A saída de Luís Neves da Direção Nacional da Polícia Judiciária (PJ) deixa o cargo em aberto, com nomes já cotados para assumir o comando da Judiciária. O DN apurou que a solução “será interna”, ou seja, deverá ser nomeado um polícia para o cargo. Assim, ficam já de fora das possibilidades de chefiar a PJ juízes ou procuradores do Ministério Público (MP). Tal já ocorreu num passado mais distante, sendo que os últimos diretores nacionais têm sido sempre polícias de carreira, todos homens.A escolha de quem substituirá Neves, que esteve oito anos no cargo, caberá à ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice embora seja certo que a opinião do primeiro-ministro, Luís Montenegro, será decisiva. Nos bastidores circulam três nomes principais.Pedro Fonseca, Veríssimo dos Santos Milhazes e José Monteiro são os cotados. Pedro Fonseca, natural de Coimbra, foi recentemente nomeado por Neves como diretor nacional adjunto e apresenta no currículo pontos fortes como a sua atuação no combate à corrupção. Veríssimo dos Santos Milhazes, da Póvoa de Varzim, é também um dos diretores adjuntos da PJ. Já foi diretor da Unidade de Informação de Investigação Criminal e representa a Judiciária em vários fóruns europeus, como o Europol Homicide Working Group e a Rede Europeia de Prevenção da Criminalidade. José Monteiro, por sua vez, é natural de Santo Tirso e comanda atualmente a PJ de Braga. Já foi responsável pela Direção do Departamento de Investigação Criminal da Polícia Judiciária da Guarda e chefe superior de várias secções de investigação criminal, além de uma passagem de dois anos como oficial de ligação na Embaixada de Portugal em Brasília.Ainda assim, tendo em conta a própria escolha de Luís Neves para ministro da Administração Interna, não seria surpreendente que o nome escolhido fosse um dos que não circulam nos bastidores. Com a nomeação do novo ministro ainda recente, não há previsão de quando será conhecido o próximo diretor da PJ. Na transição anterior, o hiato foi de apenas três dias: José Maria de Almeida Rodrigues deixou o posto a 15 de junho e Neves assumiu funções a 18 de junho. No entanto, as circunstâncias eram outras, uma vez que a saída de José Maria de Almeida Rodrigues ocorreu a seu próprio pedido, após dez anos como diretor nacional, entre 2008 a 2018, um dos mandatos mais longos da PJ em democracia. Já o diretor anterior, Alípio Ribeiro, ficou apenas dois anos no cargo, sendo a escolha do novo também rápida, em três dias. Além da diferente razão do motivo de saída, outro fator relevante é que os Governos da altura não eram os mesmos. À luz das nomeações do atual executivo social-democrata, a substituição poderá não ser tão rápida.Do discurso de tomada de posse dos diretores de unidade recentemente nomeados, é possível traçar um perfil do novo diretor, caso a escolha dependesse do próprio Neves. “Quem quer ser líder tem de ser o exemplo em tudo: no planeamento, no controlo e na resiliência na adversidade. Estar próximo das pessoas. Ser justo. Ser o primeiro ombro amigo quando há dificuldades. É isso que é exigido hoje”, afirmou o então diretor nacional. É importante recordar que o cargo de diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) exige não só currículo, mas também experiência, liderança e, principalmente, a disposição em aceitar a função.amanda.lima@dn.pt.Luís Neves é o novo ministro da Administração Interna: um polícia “do lado da solução”, frontal e sem medo.Leitão Amaro elogia "trabalho de grande qualidade" de Luís Neves, após bicada do líder do PS: "Pode ser que apreenda alguma coisa"