Opinião

Joana Amaral Dias

Eufemiza-me

Sabemos que a "operação especial" de Putin é uma invasão. Muito bem. Óptimo. De igual forma, sabemos que a "operação israelita" foi um pelotão de fuzilamento da jornalista na Palestina e até um aviso para não aparecerem mais repórteres. Executar Shireen Abu Akleh com total impunidade só em figura de estilo pode ser classificado como "confrontos" ou "repressão". Da mesma maneira, sabemos que o "direito de resistência" da Finlândia ou da Suécia juntando-se à NATO é mesmo uma declaração de guerra. Talvez irreversível e aniquilando as poucas alternativas restantes. Pois é. Hipocrisias e ingenuidades à parte, não é preciso ser-se versado em Relações Internacionais ou em Negócios Estrangeiros para entender que a comunicação e as interacções entre Estados se regem por interesses e estão subordinadas a uma lógica de poder. Esta guerra na Ucrânia é uma guerra por procuração, um triângulo bélico, tal como assumido pelo próprio secretário da Defesa norte-americano Lloyd Austin.

Joana Amaral Dias

Sebastião Bugalho

Os príncipes na torre

A história dos príncipes na torre, um dos maiores mitos medievais de Inglaterra, foi distorcida pelos mistérios que se lhe seguiram e pela propaganda que lhes dedicaram. Tomás Moro, biógrafo de Ricardo III, fez por instaurar unanimidade entre a dinastia que lhes sucedeu. Shakespeare, na peça que eternizou Ricardo de Gloucester enquanto breve rei, foi talvez o maior responsável pelo perpetuar dessa interrogação: o que aconteceu, afinal, aos sobrinhos de Ricardo III, enclausurados na torre de Londres para este se fazer rei? Não se sabe. Os herdeiros de Eduardo IV não terão sobrevivido à ambição do tio, que foi de regente a soberano com a ajuda do Parlamento após a anulação do casamento dos pais. Dois pequenos corpos foram achados numa escadaria empedrada, dois séculos mais tarde, e devidamente enterrados na Abadia de Westminster. Gloucester, coroado Ricardo III, não teve melhor sorte. O reinado duraria dois anos, até à chegada dos Tudor como solução de paz para a chamada Guerra das Rosas. Henrique VII, que inaugurou esse tempo, foi confrontado duas vezes por pretendentes ao trono que se faziam passar por um dos príncipes desaparecidos. O primeiro, derrotado no seu segundo ano, foi perdoado e integrado na corte como cozinheiro, apesar de antes o terem coroado rei na Irlanda. O segundo, igualmente vergado, seria executado. Ambos tentaram aproveitar-se do sumiço dos York, clamando direito ao trono. Ambos reuniram apoiantes nacionais e estrangeiros com tal reivindicação. E ambos perderam em batalha a significância que a tragédia dos dois príncipes lhes havia conferido.

Sebastião Bugalho

José Mendes

Política, Ciência e Pessoas

Há uns anos, ainda em funções governativas, fui convidado para uma reunião de diretores de agências nacionais de ambiente e energia dos estados-membros da União Europeia. Recordo o admirável empenho daquelas pessoas na descrição de cenários para a transição energética, apresentando gráficos e curvas quase perfeitas da relação entre a penetração de tecnologias limpas e os benefícios para o ambiente e o clima. A certo ponto, fui interpelado a comentar uma apresentação da Agência Europeia de Energia. A minha intervenção foi, para surpresa dos presentes, sobre pessoas. Defendi a ideia de que competia aos políticos ler as evidências e as interpretações da ciência para formular as opções e tomar as decisões. Mas fui mais longe, ao afirmar que, no fim do dia, seriam as pessoas a decidir.

José Mendes

João Lopes

Um pensamento em forma de assim

Conhecemos esse vício cultural muito português em que, por vezes, conscientemente ou não, participamos. Chamemos-lhe a continuada promoção de alguns dos nossos artistas como figuras obrigatórias de uma galeria de "heróis" - sempre que possível para delirante consumo mediático. Os prémios internacionais e, claro, a morte servem para inflacionar tal vício. Exemplo? Em alguns casos, a cegueira militante contra a filmografia de Manoel de Oliveira deu lugar à sua compulsiva e gratuita celebração como "mestre"...

João Lopes

Mais Opinião

António Araújo

Eu & Margarida (onde se fala de limões sicilianos, plantas de vidro, cartas de amor)

Uma vez, Eu & Margarida fomos visitar uma fabriqueta de limoncello na Costa Amalfitana, dessas a atirar para os turistas que somos, e quem ali nos recebeu era um português, é óbvio, de Benfica e do Benfica, que falava pelos cotovelos e nos mostrou a coisa toda. Na hora de abrir a cuba onde se maceravam os limões em álcool, os vapores que dali vinham deixaram-nos a ambos os dois, Margarida & Eu, mais para lá de etilizados, e por horas estonteados, episódio de somenos, só íntimo nosso, mas que me veio à lembrança ao ler um encanto de livro chamado The Land Where Lemons Grow, o qual, como o subtítulo indica (The Story of Italy and Its Citrus Fruit), é um périplo por Itália através dos seus citrinos. A autora, Helena Attlee, tem uma profissão daquelas, especialista em jardins italianos, e começa por nos falar dos limões dos Médicis, na Toscânia, cultivados como maravilhas raras que são, sem dúvida.

António Araújo

Viriato Soromenho Marques

Interrogações europeias dentro da tempestade

Antero de Quental foi convidado em 1890 a presidir à Liga Patriótica do Norte, quando muitos portugueses, intoxicados pelos vapores de um nacionalismo senil, queriam declarar guerra ao Império britânico por causa do Ultimato. Como é apanágio dos grandes espíritos, que não têm medo de ficarem sozinhos perante a unanimidade irrefletida das turbas, Antero, em vez de esconjurar a "pérfida Albion", escreveu no seu Manifesto: "O nosso maior inimigo não é o inglês, somos nós mesmos. Só um falso patriotismo, falso e criminosamente vaidoso, pode afirmar o contrário (...) Não é com canhões que havemos de afirmar a nossa vitalidade nacional, mas com perseverantes esforços da inteligência e da vontade, com trabalho, estudo e retidão." (Expiação, 1890). Na passagem de mais um Dia da Europa, nem o facto de estarmos mergulhados numa guerra europeia cujo centro de gravidade se encontra, como no passado, em Moscovo e Washington, levou os discursos oficiais a um pouco de "retidão" autocrítica. Prevaleceu a linha oficial de autocomplacência. Apologias frente ao espelho, temperadas com algumas ideias soltas de Macron, ainda menos pertinentes do que as apresentadas em 2017.

Viriato Soromenho-Marques

Mirko Stefanovic

Investir em Israel

As informações sobre os planos do fundo de investimento privado Affinity Partners, administrado por Jared Kushner, genro do ex-presidente norte-americano Donald Trump, é mais uma prova de que as coisas nunca param no Médio Oriente. Foi noticiado que a Arábia Saudita, do seu Fundo Estatal, contribuiu com 2 mil milhões de dólares para o Fundo e que parte desse dinheiro será usado para investir em algumas start-ups israelitas. Para isso, obviamente, não precisavam de cerimónias de acordos de paz, embaixadas ou grandes reuniões com as mais altas autoridades. Foi feito como algo perfeitamente normal e usual, obviamente aprovado pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita Mohammad bin Salman.

Mirko Stefanovic

Vivia Chang

Taiwan, parceiro indispensável no caminho para a recuperação global pós-pandemia

Nestes momentos que temos vivido em pandemia, graças ao controlo com sucesso da pandemia da COVID-19 do Governo Português, a atitude cívica portuguesa e com o melhor trabalho na vacinação mundial, possibilitou ir reconquistando aos poucos uma vida quase igual àquela que tínhamos antes da pandemia. Deixar para trás as restrições apertadas e recuperar interacção social, não só pessoal como também profissional.

Vivia Chang

Desporto

  • Classificações
  • A Jornada
  • Resultados
I Liga
  • 1FC Porto91
  • 2Sporting85
  • 3Benfica74
  • 4Braga65
  • 5Gil Vicente51
  • 6V. Guimarães48
  • 7Santa Clara40
  • 8Famalicão39
  • 9Estoril39
  • 10Marítimo38
  • 11Paços de Ferreira38
  • 12Boavista38
  • 13Portimonense38
  • 14Vizela33
  • 15Arouca31
  • 16Moreirense29
  • 17Tondela28
  • 18Belenenses26
I Liga

Podcasts DN

Tech & Café

Tech & Café 10. Star Trek vs Star Wars! Mas antes... o novo relógio da Google

No 10.º Tech & Café falamos 9 minutos da nova aposta da Google: o smartwatch Pixel. Será que vem para Portugal? E depois, a propósito das novas séries das sagas de ficção científica mais famosas do planeta, fazemos uma viagem pelo espaço sideral: Star Trek ou Star Wars? É um melhor do que o outro? Porquê? É mesmo preciso escolher? E vale a pena ver as novas produções? Como sempre, com Filipe Gil e Ricardo Simões Ferreira.

Evasões

Notícias Magazine