A diplomacia da Rússia admitiu esta quarta-feira, 24 de junho, que o diálogo entre Moscovo e Washington está praticamente paralisado, acusando ainda os Estados Unidos de se afastarem dos “entendimentos fundamentais” alcançados entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente norte-americano, Donald Trump, no encontro que tiveram no Alasca em agosto do ano passado. “Observamos que a linha de Washington está a aproximar-se das políticas anti-Rússia mais radicais adotadas pelos aliados europeus dos EUA, nomeadamente, o Reino Unido e a França”, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Ryabkov, ao Izvestia. “A administração Trump está cada vez mais a condicionar qualquer potencial progresso no caminho para a desescalada à resolução [da guerra] de uma forma aceitável para Washington”.Embora garantindo que a comunicação entre o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, “pode ser prontamente organizada através de uma chamada telefónica”, Ryabkov admitiu na mesma entrevista que “há dificuldades neste diálogo” e que não há um calendário específico para as conversações neste momento.Esta informação foi confirmada mais tarde por Sergei Lavrov, ao afirmar que “não há progressos no diálogo com os EUA sobre as relações bilaterais”, sublinhando ser “impossível chegar a acordo (...) sobre uma agenda comum, mas é possível concordar em questões específicas”.Lavrov disse, no entanto, estar convencido “de que ainda é possível resolver a situação em torno da Ucrânia através de métodos políticos e diplomáticos”. Moscovo, prosseguiu o ministro, está empenhada nos entendimentos do Alasca, mas “a bola não está hoje do nosso lado do campo, embora estejam cada vez mais a tentar passar-nos a bola em posição de fora de jogo, para usar uma analogia do Mundial.”O chefe da diplomacia russa confirmou ainda que houve “contactos” com o gabinete do presidente do Conselho Europeu e criticou a reação do francês Emmanuel Macron aos mesmos. “O presidente Macron repreendeu publicamente António Costa por o seu funcionário ter comunicado duas vezes com representantes de Moscovo, afirmando que isso era inaceitável e que se deviam unir para encontrar uma solução. Hipocrisia. O próprio presidente Macron enviou mensageiros, e foram recebidos. A verdade é que também houve mensageiros de Londres”..Rússia rejeita propostas de paz avançadas por Kiev e aliados europeus .Rússia entretém com “teatro de negociações”, dizem secretas europeias