Carlos Moedas mantém Joana Baptista no cargo de vereadora em Lisboa, apesar de a integrante da lista do presidente da capital ser uma de 23 arguidos de gastos de 150 mil euros em refeições pagas pelo município de Oeiras.O Ministério Público acusou Isaltino Morais, presidente em Oeiras, numa investigação que já se sabia estar a acontecer ainda antes das eleições autárquicas de 2025, uma vez que foi confrontado em sede de câmara pela oposição.Ao DN, em nota de imprensa, a Câmara Municipal de Lisboa dá nota de que a "vereadora Joana Baptista continuará a integrar o atual executivo da Câmara Municipal de Lisboa", realçando, porém, que "até à data em nenhum momento foram prestados quaisquer esclarecimentos por parte da vereadora Joana Baptista sobre as situações mencionadas."Nesse sentido, "a Câmara Municipal de Lisboa continuará a acompanhar a situação e aguardará pelo desenrolar do referido processo", ficando implícito que se esperam informações, mas também justificações por parte da atual vereadora em Lisboa, que, como o Ministério Público adiantou fez parte do Executivo de Isaltino nas datas de apuramento dos factos, de 2017 a 2025, totalizando-se mais de 1.400 refeições pagas indevidamente com dinheiro da autarquia.Joana Baptista é, atualmente, um dos trunfos fortes do Executivo e em campanha eleitoral foi a vereadora mais badalada por Carlos Moedas dado o desempenho em Oeiras. Em Lisboa, foi aquisição para a coordenação Territorial, Espaços Verdes, Planeamento do Espaço Público e Higiene Urbana, esta última área que ouviu grandes reivindicações da oposição durante a campanha.Em 2021, antes de ser eleito presidente da Câmara, Moedas afirmou ao jornal Público: "Nunca terei a trabalhar em linha direta comigo um vereador que esteja sob suspeita de qualquer tipo de caso." Em 2024, o vereador da Cultura, Diogo Moura, suspendeu o mandato a pedido do presidente após ser acusado pelo Ministério Público de crimes de fraude. Voltou a integrar as listas de Moedas para o segundo mandato.Em caso de condenação neste caso, o procurador do Ministério Público entende que deve haver perda de mandato de Isaltino Morais e dos autarcas visados, pedindo também a Morais que devolva 70 mil euros, individualmente, e mais 79 mil euros, solidariamente, em conjunto com os restantes arguidos. No despacho está ainda a menção de que Isaltino Morais autorizou esta prática aos vereadores e arguidos Francisco Rocha Gonçalves (vice-presidente), Joana Baptista (vereadora da Câmara de Lisboa), Pedro Patacho, Armando Soares, Nuno Neto, Teresa Bacelar, Carla Rocha, Susana Duarte e Ana Laborinho da Fonseca.A notícia surge um dia depois de Carlos Moedas informar que Alberto Laplaine Guimarães, da Secretaria-Geral, seria destituído de funções, após o juiz de instrução declarar a "suspensão imediata do exercício das funções públicas que vinha exercendo", no caso sendo um dos quatro arguidos na Operação Lúmen. .Isaltino Morais e mais 22 arguidos acusados de gastarem 150 mil euros do município em refeições.PS acusa Moedas de ter líder da secretaria-geral de forma ilegal.Moedas distribui por CDS-PP e Iniciativa Liberal nove cabeças de lista às freguesias