Diogo Feio, antigo dirigente e ex-líder parlamentar do CDS-PP, não vê, até ao momento, razões que impeçam Luís Montenegro de manter Luís Neves no Governo. Numa altura em que o ministro da Administração Interna enfrenta escrutínio sobre a sua atuação e sobre questões da sua esfera pessoal, o advogado separa as duas dimensões e insiste na competência do governante.“A questão do ministro Luís Neves não tem a ver com políticas”, afirmou ao DN. Feio diz não ter visto “uma pessoa a pôr em causa a competência de Luís Neves para o exercício de ministro da Administração Interna”.A defesa surge num momento particularmente exigente para a tutela. A 7 de agosto, Portugal registava já a maior área ardida desde Pedrógão. Confrontado com esse dado, Feio apontou também para a severidade das condições meteorológicas. “As condições climatéricas têm, de ano para ano, piorado. Aquilo que se tem sentido nestas ondas de calor é algo muito severo”, disse, fazendo referência ao que está igualmente a acontecer em França e Espanha.Mais do que os números, porém, Feio escolheu destacar a forma como Luís Neves tem exercido o cargo durante a crise dos incêndios. “Tenho visto o ministro, muitas vezes, até perante uma situação incómoda, que é surgirem perguntas sobre a sua circunstância pessoal, ter a sua agenda, estar junto das forças de segurança, das forças que combatem os fogos”, afirmou.“Isto é um ministro do terreno. Esse é um ponto muito importante.”Também a conferência de imprensa em que Luís Neves procurou esclarecer as questões que o envolvem é usada por Feio para sustentar a sua leitura. “Mesmo os críticos consideraram que tinham sido dadas as explicações, ainda que gostassem de respostas a outras perguntas”, afirmou, para concluir: “haverá quem tenha ainda mais perguntas a fazer”.Feio é mais crítico em relação à sucessão de polémicas envolvendo membros do Executivo e à forma como estas ganham dimensão política. “Parece-me que muitas vezes estamos a gerar casos sobre circunstâncias. São circunstâncias, de certa forma, artificiais”, declarou.Perguntado sobre se o primeiro-ministro tem condições para manter Luís Neves no Governo, depois da ministra da Justiça, mediante a sucessão de casos que envolve Luís Neves. ter ordenado uma auditoria e uma avaliação interna à Polícia Judiciária, que vão decorrer de forma simultânea, o centrista é taxativo. “O primeiro-ministro faz uma avaliação em relação aos seus ministros. É isto, precisamente, que a Constituição determina. E o primeiro-ministro entende manter a confiança em todos os seus ministros”, afirmou. Para Feio, essa confiança continua a ser suficiente perante os factos conhecidos. “Não há, de facto, por aquilo que se vai conhecendo, elementos que sejam desconfortáveis em relação à manutenção do ministro no Governo.”A apreciação que faz de Luís Neves é, de resto, inequivocamente favorável. “Acredito muito na sua competência”, disse. E há outra característica que considera relevante no exercício do cargo: “Gosto deste estilo de proximidade.” .PS diz que situação de Luís Neves “atingiu o limite do admissível”.Primeiro-ministro confiante de que Luís Neves continuará a ser “um ministro muitíssimo competente”