Legislativas 2022

Atualidade

Opinião

Guilherme de Oliveira Martins

Fernando de Albuquerque

Quem visita a Casa de Mateus apercebe-se de que não há cultura sem vida, sem o fervilhar das ideias e das iniciativas, sem as personalidades que animam a história. Fernando de Albuquerque, cidadão e aristocrata, foi o exemplo de quem sempre foi capaz de ligar em permanência a história longa à memória que sempre se vai reconstruindo. Conheci-o no momento em que a democracia se construía, em 1974. Era a realização da liberdade que estava em causa e, conhecendo a antiga linhagem donde provinha, senti-lhe sempre uma grande coerência, menos preocupada com o passado e mais empenhada num futuro de modernidade e de mudança. Desde cedo, tive o gosto de percorrer os salões da velha casa, nunca como um museu, mas como um lugar onde encontrava amigos e pessoas interessantes, preocupados com o futuro do Portugal democrático na relação com a Europa e o mundo, fazendo da cultura um fecundo diálogo. Os seminários Repensar Portugal, no final dos anos 1970, foram essenciais para a abertura de novos horizontes, assim como os Encontros Internacionais de Música, a instituição do Prémio D. Diniz, os Seminários de Tradução de Poesia Viva, o Instituto Internacional Casa de Mateus, a Residência de Artistas, a atividade agrícola e turística, tudo constituiu um modo ativo de ligar memória e desenvolvimento, democracia e arte. E não esquecemos a atribuição do Prémio Morgado de Mateus, apenas destinado a figuras excecionais no domínio da cultura, a Miguel Torga e a Carlos Drummond de Andrade (1980) e a Vasco Graça Moura (2013). Todos foram verdadeiros símbolos daquela casa extraordinária. Estou a ver Fernando, no seu passo miudinho, cuidando para que tudo se passasse com simplicidade e inexcedível qualidade, para que nos sentíssemos bem a fruir o natural requinte e a permitir que a cultura fluísse, em diálogo genuíno e rico entre a tradição e o futuro. E foi com especial honra e gosto que condecorei na Casa de Mateus em nome do Estado português, em representação do Presidente Jorge Sampaio, Gustav Leonhardt numa justíssima homenagem à figura marcante do panorama musical mundial, demonstração de uma cultura sem fronteiras.

Guilherme d’Oliveira Martins

Pedro Cruz

Chamem os bombeiros (e os outros todos)

Os bombeiros profissionais deram o primeiro passo e, não sendo voluntários, voluntariaram-se, caso o Estado precise deles, para recolher os votos casa a casa, onde houver gente isolada ou sem possibilidades de sair. Não consta, até ao momento, que tenham obtido qualquer resposta por parte de um Ministério que desapareceu, depois de um ministro que abandonou o cargo demasiado tarde e, por isso, demasiado perto das eleições que, pasme-se, são organizadas por um ministério sem ministro. E sem ministra, que a perninha de Van Dunem na Administração Interna é apenas mais um remendo num ministério que não teve emenda nos últimos seis anos.

Pedro Cruz

Afonso Camões

Votos que valem menos

Há quase seis anos, António Costa levou a quase totalidade dos seus ministros a Idanha-a-Nova, Espanha à vista, para assinalar os cem dias de governo e proclamar a valorização do território e a descentralização como pedras angulares do seu programa e da reforma do Estado. De caminho, criou uma unidade de missão e, na legislatura seguinte, inventou um novíssimo Ministério da Coesão Territorial. Seis anos volvidos, mesmo descontando o terço que já levamos de pandemia, o resultado é desolador. O abandono e o despovoamento continuam a empalidecer o retrato do interior português, onde o Estado é precário e demasiadas vezes ausente.

Afonso Camões

Mais atualidade

Mais Opinião

Luís Filipe Castro Mendes

Uma casa no norte

Ter biografia é o mesmo que ver reduzir no horizonte o leque dos possíveis. Embaixador em vias de reforma, vejo um comentador considerar, com simpática ironia, que finalmente estou a libertar o animal feroz que há em mim ao escrever estes artigos. Tive a alegria de descobrir que, ao menos no Dr. José Miguel Júdice, tenho um leitor atento. Mas o animal feroz que estaria latente nas possibilidades irrealizadas da minha vida, confesso que não o encontrei ainda.

Luís Castro Mendes

Oliver Antic

Novak celebra Natal na prisão!

O ténis já foi outrora considerado um "desporto de cavalheiros"; era praticado por cavalheiros, era arbitrado por cavalheiros, a assistência era constituída por damas e cavalheiros e os torneios eram igualmente organizados por cavalheiros em países que sempre estiveram ao nível deste nobre desporto. O público nunca incomodou os jogadores com barulho e ambos o vencedor e o vencido eram aplaudidos. Nos últimos anos, o público já não é apenas constituído por damas e cavalheiros e já aconteceu alguns jogadores agirem de forma menos tradicional, mas nunca tinha acontecido até agora, até ao Open da Austrália, os organizadores, ou seja, os seus Estados, atuarem como bárbaros!

Oliver Antic

Margarita Correia

Parabéns, Ciberdúvidas!

O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa completou, a 15 de janeiro, 25 anos de existência. Este serviço público informal foi criado em 1997 por João Carreira Bom, jornalista, cronista e contista, e por José Mário Costa, também jornalista e que foi responsável, desde 2006, por várias temporadas do programa Cuidado com a Língua!, da RTP. João Carreira Bom faleceu em 2002 e muita falta me fizeram as suas crónicas no Expresso, de que fui leitora ávida e guardo uma doce memória, textos que revelavam um excelente domínio da língua portuguesa, povoados de criatividade e humor.

Margarita Correia

Paulo Baldaia

O voto antecipado é um voto irrefletido?

Nas próximas duas semanas é pouco provável que aconteça algo de tão extraordinário que leve muita gente a mudar de voto ou a decidir o que não decidiu até aqui. Ou seja, mesmo acreditando que ainda há muitos indecisos, o mais provável é que acabem por fazer a sua opção com base em informação de que já dispõem. O Presidente da República, que se mostrou muito satisfeito com o nível dos debates, na sua versão de analista, considerou que o nível de esclarecimento é tão grande que os portugueses podem ir votar em massa no dia 23. Marcelo acha que há uma percentagem muito grande de portugueses para quem pouco importa o que vai ser dito e vai acontecer em campanha, pelo menos na última semana.

Paulo Baldaia

Desporto

  • Classificações
  • A Jornada
  • Resultados

Evasões

Notícias Magazine