Marine Le Pen à saída do tribunal no início do processo.
Marine Le Pen à saída do tribunal no início do processo. Foto: EPA

"Sou candidata às presidenciais". Marine Le Pen diz que avança para 2027

Líder parlamentar do Reagrupamento Nacional tinha sido condenada em março de 2025 a cinco anos de inelegibilidade no caso do desvio de milhões do Parlamento Europeu, mas tribunal abriu caminho à candidatura presidencial de Le Pen, apesar de impor pulseira eletrónica.
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Marine Le Pen pode ser candidata às presidenciais francesas do próximo ano, decidiu esta terça-feira, 07 de julho, um tribunal de recurso de Paris. Horas depois, no jornal da noite da TF1, a líder da extrema-direita anunciou: "Esta noite anuncio: sou candidata às presidenciais", contrariando o que disse antes: que não lançaria uma campanha presidencial enquanto usasse pulseira eletrónica, o que poderá vir a acontecer.

Le Pen declarou-se inocente e anunciou que irá interpor um recurso junto do Tribunal de Cassação, a mais alta instância judicial francesa, o que “suspende os efeitos do acórdão” do Tribunal de Recurso de Paris.

“Farei, portanto, campanha sem pulseira eletrónica”, acrescentou

O coletivo de juízes considerou a líder parlamentar do Reagrupamento Nacional culpada do uso fraudulento de fundos do Parlamento Europeu e decidiu multar Marine Le Pen em 100 mil euros e condenou-a a três anos de prisão, dois dos quais com pena suspensa - o restante ano será cumprido em regime de prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

O tribunal reduziu ainda o período de inelegibilidade para pouco menos de quatro anos, mas suspendeu a aplicação de 30 meses desta pena, o que lhe permite temporalmente ser candidata à sucessão de Emmanuel Macron no Eliseu. Ou seja, a decisão do tribunal reduz, na prática, a proibição de exercer cargos públicos para 15 meses, com a suspensão dos restantes 30 meses. E como a proibição teve início a 31 de março do ano passado, terminará bem antes da eleição presidencial de abril do próximo ano.

O julgamento de recurso começou a 13 de janeiro, tendo Marine Le Pen dito então que encarava este processo com um “espírito de esperança”. “Quero deixar claro que não sentimos que tenhamos cometido qualquer infração quando, em 2004, depois em 2009 e depois em 2014, contratámos assistentes e partilhámos esses assistentes”, disse então a política de extrema-direita em tribunal, sublinhando que “o Parlamento Europeu não desempenhou o seu papel de alertar para o caso como deveria ter feito”.

A 31 de março de 2025, Marine Le Pen foi condenada pelo Tribunal Judicial de Paris por desvio de mais de quatro milhões de euros do Parlamento Europeu no caso dos falsos assistentes que a então Frente Nacional (atual RN) empregou entre 2004 e 2016.

Além de uma pena de quatro anos de prisão (dois de pena suspensa e outros dois domiciliária com vigilância eletrónica) e de ter que pagar uma multa de cem mil euros, Le Pen foi condenada a cinco anos de inelegibilidade com efeitos imediatos, o que a impedia de concorrer em 2027 (eleições para as quais era vista como favorita).

Antes da condenação, Le Pen surgia com 31% a 36% das intenções de voto na primeira volta e algumas sondagens apontavam para a sua vitória na segunda volta, com o desaparecimento do tradicional “teto de vidro” (o limite eleitoral que, durante décadas, impediu a extrema-direita de chegar ao poder).

As últimas sondagens continuam favoráveis a Le Pen, mas criaram um problema para o RN. A sondagem Ifop-Fiducial de junho dá à líder parlamentar cerca de 32% das intenções de voto na primeira volta, bastante longe do centrista Édouard Philippe que surge como o principal adversário com entre 19% e 21% (Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical da França Insubmissa, tem entre 13% e 15%).

Mas Jordan Bardella, que seria o candidato caso Le Pen não vencesse o recurso ou decida não avançar, apresentava números melhores do que ela, surgindo com entre 35% e 37%. Uma explicação para isso, segundo o diretor-geral da Ifop, Frédéric Dabi, é que os eleitores estariam a antecipar a possibilidade de Le Pen perder o recurso.

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