O governo da Gronelândia respondeu esta segunda-feira, 12 de janeiro, às mais recentes declarações de Donald Trump sobre o seu desejo de assumir o controlo da ilha, reafirmando que Nuuk “não pode aceitar isto de forma alguma”. No mesmo comunicado é dito ainda que o executivo “intensificará os seus esforços para garantir que a defesa da Gronelândia ocorra sob os auspícios da NATO”, recordando que fazem parte da aliança como território da Dinamarca. “Todos os Estados-membros da NATO, incluindo os Estados Unidos, têm um interesse comum na defesa da Gronelândia, e a coligação governamental da Gronelândia trabalhará, por conseguinte, com a Dinamarca para garantir que o diálogo e o desenvolvimento da defesa na Gronelândia ocorram no âmbito da cooperação da NATO”, refere o mesmo comunicado. “Sei que muita gente está a acompanhar a situação de perto. E entendo se houver alguma preocupação. Por isso é importante ser completamente claro. A Gronelândia faz parte do Reino da Dinamarca e parte da NATO através da Commonwealth. Isto significa que a nossa segurança e defesa pertencem à NATO. É uma linha fundamental e firme”, reforçou o primeiro-ministro gronelandês numa mensagem no Facebook.Jens-Frederik Nielsen reconheceu que a ilha “tem recebido muita atenção internacional” e que “isso em si é positivo”, refletindo a “importância estratégica” da Gronelândia, mas deixou claro que “somos uma sociedade democrática que toma as suas próprias decisões. E as nossas ações baseiam-se no direito internacional e nas normas que regem as relações entre os países.”Na noite de domingo, a bordo do Air Force One, Donald Trump repetiu que os EUA vão tomar a Gronelândia “de uma forma ou de outra”, classificando a defesa da ilha como sendo “dois trenós puxados por cães”. “Se não tomarmos a Gronelândia, a Rússia ou a China vão fazê-lo, e eu não vou deixar que isso aconteça”, disse. Questionado sobre o possível impacto na NATO, o presidente dos Estados Unidos desvalorizou a questão. “Se afetar a NATO, afetará a NATO. Mas eles precisam muito mais de nós do que nós deles.”Já esta segunda-feira, em conversa com o jornalistas na Sala Oval, Trump disse querer resolver a questão “adequadamente”, com os EUA a assumirem a posse do território, pois isso é “psicologicamente necessário para o sucesso” - e “psicologicamente importante para mim” -, explicando que “a posse dá coisas e elementos que não se consegue apenas assinando um documento, como ter uma base”.Sobre o envio de tropas dos EUA para a Gronelândia, desta vez Donald Trump declarou “não achar necessário”, contrariando afirmações suas anteriores. O secretário-geral da NATO afirmou esta segunda-feira que os membros da Aliança estão a discutir e a trabalhar nos próximos passos para manter coletivamente o Ártico seguro, lembrando que já haviam discutido anteriormente este tema. Mas evitou criticar Trump. “Estamos atualmente a discutir o próximo passo, como garantir que temos um acompanhamento prático destas discussões”, afirmou Mark Rutte, sublinhando que “estamos a trabalhar nos próximos passos para garantir que, de facto, protegemos coletivamente o que está aqui em causa”.Este tema foi abordado esta segunda-feira também pelo chanceler alemão, que disse esperar que os EUA continuem a proteger a Gronelândia em conjunto com a Dinamarca, mas que as negociações em curso é que vão determinar a natureza desta colaboração. “Estamos em discussões muito detalhadas com o governo dinamarquês e queremos simplesmente trabalhar em conjunto para melhorar a situação de segurança na Gronelândia”, afirmou Friedrich Merz, acrescentando que as conversas nos próximos dias e semanas mostrarão de que forma tal acontecerá.O comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius, alertou esta segunda-feira que seria o fim da NATO se os Estados Unidos tomassem a Gronelândia à força. “Concordo com a primeira-ministra dinamarquesa que será o fim da NATO, mas também será algo muito, muito negativo para a população”, declarou o lituano à Reuters.Kubilius lembrou ainda que o artigo 42.7 do Tratado da União Europeia obriga os Estados-membros a prestar auxílio a Copenhaga em caso de agressão militar, ressalvando que tal “dependerá muito da Dinamarca, de como reagirá, de qual será a sua posição”.Estas questões serão discutidas na quarta-feira, 14 de janeiro, num encontro em Washington entre o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e os seus homólogos dinamarquês e gronelandesa, Lars Løkke Rasmussen e Vivian Motzfeldt, respetivamente, que esta segunda-feira já tiveram uma reunião para coordenar as suas posições.No sentido inverso, foi anunciado que um grupo de senadores norte-americanos se reunirá em Copenhaga com políticos da comissão da Gronelândia do parlamento dinamarquês. “Temos muito que fazer em 2026. A conquista da Gronelândia não deveria estar nesta lista”, escreveu no X Lisa Murkowski, a senadora republicana do Alasca, que fará parte desta comitiva. .Paris e Berlim sobem o tom das críticas aos EUA por causa da Gronelândia