Legislativas 2022

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Joana Amaral Dias

As crianças que se lixem

A Maria fez seis anos em Agosto de 2019 e entrou para o primeiro ano nesse Setembro. Estava muito entusiasmada com a perspectiva de aprender a ler e a escrever, descobrir os números. Sucede que, em Março de 2020, uns meses depois, a sua escola fechou. Aulas online nesta idade? A professora fala, fala, pergunta, estimula, interage e, no fim, a Maria diz-lhe: o seu gato é muito bonito. Em casa, os pais têm disponibilidade limitada - entre o teletrabalho da mãe e o fecho do negócio do pai (medidas covid), que o atirou para uma depressão e, de seguida, para uma frustrante procura de emprego, só restos sobram. Dinheiro para explicadores? Não há. Em Setembro de 2020, Maria foi para o segundo ano da escola. Pouco tinha aprendido e o início de 2021 trancou-a outra vez em casa. Novo calvário. Agora, em setembro de 2021, com oito anos, Maria ingressou no terceiro ano da escola. Não sabe escrever nem ler. É analfabeta. Contas de somar lá vai fazendo algumas, gosto pela escola há pouco e adição aos telemóveis há muita. Ainda tinha ginástica num clube perto de casa, mas, após sucessivos abre e fecha, os pais desistiram. Não tem mais grupos de amigos e no prédio poucos falam.

Joana Amaral Dias

Daniel Deusdado

"Se perder, sairei". Geringonça nunca. Rio?

1. Não sei quanto custa a estratégia de "spin doctor" ao PS, mas é dinheiro deitado ao lixo. A António Costa bastaria ser o homem de Estado, fazer menos promessas, não reagir a tudo o que mexe, e talvez as pessoas percebessem que também tem o perfil do homem sério. Os homens sérios comprometem-se com pouco e debatem ainda menos. Cavaco mandava os opositores falarem sozinhos. Já o líder do PS vai a todas (incluindo o humilde debate da rádio), atira pedradas como um adolescente irrequieto e pede uma maioria impossível. E se não a conseguir, sai. Ou melhor - isso foi ao princípio. Agora, à Guterres, talvez fique. E, portanto, não se sabendo muito se fica ou não fica, o povo está a descobrir o outro senhor, mais comedido e remediado nas promessas, seguindo o perfil sóbrio de Cavaco e Passos, onde a contenção era uma ideologia. O PS está a construir um caso de estudo de como governar razoavelmente durante seis anos e perder tudo num mês.

Daniel Deusdado

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