O novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, reiterou esta terça-feira (21 de julho) que o foco do seu governo será lidar com o custo de vida, pedindo aos ministros que encontrem formas, grandes ou pequenas, de reduzir a pressão sobre as famílias e dar-lhes a sensação de que “a ajuda está a chegar”. O dia no n.º 10 de Downing Street começou com o primeiro anúncio: o fim da cobrança de IVA (5%) nas faturas domésticas de eletricidade a partir de 1 de outubro, o que poderá levar as famílias a poupar 45 libras por ano (cerca de 53 euros). Mas os críticos (incluindo trabalhistas) foram rápidos a perguntar: de onde vem o dinheiro?Com os mercados atentos, o primeiro-ministro disse que a medida será paga com os 1,8 mil milhões de libras (2,1 mil milhões de euros) que o governo vai poupar ao cancelar o plano de introduzir bilhetes de identidade digitais (DigitalID, uma medida controversa de Keir Starmer). Mas o antigo braço direito do ex-primeiro-ministro, Darren Jones, lembrou rapidamente que esse programa não estava financiado.“É uma boa notícia que o IVA da fatura das eletricidades seja cortado. É uma forma simples de as famílias pouparem um pouco e, mecanicamente, ajudar a manter a inflação um pouco mais baixa”, escreveu Jones no X. “Mas o programa DigitalID não recebeu financiamento. O governo terá que explicar como irá financiar as suas novas políticas no orçamento”, concluiu. Jones tutelava esse programa e foi um dos aliados de Starmer que perdeu o emprego com a entrada de Burnham em Downing Street, com o novo primeiro-ministro a ter que evitar divisões no Labour. Só sete dos 27 ministros do anterior governo conseguiram ficar no novo, a maioria por ter defendido junto de Starmer que estava na hora de sair e dar lugar a Burnham. Mas as críticas sobre os custos das novas medidas não vêm só do Labour. A líder da oposição, Kemi Badenoch, usou o mesmo argumento. “Saúdo as medidas para reduzir o custo da energia, que continua demasiado elevado devido às políticas de Ed Miliband”, indicou, referindo-se ao ex-ministro da Energia de Starmer, que é agora o chefe da diplomacia. “Mas a questão é saber como Burnham vai financiar todas estas novas medidas sem aumentar os impostos nem recorrer a mais endividamento”, acrescentou. “Não se pode usar o financiamento de um programa que nunca teve financiamento assegurado para pagar contas de energia mais baixas”, insistiu.Burnham disse, no Conselho de Ministros, que quer que o governo esteja focado em medidas para ajudar as famílias com o custo de vida. Mas também lembrou a promessa da “disciplina fiscal”, herdada do programa eleitoral de Starmer.Na prática, são uma série de regras autoimpostas que visam garantir aos mercados que o governo não irá financiar a despesa corrente do Estado com o aumento descontrolado do endividamento e o aumento da dívida pública (ainda no rescaldo da crise de 2022, provocada pelo miniorçamento da então primeira-ministra Liz Truss).O novo ministro das Finanças, John Healey, insistiu também na ideia de “credibilidade fiscal” durante o Conselho de Ministros, garantindo que só assim haverá estabilidade económica, crescimento e segurança nacional. Healey, antigo titular da pasta da Defesa, foi a grande surpresa no governo de Burnham, já que tinha saído em desacordo com Starmer e a despesa prevista para a Defesa, que considerava insuficiente. Agora terá a tarefa de arranjar dinheiro (mais 17,3 mil milhões de libras ou 20 mil milhões de euros por ano) para cumprir a meta de gastar 3% do PIB até 2030, que defendia quando estava na pasta anterior.O novo ministro da Defesa é Wes Streeting, o antigo titular da Saúde que se demitiu com a ameaça de desafiar Starmer na corrida à liderança do Labour, mas acabou por desistir a favor de Burnham. Streeting não tem experiência na Defesa, havendo quem defendesse que Dan Jarvis (o antigo militar que assumiu o cargo após a saída de Healey) devia ter continuado. Outros lembram que é mais importante, neste momento, ter Healey nas Finanças, desde que este se comprometa em aumentar o orçamento para a Defesa. .Reino Unido: Burnham limpa governo de aliados de Starmer e surpreende com a nomeação para as Finanças.Novo governo britânico vai abolir IVA sobre eletricidade no próximo inverno