Protesto estudantil em França: granada da polícia deixa aluno de 15 anos sem mão
Um jovem de 15 anos ficou sem uma mão na explosão de uma granada de dispersão lançada pela polícia francesa durante mais um dia de protesto e de contestação estudantil. A investigação inicial alega que o jovem teria apanhado a granada disparada por agentes das Companhias Republicanas de Segurança, especializadas no restabelecimento da ordem pública e no controlo de multidões, para a voltar a lançar. Mas as testemunhas rejeitam essa versão dos factos.
“Estávamos a correr, eles atiraram a bola... não sei o que era exatamente. Ele recebeu-a na mão e de repente explodiu!”, contou ao jornal La Voix du Nord uma jovem que estava frente ao Instituto Auguste Béhal em Lens, no norte de França. “Ele não a apanhou, eu estava ali, estava atrás dele, eu vi”, insistiu. O jovem de 15 anos que ficou sem a mão esquerda foi levado para o hospital, não correndo perigo de vida.
“Não estou em condições de afirmar categoricamente se o estudante do ensino secundário apanhou a granada ou se esta foi lançada contra ele”, disse o procurador de Béthune, Étienne Thieffry. Numa visita a uma escola secundária em Yvelines, o ministro da Educação, Edouard Geffray, manteve a mesma cautela.
“Não sei o que aconteceu nem em que circunstâncias isso ocorreu”, afirmou, admitindo que se trata de uma situação “humanamente dramática”.
Mais de duas centenas de estudantes protestavam no Instituto em Lens (um de 500 que terá fechado), tendo sido lançados vários objetos contra a polícia, incluindo pedras, morteiros e fogos de artifício.
Na semana passada, o governo disse que o movimento de protesto descambou em atos de “violência urbana”, acusando a esquerda radical da França Insubmissa de alimentar a contestação. Para esta terça-feira (6 de outubro) está convocado o “Ato III” da contestação estudantil, temendo-se mais violência.
Este incidente ocorre numa altura em que vários sindicatos e associações acusam o governo de “reprimir” as mobilizações dos alunos do ensino secundário com uma brutalidade “desproporcional”, para silenciar reivindicações “legítimas”. Seis investigações por parte das autoridades já estão em curso. Desde o início da contestação, 190 alunos já ficaram feridos, segundo o ministro da Educação.

