Mega sondagem indica que metade dos britânicos quer voltar à União Europeia
Metade dos britânicos quer voltar a aderir à União Europeia (UE) e apoiar esta ideia pode aumentar os votos do Partido Trabalhista, do primeiro-ministro Andy Burnham, revela uma mega sondagem.
A preferência pessoal do líder do Governo para o regresso à UE depois das próximas eleições é apoiada por quase metade de todos os eleitores, embora alguns dos seus ministros o estejam a aconselhar em privado a proceder com cautela, preocupados com a possibilidade de reabrir as divisões em torno do Brexit.
A sondagem do Messina Group (TMG) apurou também que a renegociação da relação do Reino Unido com a UE poderia aumentar a percentagem de votos do Partido Trabalhista até sete pontos percentuais, caso o primeiro-ministro decida avançar para um novo referendo e fazer campanha pela reentrada no bloco comunitário.
Quase um terço dos inquiridos indicou que seria necessário primeiro um referendo, enquanto mais de um em cada seis considera que seria suficiente um compromisso pré-eleitoral e a mesma proporção acredita que o parlamento pode tomar a decisão.
A TMG entrevistou 11.461 pessoas entre 12 e 24 de setembro sobre sete opções diferentes para o relacionamento com a UE. A mais popular foi a readmissão, com 49% a favor e 28,5% contra. A segunda opção foi manter a relação existente, mas reduzir ao máximo as barreiras comerciais, com 48,2% a favor 20,9% contra. A união aduaneira veio logo a seguir, com 47,1% contra 20,7%. A adesão ao mercado único e a adesão como membro associado ficaram praticamente empatadas (45,1% e 45,5%), enquanto a manutenção da relação existente foi apoiada por 42%. A sétima opção, o Reino Unido distanciar-se ainda mais da UE, foi apoiada por apenas 27,9%, com 41,2% contra.
O primeiro-ministro britânico afirmou desejar ver a reentrada na União Europeia durante o seu "tempo de vida", tendo anunciado na terça-feira uma revisão das opções para a futura relação do Reino Unido com a União Europeia, acrescentando posteriormente que entre as opções deve estar a reentrada no bloco.
No entanto, há o receio entre alguns deputados trabalhistas, especialmente os que votaram pelo Brexit, que o apoio à reentrada seja arriscado politicamente e possa impulsionar o Partido Reformista.
Lucy Powell, vice-líder do Partido Trabalhista, afirmou que, embora a relação em matéria de defesa e segurança pudesse ser melhor, ir além dos planos de reajustamento com a UE herdados de Keir Starmer “não é possível nem desejável”. O secretário do Comércio, Jonathan Reynolds, disse que “questões constitucionais” em torno da relação do Reino Unido com a UE estavam a causar incerteza às empresas. Já a secretária do Interior, Shabana Mahmood, afirmou que a readmissão “não é algo simples e direto” e que os custos poderiam ser inaceitáveis.

