nordeste de França, foi brutalmente agredido depois de outro agente, que estava de folga, ter detido um jovem, avançou à AFP esta sexta-feira o procurador de Belfort, Paul-Edouard Lallois.

De acordo com o magistrado, o polícia foi "atacado por uma multidão de jovens" perto da escola secundária Courbet, em Belfort, às 9:15 locais (10:15 em Lisboa), acrescentando que o grupo "deitou-o ao chão e espancou-o com socos e pontapés, atingindo-o sobretudo na cabeça".

Foi aberto um inquérito por tentativa de homicídio contra um agente público. Um jovem de 17 anos, aluno da Coubert, foi detido logo depois, não tendo sido ainda identificado como o autor das agressões contra o polícia.

"Estas imagens, de violência extrema, são insuportáveis. O polícia, que foi alvo deliberado da agressão, foi levado para o hospital depois de perder os sentidos. Felizmente, o seu estado de saúde já não inspira cuidados graves neste momento. Os meus pensamentos estão com ele", disse, por seu turno, o ministro do Interior, Laurent Nuñez.

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