Documentos revelados na quinta-feira revelam que a rainha Isabel II se mostrou "muito interessada" em que o filho fosse nomeado para o cargo de enviado comercial, em 2000.
Documentos revelados na quinta-feira revelam que a rainha Isabel II se mostrou "muito interessada" em que o filho fosse nomeado para o cargo de enviado comercial, em 2000.FOTO:EPA/NEIL HALL

Polícia britânica pede informações sobre possíveis crimes sexuais a envolver o ex-príncipe André

Autoridades avisam que o crime de conduta imprópria em cargo público, pelo qual foi detido e interrogado em fevereiro, é muito amplo. E avisam que a investigação vai demorar tempo.
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A polícia que está a investigar Andrew Mountbatten-Windsor pediu esta sexta-feira (22 de maio) a testemunhas que entrem em contacto caso acreditem ter informações sobre alegados casos de má conduta sexual, corrupção, fraude ou partilha de informações confidenciais envolvendo o irmão do rei Carlos III.

O antigo príncipe André foi detido pelas autoridades na sua casa em Norfolk a 19 de fevereiro, dia em que cumpriu 66 anos, e interrogado durante horas. Isto depois da divulgação, por parte do Departamento de Estado, de milhares de documentos relacionados com o falecido pedófilo Jeffrey Epstein (de quem o então príncipe André era amigo).

A detenção surgiu por suspeita de conduta imprópria em cargo público, com Andrew Mountbatten-Windsor a ser acusado de ter passado informações confidenciais a Epstein. O antigo príncipe, que perdeu todos os cargos por causa do escândalo, nega qualquer crime.

"A investigação é, por necessidade, extremamente minuciosa e levará tempo", disse aos jornalistas Oliver Wright, subchefe da polícia responsável pela condução do inquérito. "Não será uma investigação rápida, de forma alguma", acrescentou.

A polícia da região de Thames Valley indica ainda que a infração de conduta imprópria em cargo público pode incluir crimes sexuais.

“A má conduta em cargo público é um crime que pode assumir diferentes formas, tornando esta investigação complexa. A nossa equipa de detetives altamente experientes está a trabalhar meticulosamente com base numa quantidade significativa de informações recebidas do público e de outras fontes. Estamos empenhados em conduzir uma investigação completa, seguindo todas as linhas de investigação razoáveis, independentemente de onde nos levem", referiu.

"Em relação às vítimas e sobreviventes de Epstein, esperamos que qualquer pessoa com informações relevantes se apresente e quero realçar que as nossas portas estão abertas sempre que uma vítima ou sobrevivente estiver pronto para nos contactar. Estamos prontos para os receber, seja qual for o momento", concluiu.

As declarações da polícia surgem depois de, na quinta-feira (21 de maio), o governo britânico ter divulgado documentos confidenciais relacionados com a nomeação de Mountbatten-Windsor como enviado comercial em 2000.

Esses documentos mostram como Isabel II se mostrou "muito interessada" em que o filho assumisse esse cargo - um posto semelhante era desempenhado até então pelo primo da rainha, o duque de Kent.

Num memorando datado de fevereiro de 2000 enviado ao então secretário dos Negócios Estrangeiros Robin Cook, o na altura diretor-executivo da British Trade Internacional disse que a rainha queria que o príncipe assumisse um "papel de destaque na promoção dos interesses nacionais".

Andrew acabou por ser nomeado, sem que tivesse passado por qualquer avaliação de segurança, ocupando o cargo até 2011 (quando as primeiras polémicas em torno da amizade com Epstein vieram a público).

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