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Adriano Moreira

Salvaguarda da diplomacia

Quando a Europa atingiu a estabilidade suficiente que pode ser chamada de vida habitual, com cidades capitais a dispensar as Cortes de serem itinerantes, salvo uns intervalos frequentes das guerras internas e internacionais, o estatuto dos embaixadores enriqueceu-se de prestígio social, com expressão na residência que honrasse o país de origem, circulando íntimos pelas elites políticas, militares e culturais, observando, pensando e transmitindo as conclusões, as prevenções, e os conselhos aos respetivos governos. A tradicional centralização da direção da política externa, acoplando a responsabilidade militar, fazia dos embaixadores os olhos do rei, e muitos deixaram textos de presença indispensável no estudo e na meditação da evolução da conjuntura internacional, das variações do conceito estratégico nacional ao longo dos tempos, dos pontos fortes e fracos do desempenho do Estado perante a incerta tabela dos acidentes e desafios da política.

Adriano Moreira

António Araújo

Os bisontes da Torre Branca

O Inverno, dizem, é a melhor altura para vê-los no seu ambiente natural. Mas quem se aventura ao rigor do Inverno na densa floresta de Białowieza? Classificados pela UNESCO como património mundial, os 150 mil hectares de Białowieza (em polaco, "Torre Branca") estendem-se entre a Polónia e a Bielorrússia, naquela que é uma das maiores áreas florestais virgens da Europa. Provavelmente a maior, certamente a última, derradeiro vestígio da imensa mancha verde que há muitos séculos cobria a Planície Europeia, um território vastíssimo que vai dos Urais ao Atlântico, integrando, no lado ocidental, os Países Baixos, a Dinamarca, o Norte da Alemanha e da França. Sob a vegetação frondosa, com freixos de mais de 50 metros de altura, nas sombras de Białowieza vivem 20 mil espécies diferentes de animais selvagens.

António Araújo

Anselmo Borges

Religião a mais? Deus e dignidade

1 O filósofo Henri Bergson, na obra famosa As Duas Fontes da Moral e da Religião, mostrou a distinção entre dois tipos de religiosidade. A primeira - a religiosidade estática - tem a sua base na angústia da morte e no sentimento de abandono perante uma Natureza tantas vezes cruel, e, a partir do instinto de sobrevivência, procura protecção divina para a pequenez humana. A outra - a religiosidade dinâmica - assenta na intuição do Mistério Último experienciado como amor. Esta exprime a grandeza do ser humano e apoia-se na experiência de pessoas excepcionais - os místicos. Mas a mística autêntica e completa é acção, pois o místico verdadeiro, "através de Deus, por Deus, ama a Humanidade inteira com um amor divino".

Anselmo Borges

Viriato Soromenho Marques

Reféns na sala oval

Como é possível que os EUA apresentem um registo tão mediocremente errático perante a crescente crise ambiental e climática, a matéria mais crítica para a sobrevivência da nossa aventura civilizacional? Como chegámos à situação em que o país, designado em 1972 por Raymond Aron como "República Imperial", se mantenha como um oscilante perturbador dos esforços para tentar evitar o caos ecológico no planeta, consequência inevitável se falhar uma cooperação organizada e consistente a nível global? Para obtermos uma resposta competente temos de desfazer as ilusões, generalizadas na Europa, sobre o real alcance dos poderes presidenciais norte-americanos em matéria de política externa.

Viriato Soromenho-Marques

Bernardo Ivo Cruz

Um novo contrato social

Há quase um ano, um bando de criminosos invadiu o Capitólio nos Estados Unidos para impedir o processo de certificação das últimas eleições presidenciais. Há menos de duas semanas um deputado britânico foi o segundo membro do parlamento a ser assassinado por razões políticas em cinco anos. As crises de legitimidade dos governos dão origem a crises humanitárias e de segurança, provocando morte, destruição e 82 milhões de refugiados em todo o planeta. Nas democracias, os cidadãos votam cada vez menos e não participam na gestão da coisa pública e o Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral, com sede na Suécia, diz que a qualidade do sistema político tem vindo a diminuir um pouco por todo o lado. A pandemia continua a provocar mortes e a destruição do tecido económico e social pelo mundo todo. As alterações climáticas colocam as nossas vidas - de todos nós - em perigo. E basta frequentar uma qualquer rede social para ver o ódio que os guerreiros do sofá e dos teclados destilam diariamente contra tudo e o seu contrário.

Bernardo Ivo Cruz

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