André Ventura, líder do Chega
André Ventura, líder do ChegaTIAGO PETINGA/LUSA

Ventura ameaça apresentar moção de censura caso Montenegro não demita Luís Neves

"O que falta? Termos um ministro que seja uma espécie de Al Capone ?", questiona líder do Chega, que diz não querer "provocar uma crise política", mas exige "um mínimo de ética nas instituições".
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André Ventura ameaçou esta sexta-feira, 28 de agosto, apresentar uma moção de censura ao Governo no parlamento, na próxima terça-feira, 1 de setembro, caso Luís Neves continue no Governo.

"Não queremos crises políticas, mas o primeiro-ministro está a envergonhar toda a gente de direita, de esquerda e do centro. Ontem, vimos novas notícias sobre isto, agora de carros ilegais ligados a traficantes de droga. O que falta? Termos um ministro que seja uma espécie de Al Capone ou algo do género, que hoje já matou três ou quatro pessoas mas é assim e a coisa continua? Precisamos de ter um padrão ético se queremos mesmo que isto seja levado a sério", começou por dizer o líder do Chega em declarações aos jornalistas à margem de uma visita ao Centro Social São João, em Coimbra.

Caso o atual ministro da Administração Interna se mantenha no Governo, a ideia de Ventura é clara: "Apresentaremos moção de censura no dia 1, no parlamento."

"O Chega não quer provocar uma crise política. O Chega quer o mínimo de ética nas instituições. Queremos que esta situação de lodo, lamaçal, suspeita, crime e conluios seja resolvida. E só há uma pessoa que o pode resolver", afirmou, visando Luís Montenegro.

"O primeiro-ministro já deixou arrastar isto intoleravelmente. O ministro da Administração Interna já não tem nenhuma autoridade. Graças a Deus que não tivemos um problema tão severo este ano com os incêndios. O ministro não tem autoridade porque ninguém o leva a sério. Isso é uma questão de competência, mas há outras questões ainda mais de fundo, que são de integridade. E o primeiro-ministro parece estar sem autoridade perante este ministro", acrescentou, frisando que até o Presidente da República, que tem um estilo "mais prudente", "já veio a jogo dizer que isto é inaceitável".

Ventura fazia referência a uma notícia desta sexta-feira do jornal Nascer do Sol, que refere que António José Seguro considera que o ministro da Administração Interna não pode estar sob suspeita permanente e que a sua continuidade no Governo, nestas condições, é insustentável. Segundo a notícia, o chefe de Estado já terá comunicado essa convicção ao primeiro-ministro, que terá pedido tempo para resolver a situação, tendo em conta estarmos em época de incêndios.

"Se o Presidente da República diz que isto é aceitável, se o país diz que é inaceitável, o primeiro-ministro tem de reconhecer que é inaceitável. Se ninguém fazer nada e deixar que isto continue a correr sem consequências, isto vai cair num lamaçal", prosseguiu, manifestando o desejo de não ter apresentar a moção de censura.

Ventura considera ainda estar "a haver um silêncio ensurdecedor", salienta que "isto é uma coisa criminal, não é só política" e crê que se deve "evitar ver um ministro a ser queimado em lume brando" durante a comissão de inquérito.

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