O economista e professor universitário Jorge Bravo apresentou o relatório com propostas para reformar Segurança Social.
O economista e professor universitário Jorge Bravo apresentou o relatório com propostas para reformar Segurança Social.Foto: Leonardo Negrão

Uma nova Segurança Social? Conheça as principais propostas

No dia 18 de agosto, foi apresentado o relatório Reformar as Pensões em Portugal – Por um Sistema Sustentável, Adequado e Justo. Mostramos-lhe as principais propostas do grupo de trabalho
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1) Criar um novo regime público de pensões baseado em contas nocionais (NDC)

O relatório propõe substituir o atual modelo de cálculo das pensões por um sistema NDC – Notional Defined Contribution, já usado na Suécia e Itália.

O que significa?

  • Cada pessoa teria uma conta individual virtual onde entram todas as contribuições ao longo da vida.

  • A pensão passa a ser calculada com base no total contribuído, ajustado por fatores como:

    • crescimento dos salários,

    • esperança de vida,

    • equilíbrio demográfico.

  • A reforma torna-se mais transparente, compreensível e financeiramente sustentável.

Porque é importante? O relatório afirma que as fórmulas atuais são “opacas, complexas e geradoras de desigualdade intra e intergeracional”.

2) Criar uma Garantia Integrada para a Velhice (GIV)

A GIV seria um instrumento único que reúne todos os mínimos sociais na velhice:

  • pensão social,

  • complemento solidário para idosos,

  • outros mínimos.

Objetivo: garantir que ninguém fica abaixo de um nível mínimo de rendimento na velhice.

Financiamento: impostos gerais (Pilar 0 da arquitetura multipilar).

3) Reformar a idade da reforma e os regimes de antecipação/diferimento

O relatório propõe ajustar:

  • penalizações por reforma antecipada,

  • bonificações por reforma tardia,

  • regras de flexibilização da idade,

  • criação de um regime de reforma parcial flexível.

Objetivo: alinhar incentivos com a sustentabilidade e permitir carreiras mais flexíveis.

4) Rever o mecanismo de atualização das pensões

O documento analisa o atual modelo (Lei n.º 53‑B/2006) e sugere ajustes para:

  • proteger melhor pensões mais baixas,

  • garantir previsibilidade,

  • evitar perdas prolongadas de poder de compra.

Há simulações no relatório que mostram que pensões acima de 6 IAS tendem a perder mais poder de compra ao longo do tempo.

5) Reformar o fator de sustentabilidade

O fator atual é considerado insuficiente e pouco transparente. O relatório propõe integrá-lo no novo regime NDC, tornando-o:

  • automático,

  • previsível,

  • ligado à esperança de vida.

6) Rever a taxa de formação da pensão e os créditos contributivos

Inclui:

  • novas regras para contabilizar anos de trabalho,

  • proteção de carreiras interrompidas (desemprego, maternidade/paternidade, cuidados),

  • maior equidade entre diferentes perfis contributivos.

O relatório mostra que carreiras curtas ou com interrupções têm taxas de substituição muito baixas (ex.: 34% para carreiras de 20 anos).

7) Reformar o FEFSS – Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social

O relatório identifica fragilidades graves no FEFSS:

“Ausência de regras de acumulação e desacumulação”, “concentração excessiva em dívida pública portuguesa”, “transparência e supervisão insuficientes”.

Propõe:

  • redefinir o mandato,

  • separar gestão política e técnica,

  • diversificar investimentos,

  • reforçar supervisão,

  • criar regras claras de uso do fundo.

8) Criar novos instrumentos de poupança complementar

a) Planos de Pensões Profissionais com auto-enrolment

As empresas inscrevem automaticamente os trabalhadores em planos complementares, com contribuições partilhadas.

b) Conta Poupança-Reforma Jovem (“Grão a Grão”)

Incentivar poupança desde cedo, com benefícios simples e transparentes.

c) Obrigações do Tesouro-Reforma e Certificados de Aforro-Reforma

Instrumentos públicos de poupança de longo prazo.

d) Programa Save-as-You-Buy

Poupança automática associada ao consumo.

e) Equity Release Schemes

Permitir que idosos convertam parte do valor da casa em rendimento para a velhice.

9) Criar um sistema multipilar claro e coerente

O relatório propõe reorganizar todo o sistema em quatro pilares:

  1. Pilar 0 — mínimos sociais (GIV).

  2. Pilar 1-A — pensão contributiva NDC.

  3. Pilar 1-B — seguros públicos autónomos (invalidez, sobrevivência).

  4. Pilar 2 e 3 — poupança complementar profissional e individual.

Objetivo: separar claramente o que é contributivo, o que é redistributivo e o que é voluntário.

10) Criar projeções atuariais robustas e balanços consolidados

O relatório afirma que não existe, atualmente, um modelo robusto de projeção da Segurança Social. Propõe:

  • balanço atuarial a 75 anos,

  • projeções integradas dos regimes contributivos e não contributivos,

  • separação clara entre despesa contributiva e redistributiva.

Em resumo — o que muda?

O relatório propõe uma reforma estrutural, não apenas ajustes:

  • novo modelo de cálculo das pensões (NDC),

  • garantia mínima universal na velhice (GIV),

  • regras mais claras e justas para idade da reforma,

  • reforço da sustentabilidade financeira,

  • expansão da poupança complementar,

  • maior transparência e previsibilidade.

Pode ler o documento completo no link abaixo:

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*Este texto foi escrito com a ajuda de ferramentas de Inteligência Artificial (Microsoft Copilot), sujeito a edição jornalística e cumpre todas as regras éticas e deontológicas.

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