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Margarita Correia

Das línguas indígenas

Não se sabe ao certo quantas línguas vivas existem. Os números disponíveis não são rigorosos, porque, por um lado, não existe entendimento sobre os critérios usados para contar línguas (e não é de todo consensual estabelecê-los), por outro, algumas línguas não estarão registadas por pertencerem a pequenas comunidades rurais pouco acessíveis e, por fim, porque, sendo a maioria delas línguas em risco, o seu estado é extremamente volátil. O Ethnologue (publicação de referência que fornece estatísticas sobre as línguas vivas), na edição deste ano, assinala a existência de 7151 línguas; já a UNESCO, na sua documentação oficial, refere o número aproximado de 6700. Acredita-se que 90% das línguas do mundo são faladas por menos de cem mil habitantes, i.e., mais de seis mil delas estão em risco de extinção. Existem línguas que já têm apenas um falante vivo: enquanto falantes de uma língua com centenas de milhares de falantes, poderemos entender devidamente a profunda solidão em que estas pessoas vivem?

Margarita Correia

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Sebastião Bugalho

Breve história de seis delírios 

1 - Há exatamente uma semana, a porta-voz e número 2 do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, a senhora Hua Chunying, publicou dois mapas com a seguinte legenda na sua conta oficial: "Há 38 restaurantes de dumplings e 67 restaurantes de noodles em Taipé. O palato não engana. Taiwan foi sempre parte da China. O filho perdido regressará a casa". Num involuntário e bem-vindo acesso de humor, a diplomacia chinesa recebeu resposta da comunidade internacional. "Cuidado Little Italy", foi uma delas. "Pode usar o Google Maps em Taiwan, na China é que não", foi outra. A imagem dos milhares de restaurantes indianos pelo território chinês e uma piscadela de olho a Narandra Modi, outra. Mas a minha preferida, o leitor que me perdoe o ocidentalismo, foi a imagem dos mais de 8 mil estabelecimentos da icónica Kentucky Fried Chicken (KFC) na China - a maior cadeia de fast-food no país - como prova de que o palato é mau conselheiro em geopolítica.

Sebastião Bugalho

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