Andy Burnham na conferência do Labour, em Liverpool, esta quarta-feira (30 de setembro).
Andy Burnham na conferência do Labour, em Liverpool, esta quarta-feira (30 de setembro).FOTO:EPA/ADAM VAUGHAN

Burnham abre a porta ao regresso do Reino Unido à UE: "Podemos ir até ao fim"

Primeiro-ministro britânico lembrou que o Brexit "fez mais mal do que bem" ao país e explicou que há várias hipóteses em cima da mesa.
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Depois de na conferência anual do Partido Trabalhista em Liverpool ter dito que o Brexit "fez mais mal do que bem" ao Reino Unido e anunciar que ia apresentar "as diferentes opções" que existem para a "relação de longo prazo com os parceiros europeus" na esperança "de que possa haver consenso em torno de uma", o primeiro-ministro britânico sugeriu numa entrevista à BBC que "ir até ao fim", isto é, voltar a entrar no bloco, é uma das hipóteses que está em cima da mesa.

"Podemos continuar como estamos. Esta é, sem dúvida, uma opção, caso as pessoas considerem que este é o lugar certo para ficar", disse Andy Burnham, que insistiu que é preciso analisar as várias possibilidades quando questionado diretamente sobre reentrar na União Europeia (UE).

"Podemos analisar o que [o ex-ministro das Finanças] George Osborne disse sobre uma união aduaneira ou o que os liberais-democratas disseram na sua conferência sobre o mercado único. Ou podemos ir até ao fim", acrescentou.

"Há claramente opções que precisam de ser consideradas, e temos de avaliar o que é viável e quais seriam os prós e os contras de cada uma", acrescentou.

Burnham foi mais longe do que o antecessor, Keir Starmer, que defendia uma "relação mais próxima" com a UE, mas deixava claro que havia "linhas vermelhas" que não estava disponível para ultrapassar, rejeitando voltar à união aduaneira ou ao mercado único mais alargado como membro de pleno direito.

O tema deverá ser discutido na segunda cimeira entre a União Europeia e o Reino Unido, que estava inicialmente prevista para julho, mas foi adiada para o final do ano depois de Starmer ter anunciado a sua demissão.

Burnham sucedeu-lhe a 20 de julho, tendo na conferência do ano passado (quando nem sequer tinha voltado ao Parlamento e não podia desafiar o primeiro-ministro) defendido que que gostaria de regressar à UE (mas suavizando o seu discurso sobre o Brexit na campanha para regressar a Westminster).

Ainda em maio, tinha dito "Não estou a propor que o Reino Unido considere regressar à UE." Mas já este mês, não tinha descartado essa possibilidade.

Críticas da oposição

Os conservadores já reagiram. "Não se pode confiar numa única palavra de Andy Burnham. Há apenas algumas semanas, ele dizia querer ultrapassar as discussões sobre o Brexit e, agora, está a arrastar o Reino Unido de volta a elas ao aventar a perspectiva de regressar à UE", disse o vice-líder dos Tories, Alex Burghart.

"O Partido Trabalhista não pode culpar uma votação democrática ocorrida há mais de uma década pelas consequências das suas próprias decisões económicas. Enquanto olham para o passado, os conservadores olharão para o futuro", acrescentou, citado pela Sky News.

O número dois do Reform UK, Richard Tice, também já criticou as declarações de Burnham, falando na "traição" do primeiro-ministro. "Mal se tornou primeiro-ministro há cinco minutos e já está a tentar fazer-nos entrar sorrateiramente de volta a Bruxelas pelas portas das traseiras", indicou num comunicado.

"O Reform UK nunca deixará esta traição passar sem resposta", acrescentou.

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