Construbarcelos recebeu 973 mil euros do PRR para obras na sede da PJ na Guarda
A Construbarcelos, a empresa do empreiteiro que João Carvalho que está no epicentro das polémicas que envolvem Luís Neves, recebeu 973 mil euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para obras de remodelação e eficiência energética da sede da Polícia Judiciária na Guarda, avança o Expresso.
De acordo com o portal Transparência.gov, a verba faz parte de um projeto de 4,33 milhões de euros de financiamento não reembolsável, que teve início em fevereiro de 2021 e termina em setembro deste ano, destinado a melhorar a eficiência energética de edifícios da administração pública central. Em causa estão a instalação de painéis solares, impermeabilização do edifício, revestimento da fachada e outros melhoramentos.
Também receberam financiamento do PRR outras cinco empresas que estiveram envolvidas no projeto: MQT - Serviços de Engenharia (530 mil euros), FXC Construções (388 mil), A Encosta - Construções (299 mil), Eletro Solução - Componentes Elétricos (287 mil) e Variáveis Contínuas (279 mil).
Desconhece-se se a PJ já pagou total ou parcialmente este montante à Construbarcelos. Segundo o atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, esta foi a empreitada de maior valor da empresa na Judiciária.
Estas obras estarão entre as adjudicações analisadas pela Procuradoria Europeia, que abriu um “processo de verificação”, uma espécie de averiguação preventiva, aos contratos celebrados entre PJ e Construbarcelos.
Insistindo que só conheceu o dono da empresa sediada em Barcelos em 2023, já depois de este ter realizado várias obras para a PJ, Luís Neves sustentou na semana passada que, embora a relação contratual possa suscitar dúvidas, nunca existiu qualquer favorecimento.
"A Construbarcelos nunca teve peso determinante ou sequer relevante na contratação da Polícia Judiciária", alegou o ministro, precisando que o valor dos contratos celebrados entre 2019 e 2025 entre a força policial e a construtora "representaram apenas 8%" do valor global de 27 milhões de euros adjudicados por aquela instituição no mesmo período.
"Depois de conhecer o senhor João Carvalho, esta empresa representou apenas cerca de 4% do valor das empreitadas contratadas pela instituição, obras complementares a contratos que já se encontravam em execução", frisou.


