O primeiro-ministro, Luís Montenegro, cumprimenta o novo MAI, Luís Neves, na cerimónia de posse no Palácio de Belém
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, cumprimenta o novo MAI, Luís Neves, na cerimónia de posse no Palácio de BelémFoto: Gerardo Santos

Luís Neves toma posse como MAI “sem reservas”: "O diretor nacional da PJ não investiga ninguém"

O até agora diretor nacional da PJ, tomou esta segunda-feira, 23 de fevereiro, posse como o novo ministro da Administração Interna, sucedendo a Maria Lúcia Amaral.
Publicado a
Atualizado a

"Neste momento de grande exigência senti este apelo. Estaria praticamente dentro de um ano a terminar a minha carreira enquanto diretor nacional da PJ e, enquanto elemento ativo e com força e com vontade, decidi abraçar este novo projeto", afirmou esta segunda-feira, 23 de fevereiro, Luís Neves, após tomar posse como o novo ministro da Administração Interna, sucedendo a Maria Lúcia Amaral.

O até agora diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) admitiu que se tratou de uma "decisão difícil". "Não só por aquilo que foi a minha carreira e a minha vida, sobretudo na recuperação da instituição PJ e pelos desafios que a área da Administração Interna colocam e colocarão sempre", argumentou.

"Em todos os momentos da minha vida, em que liderei gente fantástica, disse-lhes sempre para não serem taticistas, para ousarem pensar, para ousarem fazer, para ousarem agir sempre em prol do interesse público e sobretudo das pessoas", afirmou o agora ministro da Administração Interna.

Luís Neves disse ter "a maior honra", a "maior satisfação" de passar "a ser mais um elemento da GNR, da PSP, da Proteção Civil, da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, de todos quantos estão sob a tutela da Administração Interna".

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, cumprimenta o novo MAI, Luís Neves, na cerimónia de posse no Palácio de Belém
Luís Neves é o novo ministro da Administração Interna: um polícia “do lado da solução”, frontal e sem medo

Questionado sobre a investigação que teve como alvo a Spinumviva, empresa da família do primeiro-ministro, e se o seu passado enquanto líder da PJ não coloca reservas agora como ministro, Luís Neves respondeu que "não". "O diretor nacional [da PJ] não investiga ninguém". "Agradeço a questão que foi colocada para ficarmos imediatamente esclarecidos sobre esse tema. O papel do diretor nacional da PJ é organizar, é prover meios para uma instituição", declarou.

Referiu que a organização e o modelo de base da PJ "permite que a informação esteja estanquizada". "Por isso, senti-me completamente tranquilo, e muito tranquilo", disse, afastando, assim, qualquer conflito com o seu passado enquanto líder da polícia de investigação criminal.

“Não oferece reserva nenhuma. Aceitei com muito ânimo, ciente do papel que tive, ciente do papel que tenho e ciente da estanquização do cargo que agora assumo”, disse Luís Neves, garantindo que vai continuar a "trabalhar no sentido de dotar as pessoas, as mulheres e os homens, e as instituições dos melhores meios possíveis".

Para Luís Neves, trabalhar na Administração Interna é "trabalhar na prevenção, na antecipação, na proatividade", com "espírito aberto, de cooperação, colaboração e coordenação em todas as áreas".

Dirigindo uma "palavra de grande estímulo", Luís Neves quer contar com o "apoio de todas as mulheres e homens que trabalham nas estruturas, na GNR, na PSP, na Proteção Civil, nos bombeiros, nas Forças Armadas enquanto agentes da Proteção Civil".

Também dirigiu-se aos autarcas para afirmar: "Eu sou um homem da Beira Baixa, tenho uma costela alentejana, sei o que é o interior do País, conheço os anseios e as dificuldades das pessoas e, por isso, conto com todos os autarcas, com todo o poder local para, juntos, podermos levar por adiante a missão que hoje assumi".

Reforçou a importância da cooperação e da coordenação para dizer: "Que ninguém se sinta dono de nada. Há momentos em que todos temos de interagir e trabalhar como um corpo só, como uma equipa".

Garantiu que "todas as propostas que sejam positivas serão abraçadas e tidas em conta". "As propostas que não estejam nesse patamar, serão discutidas. As propostas que, pura e simplesmente, violem a minha consciência e aquilo que me tem norteado ao longo da vida, naturalmente, com uma narrativa e uma fundamentação, serão afastadas. Não estou a antecipar nada", afirmou.

"Tenho tempo e capacidade, espero eu, de escutar todas as pessoas", prometeu Luís Neves.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deu esta segunda-feira posse ao novo ministro da Administração Interna, Luís Neves, substituindo no cargo Maria Lúcia Amaral.

Numa curta cerimónia na Sala dos Embaixadores do Palácio de Belém, em Lisboa, também tomaram posse, reconduzidos, os três secretários de Estado deste ministério: Paulo Simões Ribeiro, secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Telmo Correia, secretário de Estado da Administração Interna, e Rui Rocha, da Proteção Civil.

Esta foi a primeira mudança na composição do XXV Governo Constitucional, o segundo executivo PSD/CDS-PP chefiado por Luís Montenegro, que tomou posse há quase nove meses, a 5 de junho do ano passado.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, cumprimenta o novo MAI, Luís Neves, na cerimónia de posse no Palácio de Belém
Luís Neves torna-se ministro da Administração Interna com desafios difíceis e perfil elogiado, mas não unânime

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt