Atualidade

Opinião

Leonídio Paulo Ferreira

A dívida de Portugal com os judeus começa a ser paga

Faz 200 anos que a família Bensaúde começou a dar nas vistas nos Açores, judeus sefarditas oriundos de Marrocos que, possuidores de passaporte britânico, regressaram a Portugal, terra dos antepassados. Fizeram fortuna nos negócios, deram elites ao país, um dos seus descendentes, Jorge Sampaio, chegou a ser Presidente da República ainda não há muito tempo. Curiosamente, a reconciliação de Portugal com os judeus expulsos e perseguidos depois do édito de 1496 assinado por D. Manuel I foi feita não por Sampaio (de mãe e avó judias), mas pelo seu antecessor, Mário Soares, que em 1989 pediu perdão pelas atrocidades da Inquisição, a qual, sublinhe-se, só foi extinta em 1821, já Abraão, Elias e Salomão Bensaúde (dois irmãos e um primo) viviam por cá.

Leonídio Paulo Ferreira

Ricardo Paes Mamede

Quem sabe que políticas funcionam em Portugal?

Para que serve esta política? E funciona? Experimente fazer estas duas perguntas sobre uma qualquer política pública a alguém que, em princípio, deveria saber responder. Pergunte a governantes, deputados, especialistas, académicos, auditores, inspectores, directores-gerais, técnicos superiores do Estado, gestores de fundos europeus. Verá que poucos darão uma resposta clara àquelas duas questões, que parecem tão simples. É este o estado da avaliação de políticas públicas em Portugal.

Ricardo Paes Mamede

Helena Tecedeiro

A arte de tirar cortiça do tio Zé

Quando se passa pelas estradas do Alentejo, é cenário comum o daquelas árvores de tronco avermelhado em contraste com os ramos escuros e rugosos. São sobreiros aos quais acabaram de tirar a cortiça. Tirar. Porque a cortiça não se recolhe nem se apanha, tira-se. De nove em nove anos, os homens sobem ao sobreiro e com o seu machado, a sua arte e o seu amor tiram a cortiça, um material usado nas rolhas das garrafas de todo o mundo e de que Portugal é o maior produtor.

Helena Tecedeiro

João Céu e Silva

Grande mesmo era Raul Cortez a fazer de Salieri

Protagonizar os grandes compositores no cinema é uma tarefa tão difícil como a de os próprios comporem grandes sinfonias, nada que tenha proibido vários cineastas de o tentarem. Talvez Mozart seja o mais fácil de replicar, usando os seus traços de genialidade desde criança como fez Milos Forman no premiadíssimo Amadeus. Após 13 nomeações, coisa não tão vulgar assim, levou oito Óscares para várias categorias, e deixou para sempre a imagem na mente dos espectadores do mundo (sur)real de Mozart, fixando a sua vida por várias gerações. No entanto, quando tento recordar o nome do ator que fazia de Mozart, nem uma vaga memória. Após uma busca descobre-se que foi Tom Hulce...

João Céu e Silva

Filomena Naves

Aquelas quatro notas

Pan pan pan paaam... Pan pan pan paam... Quatro notas límpidas - e todo um universo naquela ideia simples. Como uma pergunta lançada no ar, que se vai repetindo nos vários instrumentos de infinitas maneiras, aquele pan pan pan paam sucede-se numa escalada cada vez mais tensa, atravessa a orquestra, reinventa-se em timbres e alturas e, já à beira de não poder prosseguir, atinge um ponto de luz, e espraia-se no horizonte - para logo recomeçar. São talvez as mais famosas quatro notas do nosso imaginário musical, que as tornou suas de muitas maneiras: nas canções pop rock, no cinema, nos desenhos animados, no humor, e até na resistência à tirania. E se um cão chamado Beethoven nos faz sorrir, um cartoon nos arranca uma gargalhada e uma boa rockalhada à base das famosas quatro notas nos enche de pica (talvez não funcione para todos), a sua utilização na luta contra a guerra e a opressão não podia ser mais apropriada ao seu criador - Beethoven, claro.

Filomena Naves

Filipe Gil

Música como nos filmes

Tenho uma relação estranha com a música clássica. De tempos a tempos tenho urgência em ouvir. Seja a conduzir, a escrever ou a ler ou até mesmo nas raras vezes em que cozinho. Serve como uma espécie de "limpador" da música mais plástica que passamos o tempo o ouvir, quer na rádio ou nas listas que o algoritmo do Spotify nos impinge - como se fosse um amigo de longa data. Curiosamente, fui autodidata no que toca a colocar Mozart, Bach, e outros, nos meus ouvidos. Em pequeno, eram os Abba e músicas pop francesas que se ouvia com frequência no gira-discos lá de casa. Clássica nunca.

Filipe Gil

Óculos de natação com realidade aumentada

Óculos de natação com realidade aumentada

A natação é considerada o desporto mais completo. Especialistas em medicina desportiva defendem os benefícios da modalidade que, ao contrário de outras, permite exercitar todas as extremidades e realizar um bom trabalho cardiovascular. Mas tal como acontece com a corrida, em que não basta começar a correr e já está, na natação não basta atirar-se à água e começar a dar aos braços e às pernas. De facto, é recomendável que haja um acompanhamento para evitar lesões e, além disso, ter um controlo do tempo e do esforço que dedicamos enquanto nadamos. Deste modo, é possível ir acumulando dados e comparar a evolução entre sessões. E, também aqui, a tecnologia é uma grande ajuda, neste caso sob a forma de óculos de natação com realidade aumentada integrada.Os Form Swim Goggles possuem um visor inteligente que permite ao nadador ver as métricas de rendimento em tempo real através de um ecrã integrado nos próprios óculos. O atleta pode ver, a qualquer momento, a distância percorrida, o número de braçadas ou os tempos intermédios enquanto nada. Estes dados são simultaneamente registados numa aplicação móvel. Embora o que mais chame a atenção nos Form Swim Goggles sejam as suas prestações tecnológicas, os seus criadores não puseram de parte um pormenor óbvio: por se tratar de óculos para nadadores, tiveram especial cuidado em torná-los cómodos, fáceis de utilizar e fabricados com materiais de alta qualidade para oferecer um ajuste personalizado.Como sempre, a última palavra para determinar se este tipo de dispositivos é útil ou não pertence a quem os utilizará de forma intensiva: os atletas. Por isso, Maldo esteve com uma nadadora olímpica, Mónica Ramírez Abella, para experimentar os Form Swim Goggles e comprovar se cumprem o que prometem.Entrevista e edição:  Pedro García Campos | Ainara NievesTexto: José L. Álvarez Cedena

Como funcionam os efeitos visuais no cinema

Como funcionam os efeitos visuais no cinema

Um dos truques visuais que revolucionou a forma de fazer cinema (e, mais tarde, de fazer televisão ou qualquer outra produção audiovisual) foi a chegada do chroma. Esta técnica do "bluescreen" (ecrã azul, embora mais tarde se tenha popularizado o verde) não é nenhuma novidade: foi utilizada pela primeira vez no filme "O Ladrão de Bagdad", de 1940. O responsável pela ideia foi Lawrence W. Butler, embora o verdadeiro impulsionador do chroma tenha sido Petro Vlahos, que ganhou cinco Óscares pelos seus contributos na área dos efeitos visuais entre os anos sessenta e noventa.Já se passaram muitos anos desde então, mas a técnica introduzida por estes pioneiros foi sempre evoluindo, não ficando obsoleta. Agora até nos podem parecer grosseiros alguns dos recortes utilizados para situar os personagens em qualquer cenário sem sair do plateau, mas na época serviam para criar a ilusão necessária. Se há produções atuais em que o chroma brilha de forma especial são os filmes de super-heróis, tanto que no YouTube existem muitos vídeos em que se pode ver o Homem-Aranha ou o Super-Homem presos por cabos sobre um fundo verde. O certo é que, sem alcançar a perfeição nem a sofisticação destes grandes títulos, qualquer um pode fazer um chroma em casa: basta uma tela verde ou azul e um software de edição de vídeo que o suporte. E, para demonstrar como pode ser simples, Natalia Sprenger visitou um plateau para brincar com esta técnica.Entrevista e edição: Maruxa Ruiz del Árbol | Marius Cirja Texto: José L. Álvarez Cedena

Insider

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Quais os melhores gestores das marca? Jeff Bezos foi considerado o melhor entre as marcas mais valiosas. Mas há riscos para o fundador da Amazon. Na hora de defender o valor das marcas qual é o melhor guardião? A Brand Finance não tem dúvidas: Jeff Bezos. O CEO da Amazon lidera o novo ranking criado pela consultora que produz o ranking das 500 marcas mais valiosas do mundo. Agora avalia o desempenho dos CEO. No top 100, há apenas cinco mulheres CEO. O desempenho do negócio ou o sucesso do investimento em marketing são apenas duas das métricas que, de [...]

Portugueses que ajudam a revelar falha da Microsoft comprados por "vários milhões"

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Startup portuguesa BinaryEdge, que esteve na origem da descoberta de falha que expôs dados de 250 milhões de clientes da Microsoft, foi adquirida pela norte-americana Coalition. Foi uma semana em cheio e repleta de mediatismo para a BinaryEdge. A startup focada em ferramentas de cibersegurança, nomeadamente num motor de busca que permite descobrir vulnerabilidades em empresas, foi a ferramenta que permitiu à gigante Microsoft ficar a saber que os dados de 250 milhões de clientes estavam expostos online - foi esta quinta-feira revelado. No mesmo dia, ficou-se a saber que a Coalition, a empresa norte-americana que mais cresce na área dos seguros e da gestão do ciber risco [...]

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A Ericsson anunciou que irá estabelecer novas instalações em França, dedicadas à área de investigação e desenvolvimento de 5G. Nova área poderá dar emprego a 300 pessoas. A empresa anunciou que este será um dos passos para trabalhar no desenvolvimento da próxima geração de redes móveis. Através de comunicado, a Ericsson, que disponibiliza infraestrutura de redes, anuncia que, numa fase inicial, estas instalações estarão dedicadas à área de segurança e desenvolvimento de software 5G. As instalações de I&D (Investigação e Desenvolvimento) serão inauguradas "no início de 2020", indica a empresa na nota. A Ericsson estima que seja possível integrar até [...]

Apple responde a ideia de carregador universal na Europa

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Apple mostra estar contra a vontade da UE, que pretende criar um carregador universal. Apple receia entraves à inovação e aumento de lixo eletrónico. Na semana passada, o Parlamento Europeu voltou a trazer à discussão a ideia de um carregador universal, que pudesse ser aplicado a vários dispositivos móveis, com especial destaque para os smartphones. Uma semana depois, a Apple comenta a ideia do Parlamento Europeu, que promete voltar em breve a ser discutido. Para a tecnológica americana, esta vontade dos legisladores europeus poderá ser uma forma de limitar a inovação. "Acreditamos que a regulação que força a conformidade em [...]

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