O Kremlin repetiu esta terça-feira, 12 de maio, a afirmação de Vladimir Putin de que a guerra na Ucrânia está quase a terminar, em resposta ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que garantiu que Moscovo não tem qualquer intenção de pôr fim ao conflito. Esta declaração da presidência russa surge no primeiro dia após uma curta trégua bilateral, data em que Putin anunciou ainda que a Rússia vai colocar o míssil balístico intercontinental Sarmat em alerta de combate até ao final do ano. “Penso que a questão está a chegar ao fim”, disse o presidente russo no sábado. “Este trabalho de base acumulado em termos do processo de paz permite-nos dizer que a conclusão está de facto próxima”, disse ontem o porta-voz da presidência russa Dmitry Peskov, sublinhando que foi levado a cabo um certo nível de trabalho trilateral com a Ucrânia e os Estados Unidos na direção de um acordo de paz.Peskov notou ainda que a Rússia vê com bons olhos novos esforços de mediação dos EUA e que Vladimir Putin está preparado para se encontrar pessoalmente com Zelensky assim que o processo de paz esteja finalizado. Possibilidade que o presidente russo também já havia mencionado. “E para esta finalização, a fim de pôr um fim definitivo a isto, é ainda necessário fazer muito trabalho preparatório”, referiu o porta-voz do Kremlin, acrescentando que o conflito pode terminar assim que Kiev e Zelensky “tomem a decisão necessária”.Mas se por um lado, Moscovo fala em paz, por outro, Vladimir Putin anunciou esta terça-feira que o míssil balístico intercontinental Sarmat “será colocado em alerta de combate até ao final deste ano”. Uma revelação feita após o presidente russo ter recebido um relatório sobre o teste bem-sucedido de ontem deste míssil nuclear, descrevendo-o como “o mais poderoso do mundo”, pois o o poder de destruição da ogiva é mais de quatro vezes superior ao de qualquer equivalente ocidental e o seu alcance ultrapassa os 35.000 quilómetros. “A implantação de lançadores equipados com o sistema de mísseis Sarmat aumentará significativamente as capacidades de combate das forças nucleares estratégicas terrestres, em termos de garantia da destruição de alvos e resolução de problemas de dissuasão estratégica”, acrescentou Sergei Karakayev, comandante das forças de mísseis estratégicos da Rússia.De recordar que Putin tem levantado repetidamente a possibilidade de usar armas nucleares como forma de dissuasão contra uma maior intervenção ocidental na guerra da Ucrânia. No entanto, analistas de segurança ocidentais citados pela Reuters afirmam que o presidente russo tem feito alegações exageradas sobre as capacidades de algumas das armas nucleares de nova geração de Moscovo, parte de um programa de modernização anunciado pela primeira vez em 2018.As ameaças de Vladimir Putin sobre o uso de armas nucleares têm sido vistas por muitos analistas como mera retórica belicosa, dada a resposta correspondente que um ataque nuclear russo potencialmente causaria.Novos ataques contra KievZelensky afirmou que a Rússia lançou 200 drones contra a Ucrânia na madrugada desta terça-feira, após o fim de um cessar-fogo de três dias, acusando ainda Moscovo de optar “por pôr fim ao silêncio parcial que durava há vários dias”, referindo-se a esta trégua que vigorou durante as celebrações da vitória da ex-União Soviética contra a Alemanha nazi.De acordo com o presidente ucraniano, foram abatidos drones de ataque nas regiões de Dnipro, Zhytomyr, Mykolaiv, Sumy, Kharkiv e Chernihiv, bem como em Kiev, acrescentando que, na linha da frente, foram utilizadas mais de 80 bombas aéreas e registados mais de 30 ataques aéreos. Há a registar, pelo menos, duas vítimas mortais. “Já dissemos que responderemos na mesma moeda a todas as ações da Rússia. A Rússia precisa de pôr fim a esta guerra, e é a Rússia que deve dar o passo para um cessar-fogo real e duradouro. Até que isso aconteça, as sanções contra Moscovo são necessárias, devem manter-se em vigor e ser reforçadas”, escreveu Zelensky nas redes sociais. Já a Rússia afirmou ter abatido esta terça-feira cerca de 30 drones ucranianos sobre as regiões russas de Belgorod, Voronezh e Rostov, após o fim do cessar-fogo anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, na sexta-feira - neste período, os dois países denunciaram várias violações da trégua, com a Ucrânia a acusar a Rússia de ataques com drones no leste e sul do país, e Moscovo a dizer que Kiev havia atacado a região de Belgorod.O Kyiv Independent noticiou ainda, citando relatos das autoridades locais, que drones ucranianos atacaram ontem a cidade russa de Orenburg, situada a 1.200 quilómetros da fronteira com a Ucrânia..Zelensky acusa Rússia de violar trégua ucraniana, Moscovo afirma que Ucrânia fez o mesmo.Moscovo lança raro ataque diurno de drones contra capital ucraniana