Cotrim nega ter assediado ex-assessora parlamentar da IL. Gouveia e Melo diz que Seguro “nem controlou o PS”
MIGUEL PEREIRA DA SILVA/LUSA

Cotrim nega ter assediado ex-assessora parlamentar da IL. Gouveia e Melo diz que Seguro “nem controlou o PS”

Acompanhe aqui as principais notícias desta segunda-feira, 12 de janeiro, sobre a campanha para as presidenciais do próximo domingo.
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Gouveia e Melo ataca “casta política” e promete fazer respeitar idosos e militares

O candidato presidencial Gouveia e Melo acusou hoje “a casta política” de cinismo, responsabilizando-a pelo crescimento do populismo, num discurso em que prometeu fazer respeitar a dignidade dos militares, das forças de segurança e dos idosos.

Estas posições foram assumidas pelo ex-chefe do Estado-Maior da Armada no jantar comício da sua candidatura em Alcobaça, após discursos do ex-presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, e do antigo ministro social-democrata Ângelo Correia.

“O imobilismo dos últimos 20 anos, associado à retórica cínica e ao cinismo de que nós estamos a ver nestas próprias eleições presidenciais, pode criar um populismo forte. Um populismo que pode vencer a democracia se todos nós não tivermos cuidado”, advertiu o almirante no seu discurso, já depois de ter feito as suas habituais críticas ao atual sistema partidário.

Na sua intervenção, com mais de 30 minutos, insurgiu-se contra políticos que se terão manifestado contra a sua candidatura, por ser militar.

“Os tais da casta política, que acham que são uma oligarquia, que são os donos do sistema”, especificou, antes de deixar um conjunto de perguntas: “Quando dizem que os independentes devem entrar para renovar a política estão a falar a sério ou a brincar?”

“Quais as qualidades militares que os senhores da política achavam que punham em perigo a democracia, o sentido de lealdade à pátria, o juramento de defender a pátria com a nossa vida, defender a Constituição e olhar os portugueses como um todo e não por partes? Qual destas coisas vos impressionam e vos deixam com sabor azedo?”, perguntou o almirante, arrancando uma prolongada salva de palmas.

Neste contexto, elogiou, também, a missão dos agentes das forças de segurança e dos antigos combatentes no ultramar. Mas Gouveia e Melo foi particularmente incisivo quando se manifestou impressionado com as condições que encontra em alguns lares, que são “verdadeiros depósitos de idosos”.

“Fere-me pensar que um dia poderia acabar assim. E já disse em jeito de brincadeira aos meus mais próximos. Se assim for, que me metam numa embarcação à vela e me deixem ir para o mar, sossegado, sozinho”, disse, arrancando nova ovação.

Gouveia e Melo abordou também a crise no Serviço Nacional de Saúde (SNS), ponto em que voltou a deixar avisos sobre a sua atitude caso seja eleito Presidente da República.

“Vou dizer todos os dias ao governo, por favor, não voltem a anunciar no momento de falha do SNS que vão comprar ambulâncias. Não façam isso, porque isso é cinismo - e é isso que cria populismos depois a seguir”, advertiu.

A seguir, afirmou nada ter contra este Governo PSD/CDS, nem contra os governos anteriores.

“A única coisa que tenho é contra este tipo de práticas. E podem ter a certeza que, se me escolherem, terei o meu dedo sempre na ferida e nunca a deixarei gangrenar”, disse, elevando o tom da sua voz.

Ventura: "Revejo-me em Ramalho Eanes. Os meus adversários só querem discutir picardias"

André Ventura assumiu esta segunda-feira, em entrevista à SIC, que se revê no antigo Presidente da República Ramalho Eanes e acusa os outros candidatos presidenciais de só quererem "discutir picardias, em vez de discutir o país".

Questionado sobre não ser tão crítico de Gouveia e Melo como tem sido de outros candidatos, o líder do Chega explicou que se focou "num candidato que não consegue dizer sobre a saúde", Marques Mendes, porque "um candidato presidencial não pode ficar em silêncio quando vê pessoas deitadas no chão de hospitais".

Ventura rejeitou ainda um pacto de não agressão com o almirante: "O meu pacto é com os portugueses. Critiquei quando disse que se revia em Mário Soares. Eu revejo-me mais em Ramalho Eanes. Os meus adversários só querem discutir picardias, em vez de discutir o país."

Ventura não se quis alongar sobre um eventual apoio dos partidos que suportam o Governo a António José Seguro na segunda volta, mas mostrou-se crítico dessa possibilidade: "Vimos o estado em que o PS deixou o país. Vamos colocar um socialista no Palácio de Belém?"

O líder do Chega reiterou ainda que é o principal adversário de si próprio "porque é preciso começar a romper o eleitorado habitual". "É preciso construir uma maioria, porque esta eleição tem uma segunda volta e é preciso ganhá-lo. só ganhando vamos transformar o país", vaticinou.

Marques Mendes diz a “moderados do centro-direita e do centro-esquerda” que representa a “defesa da democracia”

O candidato presidencial Luís Marques Mendes disse hoje aos eleitores “moderados do centro-direita e do centro-esquerda” que a sua candidatura representa a defesa da democracia e considerou que João Cotrim Figueiredo parece da “direita radical”.

Num comício em Vila Pouca de Aguiar (distrito de Vila Real), o candidato a Presidente da República apoiado por PSD e CDS-PP apontou “contradições” à candidatura de João Cotrim Figueiredo: “Andaram durante uma eternidade a dizer que eram diferentes do Chega, até ao momento em que disseram que estariam ao lado do Chega”.

“Disseram-nos que era a direita liberal e, afinal, parece que é a direita radical. E isto é sério, porque significa, na prática, a candidatura da IL querer entregar Portugal aos cartazes do Chega. Isso não é bom para a nossa democracia”, criticou.

Considerando a democracia ameaçada pelo “populismo, sectarismo e radicalismo”, Luís Marques Mendes considerou que, após as declarações de Cotrim em que não excluiu o apoio a nenhum candidato numa eventual segunda volta, “esta ameaça é cada vez maior”.

“O que significa que esta minha candidatura, para além de ser a candidatura da moderação, do equilíbrio, da estabilidade, tem de ser também e vai ser a candidatura da defesa da democracia. Para as pessoas moderadas, do centro-direita ou do centro-esquerda, eu estarei aqui sempre como referencial da defesa de um Portugal livre, plural e democrático”, salientou.

Mais à frente no seu discurso, insistiu na mensagem: “As pessoas moderadas, do centro-direita ou do centro-esquerda, terão sempre em mim um Presidente que defende a liberdade e a democracia”.

Cotrim vai apresentar queixa por difamação

A assessoria de campanha de João Cotrim de Figueiredo deu conta, ao final da noite, de que "não existe à data qualquer denúncia ou queixa" quanto à polémica levantada em relação a uma possível situação de assédio.

"A queixa que haverá é de João Cotrim Figueiredo", declara a equipa de comunicação que ladeia o liberal, apresentando que o candidato avançará com uma queixa por difamação.

Antes, a meio da tarde, Cotrim Figueiredo garantiu que é “absolutamente e completamente falsa” a denúncia de assédio sexual por parte de uma ex-assessora do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal (IL) e que vai avançar com uma queixa-crime.

“Houve conhecimento dessa denúncia ontem [domingo] e é absolutamente e completamente falso o que essa senhora [ex-assessora da IL] pôs a circular e vai ser, obviamente, objeto de um processo de difamação”, afirmou Cotrim Figueiredo aos jornalistas, depois de confrontado com uma publicação no Instagram de uma ex-assessora parlamentar da IL, através da qual diz ter sido vítima de assédio sexual.

Gouveia e Melo aponta que Seguro “nem controlou o PS” e foi substituído por Costa

O candidato presidencial Gouveia e Melo apontou hoje que o seu adversário António José Seguro nem controlou o PS, tendo sido substituído na liderança desse partido por António Costa, que depois fez “um grande período” de governação.

Esta referência ao que se passou internamente no PS, em 2014, foi feita pelo ex-chefe do Estado-Maior da Armada no final de uma ação de campanha na baixa de Coimbra, depois de confrontado pelos jornalistas com o facto de o ex-secretário-geral socialista Pedro Nuno Santos ter manifestado apoio à candidatura presidencial de António José Seguro.

Gouveia e Melo procurou desvalorizar esse apoio de Pedro Nuno Santos a António José Seguro, advogando que também ele tem “muitos socialistas” a apoiá-lo na corrida a Belém, “porque acreditam num projeto independente para a Presidência da República”.

“As pessoas que me apoiam acreditam que a Presidência da República não é um lugar partidário em que se discutem lógicas partidárias. A lealdade partidária para umas eleições em que não se elegem partidos, mas elege-se uma pessoa com determinadas características e personalidade, não me parece fazer sentido. Fico sempre um bocado incomodado e surpreendido com uma lógica partidária numa eleição que não é partidária”, reforçou.

Neste contexto, procurou lançar dúvidas sobre as qualidades políticas de liderança de António José Seguro para exercer a chefia do Estado Português.

“O candidato socialista teve um confronto muito sério que, basicamente, dividiu o PS - e ele não conseguiu sequer controlar o PS. Foi substituído no poder pelo doutor António Costa, que depois fez todo um grande período de governação”, declarou.

Por essa razão, segundo Gouveia e Melo, “é estranha a união” que está a haver agora no PS em torno da candidatura presidencial de António José Seguro.

“Está aqui apenas em causa uma lógica partidária. O que está aqui em causa é uma união contranatura que se está a fazer unicamente por lógica partidária. E é isso que contesto. Contesto a lógica partidária na escolha de um Presidente da República”, acrescentou.

Cotrim Figueiredo assume ter sido “pouco claro” e garante não querer Ventura como Presidente da República

O candidato presidencial Cotrim Figueiredo garantiu hoje não querer André Ventura como Presidente da República e que, quando disse que não excluía apoiar nenhum candidato numa eventual segunda volta, foi “pouco claro”.

“Eu não disse que ia votar André Ventura, o que eu disse é que não me comprometia com nenhuma candidatura e lamento ter sido pouco claro, isso assumo, fui pouco claro”, afirmou o também eurodeputado, no final de uma visita à UBIMedical na Covilhã, em Castelo Branco.

No Fundão, após ter visitado o Mercado Municipal, Cotrim Figueiredo revelou que, numa eventual segunda volta das eleições em que não esteja, não excluía o apoio a qualquer candidato.

Mais tarde, numa segunda ação em Castelo Branco, e instado, por diversas vezes, a dizer claramente se apoiaria André Ventura, líder do Chega, numa eventual segunda volta, Cotrim Figueiredo respondeu com uma pergunta: “Qual é a dúvida desta frase? Não excluo nenhuma hipótese, incluindo André Ventura, incluindo Seguro, incluindo Manuel João Vieira, incluindo não apoiar ninguém”.

Entretanto, numa publicação no Instagram, Cotrim Figueiredo publicou um “esclarecimento importante” e escreve: “Eu disse que votaria André Ventura? Não disse. Fui pouco claro, assumo”.

“O que eu disse é que não me comprometia com o apoio a nenhum candidato na segunda volta. É óbvio que não quero André Ventura como Presidente da República”, frisou.

E diz ainda que vai passar à segunda volta das eleições presidenciais porque a sua “campanha otimista representa a esperança num futuro melhor para a democracia portuguesa”.

Ventura: "Agora é o momento de sermos patriotas"

O candidato presidencial André Ventura afirmou hoje que este é o momento de se ser patriota, recordou que outros países “já foram” e disse que irá conduzir Portugal por esse caminho.

“Agora é o momento de sermos patriotas. Outros países já foram. Agora, é o momento de sermos nós. Portugal chega sempre atrasado às coisas. Mas, agora, chegámos a tempo”, disse André Ventura, que discursava em Mirandela, distrito de Bragança, no final de uma arruada.

Numa referência à onda nacionalista que tem conquistado votos e poder em vários países da Europa, André Ventura vincou que não pretende apenas chegar onde outros estão, mas disse que os irá ultrapassar.

“Vamos ser ainda mais patriotas do que eles. Vamos construir um país ainda mais para os nossos do que eles fizeram”, salientou, considerando que quer que nenhum jovem ou reformado “fique para trás em relação àqueles que chegam” a Portugal.

Apesar de notar que o país sempre recebeu bem “toda a gente”, Ventura voltou a alegar que os imigrantes têm acesso a tudo – casa, subsídios e apoios – e que não há nada para os portugueses.

“Os portugueses primeiro e os portugueses em primeiro lugar. É isso que nós temos de fazer neste país. É isso que nós temos de fazer neste país. E eu vou levar-vos a esse país. E eu vou conduzir-vos a esse país de patriotismo”, sublinhou.

Num discurso de dez minutos, no seu tom habitualmente aguerrido, Ventura prometeu, perante uma plateia com cerca de uma centena de pessoas, que irá conduzir os portugueses a um país “de novidade, de riqueza, de transformação”.

“Eu vou levar-vos a esse futuro que querem”, disse, terminando o discurso a gritar: “Viva Portugal!”.

Gouveia e Melo afirma que Governo foi a eleições e nada disse sobre reformas estruturais

O candidato presidencial Gouveia e Melo afirmou hoje que o Governo, através da AD, foi a eleições e nada disse sobre reformas estruturais e considerou que o “sistema antigo” político revela incapacidade para resolver os problemas.

Estas posições foram assumidas pelo ex-chefe do Estado-Maior da Armada, durante uma conversa para um podcast de um grupo de estudantes da Universidade de Coimbra, gravada no histórico café de Santa Cruz.

Uma conversa que teve como tema central as condições de vida dos estudantes e a perda de talentos jovens portugueses para o exterior, algo que o almirante considerou urgente resolver para travar essa emigração, sobretudo num quadro global de elevada competição pela atração de quadros superiores.

Uma vez mais, Gouveia e Melo criticou o “sistema antigo” político que se revela sem capacidade para fazer a renovação que o país precisa e que, em contrapartida, se refugia na retórica”.

Mas foi mais longe. Considerou que o Governo “foi a eleições e nada disse sobre reformas estruturais, o seu projeto eleitoral disse zero”-. E que a agora se verifica “a coincidência” de algumas que apresenta nestas eleições serem depois repetidas por adversários na corrida a Belém.

“Primeiro, quando confrontados com certos assuntos, começam por responder nim, nem sim, nem não. Depois, repetem aquilo que eu disse”, sustentou.

Perante os jovens, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada também procurou garantir que sempre teve pensamento político. Porém, alegou, não o manifestou devido à sua condição de militar no ativo.

“O meu pensamento é comum desde uma faixa do PS até ao CDS”, declarou.

André Pestana diz que Cotrim "mostrou garras" ao admitir apoiar Ventura

O candidato presidencial André Pestana criticou hoje Cotrim Figueiredo e disse que mostrou as “suas garras” e “deu vários tiros nos pés” ao não excluir apoiar André Ventura numa segunda volta.

“Sei que o Cotrim [Figueiredo] revelou que não exclui sequer apoiar o André Ventura à segunda volta. Acho que é interessante, porque eu tenho encontrado muita juventude que me diz que até acha que é na onda do liberal e André Ventura não. Isso é direita retrógrada, racista. Mas agora, pelos vistos, o Cotrim está a revelar as suas garras”, declarou André Pestana aos jornalistas, em Matosinhos (Porto).

À margem de uma ação de campanha sobre habitação na Cooperativa Tripeira Barranha, na Senhora da Hora, em Matosinhos (distrito do Porto), o candidato presidencial André Pestana considerou que a revelação de hoje do também candidato Cotrim Figueiredo mostra “alguma proximidade muito estranha” a Ventura.

“Eu acho que [Cotrim] deu vários tiros em vários pés. Neste caso, dois [pés], que à partida não tem mais do que dois, mas isso ficou a quem o disse, mas revelou aí uma proximidade muito estranha”, declarou, alertando que André Ventura está sempre a “mudar”.

O candidato André Pestana criticou Cotrim Figueiredo por estar a dar “crédito a Ventura”.

“Ouvir do Cotrim [Figueiredo] que ele [André Ventura] agora mudou e que devemos ver isso como uma referência ou como algo estável, também mais uma vez parece-me que Cotrim está a dar crédito ao André Ventura, que não deve ter crédito nenhum, por mil e uma coisas que ele disse”.

Pestana recordou “a perigosidade de André Ventura”, lembrando que defendeu a "caça ao imigrante num congresso em Madrid da extrema direita, em que disse que ficou orgulhoso da caça a imigrantes que houve em Espanha", andando a fazer caçadas, como de extrema direita, mesmo tipo nazis a procurar as pessoas”.

Questionado pela agência Lusa sobre o sentido de voto numa segunda volta das eleições presidenciais caso não esteja presente, André Pestana explicou que como o programa foi construído para ser um coletivo a definir esse sentido de voto e isso só vai acontecer no fim de semana 24 e 25.

“Não vai ser o André Pestana sozinho a decidir. Vai ser mais uma vez as pessoas que têm ajudado, os ativistas, os dirigentes sindicais, os dirigentes dos movimentos sociais, como me desafiaram para avançar”.

Pestana assegurou que vai convocar esses apoiantes para decidir o sentido de voto.

“O programa foi construído coletivamente, ou seja, eu não conheço outra candidatura presidencial, que são por excelência unipessoais, mas no meu caso eu só gosto de construir as coisas coletivamente, ou seja aquela frase que diz se queres ir rápido, vai sozinho, mas se queres ir longe vai em conjunto. E eu quero ir longe. Quando digo eu, é no sentido de nós. Que é levar o nosso país para uma sociedade diferente e, por isso, as cooperativas habitacionais têm esse espírito de comunidade, de desporto, do teatro, das salas de estudo. Um espírito que se perdeu muito nas últimas décadas por um estímulo à individualização”.

O candidato presidencial Cotrim Figueiredo revelou que numa eventual segunda volta das eleições em que não estivesse, não exclui o apoio a qualquer candidato.

“Não excluo qualquer candidato, mas teria de fazer uma reflexão profunda”.

Questionado sobre se apoiaria o adversário André Ventura na corrida a Belém, o antigo líder da IL reafirmou que, nesta altura, não exclui ninguém.

“O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conheci. Moderou o discurso e parece um político diferente”, considerou.

Lídia Jorge apoia Seguro e aponta equilíbrio, moderação e coragem

A escritora e conselheira de Estado Lídia Jorge anunciou hoje que apoia António José Seguro nas presidenciais, destacando o seu equilíbrio, moderação e coragem, bem como a defesa da democracia, da Constituição e da separação inequívoca dos poderes.

“Compreendo que o momento é delicado, esta eleição tem características muito particulares e está-se a viver um momento também globalmente muito particular e posso dizer que vou votar, tenciono votar em António José Seguro”, disse à agência Lusa, Lídia Jorge.

A escritora explicou que, em eleições presidenciais, o que está em causa são “mais as personalidades do que propriamente as tendências partidárias”, referindo que António José Seguro lhe dá “segurança de equilíbrio”.

“Sobretudo tendo em conta que ele soube ausentar-se durante 10 anos e regressou com coragem, com parcimónia, com equilíbrio e neste momento eu tenho de escolher entre os candidatos que têm essas características, dada a situação em que o país se encontra”, explicou.

Para Lídia Jorge, este “regresso com coragem” à vida política que o candidato apoiado pelo PS fez tem sido em defesa da Constituição e da “democracia tal como até aqui a conhecemos”, destacando “a ausência de agressividade e a moderação” com que tem feito a sua campanha.

Segundo a conselheira de Estado, a decisão deste voto foi tomada recentemente e os debates tiverem um peso importante nesta decisão, apontando que o socialista tem uma personalidade que lhe "parece moderada".

“A defesa que ele faz dos direitos laborais, que me parece que foi inequívoco, também o facto de dizer que a Constituição não pode ser alterada como me parece que querem propor, o facto de falar de valores que devem continuar e que serão sempre modernos -não há outros modernos do que esses – que é a separação inequívoca dos três poderes criados por Montesquieu e que não renegociáveis”, elencou.

Para Lídia Jorge, o candidato foi “tão seguro” na defesa destes temas que resolveu “votar em António José Seguro”.

Nas últimas comemorações do 10 de junho, Lídia Jorge foi presidente da comissão organizadora e, no discurso que fez em Lagos durante a cerimónia, alertou contra a possibilidade de loucos atingirem o poder e contra “a fúria revisionista que assalta pelos extremos”, num discurso em que condenou o racismo, a escravatura e a cultura da mediocridade.

Na sua intervenção, com cerca de 30 minutos, citou Shakespeare, Camões e Cervantes, “três autores que perceberam bem que, em dado momento, é possível que figuras enlouquecidas, emergidas do campo da psicopatologia, assaltem o poder e subvertam todas as regras da boa convivência”.

Cotrim Figueiredo nega ter assediado ex-assessora parlamentar da IL

O candidato presidencial Cotrim Figueiredo garantiu hoje que é “absolutamente e completamente falsa” a denúncia de assédio sexual por parte de uma ex-assessora do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal (IL) e que vai avançar com uma queixa-crime.

“Houve conhecimento dessa denúncia ontem [domingo] e é absolutamente e completamente falso o que essa senhora [ex-assessora da IL] pôs a circular e vai ser, obviamente, objeto de um processo de difamação”, afirmou Cotrim Figueiredo aos jornalistas, depois de confrontado com uma publicação no Instagram de uma ex-assessora parlamentar da IL, através da qual diz ter sido vítima de assédio sexual.

Apesar da insistência, o candidato, apoiado pela IL, repetiu, várias vezes, que a denúncia é “completamente falsa”, motivo pelo qual está de “consciência absolutamente tranquila”.

“É claro da minha parte que é completamente falsa essa alegação. Ficou claro?”, questionou.

E desafiou: “Perguntem a qualquer das dezenas de mulheres que trabalharam comigo ao longo destes anos se têm alguma razão de queixa, incluindo as mulheres que trabalharam comigo na mesma altura dessa senhora”.

António Filipe diz que problema na saúde é "gravíssimo" e não é perceção

O candidato presidencial António Filipe disse hoje que os problemas da saúde são “gravíssimos” e não uma perceção, e defendeu que só se resolvem com vontade política e com reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“O primeiro-ministro terá declarado que não existe nenhum caos na saúde, o que há é uma perceção de caos na saúde. Bom, eu pergunto: se vemos pessoas a morrer por falta de assistência, por atrasos numa ambulância que não chega, isto é uma perceção ou é uma realidade? Essas pessoas terem morrido não é uma perceção”, afirmou António Filipe durante um discurso com apoiantes em Campo Maior, Portalegre.

O primeiro-ministro, Luis Montenegro, defendeu hoje que há uma “perceção de caos” no SNS, mas disse que “isso não é a realidade”.

Na sua intervenção no Alentejo, o candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP e pelo PEV exemplificou ainda com crianças a nascerem nas ambulâncias à procura de uma maternidade que esteja aberta, e com utentes que aguardam várias horas à espera numa urgência para serem atendidas.

“Há, de facto, uma situação gravíssima na saúde e que tem que ser resolvida”, realçou.

António Filipe considerou que os pactos defendidos por outros adversários políticos não são solução.

“Nós já ouvimos falar não sei quantas vezes em pactos para a justiça e, agora, em pactos para a saúde. Mas o que é? É sentar à mesa com os hospitais privados que nós vamos criar um pacto para a saúde, ou é investir, como a Constituição manda, investir no SNS?.

E continuou: “Não precisamos de pactos, não precisamos de estar a negociar com o setor privado da saúde (…). Os problemas da saúde resolvem-se com vontade política de reforçar o SNS”.

Porque o problema, acrescentou, não é da gripe nem da falta de ambulâncias, mas sim “da degradação a que tem vindo a ser submetido o SNS por falta de vontade política dos governos”.

“A situação atual com este Governo é particularmente grave, particularmente crítica, como nós estamos todos a assistir e isso não é uma perceção”.

Neste discurso em Campo Maior, António Filipe voltou a falar do pacote laboral e considerou que a ministra do Trabalho “teve o desplante de, há uns tempos atrás, dizer que a legislação laboral tem uma balança desequilibrada a favor dos trabalhadores”.

“Eu acho que é preciso ter um descaramento enorme para dizer uma coisa destas (…). Costumamos dizer que há mil maneiras de fazer bacalhau, e no Código de Trabalho que já está em vigor, há mil maneiras de garantir a precariedade, de obrigar os trabalhadores à precariedade, desde contratos ao dia, à semana, ao mês, enfim, todo o tipo de precariedade possível e imaginária”, realçou.

Por fim, António Filipe considerou ainda que o “boletim de voto para as eleições presidenciais não é o boletim do Totobola”.

“No boletim do Totobola, olhamos para aquilo e vemos assim quem é que eu acho que vai ganhar? (…) O boletim de voto é para nós escolhermos quem é que nós queremos verdadeiramente como Presidente da República”, frisou.

Para o ex-deputado comunista, “quando o eleitor exprime o seu direito de voto, não está a fazer um palpite, está a fazer uma escolha”.

“Quem é que nós achamos que deve ser Presidente da República diante dos vários candidatos que se apresentam? E para isso é importante saber o que é que cada um defende, o que é que cada um quer”, realçou.

Jorge Pinto diz que há caos no SNS e que "portugueses estão desesperados"

O candidato presidencial Jorge Pinto criticou hoje o primeiro-ministro por desvalorizar os problemas do SNS e argumentou que, ao contrário do que disse Montenegro, há uma situação de caos na saúde em Portugal e os portugueses estão desesperados.

“Nós precisamos de ter uma série de soluções muito claras em cima da mesa para defender, salvar o SNS [Serviço Nacional de Saúde] (...), reconhecendo o próprio problema. Desvalorizá-lo, como tem feito reiteradamente Luís Montenegro, às vezes até quase ironizando em relação aos problemas, não é certamente parte da solução, é isso também parte do problema em si mesmo”, criticou.

Jorge Pinto, que falava aos jornalistas à margem de uma ação de campanha na Comunidade Energética de Telheiras, em Lisboa, reagiu às palavras de hoje de Luís Montenegro, quando defendeu que há uma “perceção de caos” no SNS, que “não é a realidade”, argumentando que os tempos de espera nos hospitais “são os melhores dos últimos cinco anos”.

O candidato a Belém apoiado pelo Livre argumentou que o “caos existe” quando morrem pessoas à espera “mais de três horas” do INEM ou se “anuncia a compra de novas ambulâncias, mais de três anos depois de elas já terem sido anunciadas”, e que, quando se menorizam os problemas na saúde, a mensagem transmitida é a de que se está “confortável” com a atual situação.

Jorge Pinto reiterou que a “função de um Presidente da República é dizer que o SNS vai ser defendido custe o que custar” e defendeu que os “portugueses estão desesperados com o estado a que o SNS está a chegar” e pela forma como o Governo tem gerido essa pasta.

“Os portugueses estão desesperados por não saberem que têm no Governo alguém que vá defender o SNS e, precisamente por isso, é que um Presidente da República deve dizer que o SNS vai ser defendido, custe o que custar, porque é isso que está em causa”, atirou.

Para o candidato, quando se menorizam os problemas na saúde, a mensagem que é transmitida é a de que se está “confortável” com a atual situação.

Depois de hoje de manhã ter dito que o entristece, mas não surpreende, ver João Cotrim Figueiredo a não excluir o apoio a Ventura numa segunda volta, Jorge Pinto voltou ao tema para dizer que ouviu o que foi dito e “realmente é tão grave como temia que fosse”, e apelou ao voto dos eleitores que são “verdadeiros liberais democratas” e não concordam com o que foi dito pelo candidato apoiado pela Iniciativa Liberal (IL).

“Se querem recompensar alguém nesta campanha que tem estado ao lado da defesa do regime, ao lado da defesa da república, ao lado da defesa da democracia liberal, então têm aqui nesta candidatura um voto que será bem mais útil do que no candidato Cotrim Figueiredo”, declarou.

Sobre a visita de hoje à tarde, Jorge Pinto salientou que “não houve um dia em que não falasse da importância das comunidades de energia renovável” e do seu potencial para a transição energética do país e para a resposta a fenómenos extremos como um apagão ou um ataque militar.

Para o candidato, o modelo desta comunidade na freguesia do Lumiar, que já serve cerca de 50 famílias, deve ser replicado em todo o país, faltando, para que isso se concretiza, vontade política das freguesias e das autarquias.

António Filipe diz que não há regionalização devido a acordo entre PS e PSD

O candidato presidencial António Filipe foi ao interior alentejano defender a regionalização e lembrar que o processo não foi concretizado devido a um acordo entre PS e PSD, numa altura em que Marques Mendes era líder parlamentar dos sociais-democratas.

Quase na zona da raia, em Campo Maior, distrito de Portalegre, António Filipe falou sobre assimetrias, despovoamento, falta de serviços públicos essenciais e o envelhecimento da população.

“Isto convoca-nos para a discussão do problema da regionalização do país. Isto é incontornável e é bom que nos entendamos (...). Este capítulo da Constituição previu três níveis de poder local e nós temos as freguesias, nós temos os municípios e nunca tivemos, não temos, as regiões administrativas”, referiu, durante um almoço com apoiantes.

Explicou, porém, que o Presidente da República não tem o poder de tomar a iniciativa de convocar o referendo à regionalização.

“Esta exigência, eu digo, absurda, de ser preciso fazer um referendo para que a Constituição seja cumprida na parte relativa à regionalização, existe porque foi um acordo que foi feito na revisão constitucional de 1997 entre o PS, o PSD e o CDS (…). A inexistência de regionalização resulta de um acordo formal feito entre o PS e o PSD para armadilhar, ou seja, para impedir, sejamos claros, para impedir a criação das regiões administrativas”, afirmou.

Para lembrar que, nessa altura, era líder do PSD o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e que quem era líder parlamentar do PSD era Luís Marques Mendes, que “curiosamente é o candidato do PSD à Presidência da República”.

“Responsabilidades diretas pelo facto de não existirem em Portugal as leis administrativas. E estamos aqui na única região do país, o Alentejo, onde o referendo ganhou. Ou seja, por vontade do povo alentejano, teriam sido criadas as regiões administrativas e hoje teríamos aqui uma região administrativa e o desenvolvimento das regiões, o desenvolvimento regional do país não estava dependente de acordos interpartidários, como acontece agora com o acordo, mais uma vez, do PS e PSD para repartir entre si os cargos das CCDR e continuar a adiar a regionalização”.

O candidato apoiado pelo PCP e PEV defendeu que seria "importante que se criasse um consenso nacional no sentido de permitir criar as regiões administrativas”.

“Mas o que temos visto é que quem fez este acordo para que não houvesse regiões administrativas, por muito que diga em momentos eleitorais que até é favorável à criação de regiões administrativas, mas o que é facto é que aqueles que a impediram têm muito pouca vontade de que a regionalização avance”, salientou.

E concluiu que, por si, “esse capítulo da Constituição devia ser cumprido”, sublinhando que seria “muito importante para a descentralização do país” e que, enquanto isso não acontecer, de facto, o desenvolvimento do interior do país vai continuar, infelizmente, a estar comprometido”.

Antes, António Filipe falou sobre o “’comentariado’ nacional” que considera que desvaloriza a sua candidatura.

“Nós vemos que o ‘comentariado’ nacional está muito interessado em saber em cada dia quem é que vai em primeiro, quem é que vai em quinto, quem é que vai em terceiro (…) e andamos nisto na base de um palpite sobre o posicionamento relativo dos vários candidatos".

Para questionar se “alguma candidatura teve alguma iniciativa com a dimensão e com a mobilização que tiveram os dois comícios” realizados no Porto e em Lisboa.

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“Eu ainda não vi. E, portanto, a quem procura desvalorizar a importância desta candidatura, eu aconselho a que vejam as imagens que existem (…), a capacidade de mobilização, o que significa que há uma grande adesão a esta candidatura e que dá uma grande confiança para enfrentar esta última semana de campanha que agora se inicia”, sublinhou.

Lusa

Cotrim insiste que vai à segunda volta e que se não for pode apoiar qualquer candidato

O candidato presidencial Cotrim Figueiredo insistiu hoje que o seu “cenário base” é ir à segunda volta e caso não aconteça, algo de que duvida, não exclui apoiar nenhum candidato, incluindo André Ventura, ou mesmo não apoiar ninguém.

Depois de no Mercado Municipal do Fundão ter dito que não excluía apoiar nenhum candidato numa eventual segunda volta onde não estivesse, algo que considerou muito pouco provável, as críticas por parte dos adversários na corrida a Belém não tardaram, nomeadamente de Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS-PP, que considerou que Cotrim Figueiredo com aquela afirmação está a reconhecer que não vai à segunda volta.

“Marques Mendes veio dizer que isto é a assunção de que eu não vou à segunda volta, vocês não ouviram nada disso, pois não”, disse o também eurodeputado aos jornalistas, no final de uma visita à empresa Dinefer em Castelo Branco.

E acrescentou: “Meus queridos adversários, mantenham a calma, não tentem interpretar as palavras que eu não disse como a assunção de alguma coisa que não seja”.

Instado, por diversas vezes, a dizer claramente se apoiaria André Ventura, líder do Chega, numa eventual segunda volta, Cotrim Figueiredo respondeu com uma pergunta: “Qual é a dúvida desta frase? Não excluo nenhuma hipótese, incluindo André Ventura, incluindo Seguro, incluindo Manuel João Vieira, incluindo não apoiar ninguém”.

E persistiu: “Portanto, não excluo nada, incluindo não excluo não apoiar ninguém”.

Questionado sobre esta mudança de opinião, depois de ter admitido que não votaria André Ventura, Cotrim Figueiredo salientou que estas últimas três semanas tiveram dinâmicas de campanha diferentes daquelas que eram perspetivadas.

E, sobre o significado dessa sua afirmação, Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, disse: “Significa que vou ter que ponderar muito bem qual é a melhor forma de me posicionar para uma segunda volta, onde eu creio que vou estar”.

O antigo líder da IL perseverou que o seu “cenário base” é “obviamente ir à segunda volta”.

“Sem querer embandeirar em arco, se alguém pode dizer que está em crescendo e que vai à segunda volta sou eu”, continuou.

Nesta altura, entendeu, o cenário mais provável é o de estar na segunda volta, algo que tem repetido desde o arranque da campanha.

Lusa

Gouveia e Melo faz 'rafting' e diz que não se surpreende com eventual apoio de Cotrim a Ventura na 2.ª volta

O candidato presidencial Gouveia e Melo disse hoje não estar surpreendido com um eventual apoio de João Cotrim Figueiredo a André Ventura, na segunda volta, e afirmou que já nada o surpreende, pois já viu acontecer todo o tipo de estratégias.

“Já não fico surpreendido com nada [..]. Já vi desde umas eleições que deveriam ser presidenciais transformarem-se em umas eleições, quase, umas segundas legislativas, e já vi todo o tipo de táticas e estratégias. Portanto, já nada me surpreende”, afirmou aos jornalistas em Arouca, no distrito de Aveiro, à chegada de uma descida de ‘rafting’ pelo Rio Paiva que durou pouco mais de uma hora.

Questionado, ainda, sobre se já decidira sobre o que fazer na segunda volta, Gouveia e Melo respondeu que nem coloca a hipótese de votar noutro candidato na segunda volta, porque espera ser um dos candidatos.

“Portanto, isso para mim é um cenário que não se põe na minha cabeça neste momento”, sublinhou.

O candidato presidencial Cotrim Figueiredo insistiu hoje que o seu “cenário base” é ir à segunda volta e, caso não aconteça, algo de que duvida, não exclui apoiar nenhum candidato, incluindo André Ventura, ou mesmo não apoiar ninguém.

DN/Lusa

Nova lista de apoiantes de Cotrim de Figueiredo ligados ao PSD e ao CDS

O economista e professor universitário António Nogueira Leite, que foi presidente da Assembleia Municipal de Aveiro entre 2013 e 2017, então eleito por uma coligação PSD-CDS, é um dos novos apoiantes de João Cotrim de Figueiredo com ligações aos partidos da AD divulgados nesta segunda-feira pela candidatura presidencial do antigo líder e atual eurodeputado da Iniciativa Liberal.

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Nogueira Leite em nova lista de apoiantes de Cotrim de Figueiredo ligados ao PSD e ao CDS

Ventura vê “com naturalidade” eventual apoio de Cotrim, mas acusa-o de ser um bloquista “bem vestido”

O candidato presidencial André Ventura disse hoje ver “com naturalidade” um eventual apoio de Cotrim de Figueiredo numa segunda volta contra Seguro, mas criticou o liberal, classificando-o como um bloquista “de fato e gravata”.

“Vejo a declaração do João Cotrim de Figueiredo com naturalidade, de que, como é provável, eu esteja na segunda volta e o [outro] candidato seja o António José Seguro, que esses apoios possam manifestar-se e que isso possa acontecer. Eu também procurarei evitar ao máximo que haja um Presidente socialista”, afirmou o também presidente do Chega.

Ventura falava aos jornalistas durante uma visita à Adega de Vila Real, depois de o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal ter afirmado hoje de manhã, em Castelo Branco, que não exclui apoiar nenhum candidato numa segunda volta na qual não esteja, incluindo o líder do Chega.

TIAGO PETINGA/LUSA

Interrogado sobre se também apoiaria Cotrim caso o opositor do liberal numa segunda volta fosse Seguro, Ventura respondeu que não está a colocar esse cenário em cima da mesa, afirmando que “todas as sondagens” o colocam numa segunda volta.

“Se isso não acontecer, falaremos novamente e já sabem qual é o meu princípio: evitar ao máximo que haja um presidente socialista”, acrescentou.

Apesar de ver “com naturalidade” um eventual apoio de Cotrim, Ventura não poupou críticas ao adversário liberal.

Na verdade, o João Cotrim de Figueiredo não se distingue muito dos outros candidatos em relação ao PS e ao PSD. Portanto, na verdade, em termos de modelo é mais ou menos a mesma coisa, é uma espécie de Bloco de Esquerda, mas bem vestido”, criticou.

Lusa

Carneiro diz que votar em Seguro também significa “equilibrar os pratos da balança”

O secretário-geral socialista disse hoje que votar em António José Seguro também significa “equilibrar os pratos da balança” num sistema "desequilibrado para a direita” e defendeu que este é o candidato que garante a defesa da Constituição.

“A direita tem maioria nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, tem maioria nas autarquias, tem maioria na Assembleia da República, tem maioria no Governo e, portanto, é fundamental equilibrar os pratos da balança e quem pode ser o fiel da balança é o António José Seguro”, disse José Luís Carneiro.

O líder do PS, que falava aos jornalistas em Fafe (distrito de Braga) depois de ter estado à conversa com dezenas de alunos de uma escola profissional local sobre literacia financeira, disse que “António José Seguro tem qualidades humanas, qualidades cívicas, qualidades políticas que são anteriores e estão para além do PS”, mostrando-se esperançoso de que o país reconheça nele “o bom senso, o equilíbrio, a ponderação que é fundamental nesta fase em que o país está a viver”.

“Tem a capacidade para responder a uma questão central porque o sistema político está hoje desequilibrado para a direita”, disse Carneiro.

Num apelo para que se mobilizem para as eleições presidenciais de domingo, o secretário-geral do PS disse que esta não é uma eleição qualquer, sendo “talvez das eleições mais importantes desde as primeiras eleições democráticas” por causa da Constituição.

“Há um [candidato] que quer destruir a Constituição. Há outro que fala mal dos partidos, mas todos os dias está à procura de apoios nos partidos e até nalguns que romperam com os partidos por más razões. Há outro ainda que diz que dá instruções ao Governo, ou seja, dá respaldo político ao Governo, desde que o Governo cumpra a sua vontade e, portanto, com isto está a ir contra o princípio da separação de poderes”, descreveu, sendo objetivo na conclusão de que só Seguro “garante a defesa da Constituição”.

“Há um candidato que garante a defesa da Constituição, a salvaguarda dos valores constitucionais. Quem quer um Estado em que a economia cresce, cria riqueza, cria emprego, mas simultaneamente um Estado que também é justo do ponto de vista social, com escola pública, com saúde pública, com proteção na doença, com proteção na invalidez, com proteção na velhice, quem quer esse Estado, só tem um candidato em condições de ir à segunda volta. Esse candidato que está em condições de ir à segunda volta e que salvaguarda esses valores é o António José Seguro”, concluiu.

Lusa

António Filipe: "Entre mim e António José Seguro, o candidato de esquerda sou eu"

O candidato à Presidência da República António Filipe afirmou hoje que a segunda volta das eleições presidenciais só existe depois de contados os votos da primeira volta que se realiza no domingo.

A menos de uma semana das eleições, António Filipe foi instado a comentar a possibilidade de uma segunda volta depois de outros adversários já o terem feito.

“Não, ainda não, isso é só depois da primeira, portanto, segunda volta só existe depois da primeira, depois de contados os votos da primeira”, respondeu aos jornalistas em Elvas, Portalegre, onde começou o dia de campanha a visitar a Estação Nacional de Melhoramento de Plantas.

Hoje, o candidato presidencial Cotrim Figueiredo revelou que, numa eventual segunda volta das eleições em que não esteja, não exclui o apoio a qualquer candidato, mesmo após ser questionado sobre se apoiaria André Ventura.

António Filipe em Elvas
António Filipe em ElvasNUNO VEIGA/LUSA

Pode haver candidatos a discutir tudo. Mas eu só falo da segunda volta depois da primeira. Essa é a minha questão de princípio”, reforçou António Filipe.

“Eu já considerei que, de António José Seguro para a direita, os candidatos fazem parte daquilo que eu chamo de consenso neoliberal, que são os que se identificam com as políticas que têm vindo a ser seguidas e colocaram o país numa situação difícil em que está”, referiu António Filipe.

E, portanto, salientou que a sua candidatura é “aquela que se assume como uma candidatura de esquerda, sem mas, nem meio mas”.

“E é esse o sentido da minha campanha, procurar centrá-la naquilo que são as preocupações reais dos portugueses, que são as dificuldades que sentem, o trabalho, o acesso à habitação, o acesso à saúde. Isso para mim é que é a questão fundamental e não o diz que disse entre os vários candidatos”, frisou.

Mais uma vez questionado sobre se António José Seguro não é um candidato de esquerda, respondeu que não e justificou que o próprio se afirma como “sendo do centro-esquerda”.

“E eu acho que a convergência à esquerda deve ser feita num candidato de esquerda. É isso que eu tenho transmitido e vou continuar a transmitir (…). Entre mim e António José Seguro, o candidato de esquerda sou eu”, afirmou.

Lusa

Mendes está "preparado para mais quatro semanas" e aponta a Cotrim: "Está a reconhecer que um voto nele é inútil"

O candidato presidencial Luís Marques Mendes disse esta segunda-feira estar preparado para mais quatro semanas de campanha e acusou Cotrim Figueiredo de ter admitido a inutilidade de votar em si.

No final de uma visita à feira de Paredes, no distrito do Porto, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP foi questionado sobre as declarações do candidato apoiado pela IL que revelou hoje que, numa eventual segunda volta das eleições em que não esteja, não exclui o apoio a qualquer candidato, incluindo André Ventura.

“Cotrim Figueiredo, ao dizer o que disse, está no fundo a reconhecer que não vai à segunda volta. Está a reconhecer aquilo que muita gente diz, que um voto na candidatura da Iniciativa Liberal é um voto inútil, inútil, porque não vai passar à segunda volta, porque não vai ganhar”, afirmou.

Pelo contrário, defendeu, Marques Mendes diz já ter a segunda volta programada na sua cabeça.

“Houve uma pessoa que me abordou dizendo que só falta uma semana: eu disse, não, não, faltam quatro semanas, portanto, a minha perspetiva é a do dia 8 de fevereiro”, disse.

O candidato disse já ter previsto fazer um debate com aquele que venha a ser o seu adversário e que terá de pensar quais as zonas do país a visitar nessa segunda fase, que acontecerá caso nenhum dos candidatos obtenha mais de 50% dos votos expressos a 18 de janeiro.

“É por isso que até adapto os meus descansos a pensar nisso. Porque não faltam cinco dias, faltam, provavelmente, quatro semanas”, disse.

Luís Marques Mendes em Paredes
Luís Marques Mendes em ParedesMIGUEL A. LOPES/LUSA

Sobre as presenças na sua campanha nesta primeira volta, em resposta a perguntas dos jornalistas, disse não estar “nada previsto” quanto a uma participação do antigo Presidente Cavaco Silva, que já lhe declarou apoio.

sobre a possibilidade de Ana Paula Martins ser mais uma das figuras do Governo na sua candidatura, limitou-se a dizer que “a campanha está organizada desde o início e não vai sofrer nenhuma alteração”, sem esclarecer se a presença da ministra da Saúde faz ou não parte desse plano.

Questionado se foi a pressão da rua que o fez mudar de estratégia e dirigir-se diretamente à ministra, Mendes recusou que tenha havido qualquer alteração no seu discurso, depois de ter deixado no domingo “o conselho presidencial” a Ana Paula Martins para aparecer a dar explicações.

“Já tinha dito há vários dias que alguém tinha que se pronunciar sobre aquele facto lamentável de duas ou três mortes que ocorreram na semana passada. Até falei do diretor ou do presidente da direção executiva”, referiu.

O candidato, que contou hoje novamente com o apoio do secretário-geral e líder parlamentar do PSD, Hugo Soares – que até falou com Mendes alguns minutos antes das declarações aos jornalistas – foi questionado se hoje, em Paredes, sentiu a máquina do PSD “mais forte” no apoio à sua candidatura.

“Hoje senti a máquina muito forte, mas também senti nos dias anteriores”, disse.

Marques Mendes desvalorizou que nem todos os militantes ou notáveis do PSD o apoiem, lembrando que tal aconteceu noutras eleições presidenciais.

“Cavaco Silva era primeiro-ministro todo poderoso em 1986 e houve pessoas do PSD que não seguiram a sua orientação. Mas é sempre assim em eleições presenciais”, exemplificou, contrapondo que também tem apoios de outras áreas políticas.

Lusa

António Filipe preocupado com acordo do Mercosul em dia dedicado à agricultura

O candidato presidencial António Filipe mostrou-se esta segunda-feira muito preocupado com o tratado com o Mercosul e chamou a atenção para a agricultura, a investigação e o retrocesso com a extinção ou fusão de instituições públicas.

“Com muita preocupação e daí os protestos dos agricultores em vários países europeus ser muito significativo”, afirmou o candidato presidencial apoiado pelo PCP e PEV sobre o tratado da União Europeia com o Mercosul.

António Filipe, que falava em Elvas, distrito de Portalegre, à margem e uma visita à Estação Nacional de Melhoramento de Plantas, afirmou ainda que o “acordo com o Mercosul globalmente para Portugal não é favorável”.

“Para a agricultura portuguesa há uma grande preocupação com isso, como acontece geralmente com os agricultores espanhóis, franceses e italianos, que têm vindo a manifestar, creio que isso também nos afeta a nós”, referiu.

Isto porque, justificou, “criam-se condições para que o agronegócio de países da América Latina chegue em melhores condições à Europa, o que vai dificultar muito a capacidade de resposta por parte da agricultura nacional, por exemplo, setores que são muito importantes para Portugal, como por exemplo o setor do vinho, vai ter mais dificuldades com este acordo”, justificou.

Acrescentando que, para países industrializados, como a Alemanha, “o acordo será favorável, porque tem melhores condições de exportação daquilo que fabricam para países da América Latina”.

A União Europeia deu luz verde na sexta-feira ao avanço deste importante acordo comercial com o bloco sul-americano, apesar da oposição de vários países, nomeadamente França, Hungria, Polónia, Irlanda e Áustria.

Seguro contente com apoio de Pedro Nuno diz que não exclui ninguém

O candidato presidencial António José Seguro mostrou-se contente com o apoio do ex-líder do PS Pedro Nuno Santos, sublinhando que se junta a outros que vêm da direita ou do centro e que todos são bem recebidos.

“Claro que eu fico contente com esse apoio e tem-se somado a vários apoios que tem existido em todo o país”, respondeu aos jornalistas, durante uma ação de campanha em Barcelos, questionado sobre o apoio manifestado por Pedro Nuno Santos, numa publicação nas redes sociais.

“Isso é uma análise que os senhores farão. Todos os apoios da minha candidatura são bem recebidos, eu não excluo ninguém, eu sou candidato que inclui”, respondeu quando questionado se este apoio somava votos ou podia afastar eleitores.

Questionado sobre quando é que Pedro Nuno Santos se juntaria à sua campanha, Seguro atirou: “eu é que sou o candidato”.

António José Seguro em Barcelos
António José Seguro em BarcelosJOSÉ COELHO/LUSA

Perante a insistência dos jornalistas, o candidato desviou o tema, tentou brincar, perguntando se os jornalistas queriam saber “os segredos” sobre os seus convites.

“E agora quero tirar uma foto com o galo de Barcelos”, disse, tentando pôr fim à conversa.

Sobre se considera que a questão do apoio da esquerda à sua candidatura tem ficado resolvida ao longo da campanha, Seguro defendeu que “só estará resolvida com o voto no dia 18” e aproveitou para voltar a um apelo à concentração de voto que tem feito ao longo destes dias.

“É preciso essa lucidez de perceber que tem que haver um voto no Seguro nesta primeira volta para garantir que eu estarei na segunda volta para que haja um candidato de centro-esquerda, moderado”, disse, referindo que ouviu essa promessa de votos naquele contacto com a população no centro de Barcelos.

Seguro insistiu que é um “candidato da moderação”.

 Lusa

Catarina Martins diz que votará “sempre contra a indecência” numa eventual segunda volta

A candidata presidencial Catarina Martins voltou esta segunda-feira a apelar ao voto por convicção no dia 18 de janeiro, afirmando que “está tudo em aberto” para uma eventual segunda volta, na qual assegura que votará “sempre contra a indecência”.

Ao longo da campanha, a candidata apoiada pelo BE tem evitado teorizar sobre os resultados da primeira volta das eleições presidenciais, no domingo, e sobre uma eventual segunda que, a realizar-se, está marcada para 8 de fevereiro.

Martins voltou a afirmar que “está tudo em aberto”, mas antecipou que no caso de não ser um dos dois nomes a votos nessa segunda volta, há opões que exclui à partida, ao contrário de João Cotrim Figueiredo, que disse hoje não afastar o apoio a qualquer candidato.

“A política precisa de decência. Eu votarei sempre contra a indecência e a selvajaria”, referindo-se, implicitamente, a André Ventura, em declarações aos jornalistas no final de uma visita ao projeto Seixal Criativo, apoiado pela Câmara Municipal do Seixal.

Catarina Martins no Seixal
Catarina Martins no SeixalRUI MINDERICO/LUSA

Questionada sobre a posição de Cotrim Figueiredo, que considerou que o líder do Chega, nos últimos dias, moderou o discurso e parece um político diferente, Catarina Martins sublinhou que “as pessoas são os seus percursos”.

“Há quem tenha semeado o ódio, a divisão e os problemas no país. E há quem tenha estado sempre do lado de quem trabalha, de quem constrói Portugal e que não desista de uma economia mais qualificada e de uma democracia mais forte”, comparou.

A propósito da concorrência na corrida a Belém, Catarina Martins foi também questionada sobre o apoio de Pedro Nuno Santos à candidatura presidencial de António José Seguro, que o ex-líder do PS considerou ter-se conseguido impor e “convencer até os mais céticos”.

“António José Seguro tem apoios vários no PS, mas também tem apoio de Pedro Santana Lopes, ex-primeiro-ministro do PSD, que Jorge Sampaio teve de demitir”, disse, recordando o encontro entre Seguro e Santana Lopes na sexta-feira.

Sobre o candidato socialista, Catarina Martins considerou que é alguém que não se compromete com nada.

“Há quem não se comprometa com um projeto nem para a saúde, nem para o trabalho, nem para a educação, nem para a economia, porque acha que não se comprometer com nada é a melhor forma de sobreviver quando a direita está envolvida na lama”, afirmou, insistindo que “a política tem de ser convicções”.

Convicção tem sido, precisamente, o mote dos apelos ao voto de Catarina Martins, que diz representar o projeto da convicção “de que vivemos num país em que é preciso salários e pensões dignas, acesso à saúde, acesso à habitação e uma economia que faça as gerações mais jovens sonhar com o futuro em Portugal em vez de sonhar e ir embora”.

Rejeitando estabelecer metas concretas quanto aos resultados eleitorais, a candidata disse que, acima de tudo, quer o maior número de votos possível “com a convicção de quem vai votar e que sabe que eu nunca me escondi nas lutas mais importantes deste país”.

 Lusa

Jorge Pinto diz-se triste mas não surpreendido por Cotrim não excluir apoio a Ventura

O candidato presidencial Jorge Pinto disse que o entristece, mas não surpreende, ver João Cotrim Figueiredo a não excluir o apoio a Ventura numa segunda volta, acusando o liberal de abdicar dos seus princípios por calculismo.

“Se há alguém que tem falado contra a nossa democracia é André Ventura. Que João Cotrim Figueiredo esteja confortável com isso e que assuma que poderia votar nele, a mim entristece-me, mas na verdade não me surpreende, porque os pontos de contacto entre João Cotrim Figueiredo e a Iniciativa Liberal e o Chega e André Ventura, são vários”, afirmou.

O candidato a Belém apoiado pelo Livre, que disse não ter visto, em concreto, o que foi dito pelo candidato apoiado pela IL, defendeu que a sua posição demonstra o conforto de Cotrim com os ataque que André Ventura pretende pôr em marcha contra a Constituição.

Jorge Pinto em Lisboa
Jorge Pinto em LisboaANDRÉ KOSTERS/LUSA

Jorge Pinto reiterou ainda que apoiará qualquer nome que concorrer contra o líder do Chega numa eventual segunda volta, inclusive Cotrim Figueiredo, considerando que o liberal se mantém no “arco republicano”, mas acusou o candidato de calculismo político para chegar à segunda volta.

“Esta tentativa de João Cotrim Figueiredo e de outros candidatos de querer agradar a gregos e a troianos, de querer alargar o seu leque de eleitorado clássico para tentar passar à segunda volta, é perigoso. É perigoso porque quando nós abdicamos dos nossos princípios, quando nós abdicamos de ser aquilo que somos e aquilo que pensamos por um mero calculismo político, então estamos dispostos a tudo por mera vontade de poder”, criticou.

Cotrim nega ter assediado ex-assessora parlamentar da IL. Gouveia e Melo diz que Seguro “nem controlou o PS”
Jorge Pinto: "Vou organizar uma Assembleia Cidadã para discutir a regionalização com os portugueses"

Para Jorge Pinto, essa é uma postura “perigosa no momento em que o país atravessa” em que é necessária uma “consciência política firme e corajosa e não uma ideologia pudim flan” a “tremer para um lado e para o outro” para agradar a todos.

“Eu quero agradar àqueles que querem um país onde todos cabem. Quero agradar àqueles que querem defender a nossa democracia, porque eu sou por uma democracia que se defende. E isso implica tomar decisões corajosas e implica ser firme, desde logo, na defesa da própria Constituição e do nosso regime”, acrescentou.

Lusa

Cotrim Figueiredo não exclui apoio a nenhum candidato numa eventual segunda volta

O candidato presidencial Cotrim Figueiredo revelou que, numa eventual segunda volta das eleições em que não esteja, não exclui o apoio a qualquer candidato.

“Não excluo qualquer candidato, mas teria de fazer uma reflexão profunda”, admitiu o também eurodeputado, no final de uma visita ao Mercado Municipal do Fundão onde teve, a seu lado, o vice-presidente da Assembleia da República Rodrigo Saraiva, a ex-deputada do PSD Liliana Reis e o vereador na Câmara Municipal da Covilhã, que concorreu como independente eleito pelo CDS-PP, Eduardo Cavaco.

Questionado sobre se apoiaria o adversário André Ventura na corrida a Belém, o antigo líder da IL reafirmou que, nesta altura, não exclui ninguém.

“O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conheci. Moderou o discurso e parece um político diferente”, considerou.

João Cotrim de Figueiredo em Castelo Branco
João Cotrim de Figueiredo em Castelo BrancoMIGUEL PEREIRA DA SILVA/LUSA

Apesar da insistência dos jornalistas, Cotrim Figueiredo referiu que, com a “dinâmica que está”, o único cenário de que lhe interessa falar é aquele onde está na segunda volta das eleições presidenciais.

E num eventual cenário em que passe à segunda volta com André Ventura, líder do Chega, questionado sobre se gostaria de ter o apoio dos restantes candidatos da direita, Cotrim Figueiredo foi perentório em dizer que “acha que não precisa”. “Eu não acho que precise, não acho que precise”, insistiu.

Para o candidato, apoiado pela Iniciativa Liberal, os votos não são dos candidatos, mas sim das pessoas.

“As pessoas terão de fazer essa escolha. Estão lá dois candidatos, escolham. Eu não preciso do `endorsement´ [apoio] de ninguém, lamento”, vincou.

E, nesse sentido, entendeu, também não precisará de dar apoio a ninguém porque não é dono dos votos que lhe confiarem.

Lusa

Gouveia e Melo afirma que tem boa relação com Montenegro mas promete exigência

O candidato presidencial Gouveia e Melo afirmou esta segunda-feira que tem boa relação com o primeiro-ministro e que acredita que fará “boa equipa” com ele, com uma atitude exigente face à governação e desde que haja lealdade institucional.

“Das vezes que falei com o senhor primeiro-ministro tive sempre uma boa relação com ele. Portanto, não tenho nenhum problema”, declarou o ex-chefe do Estado-Maior da Armada aos jornalistas no final de uma ação de campanha na Feira de Espinho, cidade de onde é natural Luís Montenegro.

Logo a seguir, porém, Henrique Gouveia e Melo salientou que uma boa relação institucional entre Presidente da República e primeiro-ministro “não significa uma falta de exigência”.

“Um Presidente da República que exige uma boa governação ajuda à própria governação. Muitas vezes, quando temos de passar uma barreira, superamo-nos. E a Presidência [da República] é essa barreira”, justificou.

Henrique Gouveia e Melo em Espinho
Henrique Gouveia e Melo em EspinhoJOSE SENA GOULÃO/LUSA

Nas declarações que fez aos jornalistas, o candidato presidencial manifestou-se mesmo confiante de que “fará uma boa equipa” com o primeiro-ministro, “desde que haja lealdade institucional”.

“Claro que faremos uma boa equipa. Farei uma boa equipa com qualquer primeiro-ministro, porque toda a minha vida trabalhei em equipa. Ninguém consegue ir com um navio de um lado para o outro sem ser em equipa”, argumentou o almirante.

Neste ponto, porém, fez uma nova ressalva sobre o estilo de relações institucionais que advoga entre Presidente da República e primeiro-ministro.

“Só preciso que a pessoa que trabalhe comigo tenha lealdade institucional e tenhamos todos vontade de fazer progredir o país. Se tivermos essa vontade de fazer progredir o país, podem ter certeza que vou trabalhar em equipa. Não vou estar a contrariar”, declarou.

Gouveia e Melo reforçou depois que, nas relações institucionais, é preciso exigência.

“Agora, vou exigir, porque é para isso que a Presidência da República também existe. A Presidência tem de exigir o bom funcionamento das instituições democráticas”, frisou, antes de deixar um conjunto de questões:

“O que é o bom funcionamento das instituições democráticas? É só o formalismo das instituições? Ou é a resposta que a democracia deve dar à população?”, perguntou.

Lusa

Pedro Nuno Santos declara apoio a Seguro

O ex-líder do PS Pedro Nuno Santos apoiou esta segunda-feira, 12 de janeiro, a candidatura presidencial de António José Seguro, considerando que se conseguiu impor e “convencer até os mais céticos” e que se destaca em relação aos adversários pela experiência e independência.

“António José Seguro tem a experiência política que Henrique Gouveia e Melo não tem; a independência face ao Governo que Marques Mendes não tem; o compromisso com a defesa da Constituição que André Ventura e Cotrim Figueiredo nunca terão e a possibilidade de vencer que António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto não têm”, escreve Pedro Nuno Santos numa publicação nas redes sociais.

O ex-líder do PS recorda que sempre defendeu que o PS devia apoiar um candidato nesta corrida em Belém, e saudou essa decisão do seu partido, considerando que não o fazer no passado “só beneficiou os candidatos da direita.

“Fico ainda mais contente por esse apoio ser dirigido a António José Seguro”, enfatizou.

Para Pedro Nuno Santos, num momento de “avanços contra o estado social e os direitos laborais” é preciso “um Presidente que não esteja zangado com a Constituição que temos”.

“Precisamos de alguém que a defenda e a que proteja. Alguém que vindo da esquerda social-democrata defenda um país onde todos se sintam respeitados, com justiça social e igualdade de oportunidades”, elogiou.

Realçando que António José Seguro é "sério, honesto e integro", Pedro Nuno Santos repara que este tem hoje "o apoio de pessoas que nunca estiveram consigo, de pessoas que nunca acreditaram na sua candidatura e de pessoas que, já depois do anúncio da sua candidatura, vieram defender que o PS não apoiasse ninguém". Segundo escreve o antigo líder do PS, "António José Seguro conseguiu impor-se e conseguiu convencer até os mais cépticos".

Cotrim nega ter assediado ex-assessora parlamentar da IL. Gouveia e Melo diz que Seguro “nem controlou o PS”
Presidenciais. Contra o “consenso neoliberal”, António Filipe garante não ter tido “um refluxo”
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