Vladimir Putin visita esta terça e quarta-feira, 19 e 20 de maio, a China com “grandes expectativas” de que o momento será usado por Moscovo e Pequim para desenvolver a “parceria privilegiada”, referiu esta segunda-feira o Kremlin. Esta viagem do presidente russo realiza-se menos de uma semana depois do seu homólogo norte-americano, Donald Trump, ter estado também em Pequim para um encontro com o líder chinês, Xi Jinping.“Temos grandes expectativas para esta visita”, afirmou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, garantindo que a Rússia não irá competir com os Estados Unidos pela composição da delegação de Putin na sua visita à China, e que incluirá “todos os vice-primeiros-ministros relevantes, muitos ministros e chefes de empresas estatais e privadas que operam na China”.De recordar que Trump, na semana passada, além de vários membros da sua administração, como o secretário de Estado Marco Rubio, chegou a Pequim acompanhado de 17 executivos, na sua maioria de empresas tecnológicas e financeiras, como o CEO da Nvidia, Jensen Huang, o líder da Apple, Tim Cook, e o fundador da Tesla, Elon Musk.As relações entre a China e a Rússia têm-se aprofundado nos últimos anos, particularmente desde o início da invasão da Ucrânia, que deixou Moscovo isolada e dependente de Pequim para o comércio devido às sanções ocidentais - a China é o maior comprador mundial de combustíveis fósseis russos, incluindo produtos petrolíferos, alimentando assim a máquina de guerra. Por outro lado, a China refuta as acusações de entregar componentes militares para a indústria de defesa russaO Kremlin reforçou esta segunda-feira, 18 de maio, que qualquer contacto entre Putin e Xi ajuda a criar um novo impulso para o desenvolvimento e a expansão das relações entre Moscovo e Pequim, sublinhado que a visita desta semana não deverá ser uma exceção. “Os contactos entre os líderes dos dois países contribuem para criar um novo impulso para o desenvolvimento e a expansão das relações”, notou Peskov. “Estamos a desenvolver as nossas relações independentes e multifacetadas com a China, que nós e os nossos amigos chineses consideramos uma parceria estratégica privilegiada e especial”.Peskov foi questionado sobre se em cima da mesa estará a discussão sobre o futuro gasoduto Força da Sibéria 2, que poderá vir a fornecer 50 mil milhões de metros cúbicos adicionais por ano a partir do Ártico russo, passando pela Mongólia, até à China, referindo apenas que “todas as questões que constam da agenda económica das nossas relações bilaterais serão naturalmente abordadas”. No âmbito da visita, Putin deverá também realizar conversações separadas sobre cooperação económica e comercial com o primeiro-ministro Li Qiang, segundo já havia sido adiantado anteriormente pelo Kremlin. Do lado de Pequim, o sentimento é semelhante ao de Moscovo, como referiu ontem Guo Jiakun, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. “Os dois lados aproveitarão esta visita como uma oportunidade para continuar a promover o desenvolvimento das relações China-Rússia a um nível mais elevado, o que injetará maior estabilidade e energia positiva no mundo”, disse Guo, citado pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua. De notar que Vladimir Putin já fez mais de 20 viagens à China e encontrou-se com Xi Jinping mais de 40 vezes..“Relação entre Xi e Putin é pragmática, construída sobre interesses comuns e cálculos estratégicos”