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Anselmo Borges

Crer num Deus imoral?

Apalavra fé vem do latim fides, donde deriva também fiel, fidelidade, confiar, fiador, confiança, confidência. Crer vem de credere, donde deriva também credo, crença, crente, acreditar, credor, crédito. Até etimologicamente, ter fé não significa, portanto, em primeiro lugar aceitar um conjunto de afirmações doutrinais ou dogmas. A fé é, antes de tudo, a entrega confiada a Deus, Fonte originária de tudo quanto existe. Entregar-se-lhe confiadamente como Sentido último de toda a realidade e da existência própria. Como um homem se entrega confiada e amorosamente a uma mulher, como um amigo confia num amigo.

Anselmo Borges

António Araújo

Uma dívida moral

Foi um escândalo em Roma, e meteu portugueses. "Casavam-se, macho com macho, durante a missa, com o mesmo cerimonial com que fazemos os nossos casamentos, faziam penitência em conjunto nas festas religiosas, liam o mesmo evangelho das núpcias, e depois deitavam-se e habitavam uns com os outros", assim descreveu Montaigne, de passagem por Itália, um estranho caso ocorrido na Cidade Eterna, corria o ano de 1578. Alertada por mil rumores, a polícia romana irrompeu em força na igreja de San Giovanni a Porta Latina e prendeu 27 indivíduos que aí viviam em permanente orgia homoerótica. Aberto o processo, entre os condenados à morte encontrava-se um português, Marcos Pinto, natural de Viana do Alentejo, que vivia em concubinato com um adolescente espanhol, de apelido López, ainda que partilhasse o leito com outros membros desta bizarra confraria, que chegava a celebrar casamentos de homens com homens, muitos séculos antes de se ousar sequer falar disso.

António Araújo

Ivo da Rocha

A Sangrenta Revolta de Setembro de 1895 em Goa

Esta revolta em Goa dos soldados nativos e dos Ranes, em setembro de 1895, iniciou-se por obra e graça do então administrador do concelho das Ilhas, capitão Gomes da Costa (mais tarde, general e iniciador em Braga da Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926) que, primeiro, abusando de poderes, pôs-se a perseguir e a mal tratar um clérigo pio, devoto e santo, o bispo Francisco Xavier Alvares e, logo a seguir, foi o iniciador e instrumento da rebelião dos soldados nativos maratas e, finalmente, foi a causa da sangrenta revolta dos Ranes de Satari.

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Sebastião Bugalho

Sir David Amess (1952-2021). Um cidadão exemplar

Em cinco anos, dois deputados do parlamento britânico foram assassinados por motivações políticas. Jo Cox, do partido trabalhista, foi baleada e esfaqueada até à morte por um neonazi na semana que antecedeu o referendo que levou ao Brexit. O autor do crime foi, na altura, acusado de terrorismo e homicídio, condenado a prisão perpétua. David Amess, do partido conservador, sofreu idêntico destino faz hoje uma semana, esfaqueado por um radical islâmico à saída de uma igreja, no Essex. O autor do crime foi ontem acusado de terrorismo e homicídio "por razões ideológicas e religiosas".

Sebastião Bugalho

Raúl M. Braga Pires

Kadhafi – dez anos

Assinalou-se nesta semana dez anos sobre a morte do coronel Muammar Kadhafi. Figura peculiar a todos os níveis, de tal forma que se tornou no "Samora Machel" da anedota magrebina e árabe. De tal forma que nunca ninguém acreditou numa África sem fronteiras e com moeda única, mas esta ideia promovida por este excêntrico ganhava logo a perigosidade de ser realizável. Kadhafi virou-se para África, precisamente após os outros novos-ricos do Golfo terem percebido o perigo que este representava. Porquê? Porque não se ficava pelas palavras, era um tipo de acção. E em África, depois deslumbrou, tendo sido o principal financiador da reestruturação da Organização de Unidade Africana para União Africana.

Raul M. Braga Pires

Victor Ângelo

Um perigo disfarçado de Lei e Justiça

Conheço a Marzena há mais de 15 anos. Foi pouco depois da sua chegada a Bruxelas e de começar uma nova vida, a servir a dias nas casas da média-burguesia belga. Viera da Polónia profunda, a dois passos da Bielorrússia - tem, aliás, familiares que vivem num par de aldeias do outro lado do arame farpado, polacos como ela, mas apanhados pelas mexidas feitas às linhas de fronteira no pós-guerra, pelas gentes de Estaline. Com o tempo, viu chegar à Bélgica muitos milhares de outros compatriotas, que hoje trabalham na construção civil, nos serviços domésticos, nas fábricas ou nas múltiplas lojas que, entretanto, foram abrindo um pouco por toda a parte. O dinheiro que estes imigrantes transferem regularmente para a terra natal tem sido um dos fatores da modernização económica da Polónia. O outro está ligado às diferentes vantagens decorrentes da entrada do país na União Europeia em 2004.

Victor Ângelo

Bernardo Ivo Cruz

Internacionalizar a economia precisa de uma PPP

Portugal é uma economia aberta e integrada no vasto mercado europeu, onde o movimento das pessoas, dos bens, dos capitais e dos serviços, dentro de um conjunto de regras comuns e com um mínimo de barreiras, se faz livremente das margens do Atlântico às fronteiras da Rússia. Portugal integra-se igualmente no mercado global que, sem prejuízo para as recentes dificuldades provocadas pela crise financeira de 2008, pelas desconfianças populistas de 2014 e pela pandemia de 2020, tem permitido historicamente atingirmos um nível de crescimento económico e de desenvolvimento social mundial significativo, nomeadamente em continentes e países que estavam afastados das áreas mais desenvolvidas do planeta, contribuindo para retirar milhões de pessoas da pobreza. E, numa economia devidamente regulada e competitiva, os consumidores - cada um de nós - têm acesso a melhores bens e serviços a menores preços.

Bernardo Ivo Cruz

Viriato Soromenho Marques

Obediente a uma lei maior

O acolhimento do diplomata Aristides de Sousa Mendes no Panteão Nacional é um acontecimento cuja importância não pode ser reduzida a uma justa, mesmo que tardia, reparação da República para com um seu funcionário longamente ostracizado. Com efeito, o Estado português há muitas décadas beneficia do prestígio que a heroica desobediência do nosso cônsul em Bordéus, quando em junho de 1940, a escassos dias da capitulação da França perante a Alemanha hitleriana, em colisão direta com as ordens de Lisboa, decidiu emitir inúmeros vistos, em ritmo acelerado, que salvaram a vida a milhares de refugiados, sobretudo mas não exclusivamente judeus. Salazar poderia depois da guerra terminada, com um gesto que nem sequer feriria o culto do moderno ídolo da "razão de Estado", ter retirado o cônsul da situação de indigência material em que a sua expulsão da carreira pública o colocou. Teria sido um gesto que até beneficiaria o regime, mas pelos vistos iria causar uma brecha narcísica insuportável para o então presidente do Conselho. Foi apenas com Mário Soares, em 1987, que o Leviathan luso começou a emendar a mão.

Viriato Soromenho-Marques

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Ministério da Saúde diz que tem reforçado sistematicamente os recursos humanos no SNS. A nível de pessoal

De norte a sul há hospitais em "estado de calamidade"

A realidade não é de agora. É de há anos. Há situações de "verdadeira calamidade" no SNS. Quem o diz são os presidentes das secções regionais da Ordem dos Médicos que denunciam ao DN situações que lhes chegam diariamente. A falta de profissionais, que advém dos salários baixos, de condições de trabalho e de projetos profissionais, a ineficiência de direções e administrações, a par da "ausência de liderança" da tutela, estão na base do problema. Amanhã o setor da saúde entra em greve. Hoje, o governo deve aprovar em Conselho de Ministros um novo Estatuto para o SNS.

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