DGARTES admite que 60 candidaturas ficaram excluídas por falta de verbas.
DGARTES admite que 60 candidaturas ficaram excluídas por falta de verbas.D.R.

Bloco de Esquerda questiona Governo sobre atrasos na abertura dos concursos de apoio às artes para 2027-2030

Partido lança perguntas ao Ministério da Cultura, aponta falta de resposta e dificuldade de acesso a novas candidaturas.
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O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre os atrasos na abertura dos concursos de apoio sustentado às artes para o período 2027-2030 e alertou para o risco de as estruturas artísticas chegarem ao início do próximo ano sem saberem com que financiamento poderão contar.

Numa iniciativa dirigida ao Governo através do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, o partido aponta que o Governo tinha previsto lançar os concursos em junho, de acordo com o calendário divulgado no início de 2026. No entanto, os avisos de abertura só foram publicados a 24 de agosto, na 2.ª série do Diário da República. O prazo para apresentação das candidaturas termina a 6 de outubro.

O BE sustenta que o atraso está a ter consequências concretas para o setor cultural, nomeadamente pela concentração do período de candidaturas nos meses de agosto e setembro. A preocupação estende-se sobretudo às entidades com trabalhadores permanentes, contratos de trabalho e compromissos plurianuais, que entram no último trimestre, cita em comunicado que o DN teve acesso, mencionando que estes não conhecem "o financiamento disponível a partir de 1 de janeiro de 2027."

O partido recorda ainda que, em julho de 2025, o diretor-geral das Artes tinha associado os atrasos na divulgação dos resultados dos concursos de apoio a projetos ao aumento do número de candidaturas, que teria ultrapassado 30% face ao ano anterior. Para o Bloco, a falta de decisões atempadas transfere para as estruturas culturais o impacto dos atrasos administrativos.

BE reconhece aumentos, mas considera verbas insuficientes

Outra das críticas diz respeito ao montante disponível para o ciclo 2027-2030. Os concursos estão a prever uma dotação global de 72,84 milhões de euros, distribuída por várias áreas artísticas: 20,58 milhões de euros para o teatro, 18 milhões para programação, 10,92 milhões para música e ópera, 8,94 milhões para cruzamento disciplinar, circo, artes de rua e artes digitais, 7,74 milhões para artes visuais e 6,66 milhões para dança.

O BE reconhece que as verbas aumentaram, mas considera que continuam insuficientes perante a dimensão do setor. O partido antecipa que várias estruturas possam ficar sem financiamento apesar de obterem uma avaliação positiva, devido ao esgotamento das dotações disponíveis.

O Bloco dirige ainda atenção às regras que condicionam o montante a que cada entidade pode candidatar-se em função do seu historial de apoios. Enuncia que as entidades que nunca receberam apoio sustentado da DGArtes ficam limitadas ao patamar de 120 mil euros e que as que receberam apoio bienal em 2023-2024 não podem ultrapassar os 240 mil euros. Como tal, aponta que as condições "podem dificultar a entrada de estruturas mais recentes e pequenas no sistema de financiamento público" e "reproduzir desigualdades existentes no setor."

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