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Viriato Soromenho Marques

Da esperança à resistência

O Instituto de Ciências Sociais (ICS-UL) promoveu duas jornadas de reflexão sobre a primeira Conferência das Nações Unidas, realizada em Estocolmo, há 50 anos. Foi a ocasião para recordar, com olhar crítico e preocupações de futuro, os contributos pioneiros dessa conferência para uma consciência planetária sobre a crise global do ambiente. Os seus impactos em Portugal foram especialmente analisados, evocando-se personalidades marcantes como José Correia da Cunha ou Gonçalo Ribeiro Telles. O que me parece mais notável, contudo, é o contraste entre 1972 e 2022.

Viriato Soromenho-Marques

Rui Diogo

Desejo sexual, conforto e ciúmes: um difícil equilíbrio histórico e evolutivo

Há umas semanas estive em Portugal, e como costume quando estou em Portugal pediram-me para falar da evolução do... sexo. Foi precisamente o tema que falei no excelente TEDXOPorto 2022, e também em várias entrevistas, incluindo para o programa "Sociedade Civil" da RTP2. Frequentemente, mas nem sempre, os jornalistas que me entrevistam acham que eu vou defender que a monogamia, ou casamento monogâmico é algo "errado", ou obsoleto. Mas, como veremos em baixo, isto não é nada o que eu digo, como resultado dos dados empíricos que compilei para os meus últimos livros sobre este tema. Ou seja, por um lado sim, mostro, com dados empíricos científicos, que em relação à evolução humana, é um pouco "contra-natura". Os primatas são quase todos poligâmicos, e os seres mais próximos de nós, os chimpanzés, têm um modelo polimacho-polifêmea, em que tanto os machos como as fêmeas têm vários parceiros sexuais (geralmente do sexo oposto, mas não sempre, pois a homossexualidade está presente em quase todas as espécies de mamíferos, e os bonobos - uma das duas espécies de chimpanzés - participam frequentemente em relações homossexuais). Similarmente, os povos caçadores recoletores que existiram antes da agricultura em todo o globo, e os que existem hoje em várias regiões do planeta, em geral também são poligâmicos, ou ao menos não tem uma imposição cultural tão forte da monogamia, a qual é em grande parte uma construção social que apareceu sobretudo depois da agricultura.

Rui Diogo

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Donald P. Kaberuka

Investir na saúde de África

Houve uma altura, não há muito tempo, em que um diagnóstico de VIH era uma sentença de morte. A SIDA, juntamente com a tuberculose e a malária, matou milhões de pessoas e sobrecarregou os sistemas de saúde em todo o mundo, especialmente em África. Mas o mundo deu as mãos e lutou. O Fundo Global de Luta Contra a SIDA, Tuberculose e Malária, criado em 2002, é uma história de sucesso sem paralelo. A cooperação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, o sector privado, a sociedade civil e as comunidades afetadas salvou 44 milhões de vidas, e a taxa de mortalidade combinada destas três enfermidades foi reduzida para mais de metade.

Donald P. Kaberuka

Miguel Romão

A semana de trabalho de terça a quinta

No passado mês de agosto, um sindicato dos Registos nacionais decretou greve para os seus trabalhadores em todas as segundas e sextas-feiras de agosto. No mês precisamente em que muitos portugueses que vivem no estrangeiro, e aproveitam as suas férias e a sua vinda a Portugal, para tratar de diversos assuntos nos Registos públicos nacionais, estes resolveram limitar, dos 23 dias úteis do mês, o seu trabalho a apenas 14 dias e fazerem na prática fins-de-semana prolongados, com faltas justificadas. Para além do que se imagina que fosse já a diminuição natural da capacidade de resposta e de atendimento em virtude das próprias férias dos trabalhadores, justas, em agosto, do Instituto dos Registos e do Notariado. Numa ou noutra televisão, no mês passado, passaram assim imagens de clientes dos Registos descontentes, nas conservatórias, em dias de greve.

Miguel Romão

Victor Ângelo

Putin procurou sequestrar a agenda da Assembleia Geral

António Guterres abriu a sessão de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas deste ano com uma frase muito forte. Afirmou que estamos metidos, a nível mundial, numa grande embrulhada, perigosa e multidimensional: às fraturas geopolíticas e às alterações climáticas, acrescentou os riscos em matéria de segurança alimentar, a escalada dos preços dos bens essenciais, as desigualdades, os conflitos armados e a violência contra as populações civis, que causam tragédias humanitárias em vários países. Perante tudo isto, e a paralisia dos mecanismos internacionais criados para resolver estes problemas, disse ver no horizonte imediato um inverno de descontentamento global.

Victor Ângelo

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