Opinião

João Melo

Racismo sanitário

Assim mesmo, sem aspas: racismo sanitário. Se dúvidas houvera, a decisão do alegado "mundo desenvolvido" perante a descoberta, na África do Sul, de uma nova variante do vírus da covid-19 - a omicron - confirma de uma vez por todas que a Europa e os EUA mantêm a sua atitude colonial em relação aos povos africanos e às nações pobres em geral. O racismo anti-negro continua, mais de cinco séculos depois, a ser o principal obstáculo à edificação de uma autêntica "humanidade compartilhada" entre todos os homens e mulheres do planeta. Tal política, recorde-se, é uma das estruturas do sistema capitalista de desenvolvimento, desde o surgimento deste último.

João Melo

Guilherme de Oliveira Martins

Lembrança das margens do Arno

Na última crónica, recordámos a mãe de António Osório, com especial ternura, a ler a seu filho Dante em cadência florentina, lembrando as margens do Arno: "Quinci compreender puoi ch"esser convene / amor sementa in voi d"ogne virtute / e d"ogne operazion che merta pene" ("Assim compreenderás que ser convém / o amor semente em vós só de virtude / e da operação que pena tem." - Purgatório, Canto XVII). Ora, a celebração do sétimo centenário da morte de Dante Alighieri tem permitido uma reflexão de grande interesse sobre as bases da cultura europeia, abrangendo referências clássicas e modernas. A publicação da nova tradução da Divina Comédia, da autoria de Jorge Vaz de Carvalho (INCM, 2021), tem permitido uma releitura séria e exigente da obra-prima, sem esquecer o pioneirismo e o sentido poético de Vasco Graça Moura, que não devem ser esquecidos. Depois da extraordinária Conferência do Cardeal José Tolentino Mendonça, Alberto Manguel tem-nos ajudado nesse encontro sublime, do mesmo modo que os participantes nas iniciativas em torno das "Visões de Dante. O Inferno segundo Botticelli", como Teresa Bartolomei e João R. Figueiredo, graças à presença na Fundação Gulbenkian de dois excecionais desenhos do genial artista, pertencentes à Biblioteca Apostólica Vaticana.

Guilherme d'Oliveira Martins

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Vasco Ferraz

Da dignidade da política

Na Grécia Antiga, a Política era entendida como a atividade nobre por excelência, no sentido em que compreendia as ações tendentes à concretização da melhor vida na Polis, na cidade. Apesar de então a "democracia" ser bastante imperfeita, por a participação na vida da cidade se encontrar restringida a uns poucos homens que formavam as elites locais, havia a noção de que os cidadãos envolvidos no processo de decisão política eram seres humanos dominados por uma grande dose de altruísmo, de dignidade, de probidade, dado que, no estrito cumprimento da Lei, só atendiam ao bem público, que prevalecia sobre os interesses particulares.

Vasco Ferraz

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