Nuclear é 'linha vermelha' nas negociações com Teerão
ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

Nuclear é 'linha vermelha' nas negociações com Teerão

Os presidentes da China e dos EUA defenderam, em Pequim, a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego de hidrocarbonetos sem taxas e um Irão sem armas nucleares.
Publicado a
Atualizado a

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou na quarta-feira (13 de maio) haver "progressos" nas negociações com o Irão para pôr fim ao conflito, mas sublinhando que o acesso da República Islâmica a armas nucleares é uma 'linha vermelha' para Washington. Já esta quinta-feira, 14, os presidentes da China e EUA defenderam a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego de hidrocarbonetos sem taxas e concordaram que o "Irão nunca deve ter uma arma nuclear".

Os presidentes da China e EUA defenderam esta quinta-feira (14 de maio) a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego de hidrocarbonetos sem taxas. Os dois países concordaram ainda que o "Irão nunca deve ter uma arma nuclear".

Donald Trump e Xi Jinping consideraram que "o estreito de Ormuz deve permanecer aberto para apoiar o livre fluxo de energia", segundo o comunicado da Casa Branca, numa altura em que Donald Trump está de visita à China.

Durante as conversações, o presidente Xi "manifestou interesse em comprar mais petróleo americano para reduzir a dependência da China em relação ao Estreito de Ormuz", segundo a declaração da presidência norte-americana.

Trump está em Pequim para dois dias de reuniões com o presidente chinês, Xi Jinping, numa viagem ensombrada pela crise com o Irão, enquanto os Estados Unidos procuram que a China, o principal comprador de petróleo iraniano, convença Teerão a reabrir o Estreito de Ormuz.

EPA/Maxim Shemetov / POOL

Na quarta-feira, em conferência de imprensa, Vance indicou que manteve contactos com Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados da Casa Branca encarregues de negociar com o Irão, bem como com aliados norte-americanos no mundo árabe, que recusou identificar.

"Acho que houve progressos. A questão fundamental é se estamos a progredir o suficiente para atingir a 'linha vermelha' do presidente (Donald Trump)", disse Vance, enfatizando que esta é a de que a República Islâmica não obtenha uma arma nuclear.

Trump rejeitou esta semana as mais recentes propostas iranianas, comparando o cessar-fogo em vigor a um paciente "em estado crítico".

Nuclear é 'linha vermelha' nas negociações com Teerão
Cessar-fogo está “ligado à máquina”, mas Trump continua a crer num acordo

Os Estados Unidos e o Irão encontram-se num processo de diálogo mediado pelo Paquistão. As divergências têm impedido a realização de uma segunda reunião em Islamabade, que acolheu o primeiro encontro direto após o cessar-fogo de 8 de abril, que foi entretanto prorrogado por tempo indeterminado.

O conteúdo da proposta inicial norte-americana não foi divulgado, mas, segundo alguns meios de comunicação social, o documento contém um memorando de entendimento para pôr fim aos combates, que já causaram milhares de mortos desde o início da guerra, e para estabelecer uma estrutura para as negociações sobre a questão nuclear iraniana.

Na sua resposta, o Irão exige o fim imediato das hostilidades na região, incluindo no Líbano, onde os ataques israelitas e do Hezbollah pró-iraniano continuam apesar de mais um cessar-fogo.

Teerão exige ainda o levantamento do bloqueio naval norte-americano aos seus portos e o desbloqueio dos ativos iranianos detidos no estrangeiro, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Trump acenou com a ameaça de retomar a sua operação para impedir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, que está bloqueado pelo Irão.

Vance defendeu ainda Trump depois de o presidente ter dito aos jornalistas na terça-feira que não estava preocupado com "a situação financeira do povo norte-americano" no meio do conflito no Médio Oriente e do aumento dos preços da gasolina.

"Bem, não acho que o Presidente tenha dito isso. Acho que é uma deturpação das suas palavras", afirmou Vance, reiterando que concorda com Trump que o Irão "não deve ter uma arma nuclear".

"Mas, claro, tanto o presidente como eu, e toda a equipa, estamos preocupados com a situação financeira do povo norte-americano", ressalvou.

Teerão respondeu ao ataque norte-americano e israelita iniciado em 28 de fevereiro atacando com mísseis e 'drones' instalações militares e petrolíferas de países vizinhos e ainda bloqueando o Estreito de Ormuz, via essencial para o escoamento da produção de petróleo e gás da região.

O bloqueio do estreito de Ormuz e os recentes ataques e apreensões de navios iranianos na zona por parte das forças norte-americanas foram alguns dos motivos apontados por Teerão para não participar nas negociações em Islamabade, dado que considera estas ações como uma violação do cessar-fogo.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse na terça-feira que o curso de ação mais racional e benéfico para Teerão é alcançar a vitória no campo de batalha através de negociações com Washington.  

Ao mesmo tempo, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que não há alternativa para o fim da guerra senão a aceitação da proposta de Teerão por parte dos Estados Unidos.

Nuclear é 'linha vermelha' nas negociações com Teerão
Irão ameaça enriquecer urânio a 90% se for atacado. Reino Unido lança missão de segurança no estreito de Ormuz
Diário de Notícias
www.dn.pt