Forças ucranianas atacam refinaria de Riazán a 200 quilómetros de Moscovo
A Ucrânia atacou este sábado, 6 de dezembro, a refinaria de Riazán, a cerca de 200 quilómetros de Moscovo, com o objetivo de “minar o potencial” militar da Rússia, informou o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia.
Segundo avança a agência de notícias Efe, a extensão dos danos está ainda por determinar.
“As forças de defesa continuam a tomar medidas para minar o potencial militar-económico dos agressores russos”, garante o comunicado, citado pela Efe.
A refinaria de Riazán tem capacidade de processar 17,1 milhões de toneladas de petróleo bruto por ano e é uma das maiores da Rússia, segundo o Estado-Maior ucraniano, e produz diesel, gasolina e combustível de aviação que abastecem as forças russas,
Além daquela infraestrutura, foi atingida a fábrica metalúrgica de Alchevsk, na parte ocupada da região ucraniana de Lugansk, onde são produzidos componentes de mísseis para o exército russo.
EUA e Ucrânia apontam que “qualquer progresso real" para paz depende de Moscovo
Washington e Kiev frisaram esta sexta-feira que "qualquer progresso real" rumo à paz na Ucrânia dependerá da disposição da Rússia, enquanto anunciavam que as negociações entre as delegações norte-americanas e ucranianas na Florida vão continuar no sábado.
Os negociadores, que se reuniram esta sexta-feira pelo segundo dia consecutivo na Florida, divulgaram uma declaração conjunta que ofereceu um panorama geral do progresso que, segundo elas, foi alcançado.
"Ambas as partes concordaram que o progresso real rumo a qualquer acordo depende da vontade da Rússia em demonstrar um compromisso sério com a paz a longo prazo, incluindo medidas para a desescalada e o fim das mortes", pode ler-se no comunicado.
"As partes analisaram também separadamente a agenda da prosperidade futura, que visa apoiar a reconstrução da Ucrânia no pós-guerra, as iniciativas económicas conjuntas EUA-Ucrânia e os projetos de recuperação a longo prazo", acrescentaram.
As negociações entre norte-americanos e ucranianos vão assim continuar na Florida pelo terceiro dia consecutivo.
O processo de negociação foi marcado nos últimos dias por reuniões do enviado especial norte-americano Steve Witkoff e o genro do chefe de Estado norte-americano, Jared Kushner, com o Presidente russo, Vladimir Putin, na Rússia.
Em simultâneo, mas nos Estados Unidos, o negociador ucraniano Rustem Umerov tem-se reunido com responsáveis norte-americanos sem que, para já, tenha sido alcançado um acordo.
Putin disse na quinta-feira, em declarações ao India Today, que o Krmelin teve de rever "cada ponto" do documento apresentado em Moscovo por Witkoff.
Embora tenha confirmado as discrepâncias, Putin optou pela cautela e assinalou que era prematuro detalhar que aspetos não convinham a Moscovo.
"Dizer agora o que não nos convém ou até onde poderíamos chegar a um acordo é prematuro, já que poderia perturbar o modo de funcionamento que o Presidente Trump está a tentar estabelecer", justificou.
Um responsável norte-americano, sob condição de anonimato, indicou na quarta-feira que Witkoff e Kushner iriam encontrar-se com Oumerov na quinta-feira em Miami.
Mykhailo Podoliak, um dos conselheiros da presidência ucraniana, salientou na rede social X que, embora "o processo diplomático decorra principalmente nos bastidores, (...) as posições são claras".
"A Ucrânia quer o fim da guerra e está pronta para discussões", afirmou.
Desde a apresentação do plano norte-americano há quase três semanas, várias sessões de negociações foram realizadas com representantes ucranianos em Genebra e em Miami para tentar alterar o documento.
Poucos detalhes foram divulgados sobre esse plano alterado, enquanto uma versão inicial foi considerada por Kiev como sendo amplamente favorável à Rússia.
Entretanto, o exército russo registou esta sexta-feira mais avanços na frente, reivindicando a tomada da localidade de Bezimenné, na região oriental de Donetsk, onde se concentram os combates.
Por seu lado, a força aérea ucraniana informou que a Rússia lançou 137 drones sobre a Ucrânia durante a noite, dos quais 80 foram abatidos.
Várias regiões continuam a enfrentar cortes de energia após os ataques russos que visaram instalações energéticas nas últimas semanas, segundo o Ministério da Energia.
A retirada do Donbass, a renúncia ucraniana a ingressar na NATO, as garantias de segurança e as reparações russas no pós-guerra são algumas das questões que dividem as duas partes nas negociações sob mediação dos Estados Unidos.

