“Estão a roubar o nosso futuro”. Greta junta-se a protesto estudantil em França
De Paris a Lyon, de Nantes a Marselha, os estudantes voltaram esta terça-feira, 13 de outubro, às ruas em várias cidades francesas para pressionar o governo a resolver problemas relacionados como a falta de professores, edifícios em mau estado, horários escolares sobrecarregados, entre outras queixas. E contaram com uma apoiantes inesperada: Greta Thunberg.
A ativista sueca, juntou-se aos alunos do ensino secundário em Saint-Denis, o maior subúrbio da capital. “Os jovens não estão a ser incluídos no debate. Estão a roubar-nos o nosso futuro”, afirmou à AFP Thunberg, de 23 anos, envergando um keffiyeh. A ativista, que ganhou fama mundial em 2018, quando aos 15 anos iniciou uma greve escolar em frente ao Parlamento sueco para exigir ações contra as alterações climáticas. Uma ação em solitário que acabou por inspirar primeiros os seus colegas de escola, mas depressa alastrou a outros países.
Thunberg chegou ao liceu Paul Éluard, onde advogados envergando as togas formavam uma corrente humana para proteger os alunos, na sequência de inúmeras denúncias de brutalidade policial.
Na quinta-feira passada, mais de 70 mil pessoas saíram às ruas no último grande dia de protesto. Ontem, o ministro da Educação, Édouard Geffray, dizia à France Inter que se estimava haver duas centenas de escolas fechadas, “o que é menos do que na semana passada”.
Os protestos, que tiveram início em setembro, coincidindo com o início do ano letivo, têm visto adolescentes a empilhar contentores do lixo e a incendiar barreiras de segurança no exterior de centenas dos 3700 liceus franceses.
Os protestos têm sido maioritariamente pacíficos, mas registaram-se confrontos ocasionais com a polícia.
Desde o início dos protestos, mais de 6800 pessoas, na sua maioria menores, foram detidas pela polícia ao longo dos protestos, de acordo com o Ministério da Justiça francês. A polícia abriu ainda inquéritos internos sobre 24 denúncias de brutalidade contra manifestantes.
Após as manifestações da semana passada, o governo prometeu que cerca de 3.000 professores substitutos seriam mobilizados nos próximos dias para as escolas secundárias mais afetadas.
Mas não parece ter acalmado a contestação.

