Armazém em Mem Martins, concelho de Sintra, onde estão os mais de 300 mil exames nacionais do secundário
Armazém em Mem Martins, concelho de Sintra, onde estão os mais de 300 mil exames nacionais do secundário Foto: Tiago Petinga / Lusa

Polémica dos exames nacionais. Termina esta terça-feira o prazo para a correção das provas

Estão em causa mais de 300 mil provas realizadas pelos alunos do 11.º e 12.º anos. "Dificuldades informáticas no processo de classificação eletrónica" levaram o Governo a alterar o calendário. As notas deverão ser divulgadas esta sexta-feira (17).
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O prazo para a classificação dos exames finais nacionais do ensino secundário termina ao final desta terça-feira, 14 de julho. É a primeira vez que a correção das provas está a ser realizada em formato digital, um processo envolto em polémica, com os professores a relatarem várias falhas e com o Governo a reconhecer "dificuldades informáticas".

Os relatos de várias falhas técnicas, com professores a serem convocados ao fim de semana e a receberem novas respostas para corrigir na véspera de terminar o prazo, como o DN noticiou na segunda-feira (13), levou o ministro da Educação a pedir desculpa aos docentes, reconhecendo problemas ao longo deste processo.

Inicialmente, os professores tinham até à passada sexta-feira, 10 de julho, para corrigir as provas, mas devido a "dificuldades informáticas no processo de classificação eletrónica" o Governo procedeu a alterações do calendário dos exames nacionais, alargando até esta terça-feira o prazo para a correção.

Em relação à afixação das notas dos mais de 300 mil exames nacionais, está prevista que aconteça esta sexta-feira (17). Inicialmente, a divulgação das notas estava marcada para esta terça-feira.

Ao DN, Cristina Mota, porta-voz da Missão Escola Pública (MEP) – um movimento apartidário de professores – acusou o Governo de querer “ter pautas a qualquer o custo” e contou que os classificadores continuavam a receber novas respostas para corrigir na véspera do prazo terminar.

“Houve professores que foram convocados, uns por escrito e outros receberam telefonemas, para passarem a ser classificadores. Temos um docente que recebeu 190 itens para classificar até terça-feira”, relatou.

Um prazo "curto" para corrigir provas que tem sido dificultado pelas falhas que marcam este processo: folhas de continuação de respostas em falta, provas por carregar na plataforma, repetição de perguntas já classificadas, entre outros problemas relatados ao DN.

A porta-voz da MEP garante que “os professores estão a fazer o possível" para cumprir o prazo estipulado pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), mas alerta que, se no final do prazo de correção os classificadores continuarem sem respostas perante os problemas reportados, poderão “não submeter as notas” por saberem não corresponderem à realidade, pois muitos ainda estão “com folhas em falta ou folhas de alunos trocadas”.

Ministro pede desculpa aos professores e Montenegro mantém a confiança em Fernando Alexandre

As dificuldades neste processo de classificação levaram o ministro da Educação, Fernando Alexandre, a reconhecer os problemas e a fazer um pedido de desculpas aos docentes envolvidos no esforço de corrigir as provas a tempo. “Infelizmente, e lamento, e peço desculpa aos professores, houve professores que tiveram de corrigir duas e três vezes a mesma prova precisamente porque foi identificado um erro”, afirmou, na segunda-feira (13), o responsável pela pasta da educação.

“É lamentável, mas é a confirmação de que nós temos mecanismos de controlo de qualidade e de garantir o rigor”, adiantou em declarações aos jornalistas. Reconheceu que “o processo não começou bem, começou com vários erros”, afirmando que, "obviamente os professores não podem corrigir provas com erros”.

Fernando Alexandre garantiu “toda a transparência” neste processo, dando como exemplo o acesso dos alunos às provas que realizaram quando forem divulgadas as notas. “Não há transparência como disponibilizar a prova na sexta-feira ao aluno, a classificação que ele teve em cada pergunta e ele verificar que aquela é a prova que ele fez”, considerou.

O governante disse ainda que existem "processos de qualidade", que foram "reforçados esta semana” para garantir que “a avaliação feita pelo professor no digital corresponde exatamente àquilo que está em papel”.

Entre os pedidos de explicação da oposição, com o PCP a exigir presença do ministro da Educação no Parlamento na próxima sexta-feira, num debate de urgência potestativo, o primeiro-ministro garantiu manter a confiança em Fernando Alexandre. "Com certeza. Mas estaria em causa alguma vez a confiança que eu tenho nos ministros? Isso não é uma questão”, respondeu Luís Montenegro, quando questionado, na segunda-feira, sobre a continuidade de Fernando Alexandre.

“Os ministros, como os secretários de Estados, como o primeiro-ministro, estão no Governo para resolver problemas, não é para se queixarem dos problemas nem para esmorecerem quando eles aparecem”, argumentou Montenegro. "Todos estão sob uma pressão diária e estando no Governo é porque têm competência para encontrar as soluções para os problemas”, acrescentou.

Presidente da Assembleia da República rejeita pedido da IL para adiar debate do Estado da Nação

Perante a polémica que envolve a classificação dos exames nacionais do secundário, a Iniciativa Liberal (IL) sugeriu adiar uma semana o debate do Estado da Nação, marcado para esta quinta-feira, num requerimento apresentado ao presidente da Assembleia da República.

José Pedro Aguiar-Branco indeferiu, no entanto, o pedido dos liberais para adiar o debate do Estado da Nação. Os liberais argumentavam que esse debate não deveria ocorrer antes de estar concluída o processo de correção e classificação dos exames nacionais, defendendo ainda que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, desse explicações aos deputados sobre as falhas nesse processo num debate de urgência a ter lugar na sexta-feira.

Segundo o despacho do presidente da Assembleia da República, a que o DN teve acesso, Aguiar-Branco considera que não estão reunidos "os pressupostos constitucionais e regimentais necessários à realização do debate sobre o Estado da Nação em 22 ou 23 de julho", referindo-se às datas sugeridas no requerimento da Iniciativa Liberal.

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