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Miguel Romão

Boas palavras: trabalho digno

No momento em que escrevo, decorrem negociações entre o governo e os partidos à sua esquerda, bem como com o PAN, tendo em vista a aprovação do Orçamento do Estado para 2022. O governo, entretanto, ofereceu uma "agenda para o trabalho digno", que a concertação social, patrões e sindicatos, à partida recusaram. Está-se, portanto, em pleno estertor da pandemia de covid - assim o esperamos - de volta a uma normalidade portuguesa: quase tudo se recusa em função de um imobilismo conveniente para muitos daqueles que têm voz e representação.

Miguel Romão

Sebastião Bugalho

Sir David Amess (1952-2021). Um cidadão exemplar

Em cinco anos, dois deputados do parlamento britânico foram assassinados por motivações políticas. Jo Cox, do partido trabalhista, foi baleada e esfaqueada até à morte por um neonazi na semana que antecedeu o referendo que levou ao Brexit. O autor do crime foi, na altura, acusado de terrorismo e homicídio, condenado a prisão perpétua. David Amess, do partido conservador, sofreu idêntico destino faz hoje uma semana, esfaqueado por um radical islâmico à saída de uma igreja, no Essex. O autor do crime foi ontem acusado de terrorismo e homicídio "por razões ideológicas e religiosas".

Sebastião Bugalho

Raúl M. Braga Pires

Kadhafi – dez anos

Assinalou-se nesta semana dez anos sobre a morte do coronel Muammar Kadhafi. Figura peculiar a todos os níveis, de tal forma que se tornou no "Samora Machel" da anedota magrebina e árabe. De tal forma que nunca ninguém acreditou numa África sem fronteiras e com moeda única, mas esta ideia promovida por este excêntrico ganhava logo a perigosidade de ser realizável. Kadhafi virou-se para África, precisamente após os outros novos-ricos do Golfo terem percebido o perigo que este representava. Porquê? Porque não se ficava pelas palavras, era um tipo de acção. E em África, depois deslumbrou, tendo sido o principal financiador da reestruturação da Organização de Unidade Africana para União Africana.

Raul M. Braga Pires

Victor Ângelo

Um perigo disfarçado de Lei e Justiça

Conheço a Marzena há mais de 15 anos. Foi pouco depois da sua chegada a Bruxelas e de começar uma nova vida, a servir a dias nas casas da média-burguesia belga. Viera da Polónia profunda, a dois passos da Bielorrússia - tem, aliás, familiares que vivem num par de aldeias do outro lado do arame farpado, polacos como ela, mas apanhados pelas mexidas feitas às linhas de fronteira no pós-guerra, pelas gentes de Estaline. Com o tempo, viu chegar à Bélgica muitos milhares de outros compatriotas, que hoje trabalham na construção civil, nos serviços domésticos, nas fábricas ou nas múltiplas lojas que, entretanto, foram abrindo um pouco por toda a parte. O dinheiro que estes imigrantes transferem regularmente para a terra natal tem sido um dos fatores da modernização económica da Polónia. O outro está ligado às diferentes vantagens decorrentes da entrada do país na União Europeia em 2004.

Victor Ângelo

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Sebastião Bugalho

Colin Powell (1937-2021) . O homem que podia ter evitado aquilo

Nas repúblicas antigas, um político era um ex-soldado e um soldado um futuro político. Nas democracias modernas, não é tanto assim, ainda que haja exceções. Colin Powell, nascido no Harlem, criado no Bronx e falecido nesta segunda-feira, aos 84 anos, era uma dessas exceções. Filho de pais jamaicanos, foi o primeiro afro-americano a servir no Conselho de Segurança Nacional, a chefiar o Estado-Maior e a liderar o Departamento de Estado norte-americano. A política externa e a Defesa dos Estados Unidos no século XX tiveram nele uma testemunha privilegiada, um agente ativo, uma influência marcante. Serviu três presidentes republicanos e foi cortejado e respeitado tanto por democratas como pelos conservadores. A sua imensa popularidade na década 1990, todavia, não perdurou ao ponto de protagonizar o seu legado. A política - ou a má política - contaminou a carreira de um herói militar e, mais do que isso - pior do que isso -, de uma figura profundamente querida junto da sociedade americana durante a maioria do seu percurso. Cumpriu duas comissões no Vietname, uma na guerra da Coreia e tornar-se-ia o general mais jovem do exército em 1979. Concebeu as bem-sucedidas operações no Panamá (1989) e no Golfo (1991), tendo sido os seus serenos briefings diários na televisão a conferirem-lhe notoriedade.

Sebastião Bugalho

João Almeida Moreira

Chico e o desconhecido

Eduardo Leite é o jovem governador do Rio Grande do Sul, estado mais meridional do país, candidato nas primárias do PSDB, o partido de centro-direita de Fernando Henrique Cardoso, à nomeação para a presidência da República. O seu rival nas prévias dos tucanos, como são conhecidos os membros do PSDB, é João Doria, que governa São Paulo. Mais apaziguador, Leite vem ganhando apoios no partido e, sobretudo, fora dele. Entenda-se por "fora dele" a grande imprensa brasileira, encantada com a visão liberal do pré-candidato na economia - é adepto de Estado mínimo - e no comportamento - assumiu-se gay na TV Globo.

João Almeida Moreira

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Sociedade

Ministério da Saúde diz que tem reforçado sistematicamente os recursos humanos no SNS. A nível de pessoal

De norte a sul há hospitais em "estado de calamidade"

A realidade não é de agora. É de há anos. Há situações de "verdadeira calamidade" no SNS. Quem o diz são os presidentes das secções regionais da Ordem dos Médicos que denunciam ao DN situações que lhes chegam diariamente. A falta de profissionais, que advém dos salários baixos, de condições de trabalho e de projetos profissionais, a ineficiência de direções e administrações, a par da "ausência de liderança" da tutela, estão na base do problema. Amanhã o setor da saúde entra em greve. Hoje, o governo deve aprovar em Conselho de Ministros um novo Estatuto para o SNS.

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