Legislativas 2022

Opinião

Isabel Capeloa Gil

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Falar de humanismo nos dias que correm parece ser exercício para académicos ou para filósofos. O termo acarreta uma carga intelectual que a maioria desconhece e muitos da minoria restante rejeitam, por desconhecimento ou ativismo. Na moda está aliás a crítica do humanismo e do seu étimo demoníaco - o humano - em nome justamente da afirmação do não humano, seja ele o animal, a natureza ou a máquina. O interessante é que o louvor do não humano se faz com uma linguagem que nada mais faz do que aplicar características humanas a esses outros. A gramática chama a tal ato personificação e somos diariamente confrontados com esta gesta. Os programas eleitorais e os placards das campanhas querem "dar voz aos animais, às pessoas e à natureza", ao mesmo tempo que clamam contra a toxicidade do ser humano. J.M. Coetzee no seu discurso de aceitação do Prémio Nobel da Literatura comparou a condição humana no tempo da exaustão planetária à de um novo Robinson, sozinho num mundo selvagem, "com possibilidade de perecer e sem esperança de salvação".

Isabel Capeloa Gil

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