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Raúl M. Braga Pires

Pelo regresso do Rali Lisboa-Dakar

Mais um ano passou em que quando ouvi falar do "Paris-Dakar" me senti perdido. O cérebro apresentava a rota de Paris a Dakar, mas na verdade não seria aí e também não sabia se continuava no Chile/Argentina ou se já teria mudado de poiso. Na verdade o Paris-Dakar perdeu todo o interesse quando o "Lisboa-Dakar" de 2008 foi cancelado, por ameaça terrorista da Al-Qaeda do Magrebe Islâmico (AQMI), que fazia na altura da Mauritânia um posto de comando exclusivo para boicotar este evento desportivo.

Raul M. Braga Pires

Boaventura de Sousa Santos

A Europa e a guerra da Ucrânia

Os exigentes desafios que o mundo enfrenta neste momento - da crise climática à pandemia, do agravamento da Guerra Fria ao perigo de uma confrontação nuclear, do aumento das violações dos direitos humanos ao crescimento exponencial do número de refugiados e de pessoas com fome - exigem mais do que nunca uma intervenção ativa do ONU, cujo mandato inclui a manutenção da paz e da segurança coletivas e a defesa e promoção dos direitos humanos. Entre muitas áreas de intervenção em que a ONU pode intervir, uma das mais importantes é a da paz e segurança, e respeita concretamente ao agravamento da Guerra Fria. Iniciada por Donald Trump e prosseguida com entusiasmo por Joe Biden, está em curso uma nova Guerra Fria que tem aparentemente dois alvos, a China e a Rússia, e duas frentes, Taiwan e Ucrânia. À partida, parece insensato que uma potência em declínio, como são os EUA, se envolva numa confrontação em duas frentes simultaneamente. Para mais, ao contrário do que se passou com a Guerra Fria anterior, visando a União Soviética, a China é uma potência de grande poder económico e um importante credor da dívida pública dos EUA. Está a ponto de ultrapassar os EUA como a maior economia mundial e, segundo a National Science Foundation dos EUA, teve pela primeira vez em 2018 uma produção científica superior à dos EUA. Acresce que a lógica aconselharia os EUA a ter a Rússia como aliada e não como inimiga, não só para a separar da China, como para acautelar as necessidades energéticas e geoestratégicas da sua aliada histórica, a Europa. A mesma lógica aconselharia a UE a ter presente as relações históricas e económicas da Europa central com a Rússia (até à Ostpolitik de Willy Brandt).

Boaventura de Sousa Santos

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