Centenas de feridos em confrontos com a polícia e mais de 6000 detidos durante protestos em França
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Centenas de feridos em confrontos com a polícia e mais de 6000 detidos durante protestos em França

Polícia disparou gás lacrimogéneo contra manifestantes que bloqueavam liceus, incendiavam objetos na via pública e lançavam projéteis, nomeadamente em Estrasburgo, Lyon e Rennes.
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As manifestações esta terça-feira, 6 de outubro, em várias cidades francesas, fez subir para 6100 o número detidos e para pelo menos 215 o número de feridos em confrontos com a polícia desde o início dos protestos, em setembro.

Pelo menos 256 mil pessoas estão a manifestar-se durante a tarde desta terça-feira em todo o país, das quais 56 mil na capital, segundo o Ministério do Interior. Porém, a organização do protesto aponta para números superiores: 450 mil em toda a França, 100 mil em Paris.

O Governo deu conta da detenção de 6100 pessoas desde o início das manifestações, a esmagadora maioria menores de idade. Mais de 1800 pessoas estão a ser alvo de processo judicial, incluindo 1483 menores.

Pelo menos 715 agentes policiais e 215 adolescentes ficaram feridos nos confrontos, de acordo com o Ministério da Justiça.

A polícia disparou gás lacrimogéneo contra manifestantes que bloqueavam liceus, incendiavam objetos na via pública e lançavam projéteis, nomeadamente em Estrasburgo, Lyon e Rennes, onde se registaram incidentes violentos.

Em Marselha e Nantes, em concentrações maioritariamente pacíficas, foram exibidos cartazes com mensagens como "O Estado matou a educação nacional". Já em Toulouse realizou-se uma manifestação em que pessoas que se intitularam como pais dando as mãos por uma marcha pela cidade.

O Sindicato dos Estudantes do Ensino Secundário informou que mais de metade dos liceus franceses estavam bloqueados ou encerrariam durante o dia, sendo que algumas autoridades locais do setor tentaram transferir as aulas para formato online.

O presidente francês, Emmanuel Macron, convocou para a noite desta terça-feira uma reunião de emergência no Eliseu com vários membros do Governo, entre os quais o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, e o ministro da Educação, Édouard Geffray.

Os protestos começaram em setembro em subúrbios desfavorecidos de Paris e rapidamente se espalharam pelo país. Maioria dos manifestantes dizem rejeitar os cortes no setor público e estar a contestar a falta de pessoal e a degradação das salas de aula.

Lecornu ordenou aos ministros que respondam às principais reivindicações legítimas dos estudantes.

Entretanto, o Governo francês acelerou a tramitação de uma lei para obrigar os pais dos menores a assumir os custos dos atos de vandalismo cometidos pelos filhos.

Com Ricardo Simões Ferreira

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