Poucas horas antes do início do seu julgamento de recurso, que irá decidir se pode ser candidata nas presidenciais francesas de 2027, Marine Le Pen confessou estar a encarar o processo com um “espírito de esperança”, revelando que esperava ser ouvida em tribunal. As sessões começaram esta terça-feira, 13 de janeiro, e decorrem até 12 de fevereiro. A decisão deverá ser conhecida no verão. Em causa está a condenação de Marine Le Pen, a 31 de março de 2025, a cinco anos de inelegibilidade, com efeitos imediatos, o que a impede de ser candidata às presidenciais, tendo sido ainda sentenciada a quatro anos de prisão, dois dos quais em pena suspensa, e ao pagamento de uma multa de 100 mil euros. A líder da extrema-direita francesa, o Reagrupamento Nacional e cerca de duas dezenas de elementos do partido de extrema-direita estavam acusados de desviar mais de quatro milhões de euros de fundos do Parlamento Europeu para pagar a funcionários do RN sediados em França e não a assistentes para as suas funções como eurodeputados. “Quero deixar claro que não sentimos que tenhamos cometido qualquer infração quando, em 2004, depois em 2009 e depois em 2014, contratámos assistentes e partilhámos esses assistentes”, disse esta terça-feira Marine Le Pen em tribunal, sublinhando que “o Parlamento Europeu não desempenhou o seu papel de alertar para o caso como deveria ter feito”.De acordo com a BFMTV, se o tribunal de recurso não a declarar inelegível, Le Pen poderá candidatar-se. Outro cenário é se for proferida uma sentença de inelegibilidade, mas esta for reduzida com efeitos imediatos, poderá candidatar-se, uma vez que terá cumprido a pena antes da primeira volta.Existe ainda a possibilidade do a sentença impor uma proibição de exercício de cargos públicos sem execução imediata, o que permitirá a Le Pen recorrer para o Tribunal da Cassação (supremo tribunal da organização judiciária francesa) e candidatar-se enquanto aguarda a proibição.Por fim, a sentença do recurso poderá impor uma inelegibilidade com execução imediata e, neste caso, Marine Le Pen poderá recorrer para o Tribunal de Cassação, mas é pouco provável que o caso seja analisado antes da primeira volta das presidenciais - que a líder da extrema-direita já disse que serão as suas últimas - impedindo-a de se candidatar.“Seria profundamente preocupante para a democracia se o sistema judicial privasse os franceses de uma candidata presidencial que já se qualificou duas vezes para a segunda volta e que é agora considerada a favoritaa incontestável nas eleições”, afirmou ontem o presidente do RN, Jordan Bardella, apontado como o candidato do partido caso Le Pen não possa concorrer. .Le Pen volta a tribunal para tentar salvar a sua candidatura presidencial em 2027.Marine Le Pen sofre nova derrota em tribunal