Venezuela. Delcy Rodríguez anuncia reprivatizações e promete novas eleições
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse esta sexta-feira (29 de outubro) que o seu governo está a avançar no processo de reprivatização e devolução de bens expropriados durante a presidência de Hugo Chávez, noticiou a agência Reuters.
Num discurso transmitido na televisão pública, a governante disse ter dado instruções para que "os bens não essenciais na posse do Estado fossem avaliados, a fim de determinar quais podem ser oferecidos ao setor privado ou devolvidos aos seus antigos proprietários".
"Este processo já se encontra bastante avançado", sublinhou.
Segundo a presidente interina, o processo dura desde abril, altura em que a presidente criou um comité para avaliar todos os bens na posse do Estado, incluindo em setores como a mineração ou a energia.
Neste último, acrescentou Rodríguez, 44 contratos já estão a ser negociados e 61 acordos para o petróleo já foram assinados. No setor mineiro, "negociações importantes" já estão a decorrer, acrescentou.
No plano político, a presidente interina declarou, sem avançar uma data, que a Venezuela terá "todas as eleições que a Constituição estabelece" e colocou-se como peça essencial para a condução do escrutínio.
"Este processo só pode ser conduzido por alguém que conheça profundamente os meandros do Estado venezuelano. Fui vice-ministra dos Negócios Estrangeiros, ministra dos Negócios Estrangeiros, ministra, vice-presidente e, atualmente, sou presidente interina. Conheço este Estado e sou a pessoa adequada para levar por diante este processo", disse, sublinhando que as eleições serão "organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e com o mundo como testemunha".
"Transição democrática é irreversível", diz María Corina Machado
Horas depois da declaração de Delcy Rodríguez, a recém-regressada ao país María Corina Machado deu a sua primeira conferência de imprensa em Caracas, onde prometeu "terminar uma tarefa e cumprir um mandato", sublinhando que as declarações da presidente interina eram "efeito do 25 de outubro", o dia em que a líder da oposição regressou ao país.
"A transição democrática é irreversível e será organizada, pacífica e atenderá à urgência de um país que está a sofrer enormemente", disse ainda, apontando que o plano do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, levará a eleições presidenciais em 2027.
"Graças às medidas tomadas pelo governo dos Estados Unidos, Maduro está a ser levado à justiça e as portas da liberdade foram abertas", concluiu.

