Opinião

Paulo Baldaia

O que estará Deus a pensar?

O mundo está a ficar muito perigoso. Estão de volta os nacionalismos, muitos deles a reclamar o regresso de fronteiras que tínhamos esquecido, e está de volta a intolerância religiosa, alimentada por uma ignorância que é pasto para os fanáticos nas redes sociais e na vida real. A liberdade de decidir sobre a própria vida e o próprio corpo, até nos aspetos em que essas decisões em nada implicam com a vida dos outros, está a ser posta em causa pelos que não são capazes sequer de distinguir um direito de uma obrigação.

Paulo Baldaia

Jorge Barreto Xavier

Semanologia

D de Desgoverno - Em Portugal, em 2020, 18,4% dos agregados familiares eram pobres, mesmo considerando pensões e transferências sociais (rendimento da família abaixo de 540€). Um milhão e seiscentos mil pobres contados. Todavia o risco de pobreza em 2020 era superior a 21,6% e é provável que as estatísticas confirmem estes valores. Tal significa que, de 2000 a esta parte (20% de pobres nesse ano), Portugal não só não reduziu a pobreza como esta aumentou. Nos últimos 30 anos, o Partido Socialista esteve 22 anos no governo. Nestes anos, a dívida pública mais que duplicou - era 54,2% do PIB em 2000 e é 135% do PIB agora - a 10.ª maior dívida nacional do mundo. Os salários médios diminuíram. A convergência do nível de vida em Portugal com a média europeia é menor nos últimos 25 anos do que era em 1995. Quase 500 000 portugueses (sim, meio milhão) emigraram de 2016 a 2021 - durante o proclamado "paraíso" da governação socialista. Nos últimos sete anos de governos PS o que temos? O primeiro-ministro, na passada quinta-feira, anunciou um subsídio alimentar de emergência a um milhão de famílias. Não, não é uma boa notícia. É antes o rosto do desgoverno. Deixem-me fazer uma provocação, que é simplista, mas se percebe: na Coreia do Norte, funciona o modelo de Sistema Público de Distribuição, uma herança soviética desenvolvida para garantir o controlo do Estado sobre os cidadãos, trocando trabalho por comida. Mais de 60% da população, segundo dados das Nações Unidas, depende quase em exclusivo do Estado para se alimentar. Em Portugal, ao dar-se alimentos a, aproximadamente, 3 milhões de portugueses, já conseguimos a bela meta de 30% de Sistema Público de Distribuição e demonstra-se a incapacidade de as famílias de gerarem rendimentos para as necessidades básicas. Correlativamente, verifica-se a incapacidade de o governo dar aos portugueses condições de vida. Mas com o favor de muitos media e o glamour do turismo, as perceções não refletem este vergonhoso estado das coisas.

Jorge Barreto Xavier

José Mendes

Voltar ao oceano

Na semana que ora iniciamos, Lisboa será o centro do debate em torno dos oceanos. E são mais as interrogações do que as respostas que hoje gravitam em torno desse ativo - único, imenso e irreplicável - que são as águas salgadas que ocupam três quartos do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos é uma das campainhas que mais deveriam despertar o nosso Portugal, pois vivemos desde sempre paredes meias com o Atlântico, numa relação que raramente exponenciou o benefício mútuo.

José Mendes

Mais atualidade

Pré-temporada

Sporting. Manter o estilo dos últimos anos à espera de novidades no mercado

Os leões começarem hoje os trabalhos de pré-temporada, numa altura em que o treinador Rúben Amorim ainda não sabe se vai ter de modificar a sua "sala das máquinas". Com Palhinha e Matheus Nunes em risco de deixar Alvalade, a única contratação até ao momento é o defesa-central St. Juste. Augusto Inácio não acredita em grandes mudanças em relação à forma da equipa jogar.

Mais Opinião

Adriano Moreira

Os riscos agravam-se

A geração que assumiu a responsabilidade de se manter viva na gestão da causa pública na década de 80, não teve já lembrança essencial possível daquilo que foi a batalha ideológica mundial na guerra de 1939-45, nem suficiente conhecimento do desastre humano em que a guerra se traduziu. Não é suficiente salvar pela memória escrita que morreram 60 milhões de pessoas. Que as cidades foram intencionalmente destruídas para quebrar as vontades nacionais, os poderes maiores da sociedade civil não puderam enfrentar os desafios provocadores. Também não foi notícia que chegue para separar a imaginação dos novos responsáveis, a convicção de que tinha ocorrido a última das guerras, que nunca mais um povo seria subjugado por outro, que o engrandecimento territorial pela força chegara ao fim, que o direito presidiria à relação entre as potências, que a esperança e a liberdade seriam iguais para as nações grandes e pequenas. Analisando, na dúvida que tal é o caso, o certo é que essa experiência está a despedir-se dos comandos, e tudo indica a possibilidade de, mais uma vez, retomar vigência a regra do saber comum, segundo a qual, a experiência dos outros não aproveita a ninguém.

Adriano Moreira

Evasões

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