Entrevista Makoto Ota

"O nosso encontro em 1543 é conhecido pela maioria dos japoneses através da escola"

Foi em Tanegashima que os portugueses estabeleceram o primeiro contacto com o Japão, e ao longo de todo o ano de 2023 esses 480 anos de relações vão ser celebrados através de múltiplos eventos culturais. O embaixador Makoto Ota conversou com o DN sobre as iniciativas já conhecidas, mas também do investimento japonês em Portugal, da ambição do seu país em ter assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e ainda do anunciado aumento da despesa militar em reação à invasão da Ucrânia.

Foi preciso navegar por três oceanos

Vamos falar um pouco de Portugal e do Japão, dois países que celebram este ano 480 anos desde o primeiro contacto, começando por desfazer o mito de que o arigato japonês resulta do nosso obrigado. Não só não é verdade como nem sequer é necessário para mostrar como foram estreitas as relações luso-japonesas nos séculos XVI e XVII. A nível de palavras de origem portuguesa, os japoneses continuam a usar no quotidiano copo, pão, botão, tabaco ou carta, como explica em entrevista hoje no DN o embaixador Makoto Ota. Mas ainda mais relevante é terem sido os portugueses a dar a conhecer aos japoneses a moderna ciência e tecnologia, evento transcendental por vezes resumido à introdução da espingarda, como se não tivesse sido importante o mostrar do primeiro mapa-múndi. Há uns anos, a revista americana Science dedicou todo um número ao Japão, em que o imperador Akihito, desde 2019 imperador emérito, assinou um artigo reconhecendo o contributo da civilização chinesa mas também o dos portugueses, chegados em 1543. E nunca me canso de referir a naturalidade da nota de rodapé da revista informando que "sua majestade é ictiologista e autor de dezenas de artigos científicos".

Atualidade

Fórum da Sustentabilidade e Sociedade

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Paulo Baldaia

Normalizar o Chega é normalizar a xenofobia e a violência

O Presidente da República afirmou o seu "repúdio indignado por um ato que traduz xenofobia e intolerância inaceitáveis" e o que devemos exigir dele e dos restantes democratas é que deixem de tratar com paninhos quentes quem promove a xenofobia e a intolerância. A agressão a um jovem imigrante nepalês, feita por um grupo de jovens portugueses racistas e xenófobos, não aparece do nada. Há um discurso político que se repete à exaustão e que descreve estes imigrantes como personae non gratae, pelo que a existência de pessoas que se sentem no direito de os tratar como não-humanos é uma consequência desse discurso.

Paulo Baldaia

António Carlos Cortez

Formar professores: questões incómodas

Questão magna que poucos na Educação entendem - sobretudo quem tem dirigido as políticas educativas do país - é que, como ensinou Voltaire, e relembram Paulo Freire, Vigotski e, em Portugal, um Mário Dionísio: na relação ensino-aprendizagem o essencial não é "ganhar tempo", mas sim perdê-lo. Não é perda de tempo, em face duma matéria do programa, alargar os horizontes culturais das crianças e dos adolescentes. Não é perda de tempo considerar que, na formação de professores, seja qual for a área, não é perda de tempo estudar a Literatura, a Filosofia (direi, por me parecer mais claro, uma cadeira de História das Mentalidades), a História e a Geografia, a História das Artes, a História da Música. Esta formação plural seria perda de tempo numa formação de professores? Dado a escassa formação cultural de quem ensina, urge realizar um Plano Nacional de Formação de professores que, começando no 1º ciclo, se estendesse aos restantes níveis de ensino. Falemos disso, pensemos sobre isso.

António Carlos Cortez

Margarita Correia

Das línguas e dos professores das mesmas

O conhecimento que temos das diferentes línguas que cada um fala - a maioria dos habitantes deste planeta fala mais do que uma língua, ainda que com funções e níveis de proficiência diversos - pode ser resultado de um de dois processos: o de aquisição (que ocorre natural e inconscientemente, por sermos expostos a uma língua) ou o de aprendizagem (que ocorre conscientemente, por meio de um ensino mais ou menos formal). A(s) língua(s) materna(s) ou primeira(s) língua(s) é(são) adquirida(s) na infância, ao passo que qualquer língua adicional (i.e. diferente da primeira) é adquirida e/ou aprendida em diversas etapas da vida. Até que ponto uma língua adicional é adquirida ou aprendida depende das circunstâncias em que o processo ocorre - características do input linguístico (i.e. quantidade e qualidade), mas também de muitos outros fatores como a distância entre as línguas (a falada e a aprendida), a história linguística (e escolar) do indivíduo, a sua motivação e necessidade(s).

Margarita Correia

Jorge Barreto Xavier

Semanologia: Quem com ferro mata

No passado dia 4, Pacheco Pereira escrevia no Público o artigo que intitulou O que os clássicos nos dizem sobre os que andam à caça dos outros. Para ilustrar o seu ponto de vista apresentou uma fábula - O falcão e o rouxinol - atribuída a Esopo (c. 620-560 a.C), personagem de que pouco se conhece, que terá vivido na antiga Grécia. Dizia Pacheco Pereira: "Aqui vai uma fábula dedicada aos predadores que por aí andam muito contentes a distribuir gasolina, e aos irresponsáveis que os ajudam a 'gastar' a democracia e atacar a liberdade."

Jorge Barreto Xavier

Joana Amaral Dias

Já não é sexta-feira?

Portugueses continuam com "padrão de consumo elevado" e a jantar fora à sexta-feira, disse o presidente do Santander. Mas quem é que é este senhor para pregar lições de moral aos portugueses, a todos nós que pagámos com língua de palmo os desvairos da banca e tivemos de a resgatar tipo náufrago? Ora, é simples: é o mesmo que cobra taxas e prestações agiotas que oferecem ao banco lucros recorde (em 2022 duplicaram), estimula créditos ao consumo, fartou-se de despedir pessoal e ganha dois milhões de salário anual, fora mordomias, bónus e extras. Mas acha-se no direito de censurar quem vai ao restaurante à sexta-feira. Somos nós que vivemos acima das nossas possibilidades? Mesmo?

Joana Amaral Dias

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Mais Opinião

José Mendes

Ver a regionalização por um canudo

Descentralizar competências para os municípios, reforçar o poder das Comissões de Coordenação e, por fim, regionalizar. Este parece ser o algoritmo desenhado pelo governo de António Costa, em direção a um país mais equilibrado e, portanto, mais justo e mais próspero. A realidade, porém, tem demonstrado que são mais as curvas apertadas do que as avenidas, num processo que aparenta uma lisura concetual à prova de bala, mas cujo resultado final não me inspira confiança.

José Mendes

Ana Raimundo

Boas notícias no Dia Mundial do Cancro

O Dia Mundial do Cancro assinala-se anualmente a 4 de fevereiro, sendo uma data importante para sensibilizar para a prevenção e informar sobre as novidades na área do diagnóstico e tratamento do cancro que cada vez trazem mais eficácia. São boas notícias. É uma das doenças com maior incidência e mortalidade na população europeia, motivo pelo qual a Comissão Europeia lançou o Plano Europeu de Luta contra o Cancro, com um grande investimento financeiro e de recursos humanos, com base em quatro pilares: prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e cuidados continuados. Dado este contexto, assim como a evolução na medicina de precisão a que se tem assistido nos últimos anos, há razões para ter esperança na luta contra esta doença.

Ana Raimundo

Daniel Deusdado

Ana Mendes Godinho não sabe ou não pode?

Parecem o topo do marketing político entrevistas como a que a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social deu esta semana ao Expresso Economia. O título não podia ser mais simpático para as nossas consciências: Não nos interessa ter atividades que não garantam direitos laborais. É bonito. Uma governante preocupada, em nome de todos nós. Como se não tivéssemos aprendido com a história da nossa economia de que não há setores, há empresas. Quem ouviu este tipo de ladainha a propósito dos têxteis e calçado, sabe que é um chavão vazio. Gurus e políticos importantes também a repetiram na década de 80 e 90 do século passado e, repare-se agora, veja-se que setores contribuem tão intensamente para a balança comercial.

Daniel Deusdado

Anselmo Borges

A criação, a ressurreição, o mal e Deus

Passados dez anos sobre um aviso -- na prática, para a opinião pública, a condenação de Andrés Torres Queiruga, pelo episcopado espanhol --, vem ele, numa entrevista à Vida Nueva, esclarecer que a sua teologia quis ser sempre "um serviço livre ao Evangelho" e que, com o Papa Francisco, aparece, felizmente, cada vez mais como "legítima uma crítica sã e livre na Igreja". Retomo o que então escrevi sobre quem considero -- e não sou o único -- um dos maiores teólogos católicos vivos. Para mim, A. Torres Queiruga foi e é o teólogo que, de modo mais profundo e conseguido, enfrentou o cristianismo com a modernidade e a modernidade com os cristianismo. Deixo aqui três aspectos que considero nucleares do seu pensamento.

Anselmo Borges

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Tech & Café

João Sousa Guedes, o líder da empresa que já ajudou a levar net a 50 milhões de casas

Ao 16.º episódio o Tech & Café recebe João Sousa Guedes, CEO e fundador da Weezie, empresa portuguesa criadora de software que possibilita a instalação de redes de fibra ótica forma muito mais eficiente. Sedida no Porto, todos os seus clientes são estrangeiros -- e já ajudou a instalar internet em mais de 50 milhões de lares. O próximo passo, os EUA... e o futuro das comunicações. Uma conversa com Filipe Gil e Ricardo Simões Ferreira.

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