Opinião

Paulo Baldaia

Volta para a tua terra

Falar de centralismo neste país de salamaleques e vénias constantes ao poder passou a ser "chato". Ou melhor, os que falam de centralismo são uns "chatos". Já não é apenas a resposta básica que começa com um "não há centralismo nenhum" e que termina com o mais que certo "vocês é que são uns provincianos". Passou a acrescentar-se o "não temos paciência para essa conversa", mais ainda se quem se queixa vive e trabalha em Lisboa. Como é que os que, como eu, ganham a vida trabalhando em Lisboa se atrevem a apontar-lhe o dedo? Para os que vivem curvados perante o poder (honra lhes seja feita, a curvatura mantém-se seja qual for o poder) a pergunta faz todo o sentido. A mim, por mais de uma vez, me mandaram de regresso à minha terra.

Paulo Baldaia

Jorge Barreto Xavier

Semanologia

O de Orçamento do Estado - já ocorreu a discussão do Orçamento do Estado (OE) para a Cultura, entre o governo e a comissão parlamentar respetiva. Se comparado o valor do OE da Cultura de 2015 (último ano do governo Passos Coelho) - 219,1 milhões de euros - com os 324,45 milhões previstos para 2022, verifica-se um aumento do montante orçamentado. Todavia, este número é enganador, visto ter crescido o montante do OE total, de 2015 para 2022. O aumento da despesa do Estado não é, por si, garantia de melhores serviços públicos. A entrada de mais fundos europeus, os encargos da dívida, a contração de empréstimos, assim como do número de funcionários públicos explicam a maior parte do aumento. O montante de 0,25% de Orçamento consolidado para a Cultura - se retirarmos os encargos que o Ministério da Cultura tem com a RTP e a Lusa - significa que, efetivamente, em percentagem do Orçamento de Estado, de 2015 para 2022 o Orçamento da Cultura diminuiu! É que, em 2015, o Orçamento da Cultura representava 0,26% do OE. Deve ainda considerar-se o aumento da inflação - não dá para analisar o crescimento do Orçamento em meros termos nominais. E parte relevante do reforço orçamental da Cultura de 2022 provém de fundos de emergência europeia - o PRR. Finalmente, Orçamento e despesa são coisas diferentes. Qual a diferença entre o valor orçamentado e o valor executado pelo governo, entre 2016 e 2021? Ou seja, quanto é que, efetivamente, o Estado gastou com Cultura? Tenho a certeza de que vamos perceber que há distância entre a declaração de amor à Cultura feita pelos governos socialistas e a despesa efetiva que os mesmos praticam. A tentativa de deitar areia para os olhos dizendo que tem de se somar ao valor do Ministério da Cultura o que se gasta em outras áreas de governo com a Cultura é uma falácia - nem o INE nem a Comissão Europeia usam este critério. Há que comparar o que é comparável.

Jorge Barreto Xavier

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Joana Amaral Dias

Eufemiza-me

Sabemos que a "operação especial" de Putin é uma invasão. Muito bem. Óptimo. De igual forma, sabemos que a "operação israelita" foi um pelotão de fuzilamento da jornalista na Palestina e até um aviso para não aparecerem mais repórteres. Executar Shireen Abu Akleh com total impunidade só em figura de estilo pode ser classificado como "confrontos" ou "repressão". Da mesma maneira, sabemos que o "direito de resistência" da Finlândia ou da Suécia juntando-se à NATO é mesmo uma declaração de guerra. Talvez irreversível e aniquilando as poucas alternativas restantes. Pois é. Hipocrisias e ingenuidades à parte, não é preciso ser-se versado em Relações Internacionais ou em Negócios Estrangeiros para entender que a comunicação e as interacções entre Estados se regem por interesses e estão subordinadas a uma lógica de poder. Esta guerra na Ucrânia é uma guerra por procuração, um triângulo bélico, tal como assumido pelo próprio secretário da Defesa norte-americano Lloyd Austin.

Joana Amaral Dias

Sebastião Bugalho

Os príncipes na torre

A história dos príncipes na torre, um dos maiores mitos medievais de Inglaterra, foi distorcida pelos mistérios que se lhe seguiram e pela propaganda que lhes dedicaram. Tomás Moro, biógrafo de Ricardo III, fez por instaurar unanimidade entre a dinastia que lhes sucedeu. Shakespeare, na peça que eternizou Ricardo de Gloucester enquanto breve rei, foi talvez o maior responsável pelo perpetuar dessa interrogação: o que aconteceu, afinal, aos sobrinhos de Ricardo III, enclausurados na torre de Londres para este se fazer rei? Não se sabe. Os herdeiros de Eduardo IV não terão sobrevivido à ambição do tio, que foi de regente a soberano com a ajuda do Parlamento após a anulação do casamento dos pais. Dois pequenos corpos foram achados numa escadaria empedrada, dois séculos mais tarde, e devidamente enterrados na Abadia de Westminster. Gloucester, coroado Ricardo III, não teve melhor sorte. O reinado duraria dois anos, até à chegada dos Tudor como solução de paz para a chamada Guerra das Rosas. Henrique VII, que inaugurou esse tempo, foi confrontado duas vezes por pretendentes ao trono que se faziam passar por um dos príncipes desaparecidos. O primeiro, derrotado no seu segundo ano, foi perdoado e integrado na corte como cozinheiro, apesar de antes o terem coroado rei na Irlanda. O segundo, igualmente vergado, seria executado. Ambos tentaram aproveitar-se do sumiço dos York, clamando direito ao trono. Ambos reuniram apoiantes nacionais e estrangeiros com tal reivindicação. E ambos perderam em batalha a significância que a tragédia dos dois príncipes lhes havia conferido.

Sebastião Bugalho

José Mendes

Política, Ciência e Pessoas

Há uns anos, ainda em funções governativas, fui convidado para uma reunião de diretores de agências nacionais de ambiente e energia dos estados-membros da União Europeia. Recordo o admirável empenho daquelas pessoas na descrição de cenários para a transição energética, apresentando gráficos e curvas quase perfeitas da relação entre a penetração de tecnologias limpas e os benefícios para o ambiente e o clima. A certo ponto, fui interpelado a comentar uma apresentação da Agência Europeia de Energia. A minha intervenção foi, para surpresa dos presentes, sobre pessoas. Defendi a ideia de que competia aos políticos ler as evidências e as interpretações da ciência para formular as opções e tomar as decisões. Mas fui mais longe, ao afirmar que, no fim do dia, seriam as pessoas a decidir.

José Mendes

João Lopes

Um pensamento em forma de assim

Conhecemos esse vício cultural muito português em que, por vezes, conscientemente ou não, participamos. Chamemos-lhe a continuada promoção de alguns dos nossos artistas como figuras obrigatórias de uma galeria de "heróis" - sempre que possível para delirante consumo mediático. Os prémios internacionais e, claro, a morte servem para inflacionar tal vício. Exemplo? Em alguns casos, a cegueira militante contra a filmografia de Manoel de Oliveira deu lugar à sua compulsiva e gratuita celebração como "mestre"...

João Lopes

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Tech & Café 10. Star Trek vs Star Wars! Mas antes... o novo relógio da Google

No 10.º Tech & Café falamos 9 minutos da nova aposta da Google: o smartwatch Pixel. Será que vem para Portugal? E depois, a propósito das novas séries das sagas de ficção científica mais famosas do planeta, fazemos uma viagem pelo espaço sideral: Star Trek ou Star Wars? É um melhor do que o outro? Porquê? É mesmo preciso escolher? E vale a pena ver as novas produções? Como sempre, com Filipe Gil e Ricardo Simões Ferreira.

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