O apocalipse pode ser agora

Não se pode dizer que a República Democrática do Congo (RDC) não seja ocasionalmente notícia, mas em regra estas têm mais que ver com o passado do que com aquilo que acontece hoje no segundo maior país de África. Um bom exemplo dessa atenção virada para outros tempos foi o destaque dado em 2022 ao pedido de desculpas do rei da Bélgica pelos crimes praticados quando o Congo chegou a ser propriedade pessoal de Leopoldo II, até passar efetivamente para o controlo do Estado belga. Filipe, de visita à RDC, pediu desculpas em Kinshasa pelo "paternalismo, discriminação e racismo" que marcou o domínio colonial. Filipe, nessa sua primeira viagem à antiga colónia desde que subiu ao trono em 2013, repetiu assim um lamento que tinha já exprimido em 2020, quando a RDC, que já se chamou também Zaire, celebrou 60 anos de independência. A exploração do Congo, sobretudo em finais do século XIX, foi tão terrível que inspirou livros como O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, publicado em 1899 e adaptado ao cinema em 1979 como Apocalipse Now, com Francis Ford Coppola a mudar a ação para o Vietname.

Opinião

Raúl M. Braga Pires

POLISARIO – Um Congresso baunilha!

Janeiro fica marcado pela realização do 16.º Congresso da Frente POLISARIO. Previsto para dezembro, o adiamento adensou a especulação sobre as divisões internas, que nem para fixar uma data se entendiam, que iria ter um ambiente de cortar à faca, que assim e que assado! Duas frentes concentraram as tensões, pela primeira vez, indicando que a não pulverização de listas queria forçar um voto útil, contra a actual liderança, de Brahim Ghali. O "lado B", encabeçado por Mustapha Bachir Sayed, também conhecido por "Senhor Europa", pelo malabarismo de contactos com que joga internacionalmente.

Raul M. Braga Pires

Victor Ângelo

A paz na Ucrânia: uma pergunta à espera de resposta

À medida que nos aproximamos da data que marca um ano de guerra contra a Ucrânia surge mais recorrentemente a pergunta sobre a possibilidade de uma mediação que ponha fim a esta agressão russa, injusta e inexplicável. Durante a semana foi mesmo levantada a hipótese de se ver Benjamin Netanyahu como mediador. Por muito que se queira parar a loucura bélica e incendiária de Putin, poderá parecer impensável solicitar a alguém como Netanyahu que desempenhe aí o papel de bombeiro de serviço. É verdade que a paz tem um preço elevado e que devemos estar prontos para esse investimento. A paz, numa base justa, é uma prioridade absoluta, mas não pode ser obtida a qualquer custo nem dando credibilidade a quem a não tem. Também não creio que Netanyahu possa ser aceite pelas partes. Ele bem gostaria, para tentar fazer esquecer o problema cada vez mais insolúvel que existe entre Israel e a Palestina.

Victor Ângelo

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Mais Opinião

Ignacio Vázquez Moliní

Pessoa, o homem dos sonhos

O poeta, narrador e ensaísta Manuel Moya, acaba de publicar na Editorial Subsuelo uma biografia de Fernando Pessoa, que vem completar, talvez definitivamente, as até agora existentes dedicadas a investigar os diferentes aspetos da vida e obra do poeta lisboeta por excelência. Trata-se de um volume de setecentas páginas, cuja leitura revela elementos inéditos do universo pessoano e clarifica conceitos que permitem, talvez pela primeira vez, esclarecer mal-entendidos e ultrapassar muitos preconceitos tanto da própria obra, como de muitas características vitais do poeta.

Ignacio Vázquez Moliní

Patrick Siegler-Lathrop

Para onde vai a economia dos EUA em 2023?

Quando a inflação começou a subir em 2021, a maioria dos bancos centrais e economistas não estava preocupada, as economias ocidentais tinham evitado a inflação na última década e o aumento estava intimamente ligado ao impacto da COVID. Os governos tinham fechado as economias e era normal que os preços tivessem aumentado à medida que as economias saíssem de seus "comas induzidos", mas pensavam que qualquer aumento de preços fosse transitório.

Patrick Siegler-Lathrop

Fórum da Sustentabilidade e Sociedade

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Tech & Café

João Sousa Guedes, o líder da empresa que já ajudou a levar net a 50 milhões de casas

Ao 16.º episódio o Tech & Café recebe João Sousa Guedes, CEO e fundador da Weezie, empresa portuguesa criadora de software que possibilita a instalação de redes de fibra ótica forma muito mais eficiente. Sedida no Porto, todos os seus clientes são estrangeiros -- e já ajudou a instalar internet em mais de 50 milhões de lares. O próximo passo, os EUA... e o futuro das comunicações. Uma conversa com Filipe Gil e Ricardo Simões Ferreira.

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