A Procuradoria Europeia (PE) contactou a Direção Nacional da Polícia Judiciária (PJ) para fornecer um vasto conjunto de documentos sobre os vários contratos de obras adjudicadas durante o mandato de Luís Neves como diretor nacional, avança a TVI/CNN Portugal.O atual diretor da PJ, Carlos Cabreiro, também foi convocado para uma reunião com representantes deste órgão de investigação, uma espécie de Ministério Público europeu independente que investiga sobretudo suspeitas relacionadas com fraudes. Nas mãos de um dos sete procuradores europeus delegados, da equipa portuguesa, está em “processo de verificação”, uma espécie de averiguação preventiva que incide nos contratos da PJ com a Construbarcelos, empresa que conseguiu adjudicações de concursos e, paralelamente, fez obras na propriedade do atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, em São Teotónio, concelho de Odemira.De acordo com a estação, estão apenas a ser feitas diligências de recolha de dados sem acesso a medidas intrusivas como quebras de sigilo bancário ou de escutas telefónicas. Tais ações só podem acontecer com um inquérito crime formalmente iniciado.As diligências estão a ser feitas no máximo sigilo, ao ponto de não terem sido comunicadas pela Procuradoria Europeia ao procurador-geral da República, Amadeu Guerra, e terão iniciado na sequência das revelações jornalísticas das últimas semanas.Esta investigação é independente à que foi anunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), um inquérito crime para apurar as circunstâncias em que um atrelado de um camião apreendido surgiu no armazém do empreiteiro João Carvalho, da Construbarcelos. As diligências estão a ser levadas a cabo diretamente pelo Ministério Público (MP) e incidem sobre alegados crimes de descaminho e eventualmente de abuso de poder..A Construbarcelos realizou várias empreitadas em edifícios da PJ enquanto o ministro foi diretor nacional desta instituição, entre junho de 2018 e fevereiro de 2026. Insistindo na semana passada que só conheceu o dono da empresa sediada em Barcelos em 2023, já depois de este ter realizado várias obras para a PJ, Luís Neves sustentou que, embora a relação contratual possa suscitar dúvidas, nunca existiu qualquer favorecimento."A Construbarcelos nunca teve peso determinante ou sequer relevante na contratação da Polícia Judiciária", alegou o ministro, precisando que o valor dos contratos celebrados entre 2019 e 2025 entre a força policial e a construtora "representaram apenas 8%" do valor global de 27 milhões de euros adjudicados por aquela instituição no mesmo período. "Depois de conhecer o senhor João Carvalho, esta empresa representou apenas cerca de 4% do valor das empreitadas contratadas pela instituição, obras complementares a contratos que já se encontravam em execução", frisou..Luís Neves diz estar “empoderado” após quebrar silêncio sobre atrelado e obras.Conferência de líderes recusa ida de Luís Neves e Rita Júdice à Comissão Permanente