Atualidade

Opinião

Joana Amaral Dias

Veneno em semente

Está disposto a viver assim para sempre? Desculpe a pergunta incómoda, mas nesta altura é esta a questão que se coloca. Senão, vejamos. Com uma assembleia da república em dissolução, os deputados aprovaram uma lei que habilita o Governo a determinar a uso de máscara na rua sem que para isso necessite da aprovação do parlamento. Ou seja, mais um cheque em branco em via verde que estes partidos políticos ofereceram a este executivo, beneplácito e cumplicidade que, de resto, dominam desde março de 2020. Já tínhamos tido aberrações como crimes decretados por resolução do conselho de ministros (sem passar pela assembleia da república) e, por exemplo, relativamente ao teletrabalho, sublinhe-se que a matéria laboral é da competência do Parlamento, inclusive obrigando a ouvir representantes dos trabalhadores e das entidades patronais.

Joana Amaral Dias

Daniel Deusdado

Não vacinar crianças é como ignorar África

Problema 1: a velocidade de mutação da sars-cov-2 é a maior ameaça no presente e sucede tanto mais veloz quanto mais pessoas não lhe oferecem resistência vacinal. Nessa medida, a prioridade mundial - inúmeras vezes repetida - deveria ser a de vacinar a esmagadora maioria da população que queira participar neste esforço humanitário de combater um coronavírus novo, agressivo, mutante, pandémico, de forma a torná-lo apenas endémico. Para isso é preciso vacinar África onde há países com números inacreditáveis (New York Times - https://www.nytimes.com/interactive/2021/world/covid-vaccinations-tracker.html): Congo com 0,2% da população (caso mais extremo) mas onde a populosa Nigéria não ultrapassa os 3% - a média, aliás, do continente africano. Não por acaso, a nova mutação vem da África Austral porque a lotaria das mutações agressivas também resulta das probabilidades de contágio sem resistência.

Daniel Deusdado

Sebastião Bugalho

Uma instituição

Politicamente incontornável, mediaticamente discreto, o lançamento do novo livro de Maria João Avillez (As Sete Estações da Democracia, edições D. Quixote) na Fundação Gulbenkian, a passada quarta-feira, reuniu rostos de todo o regime. Tão ou mais relevante do que os presentes, foi o dito por quem lá falou. A autora, o apresentador da obra, o seu editor e, no fim, o Presidente da República. Na sala, estiveram Aníbal e Maria Cavaco Silva, Passos Coelho, Paulo Portas, Santana Lopes, Francisco Assis, Sérgio Sousa Pinto, José Miguel Júdice, José Luís Arnaut, Carlos Moedas, Fernando Medina, Ferreira Leite e, como sempre discretíssimo, Francisco Sá Carneiro II. O ancião advogado e conselheiro de Estado de Jorge Sampaio, José Manuel Galvão Teles, marcou também presença. O académico Carlos Gaspar prefaciou a publicação.

Sebastião Bugalho

Mais Opinião

Rogério Casanova

O Super-Homem e o Pai Natal num comboio ao circo

Crumbs (2015) é o primeiro filme de ficção científica pós-apocalíptico da Etiópia. É essa a frase mais vezes usada para o descrever ou, pelo menos, a que mais vezes se encontra na (relativamente escassa) informação disponível online - resquícios da sua meteórica passagem pelo circuito dos festivais. O apelo da etiqueta talvez obedeça mais a um impulso promocional do que a uma intenção descritiva; há algo de agradável, de uma perspectiva "ocidental", em repetir aquele arrastão de exotismo classificativo. Na verdade, o filme resultou de uma salada genética ainda mais variada: filmado na Etiópia, com diálogos em amárico, um título em inglês, um realizador espanhol, e uma misteriosa co-produção finlandesa. Mesmo a designação "pós-apocalíptico" esconde mais do que revela, e não ajuda propriamente a calibrar expectativas. Desde as suas origens, e passando por todos os seus documentos centrais (de O Último Homem de Mary Shelley ao Deus das Moscas de Golding, aos vários cataclismos zombies), o género sempre foi uma espécie de reserva estratégica de pessimismo antropológico, especializado em pressupor uma inevitável regressão social generalizada como consequência inevitável do colapso das actuais estruturas de organização social. A ideia básica é que 15 minutos depois de o multibanco deixar de funcionar, toda a gente vai andar de tronco nu, cara pintada e lanças em punho.

Rogério Casanova

Maria Manuel Rola

A esquerda tem costas largas

Logo após as eleições de 2015, no início da chamada "geringonça", o governo estabeleceu com o Bloco um grupo de trabalho sobre o tema da habitação. Nesse âmbito foram preparadas medidas como o fim da penalização do arrendamento apoiado - garantindo rendas adequadas na habitação pública - ou a isenção de penhora de habitação morada de família no caso de dívidas a entidades públicas. Medidas concretas que muito apoiaram as vítimas da Lei Cristas que arrasou o que restava de estabilidade e confiança no arrendamento em Portugal.

Maria Manuel Rola

Margarida Marques

Dar voz ao Mediterrâneo

Celebra-se hoje pela primeira vez o Dia do Mediterrâneo, uma iniciativa da Assembleia Parlamentar da União para o Mediterrâneo. O Mediterrâneo é uma região ao mesmo tempo rica e complexa em termos culturais, políticos, económicos, sociais. É uma região heterogénea, muito fragmentada, com países que partilham uma história, mas com ambições geopolíticas que se sobrepõem e conflituam. As últimas décadas foram testemunho de transformações significativas na região, acentuando, em alguns casos, essa mesma conflitualidade.

Margarida Marques

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