Potencial sucessor de Keir Starmer na liderança do Labour e do governo, Andy Burnham fez esta segunda-feira, 29 de junho, o seu primeiro discurso sobre o rumo que pretende dar ao Reino Unido caso chegue ao poder, prometendo dar mais poder aos líderes locais e a transferir parte do gabinete do primeiro-ministro para Manchester - até ser eleito deputado há duas semanas, era autarca de Grande Manchester - garantindo que “esta será a maior mudança na forma como o país é gerido nas nossas vidas”. De recordar que, se continuar sem adversários para a liderança do Partido Trabalhista, Burnham deverá assumir o cargo de primeiro-ministro no dia 20. “Criaremos um Estado mais ágil e com um propósito mais claro para impulsionar todas as regiões do país, concentrando esforços de forma precisa e intensa no crescimento e na regeneração, um crescimento de qualidade”, afirmou Burnham, que fez o seu discurso precisamente em Manchester. “A mudança será conduzida a partir do gabinete do primeiro-ministro, através de uma operação alargada sediada aqui em Manchester. Mas o ponto fundamental é este: a sede será aqui, mas a missão do ‘Número 10 do Norte’ será canalizar poder e recursos para as Midlands, para o Sudoeste, para o Leste de Inglaterra e, sim, para Londres”.Para Burnham, que é conhecido como “rei do Norte”, a criação deste novo polo governamental tornará Manchester no “centro nevrálgico de uma Grã-Bretanha reestruturada”, esclarecendo ainda que os autarcas regionais passariam a ter poderes mais alargados em áreas como habitação, assistência social e educação. Este “Número 10 do Norte”, conforme explicou, terá três objetivos “claros” de forma a descentralizar poderes - alargar a propriedade pública de serviços essenciais, como a água, a energia e a habitação; reindustrializar extensas áreas do país; e revitalizar cidades, dando prioridade a localidades que tinham sido deixadas para trás - justificando esta intenção com o facto de considerar que o sistema centralizado em Londres está “quebrado” e que uma abordagem de “mais do mesmo” não irá melhorar o nível de vida nem restaurar a confiança das pessoas na política.“Que esperança podemos ter de que será diferente desta vez? Essa é a pergunta que eu faria se fosse um eleitor agora”, questionou. “Westminster [o parlamento britânico] não tem funcionado para as pessoas, e isso já acontece há muito tempo. Na verdade, o sistema está quebrado. E, como resultado, o país não está onde deveria estar. Está estagnado e, claramente, não podemos continuar assim”.E deixou ainda mais um recado a Whitehall, nome pelo qual são conhecidos os departamentos do governo. “Os dias em que Whitehall combatia a devolução de poderes às regiões e às nações chegaram definitivamente ao fim”..Burnham livra-se de potencial rival e já prepara o governo (mas gera polémica).Starmer demite-se e deixa a porta aberta à “coroação” do “rei do Norte”