Opinião

Afonso Camões

Que farias, Mário Soares?

Se ainda cá andasse, completaria hoje mesmo 97 anos um desses homens maiores que a sua própria biografia. Assim foi Mário Soares, um dos pais fundadores do nosso regime democrático. Orgulhosamente, definia-se a si próprio como republicano, laico e socialista. Vinha de uma família com lastro na Primeira República e foi o último dos discípulos de António Sérgio e Jaime Cortesão. Aluno de Álvaro Cunhal, chegou a ser militante comunista, logo no pós-guerra. Em 1949 já o vemos em fotografias com Norton de Matos, e em 1958 com Humberto Delgado. A ditadura salazarista prendeu-o por 13 vezes, deportou-o e exilou-o. Em 1973, é no exílio que refunda o Partido Socialista. E depois de 1974, nenhuma outra figura da nossa vida pública é tão marcante no Portugal contemporâneo como Mário Soares. Ele foi ministro dos Negócios Estrangeiros, primeiro-ministro em três governos, Presidente da República por dois mandatos, deputado europeu. Ganhou e perdeu eleições, mas foi, em especial, um sempre-em-pé nas lealdades, político de coragem e vocação, nunca resignado e muito menos rendido, que o digam amigos e adversários, que foram muitos, e alguns alternadamente.

Afonso Camões

Guilherme de Oliveira Martins

Ruben A. e as coisas

A convite do Círculo José de Figueiredo, presidido por Álvaro Sequeira Pinto, teve lugar no Museu Soares do Reis, do Porto, uma invocação de Ruben A., comissariada por João Pimenta e com a presença de Alexandra Andresen Leitão, filha, e de Dália Dias, investigadora essencial sobre o homenageado. Foi para mim um gosto reencontrar-me com a memória fascinante do autor das obras-primas A Torre da Barbela e O Mundo à Minha Procura. Com emoção, ouvimos a leitura de cartas adoráveis a sua filha, avultando a descrição pormenorizada da inauguração do edifício-sede da Fundação Calouste Gulbenkian, plena de graça, sobre uma instituição que o escritor tanto admirou. Escolhi invocar algumas marcas indeléveis do gosto de Ruben. E veio-me à memória a afirmação de sua prima Sophia: "O Ruben tinha o dom da amizade, cultivava os seus amigos e era um homem que via nos amigos qualidades extraordinárias. Era uma pessoa que nos dava um extraordinário apoio em todos os planos da vida". Sentimo-lo intensamente em cada palavra que dele recordámos.

Guilherme d'Oliveira Martins

Mais atualidade

O futuro da saúde

José Luis Biscaia

Sistemas e tecnologias de informação – seu papel na mudança

6 semanas, 6 opiniões sobre "O futuro da saúde" Após um ano de pandemia, o que vai ser da saúde em Portugal? Um grupo de personalidades do setor, com assinatura em programas de reformas e a desempenhar cargos dirigentes, quer debater o assunto com a sociedade, porque tem pensamento sobre o que deve ser feito e sobre o papel que cada um de nós deve assumir. Durante seis semanas o DN publicará seis opiniões - a de José Luis Biscaia é a quarta. Os temas vão desde a gestão da saúde à integração dos cuidados, dos sistemas de informação às tecnologias biomédicas, da saúde mental ao envelhecimento.

José Luís Biscaia

Vítor Ramos

Integração e continuidade de cuidados - o papel das pessoas

Quando vários médicos e outros profissionais de saúde, em diferentes serviços e instituições, em momentos diversos, cuidam do mesmo doente, o risco de descontinuidade e de fragmentação de cuidados é muito elevado. O envelhecimento da população e a carga de doença devida à morbilidade crónica múltipla (várias doenças crónicas coexistentes na mesma pessoa), com perdas de funcionalidade e dependência associadas, exigem uma transformação profunda do modelo atual de prestação de cuidados. Assim, a integração e a continuidade de cuidados, a par do acesso, são, talvez, os maiores desafios para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e para os sistemas de saúde em todo o mundo.

Vítor Ramos

Constantino Sakellarides

Gestão da mudança na saúde – aspetos críticos

Após um ano de pandemia o que vai ser da Saúde em Portugal? Um grupo de personalidades do setor, com assinatura em programas de reformas e a desempenhar cargos dirigentes, quer debater o assunto com a sociedade, porque tem pensamento sobre o que deve ser feito e sobre o papel que cada um de nós deve assumir. Durante seis semanas, a partir desta segunda-feira, o DN publicará seis opiniões. Os temas vão desde a gestão da saúde à integração dos cuidados, dos sistemas de informação às tecnologias biomédicas, da saúde mental ao envelhecimento.

Constantino Sakellarides

Mais Opinião

Isabel Capeloa Gil

Sobre cultura, de novo

Volto hoje às políticas de cultura, porque o assunto não é marginal nem secundário. A cultura, o seu legado, agentes e instituições, não são acessórios de projetos políticos ou adereços reputacionais. Pensar de forma sustentável a gestão da cultura da perspetiva da decisão política implica deixar de olhar para o setor como instrumento, mas pensá-lo como estratégia para o país. Usando o termo feliz de Raymond Williams, cultura define-se como a estrutura de sentimento de uma sociedade, um povo ou conjunto de povos. E é por definição um projeto cosmopolita de abertura ao mundo, que encerra em si um lastro que transborda a sua própria auto definição. Cultura implica sempre o seu plural, a diversidade rica das culturas.

Isabel Capeloa Gil

Francisco Gomes da Silva

Sobre afirmações recentes do ministro do Ambiente: a hostilização de uma fileira florestal

Nos últimos dias, o ministro do Ambiente e Ação Climática, João Matos Fernandes, tem sido autor de algumas afirmações relativas à floresta portuguesa. São afirmações graves, que não correspondem à verdade e que, por isso mesmo, correm o risco de manchar a reputação de toda uma fileira de base industrial que, apesar de todos os problemas que possam existir para resolver, devia orgulhar o nosso País e, em particular, o Governo de Portugal.

Francisco Gomes da Silva

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