Vladimir Putin, presidente russo.
Vladimir Putin, presidente russo. FOTO: EPA/RAMIL SITDIKOV/POOL

Putin espera acordo de paz "o mais depressa possível" e normalizar relações com Europa

O presidente russo alertou que as relações com a Europa "deixam muito a desejar" e estão "reduzidas ao mínimo", mas manifestou confiança em restaurá-las.
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O presidente russo Vladimir Putin disse esta quinta-feira, 15 de janeiro, que ainda espera um acordo de paz “o mais depressa possível” para o conflito na Ucrânia e normalizar as relações com os países europeus, que considera estarem atualmente reduzidas ao mínimo.

Dirigindo-se a dez embaixadores europeus que lhe apresentaram esta quinta-feira as suas credenciais numa cerimónia no Kremlin, o líder russo alertou que as relações com a Europa "deixam muito a desejar" e manifestou confiança em restaurá-las no futuro.

"Quero sublinhar que o diálogo e os contactos foram reduzidos ao mínimo, tanto na esfera oficial, empresarial como pública, mas não por culpa nossa", observou.

Vladimir Putin disse que a interação com a Europa, que já foi o maior parceiro comercial da Rússia, ficou também congelada no que diz respeito ao diálogo sobre questões internacionais e regionais.

"Quero acreditar que, com o tempo, a situação irá mudar e os nossos países regressarão a uma comunicação normal e construtiva, baseada no respeito pelos interesses nacionais e na consideração das legítimas preocupações de segurança", afirmou.

Para Putin, as relações da Rússia com cada um dos países cujos embaixadores estiveram presentes na cerimónia desta quinta-feira, incluindo Portugal, têm "raízes históricas profundas e estão repletas de exemplos de parcerias mutuamente benéficas e enriquecedora cooperação cultural".

Na cerimónia, o presidente russo defendeu também “a consolidação das condições que permitam alcançar, o mais depressa possível uma solução pacífica” para o conflito na Ucrânia.

"O nosso país aspira a uma paz duradoura e sólida que garanta de forma fiável a segurança de cada pessoa. No entanto, nem todos, incluindo Kiev e as capitais que a apoiam, estão preparados", criticou, aludindo aos países europeus aliados da Ucrânia.

Até que outros países compreendam esta necessidade, Putin insistiu que a Rússia continuará a "perseguir os seus objetivos", reafirmando que a crise na Ucrânia é consequência do desrespeito "durante muitos anos" dos interesses de Moscovo e do incumprimento das potências ocidentais em honrar a sua "promessa pública" de não expandir a NATO para leste.

O Kremlin não confirmou esta quinta-feira a iminente chegada a Moscovo, noticiada pela imprensa internacional, dos enviados da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner para discutir o plano de paz do Presidente norte-americano, Donald Trump, para a Ucrânia, que se encontra há várias semanas num impasse.

Moscovo recusou-se igualmente a confirmar se apoia o envio de tropas estrangeiras para o país vizinho, particularmente se essas forças incluíam militares de países de países do Sul Global, como a China.

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Antes das declarações de Putin, o porta-voz do Kremlin tinha afirmado esta quinta-feira que Moscovo concorda com as declarações do Presidente norte-americano de que o principal obstáculo à paz na Ucrânia é o líder do país, Volodymyr Zelensky.

"Podemos concordar com isso. É de facto o caso", comentou Dmitri Peskov na sua primeira conferência de imprensa telefónica de 2026.

Peskov reagia às declarações de Trump, que sugeriu que o Presidente russo demonstrou maior disponibilidade do que Zelensky para aceitar o plano de paz da Casa Branca.

"A situação está a piorar de dia para dia para o regime de Kiev. Já o dissemos. E a janela para a tomada de decisões está a fechar-se", disse ainda o porta-voz do Kremlin.

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A cerimónia de entrega de credenciais de embaixadores estrangeiros foi a primeira em mais de um ano e contou com a presença de mais de 30 diplomatas, entre os quais se encontravam embaixadores de dez países europeus, bem como os chefes de missões diplomáticas de Cuba, Brasil, Uruguai, Colômbia e Peru, além dos novos representantes de Israel e do Afeganistão.

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