Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia
Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União EuropeiaEPA/OLIVIER HOSLET

Ucrânia: Kallas saúda cessar-fogo mas duvida que Rússia o respeite

Chefe da diplomacia da União Europeia avisou que cessar-fogo não se pode ficar apenas pelas refinarias já que a Ucrânia “tem apenas uma refinaria e a Rússia tem muitas”.
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A chefe da diplomacia da União Europeia saudou esta segunda-feira (12) o cessar-fogo anunciado por Donald Trump entre a Rússia e a Ucrânia, mas avisou que a Rússia não está a dar sinais de que o vai cumprir.

“Saudamos o cessar-fogo a ataques contra infraestruturas energéticas, se for respeitado. No entanto, ainda não vimos sinais de que a Rússia o vá respeitar”, afirmou Kaja Kallas em declarações aos jornalistas à chegada a uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE).

A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança pediu, no entanto, que o cessar-fogo também abranja ataques contra civis, para garantir que se deixam de perder vidas humanas.

“Não se trata apenas da energia, embora esta seja extremamente importante, porque o inverno vai ser frio”, defendeu.

Kallas salientou que, caso o cessar-fogo se aplique apenas aos ataques contra infraestruturas energéticas, a Rússia sai beneficiada, uma vez que a Ucrânia “tem apenas uma refinaria e a Rússia tem muitas”.

“Por isso, é importante que o cessar-fogo não se aplique apenas às refinarias”, insistiu.

Questionada sobre como é que vê o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia para libertar milhares de barris de gasóleo russo, Kallas defendeu que não se pode esquecer que foi Moscovo que iniciou a guerra na Ucrânia.

“Por isso, temos de exercer pressão sobre a Rússia para que ponha fim à guerra. Porque, se a Rússia parar, os ucranianos também não terão de tomar medidas para defender o seu país. É isso que está verdadeiramente em causa”, salientou.

É também por isso, prosseguiu, que os ministros dos Negócios Estrangeiros deverão aprovar hoje um pacote de sanções que irá visar cerca de 1.600 entidades e indivíduos do complexo militar e industrial russo.

Kallas salientou que, até ao momento, as sanções da UE já privaram Moscovo de “um bilião de euros” e acrescentou que seriam “ainda mais eficazes” se o Reino Unido e os Estados Unidos também as aplicassem.

“O Reino Unido está alinhado connosco, mas, se os Estados Unidos também estivessem, se aprovassem o projeto de lei Graham relativo à Rússia, poderíamos exercer uma pressão verdadeiramente significativa para levar a Rússia a pôr fim a esta guerra”, sustentou.

Interrogada sobre as palavras de Donald Trump – que, este domingo, defendeu que a Ucrânia precisa de ter um novo Presidente –, a chefe da diplomacia da UE observou que “praticamente todas as constituições preveem que, quando há uma guerra em curso, não se realizem eleições”.

“As eleições implicam sempre disputas entre diferentes grupos dentro do país, enquanto vêm ataques do exterior. É por isso que é importante manter a população unida enquanto a guerra continua”, considerou.

Kallas disse assim “compreender perfeitamente” que o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tenha afirmado que está disposto a realizar eleições caso haja um cessar-fogo.

“Se for exercida pressão sobre a Rússia para que ponha fim a esta guerra, tenho a certeza de que a Ucrânia realizará eleições”, afirmou.

Donald Trump anunciou este domingo que entrou em vigor um “cessar-fogo energético” entre a Rússia e a Ucrânia, assegurando que ambas as partes concordaram em interromper ataques contra infraestruturas energéticas do adversário.

No entanto, nem Moscovo, nem Kiev confirmaram oficialmente o acordo no momento do anúncio.

O presidente ucraniano Zelensky disse mesmo ter ficado surpreendido pela declaração de Trump, garantindo no entanto que a Ucrânia está disposta a respeitar uma trégua deste tipo caso a Rússia faça o mesmo.

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