O papa Leão XIV respondeu esta segunda-feira, 13 de abril, às críticas de Donald Trump sobre a guerra entre os Estados Unidos e Israel no Irão, afirmando que os apelos do Vaticano à paz têm raízes no Evangelho e garantindo que não tem medo da atual administração norte-americana.“Não tenho medo da administração Trump nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho, que é o propósito da Igreja. Não somos políticos. Não encaramos a política externa da mesma perspetiva que ele [Trump]”, disse o Sumo Pontífice, nascido nos Estados Unidos, falando aos jornalistas que o acompanharam na viagem até à Argélia, a sua primeira paragem numa visita a África. “Continuarei a manifestar-me veementemente contra a guerra, procurando promover a paz, o diálogo e o multilateralismo entre os Estados para encontrar soluções para os problemas.”Em declarações à AP, Leão XIV referiu ainda que "colocar a minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente [Donald Trump] tentou fazer aqui, creio eu, é não compreender a mensagem do Evangelho". "E lamento ouvir isso, mas continuarei com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo de hoje”, prosseguiu o líder da Igreja Católica, sublinhando que não fez um ataque direto a Trump com o seu apelo à paz.“Não vou entrar em debates. O que eu disser não é certamente uma crítica a ninguém. A mensagem do Evangelho é muito clara: ‘Bem-aventurados os pacificadores’”, disse ainda Leão XIV à AP.Já em declarações à Reuters, o norte-americano voltou a sublinhar não querer "entrar em debate com ele", numa referência a Donald Trump, sublinhando não achar que "a mensagem do Evangelho deva ser deturpada da forma como algumas pessoas o estão a fazer.""Continuarei a manifestar-me veementemente contra a guerra, procurando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas", rematou.Estas declarações de Leão XIV - que tem criticado a guerra entre os EUA e Israel contra o Irão, tendo no sábado falado mesmo na "loucura da guerra" causada pela "ilusão de omnipotência" numa vigília pela paz - surgem depois de Donald Trump ter atacado a posição do papa em relação a este conflito, mas também críticas feitas pelo líder dos católicos a outras políticas da Casa Branca, como o combate à imigração."O papa Leão é FRACO no combate ao crime e péssimo na política externa", escreveu Donald Trump na Truth Social no domingo à noite. "Não quero um papa que acha OK o Irão ter uma Arma Nuclear. Não quero um papa que pensa que é terrível a América ter atacado a Venezuela, um país que estava a enviar quantidades massivas de droga para os Estados Unidos e, ainda pior, esvaziando as suas prisões, incluindo assassinos, traficantes de droga, para o nosso país", prosseguiu. "E não quero um papa que crítica o presidente dos Estados Unidos porque estou a fazer exatamente aquilo para que fui eleito, DE FORMA ESMAGADORA".O líder dos Estados Unidos referiu ainda que Leão XIV devia "estar agradecido" porque apenas foi eleito papa "porque era americano, e eles pensaram que seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump". "Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano", acrescentou, referindo ainda que o Sumo Pontífice "é fraco no crime, fraco nas armas nucleares"."Leão devia recompor-se como papa, usar Senso Comum, deixar de ceder aos caprichos da esquerda radical, e focar-se em ser um Grande Papa, não um político. Está a prejudicá-lo muito e, mais importante, está a prejudicar a Igreja Católica", escreveu ainda na Truth Social.Mais tarde, em declarações aos jornalistas, Donald Trump voltou ao tema, referindo não achar que Leão XIV "esteja a fazer um bom trabalho, acho que gosta de crimes". "É uma pessoa muito liberal e não acredita no combate ao crime, não acredita que devamos brincar com um país que quer uma arma nuclear para rebentar com o mundo".Já na madrugada desta segunda-feira, depois das críticas ao papa, o presidente dos Estados Unidos publicou na plataforma Truth Social uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece representado como Jesus Cristo. .Leão XIV diz que líderes cristãos que iniciam guerras devem confessar-se.Trump convida Papa para integrar Conselho de Paz e fica a aguardar resposta do Vaticano