A Comissão Europeia afirmou esta quinta-feira, 16 de março, que “conceder qualquer alívio em termos de sanções em relação à Rússia não contribui para manter a pressão” sobre Moscovo para que cesse a sua agressão contra a Ucrânia. “É irónico que a Rússia esteja, na verdade, a beneficiar desta guerra no Médio Oriente, mas é a realidade”, afirmou aos jornalistas a porta-voz do executivo comunitário, Paula Pinho.Esta responsável falou ainda do 20.º pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia, declarando que “estas estão em cima da mesa”, e que Bruxelas espera “fazer progressos à luz da mesma lógica que tivemos nos 19 anteriores, e a ideia é reduzir qualquer possibilidade de a Rússia continuar a beneficiar da sua ação em continuar esta guerra terrível onde os ataques contra a Ucrânia não param, como acabámos de ser recordados”. “Fizemo-lo 19 vezes antes e esperamos, e estamos confiantes, de que o faremos mais uma vez com unanimidade”, acrescentou ainda Paula Pinho, numa alusão ao facto de o governo de Viktor Orbán, conhecido pelos seus vetos a matérias sobre a Ucrânia, estar de saída na Hungria. Estas declarações surgem quase que em resposta aos comentários feitos horas antes por Volodymyr Zelensky após um ataque noturno contra a Ucrânia que fez, pelo menos 17 mortos e cerca de 100 feridos - o mais mortal levado a cabo este ano por Moscovo - com o presidente ucraniano a dizer que a Rússia “não merece qualquer aligeiramento ou levantamento de sanções”. De recordar que os Estados Unidos suspenderam as sanções ao petróleo russo devido ao impacto nos preços do conflito do Médio Oriente. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, classificou o ataque como “hediondo”.“A Rússia está a apostar na guerra, e a resposta deve ser exatamente esta: devemos defender vidas com todos os meios disponíveis e também exercer pressão em prol da paz com a mesma força”, referiu Zelensky, que recebeu ontem nos Países Baixos, das mãos do rei Guilherme-Alexandre e do primeiro-ministro Rob Jetten, o Prémio Quatro Liberdades. “Não pode haver normalização das relações com a Rússia no estado atual. A pressão sobre a Rússia precisa de surtir efeito”.De acordo com a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou um total de 19 mísseis balísticos, 25 mísseis de cruzeiro e 659 drones durante o ataque, destruindo casas, incendiando edifícios e matando pelo menos 17 pessoas em cidades como Kiev, Dnipro e Odessa. A mesma fonte adiantou ainda que 12 mísseis e 20 drones atingiram 26 locais diferentes na Ucrânia, e os destroços de interceções atingiram 25 locais, notando que as suas unidades da força aérea abateram ou neutralizaram 31 mísseis e 636 drones.A Rússia confirmou a realização de um “ataque massivo” contra a Ucrânia, acrescentando ter atingido alvos de energia usados pelas forças ucranianas e instalações de produção de mísseis de cruzeiro e drones. Por outro lado, o comandante das forças de drones de Kiev, citado pela Reuters, referiu esta quinta-feira que os militares ucranianos atacaram dois depósitos de petróleo na Crimeia e infraestruturas no porto russo de Tuapse. Oficiais russos confirmaram a existência de um grande ataque com drones ucranianos contra aquele porto do Mar Negro - que alberga uma importante refinaria de petróleo e é um centro de exportação de petróleo, carvão e fertilizantes - , matando duas pessoas e ferindo sete..EUA acusam Rússia de “escalada perigosa e inexplicável” da guerra na Ucrânia.Vance manifesta "orgulho" por EUA terem suspendido envio de armas à Ucrânia