Montenegro deseja “entendimento nacional” sobre reformas da Segurança Social antes das próximas eleições
O líder do PSD e primeiro-ministro desejou esta quinta-feira, 27 de agosto, que seja possível “um entendimento nacional” antes das próximas eleições quanto a alterações estruturais na Segurança Social que garanta a sustentabilidade do sistema.
Luís Montenegro respondeu esta quinta-feira durante hora e meia, por videoconferência a partir da sede nacional do PSD, a perguntas feitas pelos participantes na Universidade de Verão do partido, iniciativa de formação política de jovens.
O chefe do Governo reiterou o compromisso de não fazer qualquer alteração na atual legislatura nesta área e que “se algum dia propuser essa transformação estrutural, será na base de um compromisso” assumido com o povo português antes das próximas eleições.
“O meu desejo era que nós pudéssemos ter um entendimento nacional para que, independentemente da força política que ganhasse as eleições, todos se comprometessem a executar a transformação estrutural que dá sustentabilidade a este sistema”, afirmou.
Montenegro admitiu que para esse entendimento será necessário “partir muita pedra”.
“Precisamos de discutir soluções, precisamos de discutir fontes de financiamento, para depois concluirmos se vale a pena mudar por aqui, se vale a pena mudar por ali, com que conteúdo e com que previsão temporal”, afirmou.
Esta foi a primeira vez que um presidente do PSD responde a perguntas dos “alunos” da Universidade de Verão do PSD.
A 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação política de jovens, começou na segunda-feira e decorre até domingo em Castelo de Vide (Portalegre), com o encerramento presencial por parte do presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Governo é “muito paciente” com a oposição que “diz muitas asneiras e muitos disparates”
O primeiro-ministro considerou esta quinta-feira que o Governo tem sido "muito paciente" com a oposição, que acusa de "dizer muitas asneiras e muitos disparates", e defendeu que trabalhar será a resposta às críticas e "pedidos de distração".
Luís Montenegro respondeu esta quinta-feira durante hora e meia, por videoconferência a partir da sede nacional do PSD, a perguntas feitas pelos participantes na Universidade de Verão do partido, iniciativa de formação política de jovens.
Questionado como pretende continuar a negociar com PS e Chega apesar das várias "coligações negativas" entre os dois partidos no parlamento, Montenegro começou por salientar total respeito pela oposição e reclamou o mesmo tratamento desta para com o Governo.
"Direi que talvez também tenham que ser pacientes connosco, mas nós somos muito pacientes com a oposição. A oposição diz muitas asneiras e muitos disparates, mas a oposição faz parte do sistema, nós temos consideração pela oposição e cá estaremos para nunca prejudicar aquilo que é mais importante do que os partidos e os líderes partidários dos partidos das oposições", afirmou.
Montenegro prometeu "tolerância democrática" em relação à oposição, a quem atribuiu o papel de "ilustrar e mostrar aquilo que está mal", sem violar a esfera de ação do executivo.
O chefe do Governo lamentou os vários entendimentos de PS e Chega no parlamento nos últimos anos e, sem se referir às negociações orçamentais, apelou a que as oposições não prossigam com "decisões a 'la carte'".
"É possível fazer oposição, apresentar alternativas, sem invadir a esfera que é do Governo", disse.
Montenegro foi também questionado como mantém a energia para continuar perante os "pedidos de demissão constantes", assegurando que o Governo irá continuar a defender as suas convicções.
"Eu diria que nós temos uma fibra, temos uma filosofia que é intocável. Independentemente da espuma dos dias, de praticamente se asfixiar o debate apenas com a coisa que correu mal, com o acidente, o incidente, com o caso, nós temos a convicção profunda que a nossa responsabilidade é para continuar a executar as nossas políticas", disse.
E, em jeito de resumo, disse responder às críticas e "pedidos de distração" trabalhando, retomando o seu slogan de campanha nas legislativas de 2025, "Deixem o Luís trabalhar".
"Como é que nós vencemos o negativismo, o pessimismo daqueles que querem deixar tudo na mesma? Trabalhando. Como é que nós respondemos àqueles que fazem esses ataques sem fundamento, sem razão? Trabalhando", afirmou.
Ao longo de hora e meia, de pé e atrás de um púlpito a partir da sede nacional do PSD, respondeu a perguntas em áreas que foram da imigração - onde se referiu ao "imponente número de imigrantes" que Portugal já tem - à habitação, congratulando-se por já ter sido atingido o número de 31 mil novas habitações entregues no âmbito do PRR.
Perante os jovens participantes da Universidade de Verão, Montenegro enumerou algumas das medidas do executivo PSD/CDS-PP nos últimos dois anos e enfatizou as que foram dirigidas a esta faixa etária.
"Eu gosto muito dos jovens, temos políticas para a juventude como nunca nenhum Governo tomou até hoje, nem os nossos", frisou.
Quando desafiado por uma aluna a escolher "uma única reforma se tivesse a certeza que ia ser aprovada", respondeu: "Agora eu dizia que era a da Segurança Social e abria o telejornal", disse, provocando risos na sala, para logo em seguida dizer ser incapaz de optar apenas por uma área.
