Opinião

Viriato Soromenho Marques

A bioeconomia no planeta oceano

A II Conferência da ONU sobre os Oceanos revelou a inexistência de santuários livres dos impactos negativos da economia humana. A existência de uma pesca de arrasto, recebendo subsídios públicos, responsável pelo empobrecimento, ou total destruição, de 50 milhões de Km2 (quase 10% de toda a superfície da Terra!), e libertando tanto carbono para a atmosfera como o do transporte aéreo, seria suficiente para demonstrar que existe uma brutal assimetria entre o poderio destrutivo da tecnologia e a anemia das instituições políticas e jurídicas, incapazes de romperem a sua cumplicidade com os interesses económicos que governam o mundo. Apesar de tudo, valeu a pena. Percebemos como a ONU é hoje uma frágil vela esfarrapada, tentando não naufragar sob os impetuosos ventos do futuro. Mas não me atrevo a sugerir que não ter vela alguma fosse preferível à rasgada vela da ONU...

Viriato Soromenho-Marques 

Cho Yeongmoo

A onda coreana está bem presente em Portugal

Cheguei a Lisboa há três meses. Os meus amigos felicitaram-me pela minha nomeação como embaixador em Portugal e fiquei verdadeiramente surpreendido com a quantidade de coisas que sabiam sobre Portugal. Conheciam as obras de José Saramago, recomendaram o filme Comboio Nocturno Para Lisboa, falaram do clima maravilhoso. Lembravam-se também das incríveis iguarias, de variados vinhos de grande qualidade e, sobretudo, da simpatia das pessoas.

Cho Yeongmoo

Sebastião Bugalho

Fazer de nós parvos

Pelas nove da manhã de ontem, o deputado Carlos Pereira (PS) dizia à TSF que a construção de uma pista suplementar ao aeroporto de Lisboa no Montijo era "uma relevante tomada de decisão" da parte do governo. Pelas 09.45, o gabinete do primeiro-ministro, que estava em Madrid, emitiu um comunicado desautorizando essa decisão do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e determinando a revogação do respetivo despacho. À mesma hora, fonte próxima de António Costa fazia chegar à imprensa que o chefe de governo "desconhecia" o dito. Em Madrid, na Cimeira da NATO, o primeiro-ministro recusava falar sobre o caso por estar "fora do país". Pelo meio-dia, o líder parlamentar do PS afirmava que "não sabia nem tinha de saber" da decisão do governo que, coincidentemente, o seu deputado Carlos Pereira defendera horas antes. Ao mesmo tempo, Mariana Vieira da Silva, ministra responsável pela coordenação política do governo, negava qualquer comentário sobre a ausência de Pedro Nuno da reunião do Conselho de Ministros, limitando-se a reforçar que o despacho do ministro tinha ordem de revogação. Horas depois, o próprio Pedro Nuno viria pedir desculpa pelo "erro de comunicação", assumir que o despacho estava já revogado e revelar que a solução ("o procedimento e objetivo definido") presente no despacho era do conhecimento do governo. À tarde, António Costa saudaria o recuo do ministro, abrindo ao mesmo tempo espaço para outras soluções que não a do Montijo, conforme as ideias, imagine-se, de Luís Montenegro, e contrariamente, pasme-se, aos tais deputados que haviam defendido a iniciativa de Pedro Nuno Santos, seu ministro.

Sebastião Bugalho

Mais atualidade

Mais Opinião

Miguel Romão

Ainda Jéssica, por todos nós

Na passada semana, aqui, neste mesmo espaço, escrevi um texto em que responsabilizava o Ministério Público (MP) por uma eventual ausência da sua intervenção devida, a propósito do processo judicial de que a pequena Jéssica, de 3 anos ao momento da sua morte, era o motivo. Parece que afinal, ao contrário das informações tornadas públicas no momento em que escrevi, não houve a suposta dormência administrativa que antevia nesse meu texto, por parte do Ministério Público de Setúbal. Ainda bem. Penitencio-me, portanto, e apresento as minhas desculpas pela atribuição direta de responsabilidades que fiz ao MP, com os elementos, públicos, de que eu e os demais dispúnhamos, à data em que escrevi. Acredito naturalmente, também, que haja procuradores do MP a tentar fazer o melhor que podem e sabem, dentro daquelas que são as suas responsabilidades e possibilidades. E as falhas de comunicação pública da sua estrutura hierárquica não os devem diminuir pessoalmente, como eu terei feito.

Miguel Romão

Raúl M. Braga Pires

A NATO no Magrebe/Sahel (depuração)

Na continuação do artigo que publicámos esta semana sob o título NATO no Magrebe/sahel: uma questão de sobrevivência, uma possibilidade, e sendo públicos o acordado e decidido na Cimeira NATO de Madrid, que terminou ontem e que se pode resumir à aprovação das candidaturas da Finlândia e da Suécia e a um novo conceito estratégico, que define a Rússia como "a maior e mais directa ameaça à segurança da Aliança Atlântica", quando no conceito estratégico anterior se definia (a Rússia) enquanto parceiro estratégico, termina com o limbo da indefinição do inimigo objectivo, desde o fim da guerra fria. Desde 1991 até ontem o Ocidente/NATO andou meio perdido no "nevoeiro do consumo", desde o imperativo de estancar o tribalismo eslavo, sem aspas, na ex-Jugoslávia (1991-2001), passando pela "guerra humanitária de Clinton" (Somália, 1993), até à intervenção humanitária, também sem aspas, na Líbia (2011). A Rússia, para muitos "economicamente falida e militarmente obsoleta", como respondeu um colega de curso num exame oral, com chumbo garantido dada a leitura, volta a recentrar o já esquecido e quase científico poder centrípeto da hinterlândia. Moscovo, no centro da Eurásia (a maior massa de terra do planeta), com mapas nas paredes das salas de aula que não deixam dúvidas sobre a sua centralidade, nunca escondeu a sua vontade e poder de sucção da periferia. Por isso mesmo veem no Cabo da Roca a "cabeça da Europa" e não as "nádegas", como nós!

Raul M. Braga Pires

Evasões

Notícias Magazine