Esta terá sido a terceira vez que o míssil, com capacidade de transportar ogivas nucleares ou convencionais, foi utilizado na Ucrânia.
Esta terá sido a terceira vez que o míssil, com capacidade de transportar ogivas nucleares ou convencionais, foi utilizado na Ucrânia. Foto: EPA/SERGEY DOLZHENKO

Quatro mortos e mais de 60 feridos. Zelensky acusa Rússia de ter usado míssil com capacidade nuclear

Esta terá sido a terceira vez que o míssil, com capacidade de transportar ogivas nucleares ou convencionais, foi utilizado na Ucrânia.
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O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou este domingo, 24 de maio, a Rússia de ter utilizado um míssil de alcance intermédio Orechnik, com capacidade nuclear, contra a Ucrânia, durante bombardeamentos noturnos massivos e mortíferos. “Três mísseis russos contra uma infraestrutura de abastecimento de água, um mercado incendiado, dezenas de edifícios residenciais danificados, várias escolas regulares, e ele [Presidente russo, Vladimir Putin] lançou o seu Orechnik contra Bila Tserkva. Eles estão mesmo loucos”, declarou Zelensky numa mensagem no Telegram.

Esta terá sido a terceira vez que o míssil, com capacidade de transportar ogivas nucleares ou convencionais, foi utilizado na Ucrânia. Intensos bombardeamentos russos atingiram Kiev e a sua região na última noite, tendo causado quatro mortos e mais de 60 feridos, informaram as autoridades locais.

O balanço das vítimas dos bombardeamentos noturnos ascendeu a dois mortos e 56 feridos na capital, que foi “duramente atingida”, indicou o presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, no Telegram. Duas outras pessoas foram mortas na região da capital e nove ficaram feridas, incluindo uma criança com idade inferior a 1 ano, indicou o chefe da administração regional, Mykola Kalachnyk.

Segundo Vitali Klitschko, “as equipas de resgate continuam a remover os escombros” e “os centros de saúde de Kiev funcionam normalmente e prestam assistência completa aos habitantes da capital”. A Força Aérea da Ucrânia informou, entretanto, em comunicado, neste bombardeamento, que teve a capital ucraniana como principal alvo, a Rússia utilizou mais de 600 drones e mísseis de vários tipos.

Um total de 549 drones inimigos foram abatidos e 55 mísseis russos intercetados neste ataque que tinha como “alvo principal Kiev”, segundo a Força Aérea da Ucrânia. Os militares ucranianos precisaram que a Rússia utilizou, entre outros, 54 mísseis de cruzeiro e mais de 30 mísseis balísticos. “De acordo com dados provisórios, registaram-se impactos de 16 mísseis e de 51 drones em 54 pontos do país, bem como restos de drones abatidos em 54 locais”, segundo o comunicado da Força Aérea.

De acordo com informação anterior do The Kyiv Independent, que citou grupos na Internet dedicados à observação e análise do conflito, a Rússia utilizou neste ataque cerca de 50 mísseis e até 700 drones contra território ucraniano, mas a capital do país foi o principal alvo de “um dos maiores ataques do último ano”.

Portugal e UE condenam ataque

O Governo português condenou “fortemente” o que descreveu como “mais um enorme ataque” russo à capital ucraniana, com recurso a um míssil com capacidade nuclear, e reiterou “toda a solidariedade” e apoio “sem reservas” à Ucrânia. A mensagem do Governo, transmitida através das redes sociais pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), surge depois de a Rússia ter confirmado a utilização do míssil hipersónico Orechnik para atacar a Ucrânia na noite passada.

“Toda a solidariedade ao povo ucraniano e às suas autoridades. Continuamos a apoiar sem reservas a Ucrânia e também a sua aspiração a uma paz justa e duradoura”, escreveu o Palácio das Necessidades na rede X.

Kaja Kallas afirmou que a Rússia está a tentar "aterrorizar a Ucrânia" através de uma "tática de intimidação" com os recentes bombardeamentos em grande escala e a utilização do míssil Orechnik. "A Rússia encontra-se num impasse no campo de batalha, por isso está a aterrorizar a Ucrânia com ataques deliberados a centros urbanos", escreveu no X a chefe da diplomacia da União Europeia (UE).

Para Kallas, o uso por Moscovo de mísseis balísticos de alcance intermédio Orechnik — sistemas concebidos para transportar ogivas nucleares — são "uma tática de intimidação política e uma forma imprudente de chantagem nuclear".

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