Atualidade

Opinião

Joana Amaral Dias

Já não é sexta-feira?

Portugueses continuam com "padrão de consumo elevado" e a jantar fora à sexta-feira, disse o presidente do Santander. Mas quem é que é este senhor para pregar lições de moral aos portugueses, a todos nós que pagámos com língua de palmo os desvairos da banca e tivemos de a resgatar tipo náufrago? Ora, é simples: é o mesmo que cobra taxas e prestações agiotas que oferecem ao banco lucros recorde (em 2022 duplicaram), estimula créditos ao consumo, fartou-se de despedir pessoal e ganha dois milhões de salário anual, fora mordomias, bónus e extras. Mas acha-se no direito de censurar quem vai ao restaurante à sexta-feira. Somos nós que vivemos acima das nossas possibilidades? Mesmo?

Joana Amaral Dias

António Araújo

Alemanha, ano zero

Entulho, montes dele. Entulho a perder de vista, toneladas e toneladas de cimento armado, de detritos, de cidades arrasadas, um vasto mar de ruínas. Se todo o entulho da Alemanha do pós-guerra fosse empilhado num só monte, de 300 por 300 metros de largura, ele alcançaria uma altitude de 4000 metros, maior que muitas montanhas. A queda do regime nazi deixou atrás de si qualquer coisa como 300 milhões de metros cúbicos de entulho e, só na cidade de Berlim, as ruínas acumuladas, na ordem dos 55 milhões de metros cúbicos, dariam para erguer uma muralha de 30 metros de largura e cinco metros de altura desde a capital do Reich até Colónia, atravessando a Alemanha inteira. Em Dresden, o vaivém dos comboios que carregavam o entulho só cessou em 1958, mas os trabalhos de remoção, feitos à mão e à picareta, apenas terminariam em 1977, 35 anos depois do final da guerra. Pensemos nisto: a maioria dos leitores destas linhas já era nascida e crescida quando na Alemanha se removiam ainda os últimos despojos da 2ª Guerra - como será o futuro da Ucrânia?

António Araújo

Hugo Xambre Pereira

Hidrogénio Verde: a molécula da transição climática!

E se começássemos com um pouco de química? H2 é o símbolo químico da molécula do Hidrogénio, o elemento químico mais abundante do universo. Onde o encontramos? Na água (H2O) e na matéria orgânica. No entanto, o Hidrogénio não existe de forma isolada. Para o podermos utilizar, é necessário separá-lo dos outros elementos, recorrendo à água e eletricidade procedentes de fontes renováveis. A corrente elétrica de fonte renovável vai separar o Hidrogénio (H2) do Oxigénio (O) que existe na água (H2O), sem emitir Dióxido de Carbono, e dando origem ao já famoso Hidrogénio Verde.

Hugo Xambre Pereira

João Lopes

Verdade e política, ou o mundo feito ecrã

Hannah Arendt (1906-1975) publicou o seu livro sobre o julgamento do nazi Adolf Eichmann em 1963 (disponível no mercado português num volume das Edições Tenacitas, datado de 2013). Pouco tempo depois, considerando que era preciso reagir às muitas mentiras que envolveram a sua "polémica" (as aspas são da autora), Arendt escreveu um texto intitulado Verdade e política, que pode ser lido na antologia Between Past and Future (Viking Press, 1961), ou na tradução francesa, ampliada, La Crise de la Culture (Gallimard, 1972).

João Lopes

Mais Opinião

José Mendes

Ver a regionalização por um canudo

Descentralizar competências para os municípios, reforçar o poder das Comissões de Coordenação e, por fim, regionalizar. Este parece ser o algoritmo desenhado pelo governo de António Costa, em direção a um país mais equilibrado e, portanto, mais justo e mais próspero. A realidade, porém, tem demonstrado que são mais as curvas apertadas do que as avenidas, num processo que aparenta uma lisura concetual à prova de bala, mas cujo resultado final não me inspira confiança.

José Mendes

Ana Raimundo

Boas notícias no Dia Mundial do Cancro

O Dia Mundial do Cancro assinala-se anualmente a 4 de fevereiro, sendo uma data importante para sensibilizar para a prevenção e informar sobre as novidades na área do diagnóstico e tratamento do cancro que cada vez trazem mais eficácia. São boas notícias. É uma das doenças com maior incidência e mortalidade na população europeia, motivo pelo qual a Comissão Europeia lançou o Plano Europeu de Luta contra o Cancro, com um grande investimento financeiro e de recursos humanos, com base em quatro pilares: prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e cuidados continuados. Dado este contexto, assim como a evolução na medicina de precisão a que se tem assistido nos últimos anos, há razões para ter esperança na luta contra esta doença.

Ana Raimundo

Daniel Deusdado

Ana Mendes Godinho não sabe ou não pode?

Parecem o topo do marketing político entrevistas como a que a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social deu esta semana ao Expresso Economia. O título não podia ser mais simpático para as nossas consciências: Não nos interessa ter atividades que não garantam direitos laborais. É bonito. Uma governante preocupada, em nome de todos nós. Como se não tivéssemos aprendido com a história da nossa economia de que não há setores, há empresas. Quem ouviu este tipo de ladainha a propósito dos têxteis e calçado, sabe que é um chavão vazio. Gurus e políticos importantes também a repetiram na década de 80 e 90 do século passado e, repare-se agora, veja-se que setores contribuem tão intensamente para a balança comercial.

Daniel Deusdado

Viriato Soromenho Marques

Luzes no caminho

Não é só em Portugal que a vida política se parece transformar cada vez mais num reality show, pela mediocridade dos argumentos e protagonistas. O contraste abissal entre a gravidade das questões que ameaçam o nosso presente-futuro (na paz e na guerra, no ambiente, clima, segurança alimentar, emergência de tecnologias fora de controlo...) e a vacuidade do registo de divertissment em que decorre grande parte da trama política, é confirmada pela assimetria profunda entre o poder aparente do palco político e o poder real - opaco, blindado e planetário -- do complexo económico-financeiro, que destapa o seu véu em raros momentos, como é o caso dos Encontros de Davos.

Viriato Soromenho-Marques

Anselmo Borges

A criação, a ressurreição, o mal e Deus

Passados dez anos sobre um aviso -- na prática, para a opinião pública, a condenação de Andrés Torres Queiruga, pelo episcopado espanhol --, vem ele, numa entrevista à Vida Nueva, esclarecer que a sua teologia quis ser sempre "um serviço livre ao Evangelho" e que, com o Papa Francisco, aparece, felizmente, cada vez mais como "legítima uma crítica sã e livre na Igreja". Retomo o que então escrevi sobre quem considero -- e não sou o único -- um dos maiores teólogos católicos vivos. Para mim, A. Torres Queiruga foi e é o teólogo que, de modo mais profundo e conseguido, enfrentou o cristianismo com a modernidade e a modernidade com os cristianismo. Deixo aqui três aspectos que considero nucleares do seu pensamento.

Anselmo Borges

Fórum da Sustentabilidade e Sociedade

Podcasts DN

Tech & Café

João Sousa Guedes, o líder da empresa que já ajudou a levar net a 50 milhões de casas

Ao 16.º episódio o Tech & Café recebe João Sousa Guedes, CEO e fundador da Weezie, empresa portuguesa criadora de software que possibilita a instalação de redes de fibra ótica forma muito mais eficiente. Sedida no Porto, todos os seus clientes são estrangeiros -- e já ajudou a instalar internet em mais de 50 milhões de lares. O próximo passo, os EUA... e o futuro das comunicações. Uma conversa com Filipe Gil e Ricardo Simões Ferreira.

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