José Luís Carneiro não tem, à partida, total sucesso na missão que pediu aos militantes do Partido Socialista, uma vez que, nas eleições para as federações e concelhias marcadas para 19 e 20 junho, existirão rivalidades internas. Assim, ao que o DN pôde saber, existirá concorrência de listas em Bragança, Vila Real e Viseu. Apesar da vitória de Isabel Ferreira, antiga secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, na capital de distrito, Bragança terá luta a três. “Os candidatos que agora aparecem fazem-no por uma questão de oportunidade”, principia ao DN o presidente e recandidato à federação, Benjamim Rodrigues, reconhecendo a estupefação. “Indicámos o nome de Júlia Rodrigues para deputada. Entende que há fragilização da minha parte por ter perdido eleições na minha câmara”, diz, convicto. Após oito anos de governação em Macedo de Cavaleiros, perdeu a eleição em outubro. Tendo feito parte de várias listas à federação, lembra que o PS “conquistou Bragança, o que não se via há 20 anos” e que “não faz sentido haver três candidaturas”. Bruno Veloso apoiou Benjamim em 2024, logo o líder da federação diz que “é sempre possível converter uma candidatura.”Bruno Veloso foi candidato em 2022, perdeu “por pouco” contra Berta Nunes que, em 2024, já não foi recandidata. “Tenho muitos apoios, estou a contactar os militantes das 12 concelhias”, lembrando que em 2024 “havia divergências”, mas que optou por “baixar hostilidades e pelo consenso.” Entende ser necessário “reorganizar o PS a nível nacional e distrital” e pede “divisão de protagonistas”. Por isso, contesta a eleição de Júlia Rodrigues na Comissão Política “quando teria inerência se fosse presidente de Federação.” Culpa a suspensão de mandato da autarca de Mirandela para ir para o Parlamento. “Tivemos um resultado desastroso”, refere, apesar de Vítor Correia manter a autarquia de Mirandela para o PS em outubro, mas sem a maioria absoluta anterior..Júlia Rodrigues é próxima de José Luís Carneiro e aconselha o secretário-geral nas políticas regionais e no Interior. “Existe uma proximidade por estarmos na Assembleia da República, mas, na qualidade de secretário-geral, José Luís Carneiro não pode fazer apoio direto às candidaturas”, garante. “A junção de esforços pode existir antes das eleições e terá de ser posterior à eleição”, convida quanto aos adversários de federação, lembrando que foi a primeira a firmar candidatura, “em fevereiro”. Tal como muitos outros presidentes de federação, explica que, em caso de eleição, mantém lugar de deputada porque isso dá “vantagem na gestão dos 12 concelhos” e na orientação “do PS e do país para políticas públicas de desenvolvimento no Interior”, criticando “a falta de dedicação do Governo” a essas mesmas opções. Tal como Bruno Veloso, Júlia Rodrigues considera que é agora necessária a discussão interna para “preparar com tempo as Autárquicas de 2029.”Viseu e Vila Real com duas candidaturasEm Viseu, apesar da conquista da capital de distrito pela primeira vez em democracia, por João Azevedo, Armando Mourisco terá lista rival. O antigo presidente em Cinfães assumiu mandato em 2024, é hoje deputado, mas terá oposição de Lúcia Silva, antiga deputada, ex-candidata também ao município de Viseu. “Independentemente da valorização que dou a Mourisco como presidente em Cinfães, considero que tem sido um presidente de federação ausente”, considerando ser necessário “aproximar militantes e distribuir lideranças.” Lúcia Silva diz que “não deve haver constrangimentos por existirem duas listas” porque “o PS não pode querer unanimismos”. Menciona que a vitória em Viseu se deve a João Azevedo, “um verdadeiro timoneiro”, com “capacidade de agregar.” “Ninguém conhece Armando Mourisco em Viseu”, atira Lúcia Silva.Em Vila Real, O PS verá duas candidaturas à federação. O deputado Rui Santos, antigo presidente 12 anos em Vila Real, avança para o segundo mandato deste ciclo (já liderara antes) e faz “um balanço positivo” por ter vencido “sete câmaras.” O professor e empresário Ricardo Almeida, que em 2024 apresentou candidatura mas abdicou, entende ser necessário “mobilizar o partido e comunicar de forma diferente”, mostrando preocupação com “o crescimento da extrema-direita.” . Todos os entrevistados pelo DN manifestam respeito e crença em José Luís Carneiro no caminho como secretário-geral, o qual não endossou apoios públicos a qualquer candidato. Não entendem que a candidatura às respetivas federações seja qualquer desafio à liderança de Carneiro.Como o DN avançou existe uma pacificação generalizada em torno de Carneiro, mas também em relação às federações. Estas três distritais são as até aqui conhecidas com mais do que uma lista. Mas o DN já noticiou que existem algumas alterações em curso e uma delas será a saída de Tiago Barbosa Ribeiro da condução dos destinos no Porto. O deputado afasta-se, apesar de ainda poder concorrer e liderar a concelhia até 2028. Garantindo que apoiará “uma candidatura”, acredita que possa haver um “processo pacífico, ordenado." Na federação, por outro lado, Nuno Araújo irá continuar. O antigo chefe de gabinete de Pedro Nuno Santos, enquanto secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, também acompanhou o antigo secretário-geral na campanha para as legislativas. Mas não há, da parte da atual liderança, qualquer celeuma e Carneiro tentou aproximar-se mesmo dos representantes do distrito com a presença em várias iniciativas.Como o DN avançou, Ricardo Costa, derrotado em Guimarães nas Autárquicas, será candidato à distrital de Braga e tem, à partida, apoios de Eduardo Oliveira, de Famalicão, e Pedro Sousa, vereador em Braga. Também pacífica será a continuidade de Alexandre Lote na federação da Guarda.No Alentejo, há várias mudanças. Luís Testa, deputado eleito por Portalegre, não cumprirá o terceiro mandato do seu segundo ciclo como presidente de federação, uma vez que foi eleito secretário-geral adjunto do PS. Luís Dias, apurou o DN, sai ao fim de três mandatos em Évora, até por ter a seu cargo a coordenação da Defesa no grupo parlamentar do PS. João Grilo, presidente no Alandroal e impossibilitado de se recandidatar em 2029, é escolha consensual. Marcelo Guerreiro, nas mesmas condições como presidente da câmara de Ourique, deve liderar o PS no Baixo Alentejo. Nelson Brito, ao DN, disse que não continuará..Vila Real. Ricardo Almeida desafia Rui Santos na federação socialista.PS. Mudança na concelhia do Porto tem em vista ataque às autárquicas em 2029