A Rússia avisou esta segunda-feira, 25 de maio, que vai lançar mais ataques contra a capital ucraniana, Kiev, e aconselhou os cidadãos estrangeiros, nomeadamente diplomatas, a abandonar a cidade.Os bombardeamentos de Moscovo terão como alvo "centros de decisão", "postos de comando", instalações militares e industriais em Kiev, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, citado pela AFP."Estamos a alertar os cidadãos estrangeiros, incluindo o pessoal de missões diplomáticas e organizações internacionais, para que abandonem a cidade o mais rapidamente possível", avisou o ministério tutelado por Sergei Lavrov, não tendo dado informações sobre quando é que irão ocorrer os ataques contra a capital ucraniana.A Rússia justifica esta nova vaga de bombardeamentos contra Kiev como sendo uma resposta a um ataque realizado na sexta-feira contra uma escola na região de Lugansk, ocupada pela Rússia, que, segundo as autoridades de Moscovo, resultou em 21 mortos. De acordo com a AFP, o presidente russo terá ordenado uma retaliação. "Nas circunstâncias atuais, as Forças Armadas russas estão a começar a lançar ataques sistemáticos contra instalações militares e industriais ucranianas em Kiev", indicou, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia..Kiev classifica ameaça russa como “chantagem descarada”.O ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia classificou estas terça-feira, 26 de maio, a ameaça russa como uma "chantagem descarada".O governo e diplomacia ucranianos agradeceram às missões diplomáticas estrangeiras que mantiveram os seus funcionários na capital, apesar dos alertas russos para que deixassem o país o mais rápido possível por motivos de segurança."De acordo com avaliações do lado ucraniano, o nível geral de ameaças à segurança que a Rússia representa para Kiev e outras cidades ucranianas permanece o mesmo que nos anos e meses anteriores", segundo comunicado.O texto do ministério dos Negócios Estrangeiros adianta que a Rússia tem usado regularmente “todo o seu arsenal de mísseis e drones letais contra a capital ucraniana” desde o início da guerra e, portanto, não considera haver risco maior.“Para combater a intimidação russa, o ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia está pronto para ajudar no reforço da segurança das missões diplomáticas estrangeiras, caso seja solicitado”, lê-se ainda.O embaixador da União Europeia na Ucrânia e outros diplomatas de países parceiros de Kiev reagiram ao anúncio russo de uma nova campanha de bombardeamentos maciços contra a capital ucraniana, afirmando que não têm intenção de deixar a cidade.O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, aconselhara na segunda-feira os Estados Unidos e outros países com missões na capital ucraniana a evacuarem a sua embaixada em Kiev numa conversa telefónica com o homólogo norte-americano, Marco Rubio."Eles [Rússia] enviaram um aviso a todas as embaixadas, e acho que ele me ligou pessoalmente apenas para me dizer que Kiev vai ser um lugar muito perigoso. Kiev já é um lugar muito perigoso há vários anos", considerou o chefe da diploma norte-americana. Marco Rubio reiterou que os EUA "estão prontos e dispostos a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para facilitar o fim desta guerra". "Esperamos que a oportunidade surja a qualquer momento”, disse..Recorde-se que, no domingo (24), o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou a Rússia de ter utilizado um míssil de alcance intermédio Orechnik, com capacidade nuclear, contra a Ucrânia, durante bombardeamentos noturnos massivos e mortíferos. “Três mísseis russos contra uma infraestrutura de abastecimento de água, um mercado incendiado, dezenas de edifícios residenciais danificados, várias escolas regulares, e ele [Presidente russo, Vladimir Putin] lançou o seu Orechnik contra Bila Tserkva. Eles estão mesmo loucos”, declarou Zelensky numa mensagem no Telegram.Esta terá sido a terceira vez que o míssil, com capacidade de transportar ogivas nucleares ou convencionais, foi utilizado na Ucrânia. Intensos bombardeamentos russos atingiram Kiev e a sua região na última noite, tendo causado quatro mortos e mais de 60 feridos, informaram as autoridades locais.Com Lusa .Quatro mortos e mais de 60 feridos. Zelensky acusa Rússia de ter usado míssil com capacidade nuclear