Os Estados Unidos acusaram a Rússia de uma “escalada perigosa e inexplicável” na guerra, criticando o lançamento de um míssil balístico Oreshnik, com capacidade nuclear, na semana passada, junto à fronteira da Ucrânia com a Polónia, um país pertencente à NATO.“Graças à liderança do presidente Trump, estamos agora mais perto de um acordo do que em qualquer outro momento desde o início da guerra”, disse vice-embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Tammy Bruce, numa reunião de emergência do Conselho de Segurança realizada esta terça-feira, 13 de janeiro (hora de Lisboa) para discutir os contínuos e mortíferos ataques com mísseis e drones da Rússia contra civis e infraestruturas energéticas da Ucrânia.Bruce descreveu os ataques russos contra a Ucrânia como “mais uma escalada perigosa e inexplicável desta guerra”, condenando ainda os ataques de Moscovo contra civis e alvos energéticos civis como “um escárnio à causa da paz”.A representante dos Estados Unidos recordou ainda que há cerca de um ano Moscovo votou a favor de uma resolução do Conselho de Segurança que apelava ao fim do conflito na Ucrânia, sublinhando que “seria bom se a Rússia demonstrasse o seu compromisso com as ações”. “No espírito desta resolução, a Rússia, a Ucrânia e a Europa devem procurar a paz de forma séria e pôr fim a este pesadelo”, acrescentou Tammy Bruce. O embaixador da Rússia respondeu a estas acusações, dizendo que até que o presidente ucraniano “caia em si e concorde com condições realistas para as negociações, continuaremos a resolver o problema por meios militares”. “Ele foi avisado há muito tempo que, a cada dia que passa, a cada dia que desperdiça, as condições para as negociações só vão piorar para ele. (...) Da mesma forma, cada ataque vil contra civis russos provocará uma resposta firme”, reforçou Vassily Nebenzia.Volodymyr Zelensky informou ontem que a Rússia atacou a Ucrânia durante a noite com 300 drones de ataque, a maioria dos quais Shaheds, 18 mísseis balísticos e 7 mísseis de cruzeiro. “Novamente, o principal alvo do ataque foi a nossa energia: geração, subestações. Infelizmente, muitas destruições são de infraestruturas habitacionais e civis. Os ataques atingiram Dnipropetrovsk, Zhytomyr, Zaporíjia, Kiev, Odessa, Sumy, Kharkiv e Donetsk”, referiu o presidente ucraniano. “A situação em Kiev é difícil: várias centenas de milhares de famílias estão agora sem fornecimento de eletricidade”. Pelo menos quatro pessoas morreram na sequência de um ataque russo que atingiu uma clínica pediátrica nos arredores de Kharkiv.Dados da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia (HRMMU), divulgados na segunda-feira à noite, mostram que 2025 foi o ano mais letal para os civis na Ucrânia desde o início da invasão russa, com o registo de 2.514 civis mortos e 12.142 feridos. Estes números são 31% superiores aos de 2024 (2.088 mortos; 9.138 feridos) e 70% acima dos de 2023 (1.974 mortos; 6.651 feridos). A grande maioria das vítimas verificadas pela HRMMU em 2025 ocorreu em território controlado pelo governo, em consequência de ataques lançados pelas forças armadas russas (97% - 2.395 mortos e 11.751 feridos).“A nossa monitorização mostra que este aumento foi impulsionado não só pela intensificação das hostilidades ao longo da linha da frente, mas também pelo uso alargado de armas de longo alcance, o que expôs os civis de todo o país a um risco mais elevado”, referiu em comunicado a responsável da HRMMU, Danielle Bell..“Estamos a 5mil km da batalha, mas não estamos fora da guerra na Ucrânia”.Rússia cria impasse nas negociações de paz ao alegar ataque de Kiev contra residência de Putin