Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano
Marco Rubio, secretário de Estado norte-americanoEPA/SHAWN THEW / POOL

Futuro da ilha do Ártico em discussão. Rubio e Vance recebem ministros da Dinamarca e da Gronelândia

Ministros dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e da Gronelândia vão estar na Casa Branca para, "olhos nos olhos", falar com Rubio e Vance sobre as ameaças de Trump sobre o território do Ártico.
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O repetido interesse de Donald Trump na Gronelândia, com ameaças de que os EUA irão explorar a ilha do Ártico "da maneira mais fácil ou da mais difícil", levou os ministros dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e da ilha do Ártico a pedirem uma reunião com o secretário de Estado Marco Rubio. O encontro vai acontecer esta quarta-feira, 14 de janeiro, em Washington, onde estará também JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos.

Com o argumento de que os EUA precisam do território autónomo da Dinamarca por uma questão de "segurança nacional", o presidente norte-americano tem lançado vários avisos de que vão anexar a Gronelândia "de uma forma ou outra", tendo, no entanto, descartado o envio de tropas norte-americanas para a ilha do Ártico por “não achar necessário".

Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano
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"O motivo pelo qual solicitamos esta reunião foi para levar toda esta discussão a uma sala de reuniões onde possamos, olhos nos olhos, conversar sobre estes assuntos", afirmou Lars Lokke Rasmussen, chefe da diplomacia dinamarquesa. Ele e a sua homóloga da Gronelândia, Vivian Motzfeldt, vão ouvir o que a administração Trump tem para dizer sobre as recentes ameaças de anexação do território do Ártico.

Gronelândia "não está à venda" e "não quer ser governada pelos EUA"

Uma das hipóteses que os EUA admitem é a possibilidade de o governo norte-americano oferecer pagamentos diretos aos habitantes da Gronelândia, segundo avançou, na semana passada, a Reuters.

Fontes da agência de notícias indicaram que os valores poderiam variar entre os 10 mil e os 100 mil dólares (entre cerca de 8500 e 85 mil euros, aproximadamente) por pessoa. A Gronelândia tem cerca de 57 mil habitantes.

Sobre esta hipótese, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, foi esta terça-feira (13) peremptória: "A Gronelândia não está a venda".

O primeiro-ministro da ilha do Ártico, Jans-Frederik Nielsen, reforçou esta posição e diz que o território pertence aos gronelandeses. "É também essa a mensagem que levaremos connosco para os EUA amanhã", disse. "Uma coisa deve ser clara para todos: a Gronelândia não quer ser propriedade dos EUA, a Gronelândia não quer ser governada pelos EUA", enfatizou Nielsen.

 "O vice-presidente dos EUA, JD Vance, também manifestou o desejo de participar da reunião e será o anfitrião da reunião, que, portanto, acontecerá na Casa Branca", disse Rasmussen sobre o encontro desta quarta-feira em Washington.

No domingo, a bordo do Air Force Onde, avião presidencial, Donald Trump alertou para o perigo de outros países anexarem a ilha, caso os EUA não o façam. “Se não tomarmos a Gronelândia, a Rússia ou a China vão fazê-lo, e eu não vou deixar que isso aconteça”, disse o presidente norte-americano, desvalorizando o impacto que tal situação teria na NATO.

Aliás, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, foi uma das vozes a levantar-se contra a pretensões de Donald Trump, tendo afirmado que uma possível anexação teria como consequência o fim da Aliança Atlântica.

Além da reunião da Casa Branca, há outros esforços diplomáticos a decorrerem, nomeadamente o encontro agendado para segunda-feira (19 de janeiro), em Bruxelas, entre o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte. A ministra dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeldt, também irá participar nesta reunião em que se vai discutir a segurança do Ártico.

As ameaças de Trump sobre uma possível anexação da ilha do Ártico levaram líderes europeus, entre os quais o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, a subscrever uma declaração conjunta de apoio à Dinamarca, enfatizando que a "Gronelândia pertence ao seu povo."

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