Manifestações em Paris acabaram em confrontos.
Manifestações em Paris acabaram em confrontos.Foto: EPA / FIRAS ABDULLAH

Termina em violência novo dia de protestos em que Greta Thunberg foi dar apoio aos estudantes franceses

Ativista sueca esteve em Saint-Denis, o maior subúrbio de Paris. Na capital, polícia usou canhões de água e gás lacrimogéneo.
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De Paris a Lyon, de Nantes a Marselha, os estudantes voltaram ontem às ruas em várias cidades francesas para pressionar o governo a resolver problemas relacionados como a falta de professores, edifícios em mau estado, horários escolares sobrecarregados, entre outras queixas. Numa nova jornada marcada pela tensão com a polícia - que na capital usou canhões de água e gás lacrimogénio para dispersar os manifestantes, que lançaram pedras -, a intersindical das organizações estudantis falou em 480 mil pessoas nos protestos, o Ministério do Interior apontou para 161.500.

Horas antes dos confrontos entre a polícia e um grupo de manifestantes que permaneceu na praça Vauban, onde convergiram os dois protestos em Paris, os estudantes contaram com uma apoiantes inesperada: Greta Thunberg.

A ativista sueca, juntou-se aos alunos do ensino secundário em Saint-Denis, o maior subúrbio da capital. “Os jovens não estão a ser incluídos no debate. Estão a roubar-nos o nosso futuro”, afirmou à AFP Thunberg, de 23 anos, envergando um keffiyeh. A ativista, que ganhou fama mundial em 2018, quando aos 15 anos iniciou uma greve escolar em frente ao Parlamento sueco para exigir ações contra as alterações climáticas. Uma ação em solitário que acabou por inspirar primeiros os seus colegas de escola, mas depressa alastrou a outros países.

Thunberg chegou ao liceu Paul Éluard, onde advogados envergando as togas formavam uma corrente humana para proteger os alunos, na sequência de inúmeras denúncias de brutalidade policial.

Com início em setembro, os protestos têm visto adolescentes a empilhar contentores do lixo e a incendiar barreiras de segurança no exterior de centenas dos 3700 liceus franceses.

As manifestações têm sido maioritariamente pacíficas, mas houve confrontos ocasionais entre pequenos grupos de arruaceiros e a polícia.

Para o ministro do Interior, Laurent Nuñez, estes casos “fizeram o movimento estudantil cair na categoria de ‘violência urbana’”.

Desde o início dos protestos, mais de 6800 pessoas, na maioria menores, foram detidas pela polícia ao longo dos protestos, de acordo com o Ministério da Justiça francês. A polícia abriu ainda inquéritos internos sobre 36 denúncias de brutalidade contra manifestantes.

Após as manifestações da semana passada, o governo prometeu que cerca de 3.000 professores substitutos seriam mobilizados nos próximos dias para as escolas secundárias mais afetadas. Mas não parece ter acalmado a contestação.

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