Andy Burnham, novo líder do Partido Trabalhista, irá suceder a Keir Starmer como primeiro-ministro britânico
Andy Burnham, novo líder do Partido Trabalhista, irá suceder a Keir Starmer como primeiro-ministro britânicoEPA/ANDY RAIN

Burnham declarado líder do Partido Trabalhista britânico. Promete "devolver a esperança" aos britânicos

Na segunda-feira (20 de julho), Keir Starmer deve apresentar formalmente a demissão ao rei Carlos III. Monarca deverá depois convocar Burnham para formar governo.
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Andy Burnham foi esta sexta-feira, 17 de julho, declarado oficialmente líder do Partido Trabalhista, abrindo o caminho para suceder a Keir Starmer como primeiro-ministro britânico na próxima semana. 

O novo líder trabalhista e próximo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou que quer devolver esperança à população e reconstruir o partido como uma força política unida.

Após o anúncio oficial do resultado da eleição interna, o novo líder agradeceu o apoio de deputados, sindicatos e estruturas do partido. 

Esta eleição, reivindicou, reflete um apelo vindo de "lugares esquecidos" em todo o país para recuperar "o Partido Trabalhista que conheciam".

"Vamos devolver-lhes a esperança", garantiu.

O dirigente comprometeu-se a liderar um partido mais coeso, afastado de divisões internas, defendendo uma política menos centrada no confronto partidário e mais orientada para resultados.

Burnham elogiou o antecessor, Keir Starmer, atribuindo-lhe o mérito de ter conduzido o partido "da pior derrota a uma das maiores vitórias da história" da formação, destacando medidas como o reforço dos direitos laborais, a redução das listas de espera no serviço público de saúde, a nacionalização dos comboios e a aprovação da "Lei de Hillsborough".

Evocando a experiência política e a ligação a comunidades operárias, o novo líder criticou as políticas seguidas desde os anos 1980, que, disse, concentraram o poder político e económico, agravaram desigualdades regionais e enfraqueceram cidades industriais.

"As quatro décadas de neoliberalismo que tiveram início na década de 1980 não foram favoráveis aos locais que deram origem ao nosso partido, nem às comunidades de todo o Reino Unido, tanto nas zonas rurais como nas zonas costeiras", sublinhou.

Burnham defendeu uma mudança de rumo, com maior controlo público sobre setores essenciais como habitação, água, energia e transportes, e uma estratégia de reindustrialização que devolva capacidade de decisão às regiões.

Entre as prioridades, referiu também o reforço da unidade interna do partido, a promoção de uma "nova política" com uma orientação "claramente trabalhista".

"Podemos ser aquele partido que coloca mais poder nas mãos das pessoas, promove um crescimento positivo em todos os códigos postais, e traz esperança a todos os corações; que faz com que o país volte a unir-se e ultrapasse as divisões dos últimos anos", disse. 

No final, Burnham assegurou que pretende manter uma liderança próxima dos cidadãos.

"Não vou mudar. Tenho um estilo. É o meu estilo. Vou manter-me sempre com os pés no chão, próximo das pessoas", garantiu.

Obteve o apoio de 94% do grupo parlamentar

O Partido Trabalhista confirmou oficialmente o resultado da corrida à liderança para substituir Starmer, na qual Burnham foi o único candidato, durante um congresso extraordinário realizado em Londres. 

"Não havendo nenhum outro candidato nomeado que preenchesse os requisitos, é, portanto, uma honra para mim declarar que o líder devidamente eleito do Partido Trabalhista é Andy Burnham", afirmou a ministra do Interior, e dirigente do Partido Trabalhista, Shabana Mahmood.

O ex-presidente da Câmara de Manchester obteve o apoio de 379 deputados trabalhistas, 94% do total de 403, o que excluiu uma candidatura rival, pois precisaria de um apoio mínimo de 81 deputados, equivalentes a 20% do grupo parlamentar.

A deputada Catherine West recebeu uma única nomeação, ficando inelegível. 

Dos sindicatos e associações sociais afiliados ao partido, Burnham recebeu um total de 23 nomeações, incluindo todos os 11 sindicatos, superando largamente o requisito de apoio de 5% de organizações associadas.

Durante a introdução, a vice-líder, Lucy Powell, afirmou acreditar que o partido sai "mais forte, mais unido" deste processo e, com o "novo líder ao leme", pode "mudar a vida das pessoas para melhor" e "restaurar a fé na política, restaurar a confiança no Partido Trabalhista".

Na segunda-feira, Keir Starmer deve apresentar formalmente a demissão ao Rei Carlos III, levando o monarca a convocar Burnham para formar governo enquanto líder do partido com maioria parlamentar sem desencadear eleições legislativas.

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