O novo primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, deixou esta quinta-feira, 14 de maio, claro que a proximidade entre Budapeste e Moscovo, uma marca do anterior governo de Viktor Orbán, terá chegado ao fim, ao anunciar que o seu executivo convocou o embaixador russo devido a um ataque maciço com drones perto da fronteira entre a Hungria e a Ucrânia. “O governo húngaro condena veementemente o ataque russo à Transcarpátia”, disse Magyar, adiantando que a sua ministra dos Negócios Estrangeiros iria questionar o embaixador “sobre quando é que a Rússia e Vladimir Putin planeiam finalmente pôr fim a esta guerra sangrenta que começou há mais de quatro anos”. Declarações que agradaram a Volodymyr Zelensky. “Obrigado pela sua compaixão e posição firme!”, escreveu o presidente ucraniano nas redes sociais. Este novo posicionamento de Budapeste em relação a Moscovo já tinha sido indicado na terça-feira pela líder da diplomacia húngara, Anita Orbán (sem relação com o antigo primeiro-ministro), durante a sua confirmação parlamentar, quando garantiu aos deputados que a Hungria iria deixar de ser o cavalo de Tróia do Kremlin dentro da União Europeia, prometendo ainda acabar com os acordos misteriosos com o regime de Putin e a intenção de diversificar as fontes de energia do seu país, até agora muito dependentes da Rússia. Já depois da sua conversa com o embaixador russo, Anita Orbán revelou ter dito ao diplomata que “é completamente inaceitável para a Hungria que a Transcarpátia, habitada por húngaros, também esteja a ser atacada”, tendo ainda enfatizado “que a Rússia deve fazer todo o possível para garantir um cessar-fogo imediato e alcançar um fim pacífico e duradouro para a guerra o mais rapidamente possível”A Eslováquia de Robert Fico - outro conhecido aliado de Vladimir Putin, como mostrou com a sua presença no desfile militar do Dia da Vitória da semana passada em Moscovo - juntou-se esta quinta-feira também à Hungria na condenação dos ataques aéreos russos à região vizinha. Numa mensagem publicada nas redes sociais, o ministro dos Negócios Estrangeiros eslovaco, Juraj Blanár, afirmou que estes ataques minam as perspetivas do fim da agressão russa à Ucrânia e “limitam o espaço para o diálogo de paz”, fazendo ainda eco das críticas da Hungria ao sublinhar que a Transcarpátia alberga muitos eslovacos étnicos. Na quarta-feira, a intensidade dos ataques russos já tinham levado Bratislava a encerrar temporariamente as suas passagens fronteiriças com a Ucrânia.A Rússia realizou o seu maior ataque aéreo num período de dois dias desde o início da guerra na Ucrânia, bombardeando Kiev e outras cidades com centenas de drones, informaram esta quinta-feira as autoridades ucranianas, tirando a vida a, pelo menos, 11 pessoas. “No total, nas ondas de ataques maciços de 13 e 14 de maio, os russos utilizaram 1567 drones e 56 mísseis de vários tipos. A percentagem de abates de drones foi de 94%. A percentagem de abates de mísseis foi de 73%”, revelou Zelensky, adiantando que “o desafio principal é a balística e a cobertura de milhares de infraestruturas de retaguarda e das nossas cidades”. O líder ucraniano anunciou ainda que tinha dado “instruções às Forças de Defesa da Ucrânia e aos serviços especiais para propor possíveis formatos da nossa resposta a este ataque russo”. .UE junta-se às críticas de Zelensky ao levantamento de sanções à Rússia após o ataque mais mortal do ano