Volodymyr Zelensky classificou como “um sinal positivo nas circunstâncias atuais” o desbloqueio obtido esta quarta-feira, 22 de abril, do empréstimo europeu de apoio à Ucrânia no valor de 90 mil milhões de euros para dois anos, bem como do 20.º pacote de sanções da União Europeia à Rússia, o que foi conseguido depois de Hungria e Eslováquia terem deixado cair o seu veto nestas duas questões. “A Rússia deve pôr fim à sua guerra. E os motivos para isso só poderão surgir quando o apoio à Ucrânia e a pressão sobre a Rússia forem suficientes”, escreveu o presidente ucraniano nas redes sociais. Zelensky, que participará esta quinta-feira no Conselho Europeu informal, recordou ainda que Kiev está a cumprir as suas obrigações nas relações com a UE, mesmo em questões controversas como o funcionamento do oleoduto Druzhba, dizendo esperar que “do lado europeu, seja feito o que for necessário para a defesa real da vida e a aproximação da integração europeia plena da Ucrânia”. “É importante que o pacote de apoio europeu entre em funcionamento rapidamente”, prosseguiu, “vamos falar com os líderes europeus sobre a abertura de clusters para a Ucrânia: as condições para isso já foram implementadas”. O líder da diplomacia ucraniana abordou ontem a adesão ao bloco, deixando claro que Kiev não aceitará uma adesão parcial, em resposta a uma notícia do Financial Times de que países como a Alemanha e a França apresentaram propostas separadas de oferta à Ucrânia de benefícios de adesão limitados numa fase de pré-adesão.“A posição do presidente é clara: não aceitaremos qualquer adesão ‘substituta’. Esta é uma posição firme”, disse Andrii Sybiha numa conversa com jornalistas nacionais e internacionais.Sobre este tema, a comissária europeia com a pasta do alargamento, Marta Kos, disse esta quarta-feira que espera abrir o primeiro cluster de negociações sobre a adesão da Ucrânia assim que a transição governamental em curso na Hungria estiver concluída, ultrapassando assim os vetos do ainda primeiro-ministro Viktor Orbán a este processo. “Está tudo pronto. Por isso, espero que possamos começar muito em breve, mesmo sob a presidência do Chipre [que termina em junho], para o cluster um”, declarou Kos ao Kyiv Independent.Mas para já, e ainda sob a governação de Orbán, a Hungria, mas também a Eslováquia, indicaram esta quarta-feira na reunião dos embaixadores dos Estados-membros junto da UE que deixariam de bloquear os passos finais para adoção de um crédito de 90 mil milhões de euros à Ucrânia e de um novo pacote de medidas restritivas, já que o fornecimento de petróleo pelo oleoduto Druzhba foi entretanto restabelecido.Chipre, que ocupa este semestre a presidência rotativa do Conselho da UE, vai agora iniciar um procedimento escrito para oficializar esta “luz verde”, numa consulta às capitais europeias em que, se ninguém votar contra, está aprovado. É esperado que o procedimento escrito, para adoção final pelo Conselho, esteja concluído esta quinta-feira à tarde. “Este é um passo positivo e construtivo que reforça o nosso compromisso comum com a unidade, a solidariedade e a ação decisiva num momento crítico”, afirmou Helen McEntee, ministra dos Negócios Estrangeiros da Irlanda, país que sucederá em julho ao Chipre na presidência do Conselho da UE. .Hungria e Eslováquia dão luz verde a empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia.Kiev pode receber a primeira tranche do empréstimo da UE já em maio