O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta terça-feira, 17 de março, que Pequim aceitou o seu pedido de adiamento da visita que tinha prevista à China entre 31 de março e 2 de abril, durante a qual se encontraria com o seu homólogo Xi Jinping, por causa da guerra no Irão. E que esta deverá ter lugar “dentro de cinco a seis semanas”. Este adiamento corre o risco de agravar as tensões entre os dois países, com a crise no Médio Oriente a juntar-se ao comércio e a Taiwan na lista de temas que os separam. “Aguardo com expetativa a oportunidade de ver o presidente Xi. Ele também está ansioso por me ver, acho. Temos uma boa relação com a China. A China tornou-se, economicamente, muito boa para nós, ao contrário do que acontecia no passado, e temos uma boa relação de trabalho”, disse o líder norte-americano esta terça-feira.No domingo, Trump havia dito ao Financial Times que poderia adiar a visita se a China não ajudasse a desbloquear o Estreito de Ormuz. Pequim - que, segundo a Reuters, importou cerca de 12 milhões de barris de petróleo por dia nos dois primeiros meses do ano - não respondeu ao pedido do norte-americano.No entanto, de acordo com o secretário do Comércio dos EUA, o adiamento da visita deveu-se à necessidade de Trump coordenar a guerra contra o Irão e não ao pedido feito à China sobre o estreito.“O presidente quer permanecer em Washington para coordenar o esforço de guerra”, afirmou Scott Bessent, na segunda-feira, a partir de Paris, onde se reuniu com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, para negociar acordos para Trump e Xi assinarem em Pequim.Num editorial publicado esta terça-feira, o jornal estatal China Daily descreveu as negociações como “construtivas”, mas avisou os EUA que a “abertura de Pequim não deve ser confundida com aquiescência”. “Os EUA devem abster-se de tomar quaisquer outras medidas que possam perturbar ou prejudicar uma relação económica estável entre a China e os EUA”, é referido no mesmo texto. Uma outra visita de Estado que está a ser questionada é a do rei Carlos III aos EUA, prevista para o final de abril, sendo que a recusa do governo em confirmar a sua realização sugere uma “indecisão compreensível”, nota Simon Jenkins, autor do livro Uma Breve História da América: do Tea Party a Trump num artigo no Guardian. Há uma semana, o líder dos Liberais Democratas, Ed Davey já havia pedido o seu cancelamento pois representaria um “grande golpe diplomático” para Trump, que tem criticado Londres pelo seu posicionamento, durante os ataques ao Irão. Esta terça-feira, a trabalhista Emily Thornberry, líder da Comissão dos Negócios Estrangeiros na Câmara dos Comuns, reforçou o apelo, dizendo que esta ocorrer “no meio de uma guerra” poderá embaraçar a monarquia britânica..Paris acolhe nova ronda China‑EUA com foco em tarifas, investimento e terras raras .Trump e Xi: Uma relação de elogios e sorrisos marcada por tensões