Luís Neves afasta demissão e promete "contribuir para derrotar politicamente o populismo"
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, garantiu que continuará no cargo que aceitou no início do ano, apesar das "mentiras" e das pressões do Chega, que pondera apresentar uma moção de censura ao Governo devido à sua permanência em funções. E apresentou, como "motivação adicional" para continuar, o objetivo de "contribuir para derrotar politicamente o populismo e a ideia de que vale tudo para conquistar o poder".
Falando na ilha da Madeira, onde se deslocou a convite da PSP, Luís Neves acrescentou que pretende "derrotar a normalização da mentira e da acusação sem provas" e "impedir que o pior que esta democracia produziu destrua aquilo que várias gerações construíram".
Também dedicou críticas para lá do Chega, considerando "alarmante ver até como alguns acabam contaminados por uma agenda política do caos", numa aparente referência a declarações de dirigentes socialistas sobre a necessidade de rápidos esclarecimentos sobre os seus mandatos à frente da Polícia Judiciária.
"É assim que o populismo cresce. Lança-se uma suspeita de manhã, repete-se à tarde e à noite comenta-se como se fosse um facto provado. O populismo precisa de repetir, até à exaustão, uma mentira até que as pessoas deixem de perguntar se é verdadeira", afirmou Luís Neves, apontando a necessidade que André Ventura tem de "convencer os portugueses de que todos os políticos são corruptos, os magistrados estão comprometidos e as instituições integram um sistema oculto".
"Nada disto me intimida ou condiciona. Nada disto me impedirá de governar. Nada me vai afastar daquilo que me levou a aceitar este cargo: apoiar os polícias, os bombeiros e toda a Proteção Civil; combater a guerra civil que temos nas estradas, com mortes, feridos e tristeza familiar; fortalecer as instituições e proteger as populações", disse o ministro da Administração Interna.
Atacando aqueles que "escolheram a única estratégia que conhecem, que é lançar suspeitas, atacar a honra e tentar intimidar com base na mentira", o ministro da Administração Interna alegou que "há quem tenha percebido, com muito desagrado, que este Governo tem um ministro da Administração Interna com experiência, conhecimento das instituições e um passado de combate ao crime".
"Dizem que estou desaparecido em combate. Nunca estive tão presente no combate que me realmente interessa, por mais polícias na rua, por melhores meios e instalações, pela valorização das carreiras, pelo combate ao tráfico de droga, ao crime organizado e à criminalidade violenta", disse o ministro da Administração Interna, referindo-se também ao SIRESP, à prevenção dos incêndios ou à segurança aeroportuária e nas fronteiras.
Contra a "política da suspeita permanente, criando um caos que dá jeito", Neves também atacou o que disse serem investigações jornalísticas "sustentadas na inveja e na falsidade daqueles que eu próprio afastei", numa farpa a elementos que liderou como diretor nacional da Polícia Judiciária. E defendeu decisões como a utilização de um automóvel apreendido a um "dos maiores traficantes de droga portugueses", admitindo que a sua condenação ainda não transitou em julgado.
"Cometi um ou outro erro, que já reconheci com toda a humildade".
*Em atualização

