Uma das fotos de Tirso no Telegram. Ao lado está Gil 'Pantera' Costa, que permanece preso.
Uma das fotos de Tirso no Telegram. Ao lado está Gil 'Pantera' Costa, que permanece preso.Foto: DR

Integrantes do 1143 cobram explicações da entrevista de membro sobre a ligação com a Chega

O entrevistado, presença habitual nas manifestações do 1143, está sem entrar no Telegram há cerca de um mês, mas tem sido chamado a dar “explicações” sobre a entrevista.
Publicado a
Atualizado a

"Tirso, isto merece uma explicação, aguardamos", escreveu, esta manhã, num dos chats do 1143, uma integrante do grupo. Este é o assunto dominante das conversas neste domingo, 22 de fevereiro, na sequência da entrevista de Tirso Faria ao jornal Público.

Tirso Faria, coordenador do núcleo de Santo Tirso do 1143, afirmou, na entrevista ao jornalista Miguel Carvalho, que um deputado do Chega, Rui Afonso, comprou votos a neonazis. O deputado do partido de André Ventura já havia sido acusado de contratar membros do grupo para serem seus “seguranças”. As relações do Chega com grupos de ódio, com o 1143 e com a Reconquista não são novas.

O entrevistado, presença habitual nas manifestações do 1143, está sem entrar no Telegram há cerca de um mês, mas tem sido chamado a dar “explicações” sobre a entrevista. Tirso, além de integrante do grupo de Mário Machado, é também militante do Chega. No Telegram, tem uma fotomontagem de André Ventura.

Outro integrante do 1143 pediu, no chat, que todos tivessem “calma”, sublinhando que as notícias “desestabilizam em muito o grupo” e que esse é o “objetivo” do Governo. Em declarações à SIC, o deputado do Chega afastou a informação de Tirso. “Isto é um verdadeiro disparate, não tem assunto nenhum”, afirmou e fala ainda em “assassinato de caráter”.

"PIDE Judite"

Outra teoria que circula nos chats prende-se com a nomeação de Luís Neves para o cargo de ministro da Administração Interna. Intitulam a Polícia Judiciária (PJ) de “PIDE Judite”, afirmando que a escolha se deveu a uma espécie de reconhecimento por “perseguir nacionalidades”. Mas há mais: dizem ainda que “a maçonaria está a organizar-se para nos tramar a todos”.

Uma das fotos de Tirso no Telegram. Ao lado está Gil 'Pantera' Costa, que permanece preso.
Uma radiografia ao Grupo 1143 — Origens, protagonistas, ambições e modus operandi, em 10 pontos

Integrantes do 1143 faziam com frequência críticas à PJ, que se intensificaram após a prisão de Mário Machado e, depois, da operação Irmandade. A Judiciária deteve 37 pessoas do grupo, das quais cinco ficaram em prisão preventiva. Um deles é Gil Pantera Costa, que assumiu a liderança após Mário Machado ter ido para a cadeia.

Na audição em tribunal, as palavras do juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) soaram como um aviso: “a anterior liderança está presa, a atual liderança ficou presa e agora é uma questão de aguardar pela próxima, se vier a existir”, advertiu o magistrado Nuno Dias Costa, dirigindo-se especificamente a Gil ‘Pantera’ Costa.

Estão indiciados por terem agredido dois imigrantes na estação de serviço de Aveiras, em outubro passado, Jorge Bento (que também esteve envolvido em confrontos na manifestação do 25 de Abril de 2025 e agrediu uma pessoa), Mário Moreira, João Carvalho e Bruno Rodrigues.

A decisão do tribunal sobre os detidos do Grupo 1143 distinguiu ainda a liberdade de expressão do crime de ódio. O juiz identificou palavras que incitam à discriminação, à hostilidade e à exclusão.

amanda.lima@dn.pt

Uma das fotos de Tirso no Telegram. Ao lado está Gil 'Pantera' Costa, que permanece preso.
Grupo neonazi tinha núcleos por todo o país, na Suíça e em França
Uma das fotos de Tirso no Telegram. Ao lado está Gil 'Pantera' Costa, que permanece preso.
Grupo 1143. Prisão preventiva para cinco suspeitos, entre os quais Gil 'Pantera' Costa

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt