Gouveia e Melo define-se como um social-democrata à antiga que recusa o neoliberalismo
JOSÉ SENA GOULÃO/ LUSA

Gouveia e Melo define-se como um social-democrata à antiga que recusa o neoliberalismo

O dia de terça-feira, 13 de janeiro, da campanha eleitoral dos candidatos à Presidência da República na derradeira semana antes das eleições marcadas para este domingo, 18 de janeiro.
Publicado a
Atualizado a

Gouveia e Melo define-se como um social-democrata à antiga que recusa o neoliberalismo

O candidato presidencial Gouveia e Melo defendeu hoje um novo contrato social para Portugal de inspiração social-democrata, num discurso em que criticou o individualismo neoliberal, mas não qualquer um dos seus adversários na corrida a Belém.

Esta definição ideológica do ex-chefe do Estado-Maior da Armada foi por si feita no discurso que proferiu no jantar comício da sua candidatura, na freguesia de Terrugem, em Sintra.

“Não vou falar dos meus adversários, vou falar do meu sonho de Portugal, o meu sonho de um país com um novo contrato social, em que as empresas são de alta produtividade e não precisam de explorar trabalhadores, precarizar o trabalho e pagam bons salários”, declarou logo no início da sua intervenção.

Do ponto de vista ideológico, Gouveia e Melo afirmou acreditar “na social-democracia antiga, a que foi praticada no norte da Europa, que desenvolveu uma economia competitiva, altamente tecnológica, mas também um povo com elevada coesão social em que ninguém fica para trás”.

A seguir, neste contexto, invocou a sua experiência “como ex-comandante de submarinos” para rejeitar a doutrina neoliberal.

“Era incapaz de conceber partir para um destino qualquer, deixando metade, ou um quarto, ou 10% da minha tripulação. No caso de Marinha de Guerra, chama-se guarnição”, afirmou, antes de concluir:

“Não sou um neoliberal, mas sou um liberal da economia, mas numa economia que ajude a população, porque no fim, bem no fim, a economia somos todos nós, as pessoas. E são as pessoas que fazem a economia”, sustentou.

Lusa

Cotrim Figueiredo garante estar “de pé, inteiro e pronto para a luta e fazer história”

O candidato presidencial Cotrim Figueiredo garantiu hoje estar “de pé, inteiro, pronto para a luta e para fazer história”, depois de “dias difíceis” na sequência de uma denúncia por assédio sexual e por não excluir apoio a nenhum candidato, incluindo Ventura.

“Aqui estou de pé, inteiro, pronto para a luta e pronto para fazer história convosco”, disse Cotrim Figueiredo num curto discurso num comício em Coimbra para cerca de 250 apoiantes, depois de uma entrada enérgica.

Visivelmente entusiasmado, depois de arrancar palmas da sala inteira, o também eurodeputado repetiu: “Aqui estou, aqui estou de pé”.

“Agora, já não nos conseguem parar”, prosseguiu o candidato, apoiado pela Iniciativa Liberal (IL).

Nos últimos dois dias, Cotrim Figueiredo foi criticado por ter dito que não excluía o apoio a nenhum candidato numa eventual segunda volta em que não marcasse presença, incluindo André Ventura, tendo, depois, dito que foi um “momento bastante infeliz” e não saber o “que lhe passou pela cabeça” para proferir tal afirmação.

A isto juntou-se uma denúncia de assédio sexual por parte de uma ex-assessora do Grupo Parlamentar da IL que ele negou e que atribuiu a uma “manobra de política suja”.

“Tenho que vos dizer que estes últimos dias não foram fáceis, eu não o escondo, mas os que julgam que me conseguem desmoralizar com estes ataques vis e esta campanha suja, desenganem-se”, acentuou.

O antigo líder da IL, que foi sendo interrompido por aplausos, revelou que as centenas de mensagens de apoio e de manifestações de solidariedade que recebeu deram-lhe alento para lutar “ainda com mais força” pelo país em que acredita.

“O que os últimos dias mostraram foi uma onda crescente de apoio, um número cada vez maior de pessoas a juntarem-se à nossa candidatura, uma esperança crescente por um futuro melhor”, destacou.

Cotrim Figueiredo, que tem repetido que é o rosto da mudança de Portugal, reafirmou que “é sua a responsabilidade de um momento de mudança que chegou ao país”.

“Vamos fazer histórias juntos? Vemo-nos na segunda volta”, concluiu.

Lusa

Marques Mendes avisa quem o quer em Belém que não pode fazer experiências na primeira volta

Luís Marques Mendes avisou hoje aqueles que o querem ver eleito Presidente da República que não podem fazer experiências na primeira volta e voltou a apelar a uma concentração de votos na sua candidatura.

O candidato disse “acreditar muito” na eleição e voltou a pedir “uma grande concentração de votos” na sua candidatura para que isso aconteça.

“Não pode haver dispersão de votos ou uma excessiva dispersão de votos por várias candidaturas. Não pode haver aqueles que dizem, ‘não, eu quero o Marques Mendes na segunda volta, mas na primeira vou fazer aqui uma experiência'. Não, isso não pode ser, tem de haver uma grande concentração de votos ao centro, na minha candidatura, ou seja, na moderação, na experiência, na estabilidade”, salientou.

O candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP fechou o dia de campanha em Ansião, no distrito de Leiria, com uma sessão de esclarecimentos num auditório do Centro Cultural, com cerca de 200 lugares sentados.

Marques Mendes avisou que a dispersão de votos favorece o “radicalismo, o populismo e o experimentalismo”.

“É preciso pensar isto antes de ir votar. Porque alguns respondem nas sondagens ‘eu acho que o Marques Mendes vai à segunda volta e acho que é o favorito para Presidente’, mas só vai alguém à segunda volta e é favorito para Presidente se ganhar a primeira volta. E tenho de ganhar a primeira volta e acredito que vou ganhar a primeira volta”, referiu.

Luís Marques Mendes voltou a referir-se também às declarações do adversário João Cotrim Figueiredo, em que não excluiu apoiar nenhum candidato numa eventual segunda volta, incluindo André Ventura, e ao recuo nas últimas horas.

“Hoje mesmo, veio dizer que não sabia onde é que tinha a cabeça quando fez aquela declaração”, assinalou, fazendo depois “uma chamada de atenção” aos eleitores.

“O candidato da IL diz ‘não sei onde é que tinha a minha cabeça’, ou seja, ele está a dizer que é um exemplo de imaturidade e de precipitação, e nós não podemos ter na Presidência da República uma pessoa imatura e uma pessoa precipitada”, defendeu.

Marques Mendes exemplificou que “numa crise política, num conflito do Governo com o Parlamento por causa do orçamento, ou num veto político numa lei muito sensível e muito delicada”, é “uma preocupação e um problema” ter “na Presidência da República, nesses momentos, alguém que não sabe onde é que tem a cabeça”.

O candidato a Presidente da República terminou o seu discurso repetindo o apelo a quem o ouvia para passar sua a mensagem a outros eleitores, especialmente a quem ainda está indeciso.

“Porque ainda há muitas pessoas indecisas, há muitas pessoas que ainda admitem mudar a sua intenção de voto. E é preciso explicar-lhes esta minha preocupação com um Presidente previsível, com um Presidente que defenda a estabilidade, com um Presidente que proclama ambição, com um Presidente que verdadeiramente quer unir e servir Portugal”, disse.

Ministro das Finanças avisa que só voto em Mendes evita “populista ou socialista” em Belém

O ministro das Finanças alertou hoje o eleitorado do centro-direita contra “cantos de sereia”, defendendo que só o voto em Marques Mendes pode evitar que o próximo Presidente da República seja “um populista ou um socialista”

Joaquim Miranda Sarmento falava num comício de apoio à candidatura presidencial do candidato apoiado por PSD e CDS-PP, no Centro Cultural de Ansião (distrito de Leiria), em que admitiu que o “eleitorado moderado” que deu vitórias a estes dois partidos que apoiam o Governo pode estar a ser atraído por “alguns cantos de sereia”.

Para o ministro de Estado e das Finanças, quem não votar em Marques Mendes já na primeira volta arrisca-se “a dois cenários possíveis”

“Arrisca-se a acordar na segunda-feira e ter dois candidatos populistas. E depois, como é que vamos escolher o mal menor?”, alertou, sem nomear os candidatos a que implicitamente se queria, André Ventura e Gouveia e Melo.

Ou então, acrescento, o número dois do Governo, “arrisca-se a ter um candidato que pode ser muito simpático, pode ser muito ‘trendy’, pode ser muito bom nas redes sociais, mas que depois na prática irá dar a vitória a um candidato socialista”, afirmou, em referências indiretas a João Cotrim Figueiredo e António José Seguro.

“Se não queremos um populista, nem queremos um socialista em Belém, só há um voto possível_ é no dr. Luís Marques Mendes”, defendeu.

Antes, o antigo secretário de Estado Luís Campos Ferreira desvalorizou as sondagens negativas para Marques Mendes e defendeu que é preciso “um abanão” para as últimas 72 horas de campanha, que “valem tudo”.

“As contas não se fazem nas sondagens, as contas fazem-se no fim do jogo, olhando para o histórico das sondagens nas várias eleições, tentam prever mas a maior parte das vezes não conseguem. Luís Marques Mendes, vá em frente tem aqui a sua gente”, afirmou.

Cotrim Figueiredo: Se querem alguém responsável de centro-direita, só têm uma alternativa"

Numa reação à sondagem da Universidade Católica para a RTP que o coloca em terceiro lugar nas intenções de voto, João Cotrim Figueiredo reduziu a corrida a Belém a três candidatos e apelou ao voto dos eleitores de centro-direita.

"Esta sondagem confirma o que tenho vindo a dizer nas últimas semanas. Esta é a única candidatura que cresce em todas as casas de sondagens. Neste momento as coisas estão muito mais claras para os portugueses. Com esta sondagem a amostra é maior, a margem de erro é muito mais pequena, e só há três candidaturas com possibilidades de chegar à segunda volta: a minha, a de António José Seguro e a de André Ventura. Se querem alguém responsável de centro-direita, só têm uma alternativa", apelou o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, que diz ter recebido "centenas ou até milhares de mensagens de apoio" após a denúncia de assédio sexual de que foi alvo.

Ventura: "A minha campanha mostrou que era possível não entrar em picardias. Foi a falar de saúde e das crises que o país enfrenta"

Ainda não preocupado sobre a eventual necessidade de ter de alargar a base eleitoral na segunda volta, André Ventura regozijou-se com o primeiro lugar da sondagem da Universidade Católica para a RTP.

"Esta sondagem significa primeiro lugar e isso é uma grande vitória. Reflete o trabalho que tenho feito e que o partido se tem mobilizado pelo país todo. Esta campanha mostrou que era possível não entrar em picardias, em coisas que não interessavam. Foi a falar de saúde e das crises que o país enfrenta, que eu tenho o melhor perfil para Presidente da República. Esta sondagem mostra que houve uma evolução positiva nas últimas semanas", analisou o candidato apoiado pelo Chega.

"Quero vencer a primeira volta. Esta sondagem mostra que há um número alargado de pessoas que querem uma mudança para o país. Acredito que na segunda volta também vou ter capacidade de vencer", acrescentou.

Seguro diz que é o único moderado que pode passar à segunda volta e aponta ao primeiro lugar

Numa reação a uma sondagem da Universidade Católica para a RTP que o coloca em segundo lugar nas intenções de voto, com 23 por cento, um ponto percentual abaixo de André Ventura, António José Seguro diz não estar surpreendido e apela ao voto de "todos os moderados e todos os democratas".

"Não me surpreende, porque corresponde ao que sinto na rua. Evidencia um facto muito claro: sou o único candidato moderado que pode passar à segunda volta. E não é indiferente passar à segunda volta em primeiro ou segundo lugar. Daí o meu apelo a todos os moderados e todos os democratas", afirmou o candidato apoiado pelo PS e pelo PAN.

Seguro diz ser importante ficar à frente de Ventura na primeira volta porque ambos têm "visões completamente diferentes para o país". "Sou um defensor da Constituição e da democracia e ele deixa muito a desejar", acrescentou.
"Apelo aos eleitores para que eles concentrem os votos na minha candidatura porque é a única candidatura de um moderado que pode discutir as eleições para Presidente da República. O que é que eu ofereço? A experiência e o diálogo. Serei exigente para que o Governo resolva os problemas dos portugueses, a começar pela saúde", persistiu o candidato.

“Recuo” de Cotrim sobre Ventura e SNS marcam 10.º dia de campanha

O 10.º dia oficial de campanha para a Presidência da República ficou marcado por reações às declarações de Cotrim Figueiredo sobre uma segunda volta e por acusações ao Governo sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim Figueiredo, assumiu hoje, em Viseu, que dizer que não excluía o apoio a nenhum candidato numa eventual segunda volta, incluindo ao candidato apoiado pelo Chega, André Ventura, foi “um momento bastante infeliz” e de “falta de clareza” que associa a “um dia difícil”.

Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS-PP, considerou que os eleitores ficaram desiludidos com as declarações de Cotrim Figueiredo e que isso o poderá beneficiar, enquanto Henrique Gouveia e Melo afirmou que o comportamento político de Cotrim Figueiredo revela instabilidade.

Já André Ventura criticou o candidato liberal por ter recuado num eventual apoio à sua candidatura numa segunda volta e rejeitou fazer do caso de alegado assédio sexual um tema de campanha, enquanto Catarina Martins acusou Cotrim Figueiredo de defraudar as expectativas dos eleitores que votaram antecipadamente.

Cotrim Figueiredo considerou a denúncia de assédio sexual por parte de uma ex-assessora parlamentar da IL uma “manobra política do mais suja que há” e pediu aos portugueses para não se deixarem enganar, no dia em que 30 mulheres que trabalharam com o candidato presidencial garantiram, numa carta aberta, que “nunca vivenciaram ou presenciaram comportamentos inadequados” do também eurodeputado.

Por sua vez, Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, pediu que não se “confunda a presunção de inocência com a presunção de culpa de uma potencial vítima” e afirmou que a denúncia “é muito grave”.

Os problemas no SNS, tema recorrente nesta campanha, voltaram a marcar o dia, com António José Seguro, apoiado pelo PS, a contrariar a ideia do primeiro-ministro, Luís Montenegro, de que os problemas na saúde são perceções, considerando que “a situação é mesmo real” e que só com o “contacto direto” os políticos percebem as dificuldades.

Já André Ventura afirmou que o primeiro-ministro é “o maior sem noção do país”, depois de Luís Montenegro ter rejeitado na segunda-feira a ideia de caos na saúde, enquanto Gouveia e Melo considerou que o Governo já ultrapassou os prazos para resolver os problemas na saúde, criticando o executivo por dois anos depois não ter ainda tirado conclusões sobre as falhas no setor.

Também Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda (BE) considerou que o primeiro-ministro conhece a realidade dos problemas no SNS, mas “opta por mentir”, insistindo que a degradação do setor é intencional, e Cotrim Figueiredo afirmou que os problemas no SNS são reais e não perceções, e que há por parte do Governo PSD/CDS-PP a tentativa de “esconder essa realidade objetiva”.

Já Luís Marques Mendes pediu ao Ministério da Saúde “maior sensibilidade” em relação “às questões menos boas que foram acontecendo” e considerou que já não se trata de política, mas de uma questão “humana e social”.

O dia foi ainda marcado pela participação de Catarina Martins e António Filipe (apoiado pelo PCP) na manifestação convocada pela CGTP-IN contra o pacote laboral, em Lisboa, que classificaram o anteprojeto do Governo de “assalto aos direitos” dos trabalhadores que “não tem ponta por onde se lhe pegue” e foi ainda o dia em que a porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, declarou o seu apoio à candidatura de António José Seguro, considerando ser o único com “as condições de salvaguardar a Constituição” e os valores democráticos.

Ventura divulga lista com 675 euros em donativos embora preveja 100 mil euros

O candidato presidencial apoiado pelo Chega, André Ventura, divulgou hoje uma lista de 17 donativos recebidos até ao momento, num total de 675 euros, embora preveja 100 mil euros para esta categoria no orçamento de campanha.

De acordo com a lista, divulgada aos jornalistas pela assessoria do candidato a Belém, a candidatura recebeu, até ao momento, 675 euros em donativos.

A mesma assessoria solicitou aos jornalistas a não divulgação dos nomes dos 17 doadores por uma questão de “proteção de dados pessoais”.

Os valores dos donativos variam, desde contribuições de 10 euros até aos 100, valor mais elevado, numa lista que inclui doações de 25 e 50 euros.

De acordo com informação entregue pela candidatura à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, o orçamento de campanha de André Ventura às eleições presidenciais é de 900 mil euros, o quarto mais alto dos candidatos.

Nesse orçamento estão previstos 100 mil euros em donativos e 50 mil de “produto de angariação de fundos”.

A divulgação da lista surgiu depois de ter sido questionado novamente o candidato hoje de manhã, em Braga, sobre a lista de donativos e André Ventura ter respondido que estaria disponível à tarde.

A promessa de divulgação da lista de donativos foi feita pelo próprio André Ventura, em 20 de dezembro de 2025, durante a pré-campanha, quando as questões de transparência foram levantadas a propósito da lista de clientes da empresa de Luís Marques Mendes, candidato apoiado por PSD e CDS-PP – algo que o social-democrata acabou por fazer de forma detalhada.

"Estou completamente disponível [para divulgar a lista de donativos para a campanha]. No fim, a meio, quando vocês entenderem”, afirmou na altura André Ventura, acrescentando que iria divulgar “aqueles que apoiam a campanha, quem são e que interesses têm”.

No site oficial da candidatura - “Ventura26.pt” - é possível fazer um donativo, preenchendo vários campos com o nome completo, email, Número de Identificação Fiscal e morada.

Contudo, não é possível consultar nesta página a lista de donativos, que foi apenas disponibilizada à comunicação social.

Em 08 de janeiro, o candidato presidencial e líder do Chega, afirmou que iria divulgar a lista para que tudo ficasse “clarinho como a água”.

Na campanha às presidenciais de 2021, a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) concluiu que a candidatura de Ventura apresentava diversas irregularidades, entre as quais deficiências na prestação de contas, despesas não refletidas nas contas de campanha e ausência de registo dos gastos.

O relatório, divulgado em 2024, aponta ainda para a inexistência de suporte documental para alguns donativos e incumprimento do regime legal relativo a essas doações.

Numa resposta enviada à RTP este mês, a ECFP indicou que, no âmbito da análise às contas da campanha presidencial de 2021, “foi decidida a aplicação de coima ao candidato André Ventura”, que foi objeto de recurso para o Tribunal Constitucional.

Cotrim Figueiredo: "Querem-nos abater"

O candidato presidencial Cotrim Figueiredo afirmou hoje que, apesar da polémica com Ventura e da denúncia de assédio sexual, está com “força redobrada” para mostrar que o voto “mais consciente e útil” continua a ser em si.

“Vou mostrar que esta candidatura é aquela que mais e melhor defende um Portugal moderno e virado para a frente”, disse o também eurodeputado no final de uma visita ao Centro de Tropas de Operações Especiais do Exército em Lamego, no distrito de Viseu, fechada aos jornalistas.

Depois de na segunda-feira ter sido criticado por ter dito que numa eventual segunda volta não excluía o apoio a nenhum candidato, incluindo Ventura, declarações das quais se veio a retratar ao final do dia, altura em que também se tornou pública uma denúncia de assédio sexual por parte de uma ex-assessora parlamentar da IL, Cotrim Figueiredo confessou ter acordado com “força redobrada” depois de ter transformado a revolta em força.

“Querem-nos abater, o que é bom sinal, quer dizer que estamos a fazer sombra a alguém”, vincou.

O antigo líder da IL apontou que a sua candidatura merece passar à segunda volta e o pior que poderia acontecer era ser afastada por quem acha que ganha alguma coisa com este tipo de “manobras de política suja”.

Questionado sobre se estas polémicas o poderiam prejudicar nesta sua ambição, Cotrim Figueiredo disse esperar que os eleitores analisem estas suas declarações e se lembrem do que fez ao longo dos últimos sete anos na vida política.

“Acho que tenho de deixar os portugueses primeiro analisarem aquilo que eu estou a dizer agora e, depois, lembrarem-se daquilo que eu fiz ao longo dos sete anos da minha vida política, que é curta, mas é consistente”, reforçou.

Explicando que não quer André Ventura, líder do Chega, como Presidente da República e negando veemente as acusações de assédio, Cotrim Figueiredo considerou que, até domingo, tem a obrigação de corresponder à confiança de centenas de milhares de pessoas que, nestas difíceis últimas horas, lhe têm manifestado apoio.

“Nestes quatro dias que faltam, vou continuar a dizer aos portugueses que o voto mais consciente e mais útil para o futuro de um Portugal moderno é na minha candidatura”, salientou.

E acrescentou: “É nisso que eu vou estar apostado e acho que tenho condições”.

Confrontado com as declarações de Marques Mendes, adversário na corrida a Belém, de que os eleitores ficaram desiludidos com as suas declarações sobre não excluir o apoio a nenhum candidato, Cotrim Figueiredo referiu que o que os outros adversários dizem sobre si, desse ponto de vista, “lhe interessa muito pouco”.

Manuel João Vieira vê tudo ao contrário na floresta e na paisagem

O candidato presidencial Manuel João Vieira defendeu hoje que está tudo “ao contrário” na floresta e na paisagem portuguesas, e apelou à prevenção e à plantação de outras espécies que não o eucalipto.

Antes de inaugurar o Monumento à Floresta Portuguesa, da autoria de Pedro Portugal, o músico dos Ena Pá 2000 explicou que a sua interpretação da obra - um eucalipto verdadeiro de 11 metros plantado com a raiz para cima e pintado com borracha líquida preta – é que “está tudo ao contrário”.

“Estará tudo ao contrário na floresta portuguesa. Será que há demasiados incêndios na floresta portuguesa? Haverá demasiados eucaliptos? Haverá um problema com a paisagem em Portugal e com o ordenamento da paisagem em Portugal? Eu creio que, quando nós vemos a paisagem portuguesa, somos surpreendidos”, afirmou.

Dizendo-se “muito velho”, o candidato presidencial de 63 anos confessou-se “surpreendido pela cor das casas, em relação àquilo que eram antigamente, e pelo seu entorno paisagístico, que também é muito diferente do que era”.

“Antigamente, quando eu era pequenino, era raro ver eucaliptos na quantidade que se vê hoje. E o território é muito importante, a terra propriamente dita. A terra, depois dos incêndios e com a ajuda da chuva, vai-se tornando rochedo e vai-se tornando um solo onde é impossível plantar qualquer coisa”, observou.

Manuel João Vieira disse que os eucaliptos têm de ser organizados juntamente com a floresta nacional.

“O eucalipto é importante, sem dúvida que é um rendimento importante, mas deve ser plantado dentro de determinados quadrantes e determinadas formas, e os pinheiros, para que não haja uma propagação completamente louca. E queria alertar também que estamos em pleno aquecimento global e […] basta uma centelha, um raio, qualquer coisa, para desencadear fogos nunca vistos. Como nós, aliás, já vimos no território português”, alertou.

Assim, para o candidato presidencial, é preciso apostar na prevenção. “E a prevenção é a plantação de outras espécies”, acrescentou, defendendo a necessidade de voltar “a plantar árvores nacionais”.

No Parque Papa Francisco, em Loures (distrito de Lisboa), o músico inaugurou a obra de Pedro Portugal, o artista que surgiu vestido de árvore e se escusou a explicar a sua criação, partindo no eucalipto invertido uma guitarra aparentemente autografada por Jimi Hendrix.

Vieira teve oportunidade de abordar outros temas, como a campanha para as eleições presidenciais de domingo, que definiu como “insípida” e menos engraçada do que eram as anteriores, ou o novo pacote laboral proposto pelo Governo.

“O que eu fazia é pegar nos pacotes de dinheiro e dava aos trabalhadores. E isso todos os meses. Isso é que é o pacote laboral”, descreveu, numa ação de campanha que decorreu à mesma hora em que no centro de Lisboa decorria a manifestação da CGTP.

O candidato abordou ainda os protestos no Irão, no dia em que o número de mortos nos protestos que contestam há 16 dias consecutivos o regime de Teerão terá subido para pelo menos 2.000, de acordo com a organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights.

“Eu acho que eles têm muita razão para protestar. […] Obviamente, não sou parvo e sei que isto está relacionado com o movimento internacional que vivemos após a queda da Síria. E que é um objetivo estratégico, que é o derrube do Irão pelos Estados Unidos e Israel. Portanto, não é inocente. Se por um lado sou contra o regime iraniano, sou também contra a ingerência de regimes externos noutros regimes”, concluiu.

Lusa

Cotrim Figueiredo associa denúncia de assédio sexual a “manobra de política suja”

O candidato presidencial Cotrim Figueiredo considerou hoje a denúncia de assédio sexual por parte de uma ex-assessora parlamentar da IL uma “manobra política do mais suja que há” e pediu aos portugueses para não se deixarem enganar.

“O que posso pedir é que os portugueses não se deixem enganar por este tipo de campanhas sujas e que confiem que sou a mesma pessoa que sempre fui na vida pública e que não tenho nada a esconder”, pediu o também eurodeputado, um dia depois de uma ex-assessora parlamentar da IL o ter acusado de assédio sexual.

Na segunda-feira, dia em que se soube desta denúncia, o candidato, apoiado pela IL, negou categoricamente essas acusações, que apelidou de “completamente falsas” e disse que ia avançar com uma queixa-crime.

Mais tarde, num comunicado divulgado aos jornalistas e nas suas redes sociais, Cotrim Figueiredo insistiu que ia processar a pessoa em causa por difamação, “independentemente das suas circunstâncias e das funções que exerce num dos gabinetes do atual Governo”.

Questionado sobre o porquê de revelar que a pessoa em causa trabalha agora no Governo PSD/CDS-PP, o eurodeputado explicou que lhe parece uma informação factual relevante.

Em sua opinião, é relevante porque pode indiciar que num órgão de soberania da Nação está alguém que publica mentiras.

Já hoje, numa carta aberta, 30 mulheres que trabalharam com Cotrim Figueiredo garantiram que “nunca vivenciaram ou presenciaram comportamentos inadequados” do candidato presidencial.

“Nenhuma de nós vivenciou ou presenciou comportamentos inadequados nas interações que tivemos, incluindo em contextos de trabalho com várias mulheres na equipa nos quais o ambiente se manteve profissional e respeitador”, afiançaram.

Agradecendo o apoio destas mulheres, Cotrim Figueiredo revelou ter ainda recebido “muitas centenas de mensagens” de homens e mulheres que trabalharam consigo a manifestar-lhe solidariedade.

“Agradeço a todos. Como devem imaginar, é pessoalmente muito doloroso e foram, de facto, horas difíceis, estas últimas”, assinalou.

O candidato presidencial, apoiado pela IL, comentou ter recebido um telefonema da atual líder da IL, Mariana Leitão, a dar-lhe apoio e a explicar que não subscreveu a carta aberta devido ao cargo que ocupa atualmente.

“Eu percebo isso, registo apenas uma chamada bastante calorosa e bastante enfática por parte da Mariana Leitão”, destacou.

Lusa

António Filipe diz que pacote laboral “não tem ponta por onde se lhe pegue”

O candidato presidencial António Filipe afirmou hoje que o pacote laboral “não tem ponta por onde se lhe pegue”, defendeu a sua rejeição e disse que no domingo de eleições também é dia de luta contra a proposta governamental.

António Filipe assistiu hoje, em Lisboa, à manifestação convocada pela CGTP-IN. No largo do Calhariz, bateu palmas aos manifestantes, falou com o secretário-geral da central sindical, Tiago Oliveira, que seguia na frente do protesto, recebeu palavras de incentivo para as eleições de domingo e ainda foi cumprimentado pela adversária Catarina Martins, que seguia a meio do protesto.

“Eu acho que este pacote laboral, em geral, não tem ponta por onde se lhe pegue e, portanto, eu acho que o Governo o devia retirar, se o Governo não retirar a Assembleia da República devia rejeitar e acho que é a luta dos trabalhadores que vai ser determinante para que isso seja possível”, defendeu António Filipe.

Explicou ainda que “qualquer processo legislativo passa por várias fases e uma delas é a fase da generalidade”.

“Eu acho que este pacote laboral deve ser rejeitado na generalidade. Sendo rejeitado na generalidade, ele está rejeitado”, sustentou.

Questionado sobre se espera ver na manifestação mais candidatos para além de Catarina Martins, respondeu: - “Não propriamente, não me surpreende que não estejam, mas acho que cada candidato deve mostrar ao que vem e com quem está”.

A oposição ao pacote laboral tem sido um dos principais temas de campanha do candidato a Presidente da República apoiado pelo PCP e PEV e, por isso, hoje fez questão de se juntar ao protesto dos trabalhadores.

“Eu tenho dito que só a luta dos trabalhadores derrotará o pacote laboral. Isso está a acontecer. Aliás, a greve geral que houve no dia 11 [dezembro de 2025] e esta manifestação que estamos a assistir aqui é uma grande resposta dos trabalhadores ao pacote laboral”, afirmou António Filipe aos jornalistas.

O ex-deputado comunista lembrou que assumiu, desde a primeira hora, a sua oposição à proposta do Governo e que, se for eleito Presidente da Republica, usará “todos os poderes constitucionais para impedir que um retrocesso desta magnitude fosse por diante”.

“E tenho dito na campanha eleitoral que as eleições presidenciais também podem ser um momento de luta contra o pacote laboral”, reforçou.

António Filipe apontou como “particularmente graves” algumas das 100 alterações ao código do trabalho que são propostas pelo Governo, como a amamentação, a liberação dos despedimentos ou até a proibição de um sindicato entrar numa empresa.

Marques Mendes diz que “ganhar ou perder é democracia” e volta a criticar Cotrim

O candidato presidencial Marques Mendes reiterou hoje as críticas a Cotrim Figueiredo, acusando-o de ser um exemplo de “imaturidade e impreparação”, e, a cinco dias das eleições, afirmou que “ganhar ou perder é democracia”.

Num almoço com empresários, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP contou com uma intervenção da mulher, Sofia Marques Mendes, e reiterou que tem para oferecer ao país “estabilidade, ambição e previsibilidade”, valores que considerou essenciais para a economia e empresas.

“É por tudo isto que, se concordarem com as minhas palavras e com a minha mensagem, peço a vossa ajuda. Se entenderem de outra maneira, ganhar ou perder é democracia e respeito os votos de todos”, afirmou.

E acrescentou: “Tento ganhar, mas respeito os votos de todos. Porque todos são portugueses e Portugal precisa de todos e eu quero ser Presidente daqueles que votam em mim e daqueles que não votam em mim”, afirmou.

O candidato voltou a centrar as críticas em Cotrim Figueiredo, dizendo que, numa segunda volta, “IL e Chega” podem ser a mesma coisa, depois de o seu adversário não ter excluído o voto em André Ventura, caso não passasse da primeira volta.

“Agora pode vir dar a entender que está arrependido. Mas é um falso arrependimento. O que esta última declaração significa é que este candidato é um exemplo de imaturidade e um exemplo de precipitação. E na Presidência da República não pode haver nem imaturidade nem precipitação”, defendeu.

Catarina Martins diz que pacote laboral é “assalto aos direitos” dos trabalhadores

A candidata presidencial Catarina Martins participou hoje na manifestação da CGTP contra o pacote laboral, que classificou como um “assalto aos direitos” dos trabalhadores e assegurou que vetará as alterações à lei propostas pelo Governo, se eleita.

“O que o Governo está a fazer é um assalto aos direitos de quem trabalha”, afirmou Catarina Martins, em declarações aos jornalistas no início do protesto, que arrancou, com milhares de pessoas, do Largo Camões rumo à Assembleia da República, em Lisboa.

Explicando que decidiu juntar-se ao protesto para mostrar aos trabalhadores que está ao seu lado “por um país em que trabalhar seja respeitado e em que os salários sejam dignos”, a candidata a Belém assegurou que será um travão ao Governo.

“Precisamos de mais pessoas com contratos a sério, contratos efetivos e é, por isso, que é tão importante que quem se apresenta à Presidência da República diga ao que vem”, afirmou.

Acusando o Governo de adiar o debate do anteprojeto para que não seja tema durante o período de campanha eleitoral para as eleições presidenciais de domingo, Catarina Martins desafiou os restantes candidatos a posicionarem-se de forma clara quanto às alterações que o Governo pretende introduzir ao pacote laboral.

“Temos visto todos os candidatos a quererem o apoio do Governo, uns porque são do partido do Governo, outros porque têm apoios do partido do Governo, outros porque vão dizer que representam o fundador do partido do Governo. O que nós precisamos é outra coisa”, sublinhou.

Quanto a si, foi clara: se for eleita no domingo ou numa eventual segunda volta, agendada para 08 de fevereiro, Catarina Martins vetará o diploma.

“O que nós precisamos é de candidatos à Presidência da República que digam que vão lutar pela dignidade do trabalho em Portugal, que vão lutar para as gerações mais jovens poderem ter contratos a sério neste país”, defendeu.

Entre os restantes, o candidato apoiado pela CDU, António Filipe, foi o único a marcar presença na manifestação e os dois chegaram a cruzar-se, cumprimentando-se com dois beijinhos sem troca de palavras.

Questionada, por outro lado, sobre a posição de António José Seguro, que também já se manifestou contra o pacote laboral, Catarina Martins considerou que o candidato apoiado pelo PS começou por desvalorizar as alterações propostas e “só quando viu a força da greve é que achou que talvez tivesse de falar sobre isso”.

A candidata a Belém colocou-se também contra a ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, que disse hoje que a CGTP se "auto afastou" das negociações da reforma laboral, "ao contrário da UGT".

Questionada sobre as declarações da governante, Catarina Martins afirmou que o Governo pede aos sindicatos para se sentarem à mesa com o executivo e discutir cortes salariais, aumento do horário de trabalho e reforço da precariedade.

“Que os sindicatos não queiram discutir como ficar pior, eu acho normal. Têm, sim, de negociar como podemos ter melhor trabalho, melhor emprego em Portugal, porque isso é que é fundamental”, acrescentou.

Lusa

Gouveia e Melo lamenta que antigos combatentes tenham sido desprezados pelo poder político

O candidato presidencial Gouveia e Melo lamentou hoje que os antigos combatentes tenham sido desprezados pelo poder político e disse que Portugal por vezes trata mal os seus melhores filhos, que tentam dar o seu melhor num sistema ‘kafkiano’.

“Gente que foi desprezada pelo poder político [os antigos combatentes]. E foi desprezada porquê? Por uma vergonha do poder político. Quase que um complexo do poder político. Porque não há vergonha nenhuma desses homens no serviço que fizeram à pátria, mesmo que, na altura, politicamente, essa pátria não tivesse o rumo certo. Mas era a nossa pátria e eles não recusaram fazer esse serviço à pátria”, afirmou.

O candidato, que falava durante uma intervenção num almoço com apoiantes no restaurante da Associação de Fuzileiros, no Barreiro, distrito de Setúbal, considerou ainda que Portugal, por vezes, trata mal os seus melhores filhos.

“Trata mal as pessoas que se dedicam completamente, ao serviço de Portugal. Muitas vezes, as nossas forças de segurança, os nossos bombeiros, os nossos funcionários públicos que, dentro de um sistema ‘kafkiano’, continuam a tentar fazer o melhor por todos nós”, lamentou.

E prosseguiu: “Os nossos enfermeiros, os nossos médicos e muitos outros seres anónimos que todos os dias suportam Portugal e aturam, muitas vezes, gente que lhes é metida em cima na estrutura, sem experiência, sem capacidade, mas porque têm um cartão partidário”.

Reiterando que os partidos são essenciais para a democracia, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, insistiu na ideia de que há “limites éticos” para o que os partidos podem fazer e que, quando não respeitam esses, “criam, com cinismo das suas atuações, a desconfiança que traz verdadeiramente o perigo para a democracia, que é o populismo”.

Segundo Gouveia e Melo, as lógicas partidárias “estão a dominar estas eleições” presidenciais, e podem, de alguma forma, “condicionar, mais uma vez, o futuro de Portugal”.

Lusa

Cotrim Figueiredo acusa Governo de tentar esconder problema real na saúde

O candidato presidencial Cotrim Figueiredo afirmou hoje que os problemas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) são reais e não perceções, e que há por parte do Governo PSD/CDS-PP a tentativa de “esconder essa realidade objetiva”.

“As pessoas que esperam por consultas, por cirurgias, por lhes ser atribuído médico de família e que sofrem diariamente com as ineficiências do SNS não são perceções, são casos reais e os dados existentes, estatísticos, frios e objetivos mostram que estão iguais ou estão piores”, disse o também eurodeputado.

O antigo líder da IL, acompanhado da ex-deputada do PSD Liliana Reis, reagia às declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que defendeu que há uma “perceção de caos” no SNS, mas afirmou que “isso não é a realidade” do setor.

No final de uma visita ao Centro de Tropas de Operações Especiais do Exército em Lamego, no distrito de Viseu, fechada aos jornalistas, Cotrim Figueiredo insistiu que o problema do SNS é real e que o Governo o está a tentar esconder.

“É uma tentativa de esconder aquilo que é uma realidade objetiva, mascarando-o de problema de perceção”, assinalou.

Atualmente, “o que existe é uma saúde para ricos e outra para pobres, porque quem tem a possibilidade dirige-se a um serviço que os atenda no imediato e quem não têm espera muito tempo para ser atendido e, muitas vezes, sofre sequelas por via dessa demora”.

“Portanto, lamento senhor primeiro-ministro, não tente enganar as pessoas, porque não há um problema de perceção, há um problema real”, apontou.


Lusa

Seguro afasta euforias das sondagens e pede votos dos democratas

O candidato presidencial António José Seguro travou hoje euforias dos seus apoiantes porque as sondagens não ganham eleições e apelou ao “voto dos democratas”, saudando os apoios da líder do PAN e do presidente do PS.

Eu não sei os resultados dessa sondagem. Aquilo que eu digo é que quem ganha eleições são os votos dos portugueses, não são as sondagens e por isso apelo sistematicamente às pessoas para não entrarem em euforias com as sondagens que me dão uma vitória”, respondeu aos jornalistas Seguro, durante uma ação de campanha no Seixal, distrito de Setúbal.

O candidato apoiado pelo PS voltou a apelar à concentração de votos no seu nome, considerando importante estar na segunda volta por ser “o único candidato moderado” que tem condições de lá chegar.

“E porquê é que a moderação é importante? Porque nós estamos fartos de radicalismo, de extremismos. Nós precisamos de apelar a todos os democratas para que concentrem o voto na minha candidatura e para que eu possa ser eleito Presidente da República”, disse.

Sobre o apoio que recebeu, a título pessoal, da líder do PAN, Inês de Sousa Real, Seguro disse que todos os apoios são “muito importantes”.

“E como têm reparado, todos os dias somam muitos apoios a esta candidatura. Uns à esquerda, outros ao centro, outros à direita. E é isso que corresponde à natureza da minha candidatura. Eu quero ser o presidente de todos os portugueses”, apontou.

Sobre se também estava entusiasmado com o apoio de Carlos César, presidente do PS, o ex-líder socialista reiterou que “todos os apoios são bem-vindos e são importantes”.

“Eu não faço discriminação absolutamente nenhuma entre os portugueses, bem pelo contrário. Eu quero somar”, enfatizou.

Lusa

Jorge Pinto critica Seguro por encontro com Santana, que deixou país numa “bandalheira”

O candidato presidencial Jorge Pinto criticou hoje António José Seguro por este se encontrar com Santana Lopes na campanha e lembrou que o antigo primeiro-ministro “viu a Assembleia da República ser dissolvida pela bandalheira a que deixou o país chegar”.

Em declarações aos jornalistas antes de uma visita à Casa da Cultura, em Elvas, Jorge Pinto foi questionado sobre o facto de António Filipe ter dito que António José Seguro não era de esquerda e começou por responder que “há muitas esquerdas” e que a “esquerda não é, nem nunca será, uma gaveta”, mas sim uma “janela que se abre para o mundo”.

Não é vergonha ser de esquerda, como também não é vergonha ser de direita. Aquilo que nós devemos aos portugueses é transparência em relação àquilo que nós somos”, disse, para depois pedir clareza sobre a ideologia de outras candidaturas e apontar falta de transparência de Seguro.

Para Jorge Pinto, o candidato a Belém apoiado pelo PS não está a ser transparente quando decide “encontrar-se com Pedro Santana Lopes, o primeiro-ministro que viu a Assembleia da República ser dissolvida pela bandalheira a que deixou o país chegar”.

“Ser de esquerda não é pecado, ser de direita não é pecado, tivemos Presidentes da República que foram de esquerda e foram de todos os portugueses, tivemos presidentes da República que foram de direita e foram de todos os portugueses”, defendeu, acrescentando que é “orgulhosamente de uma esquerda” que não é “esquerda ponto”, mas “esquerda pontes”.

Jorge Pinto explicou que a sua esquerda é da que “faz pontes com o regionalismo, com o europeísmo, com esta ideia de Europa que é precisa no presente”.

Lusa

Catarina Martins diz que Montenegro conhece a realidade no SNS e “opta por mentir”

A candidata presidencial Catarina Martins considerou hoje que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, conhece a realidade dos problemas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) mas “opta por mentir”, insistindo que a degradação do setor é intencional.

Luís Montenegro conhece a realidade e opta por mentir sobre a realidade, acho que é a única coisa que podemos dizer”, afirmou, quando questionada sobre as conclusões do inquérito de acesso aos cuidados de saúde da Nova School of Business and Economics, divulgadas hoje.

Segundo o relatório, há mais portugueses doentes e as barreiras de acesso aos cuidados de saúde continuam elevadas, levando a uma probabilidade cada vez menor de uma pessoa recorrer exclusivamente ao SNS, optando pelo privado.

Os dados surgem um dia depois de o primeiro-ministro ter defendido que há uma "perceção de caos" SNS que não corresponde à realidade, argumentando que os tempos de espera nos hospitais "são os melhores dos últimos cinco anos".

“O primeiro-ministro não conhece a realidade de Portugal?”, questionou Catarina Martins, respondendo de seguida que “o primeiro-ministro conhece e o primeiro-ministro tem sabotado o SNS”.

Lusa

Gouveia e Melo critica Governo por não ter ainda tirado conclusões sobre falhas na Saúde

O candidato presidencial Gouveia e Melo considerou esta terça-feira que o Governo já ultrapassou os prazos para resolver os problemas na saúde, criticando o executivo por, passados quase dois anos, não ter ainda tirado conclusões sobre as falhas no setor.

“Quando as coisas falham, porque é que nós mantemos os responsáveis […] Claro que há um tempo que tem que se deixar passar, mas dois anos depois, e não se tiram conclusões […] porque há uma lógica partidária que se sobrepõe à lógica nacional”, declarou Gouveia e Melo na Moita, no distrito de Setúbal.

Questionado pelos jornalistas se o Governo está a falhar os prazos na resposta aos problemas na saúde, o candidato disse considerar que “já ultrapassou esses prazos, insistindo em que as conclusões têm de ser tiradas “pelos responsáveis próprios” e não pela Presidência da República.

“[O atual executivo] Está a governar praticamente há dois anos, com promessas que iria resolver o problema de um momento para o outro. Quando não estava no Governo, estava na oposição, vocalizava um conjunto de críticas que, se agora os puséssemos, a eles próprios, a criticarem-se, seria uma coisa até relativamente aborrecida para os próprios”, sublinhou.

DN/Lusa

Ventura diz que Montenegro é “o maior sem noção do país”

O candidato presidencial André Ventura afirmou esta terça-feira que o primeiro-ministro é “o maior sem noção do país”, depois de Luís Montenegro ter rejeitado na segunda-feira a ideia de caos na saúde.

“Eu queria perguntar ao primeiro-ministro se ele acha mesmo que isto é uma questão de perceção. Eu acho que nós temos um primeiro-ministro que tem uma enorme falta de noção do país real”, afirmou o candidato apoiado pelo Chega.

André Ventura falava aos jornalistas antes de uma arruada em Braga, reagindo às declarações de Luís Montenegro, que defendeu que há uma “perceção de caos” no Serviço Nacional de Saúde, mas afirmou que “isso não é a realidade” do setor.

Questionado sobre o que faria perante as afirmações do primeiro-ministro se fosse Presidente da República, Ventura salientou que diria a Luís Montenegro “que ele é o maior sem noção do país, quando diz que não há caos na saúde”.

Para o candidato, o Presidente da República deve também assumir-se como “a voz da consciência de um Governo que está a errar e que está a governar mal”.

“É impossível um candidato presidencial olhar para isto [declarações do primeiro-ministro] e não dizer que um Presidente da República tem de falar ao país real e tem de dizer para onde é que o Governo não deve ir”, vincou.

Rejeitando a ideia de perceção defendida por Montenegro, o também presidente do Chega apontou para casos de doentes urgentes que esperam 20 horas para serem atendidos, falhas na resposta nos serviços de emergência e falta de macas nos hospitais.

DN/Lusa

Seguro diz que problemas na saúde não são perceções. "A situação é mesmo real"

O candidato presidencial António José Seguro contrariou esta terça-feira a ideia do primeiro-ministro de que os problemas na saúde são perceções, porque “a situação é mesmo real”, e considerou que só com o “contacto direto” os políticos percebem as dificuldades.

Durante uma visita à AURPIS, uma instituição de solidariedade social no Seixal, distrito de Setúbal, Seguro foi de novo confrontado com as declarações da véspera de Luís Montenegro, sendo questionado se achava que os problemas na saúde ou as questões de pobreza e desigualdade são apenas perceções.

“Não. A situação é mesmo real. Nós temos situações que as estatísticas muitas vezes não conseguem identificar e só após um contacto direto entre quem tem responsabilidades no nosso país e as pessoas é que nos apercebemos do sofrimento, da dor, das dificuldades em que as portuguesas e os portugueses vivem, sobretudo, em situação de vulnerabilidade”, respondeu.

Sobre que justificação encontrava para as palavras do primeiro-ministro, o candidato presidencial apoiado pelo PS disse apenas: “A explicação é muito simples. Chega de palavras, precisamos passar à ação”.

“Mostra bem como eu defini como prioridade a saúde e que hoje estou certo, mas o meu dever não é dizer que estou certo. O meu dever é, quando tomar posse como Presidente da República, imediatamente começar a trabalhar com o Governo e com todos os partidos políticos, com os representantes dos profissionais de saúde e também dos doentes, para encontrarmos uma solução sólida e duradoura para que os portugueses tenham acesso à saúde a tempo e horas”, insistiu.

Seguro disse que vai “exigir respostas ao Governo” e não vai ser “um Presidente que se vai sentar no sofá”.

“Bem pelo contrário. Vou ser um Presidente exigente, um Presidente realista e vou exigir ao Governo e a todos os partidos respostas e soluções para os problemas dos portugueses”, prometeu.

DN/Lusa

Catarina Martins: “Pergunto-me se quem já votou em Cotrim, agora pode mudar o seu voto, porque temos aqui uma fraude política"

Catarina Martins acusou esta terça-feira Cotrim Figueiredo de defraudar as expectativas dos eleitores que votaram antecipadamente, ao ter afirmado, na segunda-feira, que não exclui o apoio a qualquer candidato numa eventual segunda volta das eleições presidenciais.

“Pergunto-me se quem já votou, em voto antecipado, em Cotrim Figueiredo, agora pode mudar o seu voto, porque temos aqui uma fraude política. São as direitas a dizer que são iguais e eu acho que há muita gente neste país que quer ter um voto contra a indecência, a selvajaria e por uma democracia forte”, afirmou a candidata presidencial.

Em declarações aos jornalistas no final de uma visita à Academia de Amadores de Música, em Lisboa, Catarina Martins voltou a criticar o candidato apoiado pela IL, mas foi mais longe e acusou João Cotrim Figueiredo de defraudar as expectativas dos seus eleitores que votaram antecipadamente, no dia 11.

ANDRÉ KOSTERS/LUSA

Em causa estão declarações a propósito de uma eventual segunda volta, proferidas na segunda-feira, quando Cotrim Figueiredo disse que não exclui o apoio a qualquer candidato e disse até que o candidato de extrema-direita, André Ventura, nos últimos dias, “parece um político diferente”.

Catarina Martins falou de clareza, defendendo que é preciso “saber de que lado é que se está quando se fala da extrema-direita, de quem tem vindo a semear o ódio no país”.

Questionada também sobre o apoio da porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, à candidatura do socialista António José Seguro na primeira volta das eleições de domingo, Catarina Martins sublinhou apenas que está na corrida a Belém “com muita convicção”, uma ideia que tem repetido ao longo da campanha.

“Estou aqui para quebrar o tabu de que as nossas cidades têm de ficar só para o turismo e não temos sítio para viver, nem o pequeno comércio pode existir, o tabu que estamos condenados a uma economia de baixo salário sem qualificação e o tabu de que uma mulher não pode ser Presidente da República”, explicou.

No âmbito desse propósito, destacou o tema que a levou a visitar a Academia de Amadores de Música, que terá de abandonar o edifício onde está instalada há várias décadas numa zona histórica da capital e que será vendido pelo atual senhorio.

“O turismo tem seguramente lugar na nossa economia, mas tudo tem de ter peso, conta e medida. As nossas cidades têm de ser vivas, têm de ter habitação, têm de ter pequeno comércio, têm de ter serviços, têm de ter escolas de música, têm de ter cultura”, defendeu, afirmando que Portugal não pode ser “só cenário para hotéis”.

DN/Lusa

Gouveia e Melo considera que Cotrim Figueiredo revela "instabilidade política"

O candidato presidencial Gouveia e Melo considerou esta terça-feira (13 de janeiro) que o comportamento político do seu adversário Cotrim Figueiredo revela instabilidade e criticou a existência de sondagens sem rigor matemático, mas que são instrumentos de influência eleitoral.

Henrique Gouveia e Melo falava aos jornalistas à entrada do Mercado do Livramento, em Setúbal, tendo ao seu lado Fernando Negrão, seu apoiante, antigo deputado e ministro social-democrata.

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O ex-chefe do Estado-Maior da Armada foi questionado pelos jornalistas sobre o facto de o seu adversário Cotrim Figueiredo não ter excluído um apoio a André Ventura, caso fique de fora da segunda volta das eleições presidenciais. Na resposta, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada observou que o eurodeputado liberal e seu adversário na corrida a Belém “disse depois que se enganou”, corrigindo a posição que antes sustentara sobre um eventual apoio ao líder do Chega.

“Já tinha acontecido isso antes [com Cotrim Figueiredo]. Fez aquela proposta sobre o veto absoluto na Presidência da República e a seguir retirou-a. Tudo isto revela instabilidade política. É preciso ter muito cuidado com as palavras”, advertiu Gouveia e Melo.

Ainda sobre o facto de Cotrim Figueiredo não ter excluído apoiar o líder do Chega numa segunda volta das eleições presidenciais, o almirante classificou como estranha essa eventual opção por parte do antigo líder liberal.

“Achei estranho que um candidato do campo moderado tivesse admitido manifestar esse apoio, mas ele lá saberá o que pensa e naquilo que acredita. Pode ser que acredite que, fazendo essa coligação [com André Ventura], poderá ter vantagens”, admitiu Gouveia e Melo.

Em contraponto, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada fez questão de defender que, pessoalmente, “não é um taticista” no plano político.

“Defino um rumo”, frisou, antes de voltar a insurgir-se contra o rigor matemático de alguns estudos de opinião que estão a ser divulgados sobre as eleições presidenciais. Uma questão em que visou, sobretudo, um barómetro diário.

“O tal ‘tracking pool’ tem pouca validade, porque é uma média a três ou quatro dias, que muda sempre as pessoas que estão a ser entrevistadas. Relativizo esse instrumento, porque não me parece um instrumento rigoroso”, advogou.

Segundo Gouveia e Melo, a divulgação diária desse barómetro "pouco rigoroso" poderá estar a influenciar o comportamento dos eleitores. “Esse instrumento é sujeito a interpretações políticas, que não me parecem adequadas neste período da campanha. A forma como se fazem as amostras neste período de campanha deve ser muito cuidadosa, porque pode influenciar a decisão eleitoral”, apontou.

Este tipo de estudos de opinião pode mesmo “tornar-se um instrumento político e não de informação”, defendeu.

DN/Lusa

Jorge Pinto diz que acusação contra Cotrim é muito grave e apela a que não se culpem vítimas

O candidato presidencial Jorge Pinto pediu esta terça-feira, a propósito da acusação de assédio contra Cotrim Figueiredo, que não se “confunda a presunção de inocência com a presunção de culpa de uma potencial vítima” e afirmou que a denúncia “é muito grave”.

Em declarações antes de uma visita à Casa da Cultura, em Elvas, o candidato presidencial apoiado pelo Livre disse que a queixa contra João Cotrim Figueiredo é um “assunto demasiado sério” para ser “misturado com assuntos da campanha eleitoral”, mas ressalvou que não se deve confundir a presunção de inocência com a presunção de culpa.

“A única coisa que eu gostaria de dizer é que não confundamos nunca o que é a legítima presunção de inocência com a presunção de culpa de uma potencial vítima. Isso é uma situação que não devemos tolerar, em particular quando se fala de ataques a mulheres e aos seus direitos”, pediu, acrescentando que o “que foi lido na denúncia é algo muito grave”.

Jorge Pinto insistiu que não quer fazer deste um assunto “para atacar outro adversário político” e voltou a criticar quem pretende fazer “de uma potencial vítima uma culpada por ter tido a coragem de denunciar uma situação desconfortável e eventualmente um crime”.

“De resto, não acho que deva ser assunto do dia da campanha apenas para atacar um adversário político porque as mulheres, incluindo esta senhora que faz a denúncia, merecem todo o nosso respeito e não merecem que façamos disto um assunto que as exponha para lá daquilo que já foi a exposição escolhida pela própria”, rematou.

Na segunda-feira, Cotrim Figueiredo frisou que a denúncia de assédio sexual é “absolutamente e completamente falsa” e que vai avançar com uma queixa-crime. Já esta terça-feira, disse que a acusação não o vai derrubar.

DN/Lusa

Marques Mendes acredita que pode ser beneficiado por declarações de Cotrim, "uma desilusão para muitas pessoas" 

O candidato presidencial Luís Marques Mendes considerou esta terça-feira que os eleitores ficaram desiludidos com as declarações de Cotrim Figueiredo a não excluir o apoio a nenhum candidato numa eventual segunda volta, e que isso o poderá beneficiar.

“Na minha campanha não muda nada, mas na decisão dos portugueses pode mudar muito”, afirmou o candidato apoiado por PSD e CDS-PP, em declarações aos jornalistas num café, durante uma iniciativa de campanha em Fátima.

Luís Marques Mendes considerou que a declaração do adversário, “associando a candidatura liberal ao Chega, é uma desilusão para muitas pessoas”. 

“Desilusão provavelmente para alguns que já votaram na IL no domingo [no voto antecipado] e que perante estas declarações de associação ao Chega se sentem enganados. Provavelmente se pudessem voltar atrás, não repetiam o voto”, defendeu.

O candidato a Presidente da República considerou também que esta declaração do antigo líder da IL “reforça a ideia” de que a sua candidatura “é a única que pode evitar o populismo, o radicalismo e o experimentalismo”.

Questionado se muitos eleitores que iriam votar em Cotrim Figueiredo poderão agora votar em si, Marques Mendes disse acreditar que sim.

“Acredito sinceramente, porque há um sentimento de desilusão. Esta associação da IL ao Chega é uma desilusão para muitos eleitores, para alguns que já votaram e que provavelmente se sentem enganados”, insistiu.

O antigo líder do PSD salientou que a sua candidatura “é aquela que pode de facto garantir a estabilidade e evitar o populismo e o radicalismo”.

Na segunda-feira de manhã, o candidato presidencial João Cotrim Figueiredo revelou que, numa eventual segunda volta das eleições em que não esteja, não excluía o apoio a nenhum candidato, incluindo a André Ventura.

Nas horas seguintes, e após críticas dos adversários, assumiu ter sido “pouco claro” na sua declaração e garantiu não querer o líder do Chega como Presidente da República. Já esta terça-feira disse que foi “um momento bastante infeliz” e de “falta de clareza” que associa a “um dia difícil”.

DN/Lusa

Cotrim assume que foi “bastante infeliz” ao dizer que não excluía apoio a nenhum candidato

O candidato presidencial Cotrim Figueiredo assumiu hoje que dizer que não excluía o apoio a nenhum candidato numa eventual segunda volta, incluindo Ventura, foi “um momento bastante infeliz” e de “falta de clareza” que associa a “um dia difícil”.

“Porque é que eu fiz aquelas declarações eu próprio gostava muito de perceber, mas não consigo explicar o que é que me passou pela cabeça”, confessou o também eurodeputado, no final de uma visita ao Lar da Fundação Mariana Seixas, em Viseu.

Cotrim de Figueiredo visita Lar da Fundação Mariana Seixas, em Viseu.
Cotrim de Figueiredo visita Lar da Fundação Mariana Seixas, em Viseu.PAULO NOVAIS/LUSA

Reconhecendo que foi “um momento bastante infeliz” da sua parte, o antigo líder da Iniciativa Liberal (IL) disse que a única coisa que deveria ter dito, e que é o que realmente pensa, é que só admite um cenário de segunda volta em que esteja, todo o resto não lhe diz respeito.

“Quis mostrar claramente que não me comprometia com nenhum candidato e acabei a comprometer-me com todos, foi isso que deu origem ao equívoco, não fui claro, assumo essa falta de clareza, não consigo explicar muito bem”, insistiu.

Cotrim Figueiredo, candidato apoiado pela IL, considerou que essa sua falta de clareza talvez se tenha devido a um dia “particularmente difícil”, referindo-se à denúncia de uma ex-assessora parlamentar da IL de assédio sexual.

Foi um dia particularmente difícil e eu não quero desculpar-me com as notícias que vieram, entretanto, a lume [denúncia de assédio], mas, de facto, foi um dia difícil e, isso, talvez tenha toldado o discernimento e a capacidade de corrigir as declarações”, confidenciou.

Lusa

Cotrim Figueiredo sobre acusação de assédio sexual: "Não me vai derrubar"

O candidato presidencial assume ter vivido horas "difíceis" depois da acusação de assédio sexual por uma ex-assessora parlamentar da Iniciativa Liberal (IL). É um "assunto" que "é muito doloroso", disse Cotrim Figueiredo, referindo que "está em curso a entrada de uma queixa por difamação".

Na sequência da acusação de assédio, 30 mulheres que trabalharam com Cotrim Figueiredo garantiram, numa carta aberta, que “nunca vivenciaram ou presenciaram comportamentos inadequados” por parte do candidato apoiado pela IL.

"Agradeço as muitas centenas de mensagens que recebi, homens, mulheres, pessoas que trabalharam comigo", afirmou aos jornalistas, durante uma ação de campanha.

"O timing é realmente suspeito. Se isto tiver que ver com alguma tática política contra a minha candidatura, com medo de que eu possa fazer sombra ou excluir alguém da segunda volta, não é isto que me vai derrubar", assegurou.

Emigrantes poderão ter de votar na segunda volta com boletins da primeira

Uma segunda volta nas presidenciais implica novos boletins de voto, mas alguns emigrantes portugueses poderão ter de fazer a sua escolha nos boletins da primeira volta, se os novos não chegarem a tempo, segundo fonte oficial.

Os portugueses vão escolher o Presidente da República no próximo domingo, podendo os eleitores portugueses no estrangeiro fazer a sua escolha nesse dia e também um dia antes, sempre presencialmente.

No caso de existir uma segunda volta, os eleitores emigrantes poderão votar a 07 e 08 de fevereiro.

Isto implica que os boletins de voto para esta segunda volta terão de ser elaborados, impressos em Portugal e enviados para os países onde residem estes eleitores portugueses.

O tempo não é largo e o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), André Wemans, garante que já existe um plano B para o caso de os novos boletins não chegarem a tempo a todos os eleitores portugueses no estrangeiro: usarão os boletins da primeira volta.

No entanto, o objetivo é que, existindo uma segunda volta nesta corrida eleitoral, os novos boletins cheguem aos eleitores, para o que serão acionados os meios possíveis.

O número de eleitores recenseados para as eleições de domingo é de 11.039.672, dos quais 1.777.019 votam no estrangeiro, o que representa mais 226.956 portugueses a residir no estrangeiro do que em 2021.

Lusa

Leia a opinião de Fernanda Câncio

image-fallback
Não, nunca houve umas presidenciais assim

Defesa. Ameaças de Trump fazem candidatos presidenciais pedir autonomia europeia

Gronelândia é lateral nas Presidenciais. Seguro e Mendes não atacam Trump. Almirante vê “deriva”. Cotrim e Jorge Pinto querem preparar Portugal. Ventura foi único a não condenar ação na Venezuela.

Leia mais em baixo:

Gouveia e Melo define-se como um social-democrata à antiga que recusa o neoliberalismo
Defesa. Ameaças de Trump fazem candidatos presidenciais pedir autonomia europeia

Inês Sousa Real apoia Seguro

A porta-voz do PAN apoia António José Seguro, a título pessoal. Em entrevista à TSF, Inês Sousa Real lembra que o partido não apoia nenhuma candidato na primeira volta das presidenciais, mas irá fazer um balanço e "se necessário irá apoiar um candidato" na segunda volta.

"Eu pessoalmente, Inês Sousa Real, decidi que o único candidato que reúne neste momento as condições de salvaguardar a Constituição, de salvaguardar os valores democráticos que queremos acarinhar e preservar e que se apresentou a esta candidatura e até de garantir algum equilíbrio que não existe (...) acho que, neste caso, António José Seguro, é o único candidato que está neste momento em condições de preservar estes valores da nossa Constituição, preservar a defesa dos direitos das mulheres, como é o caso da violência doméstica", disse.

Carta aberta: 30 Mulheres garantem nunca terem vivido ou presenciado comportamentos inadequados por parte de Cotrim

Trinta mulheres que trabalharam com Cotrim Figueiredo garantiram hoje, numa carta aberta, que “nunca vivenciaram ou presenciaram comportamentos inadequados” do candidato presidencial, após a acusação de assédio sexual por uma ex-assessora parlamentar da Iniciativa Liberal (IL).

“Nenhuma de nós vivenciou ou presenciou comportamentos inadequados nas interações que tivemos, incluindo em contextos de trabalho com várias mulheres na equipa nos quais o ambiente se manteve profissional e respeitador”, afiançaram na missiva, distribuída aos jornalistas.

Na segunda-feira, Cotrim Figueiredo frisou que a denúncia de assédio sexual é “absolutamente e completamente falsa” e que vai avançar com uma queixa-crime.

O candidato, apoiado pela IL, repetiu, várias vezes, que a denúncia é “completamente falsa”, motivo pelo qual está de “consciência absolutamente tranquila”.

Na carta, as mulheres relataram que, ao longo do período em que trabalharam com o antigo líder da IL, foram sempre tratadas com respeito, profissionalismo e consideração.

“O objetivo deste texto é apenas acrescentar ao espaço público um testemunho honesto e coletivo sobre aquilo que conhecemos em primeira mão”, afirmaram.

Em sua opinião, a ligeireza com que se colocam em causa a integridade e a reputação de uma pessoa é irresponsável e contribui para um clima de suspeição que não serve a verdade.

“Como o silêncio de quem conhece a realidade também pode ser uma forma de injustiça, escolhemos falar”, acrescentaram.

Situações desta natureza devem ser analisadas com seriedade, justiça e respeito por todas as partes envolvidas, sublinharam as subscritoras da missiva, concluindo que foi um privilégio trabalhar com Cotrim Figueiredo.

Entre as subscritoras da carta estão as apresentadoras de televisão Iva Domingues e Filipa Garnel, as deputadas da IL na Assembleia da República Joana Cordeiro e Angélique Da Teresa e a ex-deputada liberal Patrícia Gilvaz.

Lusa

Gouveia e Melo define-se como um social-democrata à antiga que recusa o neoliberalismo
Cotrim nega ter assediado ex-assessora parlamentar da IL. Gouveia e Melo diz que Seguro “nem controlou o PS”

César apoia Seguro e pede concentração de votos já na 1.ª volta

O presidente do PS apoiou esta terça-feira, 13 de janeiro, António José Seguro nas presidenciais e apelou, já na primeira volta, à concentração de votos de quem possa preferir as três candidaturas à sua esquerda ou Gouveia e Melo para defender valores constitucionais.

Numa publicação nas redes sociais intitulada “O meu voto em Seguro”, Carlos César refere que não é segredo que “gostaria de ter tido nestas eleições outras opções no quadro do espaço tradicional do centro-esquerda e da esquerda democrática”, mas recordou que fez, a pedido do líder do PS, a resolução de apoio à candidatura de Seguro que foi aprovado na Comissão Nacional de 19 de outubro.

“Faço-o com esperança de que aqueles que, preferindo outras candidaturas – como a de Jorge Pinto, Catarina Martins, António Filipe ou mesmo Gouveia e Melo – compreendam que só Seguro poderá tranquilizar, com a sua passagem à segunda volta, os que professam essas áreas políticas diferenciadas e se reúnem no mais essencial da defesa dos nossos valores constitucionais”, apelou.

O presidente do PS refere que estas presidenciais acontecem num ambiente “político nacional muito sensível” e “num contexto especialmente perturbador no plano europeu e internacional”.

“Nesse texto, o PS reiterou o seu entendimento sobre as preocupações que mais devem informar o mandato próximo do Presidente da República, designadamente a de contribuir ativamente para ‘o melhor equilíbrio dos interesses sociais, culturais, políticos e partidários múltiplos que coexistem na sociedade portuguesa e suster as tentativas de desvalorização das marcas de Abril no Portugal de hoje e do próximo futuro’”, refere.

No final da Comissão Nacional que aprovou, com duas abstenções, o apoio formal do PS a Seguro, Carlos César defendeu para o partido este “é o melhor” candidato presidencial, explicando então que com o apoio aprovado o partido “esgota a sua participação enquanto entidade autónoma” nesta eleição.

“A opção que nós temos de fazer é, olhando para os candidatos, saber qual é o melhor. E, para o Partido Socialista, o melhor é o doutor António José Seguro”, defendeu, quando questionado se Seguro era o candidato ideal ou o candidato possível.

O presidente do PS defendeu que as eleições são “um ato de liberdade”, sabendo-se que “o Partido Socialista tem preferência por esse candidato”.

“A opção do Partido Socialista, como a própria resolução que foi aprovada esclarece com clareza, não impede que os militantes decidam, noutro sentido, se acharem em boa consciência que é essa a decisão que devem tomar”, ressalvou então.

Lusa

Gouveia e Melo define-se como um social-democrata à antiga que recusa o neoliberalismo
"É inaceitável vivermos num país, no ano de 2026, em que morrem pessoas por falta de socorro", diz Seguro
Gouveia e Melo define-se como um social-democrata à antiga que recusa o neoliberalismo
André Ventura faz tudo para exorcizar os fantasmas de uma segunda volta futura

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt