O que será discutido no Conselho Europeu desta quinta e sexta-feira?Esta reunião informal dos líderes dos 27 terá dois focos, como explicou António Costa na sua carta-convite: abordar o atual ambiente geopolítico e a resposta da Europa, e dar orientação política sobre o Quadro Financeiro Plurianual para 2028-2034, a fim de preparar o terreno para um acordo até ao final do ano. Como habitual, o encontro contará com a participação de Volodymyr Zelensky, que se juntará ao grupo durante o jantar desta quinta-feira, 23 de abril, um dia depois de ter visto finalmente aprovado o empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia.De que forma será discutida a situação no Médio Oriente?A proposta do presidente do Conselho Europeu para o primeiro dia da reunião é “discutir a nossa resposta a esta situação em rápida evolução” e que “representa sérios desafios” para o bloco, o que incluirá que contribuição poderá dar a Europa para a desescalada e a paz na região, bem como para a liberdade de navegação. De recordar que França e Reino Unido decidiram liderar uma coligação internacional para reabrir o Estreito de Ormuz (assim que as condições o permitirem, após um acordo de cessar-fogo sustentável), tendo esta quarta-feira, 22 de abril, sido anunciado que estrategas militares de mais de 30 nações estão a avançar esta semana com o planeamento detalhado para a reabertura do estreito. Na sexta-feira, de acordo com a carta-convite de Costa, “daremos continuidade às discussões sobre os acontecimentos atuais no Médio Oriente durante um almoço de trabalho informal com os líderes da região”.E quanto às repercussões na Europa desta crise? Serão também discutidos pelos líderes dos 27 “os instrumentos ao nosso dispor, com base nas decisões tomadas no Conselho Europeu de março e nas medidas propostas pela Comissão em resultado dessas decisões” para combater as consequências económicas negativas do conflito nos cidadãos e nas empresas, nomeadamente o preço dos combustíveis. Esta quarta-feira, a Comissão Europeia - lembrando que, nos primeiros 50 dias do conflito, foram gastos mais 24 mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis - revelou os seus planos para reduzir os impostos sobre a eletricidade e coordenar o reabastecimento de verão dos stocks de gás dos 27, mas evitando, para já, grandes intervenções, como o congelamento dos preços do gás ou a tributação dos lucros extraordinários das empresas de energia, como aconteceu em 2022. Bruxelas afirmou que também irá aconselhar os países sobre quando e onde libertar os stocks de petróleo de emergência e trabalhar em medidas para maximizar a capacidade das refinarias de petróleo da Europa. No âmbito do programa AccelerateEU, Bruxelas pretende ainda coordenar os esforços dos 27 para abastecer os stocks de gás nos próximos meses (para evitar picos de preços). Quanto ao setor da aviação, o executivo comunitário pretende reforçar o fornecimento de combustível de aviação e propor medidas sobre a distribuição das importações de combustível de aviação pelos 27 para evitar escassez.Por que motivo esta reunião se realiza em Chipre?O motivo é simples: a presidência rotativa do Conselho da União Europeia é ocupada até ao final de junho por Chipre. Um mandato que tem sido condicionado por causa da guerra contra o Irão - com as bases britânicas na ilha a serem alvo de ataques de drones no início de março -, o que levou ao adiamento de várias reuniões previstas para Nicósia ou à sua realização online. Estes incidentes levaram a que fosse incluída na agenda desta reunião informal a possibilidade de se invocar o Artigo 42(7) do Tratado da UE, a clausula de assistência mútua.Como será a discussão do orçamento comunitário?Na sessão de trabalho na manhã de sexta-feira, os líderes dos 27 abordarão o próximo Quadro Financeiro Plurianual, discussão que esteve prevista para o encontro de março, mas que foi adiada. “Desde então, tornou-se ainda mais urgente. Precisamos de ter uma discussão aberta sobre como podemos conciliar as nossas ambições com o nível de financiamento adequado”, sublinha Costa. Segundo o Politico, o português está a pressionar os líderes da UE para que avancem com o próximo orçamento do bloco, avaliado em 1,8 biliões de euros, nesta cimeira, de forma a conseguir um acordo até final do ano, como Costa assume na carta-convite. Uma das questões centrais desta urgência tem a ver com a negociação de novos impostos na UE para arrecadar novas receitas e o facto de dentro de um ano haver eleições presidenciais em França, com o risco de o sucessor de Emmanuel Macron ser do partido de extrema-direita Reagrupamento Nacional. O próximo ano será ainda marcado por legislativas em Espanha e Itália, o que poderá ainda criar mais incertezas nas negociações.Após a sua derrota eleitoral esta será também a despedida de Orbán destas reuniões...Sim, mas o ainda primeiro-ministro húngaro - até agora o líder com maior longevidade entre os 27 (16 anos) - fez saber que não marcará presença, alegando estar ocupado com a transição de poder em Budapeste, e que também não delegará a sua representação em nenhum líder, já que este é um encontro informal. Desta forma ficará para a história o Conselho Europeu de 19 de março como sendo o último em que esteve presente e em que usou o seu veto (é o recordista do uso deste poder) uma derradeira vez para bloquear o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, acordado originalmente na cimeira de dezembro e na qual negociou a não participação da Hungria neste encargo financeiro (a par da Eslováquia e da Chéquia). .Cimeira da UE. Orbán recusa levantar bloqueio ao empréstimo de 90 mil milhões à Ucrânia.Zelensky elogia aprovação de empréstimo europeu para a Ucrânia