Papa Leão XIV.
Papa Leão XIV.EPA/ALESSANDRO DI MEO

Trump convida Papa para integrar Conselho de Paz e fica a aguardar resposta do Vaticano

Cardeal Parolin confirma receção da proposta norte-americana, mas sublinha que a Santa Sé exige "tempo e reflexão" antes de decidir o seu papel no novo organismo.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou formalmente o Papa Leão XIV para integrar o recém-criado "Conselho de Paz" (Board of Peace), uma iniciativa que visa mediar conflitos globais à margem das Nações Unidas. Apesar da pressão diplomática de Washington, o Vaticano mantém-se em "fase de estudo", não tendo ainda dado uma resposta definitiva ao convite.

O anúncio da receção do convite foi feito esta quarta-feira, 21 de janeiro pelo Secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin. Em declarações aos jornalistas, em Roma, Parolin confirmou que "o Papa recebeu o convite" e que a Santa Sé está agora a "aprofundar a questão".

"Acredito que seja um assunto que exige tempo para reflexão e resposta", acrescentou o diplomata, sublinhando a prudência característica da Igreja perante organismos de cariz executivo.

Originalmente idealizado por Trump para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, o Conselho de Paz viu o seu estatuto alargado para uma jurisdição global.

O organismo tem gerado divisões na comunidade internacional: enquanto líderes como Benjamin Netanyahu (Israel) e Abdel Fattah al-Sisi (Egito) já aceitaram o convite, países como a Noruega, a França e o Canadá recusaram participar, invocando o receio de que este conselho enfraqueça o papel do Conselho de Segurança da ONU.

A cautela de Leão XIV

A escolha de Leão XIV (o cardeal norte-americano Robert Francis Prevost, eleito em 2025) é vista como estratégica por parte da administração Trump, dada a nacionalidade do pontífice. No entanto, o Papa tem mantido uma postura crítica em relação a algumas políticas de Washington, nomeadamente quanto aos planos de paz para a Ucrânia e à situação humanitária em Gaza, o que poderá pesar na decisão final da Santa Sé.

Para já, o Vaticano não rejeitou a proposta, mas o cardeal Parolin sinalizou que qualquer participação da Igreja terá de respeitar os princípios do direito internacional e a neutralidade diplomática que definem o Estado da Cidade do Vaticano.

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