Atualidade

Opinião

Paulo Baldaia

A Ucrânia transformada num parque temático

Devemos ter orgulho da solidariedade que temos com os povos que sofrem, seja agora com a Ucrânia ou há 20 anos com Timor, porque é genuína esta vontade de ajudar, de estar do lado certo da história. Tanto quando estivemos praticamente sozinhos no apelo à autodeterminação timorense, como agora que fazemos parte de uma larguíssima coligação que estende a mão ao agredido e sanciona o agressor. Como bem notou o Presidente da República, a meio caminho da sua viagem a Díli, há uma feliz coincidência de termos o chefe de Estado e o chefe do Governo portugueses a celebrarem a paz. Separados por onze mil quilómetros, a paz que chegou há 20 anos e a que há-de chegar não se sabe quando.

Paulo Baldaia

Henrique Burnay

O fim do tempo dos radicais

Por estes dias, quem leia o Partido Comunista Português, a ala radical e trumpista do Partido Republicano, o brevemente ministro das finanças grego Varoufakis, o libertário Cato Institute ou a insana Maria Vieira, encontrará enormes semelhanças e coincidências. Para os mais novos, a surpresa pode ser justificada. Para quem se lembra do mundo na década de 90, pelo menos, não há porque estar surpreendido. Estão onde seria de esperar que estivessem. Contra o mundo global, a expansão da democracia liberal e a ideia ocidental de pluralismo. Exatamente o que está em causa na invasão russa da Ucrânia. Pelo menos em grande parte.

Henrique Burnay

Jorge Barreto Xavier

Semanologia

SA de Sociedade Adormecida - a letargia é um estado de sobrevivência. O dicionário Houaiss define-a como "estado de profunda e prolongada inconsciência, semelhante ao sono profundo, do qual a pessoa pode ser despertada, mas ao qual retorna logo a seguir." Sobrevive-se letárgico, mas não é vida. Por sua vez, a hibernação, numa das suas definições, é "estado de torpor, de adormecimento; inação; modorra". Respira-se, hibernado, mas com pouco oxigénio. Servem estes dois conceitos para definir Sociedade Adormecida, no meu dicionário pessoal: "aquela que, letargicamente, entra em hibernação". Em tantos aspetos da existência, somos assim. Deixamo-nos ir. Não importa. Ou importa, mas não há coragem para agir. Ou age-se, e o gesto não tem eco, pois em torno poucos estão acordados. Repare-se que acordar é estar de acordo. O acordo implica vigília, entendimento e ação, quando acordar significa mudar, melhorar. Portugal acorda estar adormecido. O estado letárgico é o que mais convém a uma sociedade que renuncia ao debate crítico. Por exemplo, na semana passada, referi na minha coluna, que, em 2022, a percentagem da proposta de Orçamento de Estado da Cultura é menor que a de 2015, último Orçamento do Governo Passos Coelho. É notícia. Enviei uma nota à Lusa a dizê-lo. A diversos outros meios. No seu sono profundo, acordado, ninguém reagiu. Hiberna-se.

Jorge Barreto Xavier

António Barrento

A guerra e a crise

Tem-se falado e escrito muito, nos últimos tempos, em "operação militar especial", "guerra híbrida" e "guerra", e poucas vezes em "crise". A "operação militar especial" é um eufemismo para não dizer guerra, usado por quem julga poder assim enganar o mundo; a "guerra híbrida", apesar de haver tentativas da sua definição para caracterizar certos conflitos é, também, de definição controversa, porque guerra é guerra. Além destes dois termos, aquilo que realmente se passa na Europa é uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia e, a nível mundial, uma crise entre o "Ocidente" e a Rússia. A perfeita diferenciação entre os dois últimos termos é muito importante, porque na guerra pretende-se vencer o inimigo; na crise o que se pretende é evitar a guerra.

António Barrento

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Mais Opinião

George Mirtskhulava

Portugal - Geórgia, 30 anos de relações diplomáticas, como um novo capítulo na amizade secular entre duas nações

Hoje celebramos o 30.º aniversário das relações diplomáticas entre a Geórgia e Portugal. Tenho o prazer de dizer que estes anos deram um grande contributo para o desenvolvimento e fortalecimento das relações entre as nossas nações, facilitando os laços políticos, económicos e culturais entre os nossos países. Portugal sempre foi um defensor da soberania e integridade territorial da Geórgia, das nossas aspirações europeias e euro-atlânticas. O apoio inabalável de Portugal no processo de integração europeia e os seus esforços constantes, em conjunto com outros parceiros, para assegurar o desenvolvimento sustentável da Geórgia são contributos inestimáveis para o quadro dos desenvolvimentos regionais de segurança.

George Mirtskhulava

Jorge Fonseca de Almeida

Afinal tudo é político, tudo pode ser uma Arma

Durante décadas, os políticos, os meios de comunicação, as escolas e as universidades ensinaram-nos que a cultura não deve ser politizada, que as canções políticas não são artísticas, que a Poesia e a Literatura devem ser neutras sob pena de serem panfletárias e de mau gosto. Ensinaram-nos e repetiram que decisões ideológicas sobre a economia são erradas e levam ao desastre, que a moeda é neutra, nem de direita, nem de esquerda, que o comércio livre é a fonte da Paz, que o acesso às mercadorias e às matérias-primas deve ser aberto, que a concorrência deve ser a lei suprema. Ensinaram-nos que a informação deve ser pluralista e que a regra do bom jornalismo assenta na prática do contraditório. Até o atual Presidente foi impiedosamente criticado por ter um programa em que falava sem contraditório.

Jorge FOnseca de Almeida

Valentino Viegas

Petição para salvar a muralha e a guarita do Baluarte do Livramento

Está a circular, principalmente, em Lisboa, uma petição para salvar a muralha e a guarita do Baluarte do Livramento, endereçada aos Exmos. Srs. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Presidente do Conselho de Administração do Metropolitano de Lisboa-EP, Ministro do Ambiente e da Acção Climática e à atenção dos Senhores Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Deputados Municipais da AML, Presidente da Assembleia da República, e Deputados da Assembleia da República.

Valentino Viegas

Joana Amaral Dias

A cara vai nua

Em Portugal o número de casos de covid aumentou 58% na última semana. Já o número de disparates de pseudo especialistas deve ter subido alguns 72%. A justificação, logo repetida ad nauseum, responsabiliza o abandono das máscaras pela situação epidemiológica. Sem delongas, conclui-se e afirma-se que a nudez facial é a causa. Bem rápida esta nova ciência, não acham? Sucede que se trata apenas de uma correlação e não de uma relação causa-efeito. Uma correlação é apenas isso mesmo - pode ser achada entre o acto de comer tremoços e a capacidade de jogar gamão. Não significa que A leva a B. Aliás, se a retirada de máscaras explicasse o aumento de casos, o que dizer dos diversos países que estão há muito mais tempo sem máscara e sem que se verifique esta subida, ou o que inferir da estabilidade dos números quando se introduziram as máscaras em espaços fechados? Que achar do acréscimo quando se tornaram obrigatórias as mordaças ao ar livre? Aí os papagaios da narrativa já não concluíram lestos que as máscaras são prejudiciais, pois não? De facto, a ciência não se faz assim, a olho e com palpites e o jornalismo também não se constrói desta forma, acrítica e vendida. Estas derivas são apenas pseudo ciência e propaganda, respectivamente.

Joana Amaral Dias

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Tech & Café 10. Star Trek vs Star Wars! Mas antes... o novo relógio da Google

No 10.º Tech & Café falamos 9 minutos da nova aposta da Google: o smartwatch Pixel. Será que vem para Portugal? E depois, a propósito das novas séries das sagas de ficção científica mais famosas do planeta, fazemos uma viagem pelo espaço sideral: Star Trek ou Star Wars? É um melhor do que o outro? Porquê? É mesmo preciso escolher? E vale a pena ver as novas produções? Como sempre, com Filipe Gil e Ricardo Simões Ferreira.

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